terça-feira, 31 de março de 2015

Rir é o melhor remédio



Música para os meus ouvidos


Já faz algum tempo deixei de acreditar que dois corações possam permanecer conectados ou pulsando na mesma sintonia. Pelo menos não por muito tempo.

Normalmente, ao menos uma das partes logo pisa na bola, vende ilusões ou cultiva falsas expectativas, aproveita o sentimento ou o laço que une para tirar vantagens materiais, passa a perna ou apunhala pelas costas, rouba o sonho sem entregar nada em troca, deixa de se colocar no lugar do outro, abre feridas que nunca mais cicatrizam, dá no pé sem muita explicação, etc., etc., etc.

Mas nunca deixo de acreditar e correr atrás da poesia e de som que faz bem ao coração e alimenta o mito do amor que se nutre, corresponde e completa mutuamente. 




segunda-feira, 30 de março de 2015

Ato político


Compartilho um artigo certeiro, profundo e necessário de Ademir Furtado. Não digo mais nada, pois tal escrito já diz tudo sobre quem é e porque tanto esperneia atualmente em nosso país ou aqueles que mais aderem a marcha (a ré) incetada pelos que estão no topo da pirâmide social brasileira. Um esperneio com lenço, batom, roupa de marca, documento e muito mais, mas totalmente desproporcional e sem noção, tendo em vista que a classe média nunca foi ao paraíso no Brasil e nos dias que correm nunca esteve tão longe de chegar ao inferno propalado "pelos de cima".

A classe média nunca foi ao paraíso (por Ademir Furtado)
Um vídeo que circula pela internet há algum tempo provoca a ira de muita gente. Trata-se de uma palestra da filósofa Marilena Chauí, em que a da classe média brasileira é tachada de fascista, reacionária e ignorante. A fúria que se alastrou pelos segmentos mais remediados da população aumentou mais ainda quando algumas instituições divulgaram os salários de seus funcionários, e na lista de uma universidade pública apareceu o nome da palestrante, ostentando uma renda mensal de mais de vinte mil reais. Isso, segundo os iracundos, seria uma contradição, uma manifestação hipócrita da filósofa. A partir desse momento, Marilena, cuja inclinação política é publicamente de esquerda, passou a ser ridicularizada. 

Verdade seja dita. É duro, para qualquer vivente, se olhar no espelho quando não está com a cara que ele gostaria. Pior ainda, é quando o sujeito é obrigado a ouvir uma descrição de sua aparência que não combina com aquela imagem idealizada que ele tanto se empenha em alimentar. Nesse caso, a melhor estratégia é desqualificar o intrometido que se aventurou a dar palpite, e ignorar suas opiniões fora de propósito.

Pois os indignados da vez, aqueles que correram para vestir a carapuça, teriam poupado um pouco da bílis se atentassem ao estrato sociológico ao qual a filósofa se referia. Aí entenderiam que o que determina a posição social de uma pessoa não é o salário que ela recebe no fim do mês, e sim a sua capacidade de influenciar nas tomadas de decisões que afetam a vida de todos. E se esses medianos revoltados tivessem o hábito de refletir sobre os problemas nacionais, aprenderiam que o maior dilema de parte da classe média brasileira não é ser explorada e sempre pagar a conta, e sim, a crença de que faz parte da classe dos ricos. Felizmente, essa constatação não deve ser generalizada. Ela se aplica apenas a uma parcela da base de apoio da pirâmide social cujos membros desprezam qualquer atividade que não produza lucro financeiro, como as reflexões filosóficas, por exemplo. Gente que tem no poder de consumo sua única fonte de satisfação pessoal.

Financeiramente dependente da infraestrutura desenvolvida pela classe dominante, a classe média vive na ilusão de que faz parte da elite, quando na verdade, vive apenas pendurada nela. É essa condição de parasita que a torna defensora do status vigente e tão refratária a qualquer mobilidade social vinda de baixo. A certeza de não conseguir subir mais um degrau, somada ao medo de cair nas desgraças da pobreza, gera na mente dessas criaturas uma necessidade premente de se afastar das esferas subalternas.

A supervalorização da capacidade de consumo de bens produzidos no primeiro mundo é um mecanismo utilizado para essa conquista. Mas o argumento mais utilizado para se colocar num patamar que julga ser inatingível pelos desfavorecidos da sorte é o arcabouço de valores morais. Carente de qualquer refinamento intelectual, a classe média acredita que as atitudes dos homens são determinadas exclusivamente pelas suas escolhas morais. Um homem seria bom ou mau simplesmente porque assim ele escolheu. E o mundo seria mais ou menos como uma casa, onde cada compartimento é o cenário de atitudes e gestos padronizados. Essa visão de mundo não consegue conceber a política como um jogo de interesses de grupos, onde a ação dos participantes é determinada por pressão externa e não por convicções subjetivas. Nessa idealização da natureza humana, tudo aparece como uma competição de virtudes naturais, e o controle das riquezas produzidas em sociedade, fim último da atividade política, um mero reflexo do caráter moral dos agentes da administração.

A proximidade com as esferas superiores dá à classe média a ilusão de que foi recebida na sala de visitas. Por isso ela precisa escamotear sua condição de servilismo confinado na despensa e aderir ao discurso do livre arbítrio, criando para si uma imagem idealizada de que conquistou um espaço baseada em sua capacidade. Em momento algum ela vai conseguir enxergar que está apenas desempenhando uma função dentro de uma organização que funciona sem o seu controle.

Por isso a classe média se sente a merecedora por natureza de qualquer benefício vindo das camadas de cima, e não hesita em aderir às receitas dos chefes quando o banquete é farto. Mas, nos últimos anos, ela viu, com espanto e terror, que a administração do bolo foi orientada para as eternas demandas dos mais necessitados, que só recebiam atenção em épocas de eleição. Por não atinar que a sociedade é organizada na posição piramidal, ela foi tomada de escândalo quando algumas regalias foram jogadas no andar de baixo, sem que ela pudesse apanhar nem mesmo uma migalha. Incapaz de entender que o fortalecimento das bases da pirâmide trariam benefícios e mais segurança para todo mundo, ela se pôs a praguejar e acusar a governança de demagoga. Acreditando que a classe operária finalmente tinha chegado ao paraíso, a classe média passou a temer pela perda de sua posição de privilegiada serviçal da classe dominante. Então os chefes da cozinha se transformaram nos carrascos e vilões coligados com as forças do mal.

Com semelhante nível de entendimento, cada vez que se sente prejudicada, não aparece no horizonte da classe média nenhuma solução a não ser trocar os responsáveis pela repartição dos pães e esperar que um novo salvador lhe traga o tão sonhado mundo novo. Afinal de contas, para essa parte da população brasileira, o sonho máximo de redenção é habitar os paraísos fiscais e de consumo.

Ademir Furtado é escritor, autor do romance “Se eu olhar para trás” (Dublinense, 2011).

sexta-feira, 27 de março de 2015

Falta de chuva faz prefeito de Herval decretar situação de emergência



O prejuízo afetou principalmente a cultura do milho, bovinocultura de leite e de corte e culturas de soja, abóbora e feijão, girando em torno de R$ 18 milhões

Os impactos negativos causados na agricultura devido à falta de chuva fizeram com que o prefeito Ildo Sallabery decretasse situação de emergência na área rural de Herval.

Os aspectos considerados foram os efeitos gerados pela estiagem na safra agrícola de verão em razão da estiagem que o município sofre há mais de 60 dias. “Fomos obrigados a decretar situação de emergência devido à continuidade da estiagem que atinge a zona rural do Município, ocasionando o agravamento nas perdas das atividades agrícolas e pecuárias que já tomam proporções elevadas”, justifica o prefeito Ildo.

De acordo com o secretário de Agropecuária e Desenvolvimento, Fernando Silveira, em algumas propriedades, o nível da água para o consumo animal chegou à zero. “A água já está faltando para os animais e a sua falta compromete toda produção leiteira”, ressaltou Denise Fernandes, auxiliar de escritório da Cooperativa Regional dos Assentados da Fronteira Oeste – Cooperforte, que recolhe leite em Herval.

Conforme o engenheiro agrônomo da Emater de Herval, André Kieling, “no mínimo 800 famílias sofrem a ação direta da estiagem no interior do município e isto é um problema social bastante grave para um município com sete mil habitantes”, informa André.

Em virtude de o município ter atingido os índices do Formulário de Informações de Desastre – FIDE da Defesa Civil, a própria entidade já disponibilizou uma pipa para armazenamento de 4,5 mil litros de água, adaptada a um caminhão conseguido através de parceria com a Cooperforte, para levar a água até os locais mais afetados. O secretário de Agropecuária e Desenvolvimento também está tentando contato com o Governo do Estado para conseguir máquinas que serão utilizadas na perfuração de poços artesianos.

A Comissão Municipal de Defesa Civil tem até o dia 27 de março para ter o reconhecimento do pedido de Situação de Emergência, após deve haver homologação do decreto pelo Governador do Estado e posteriormente da Secretaria Nacional de Defesa Civil. A partir daí os recursos destinados a Herval, serão distribuídos às pessoas afetadas, através da Secretaria de Assistência Social, que terá como base o cadastro já existente na mesma.

Confira a seguir as perdas calculadas através de levantamento de dados no campo e por entidades componentes da Comissão Municipal de Defesa Civil (COMDEC) na agricultura e pecuária do município:


* Milho – área cultivada 2.400 hectares para grãos e 200 hectares para silagem – perda de 70% representando R$ 1.881.600,00 (grãos) e 50% representando R$ 225 mil (silagem)

* Bovinocultura de leite – redução de 57,47% no volume mensal produzido – perda de R$ 128 mil, com diminuição total de receita de aproximadamente R$ 735 mil

*Abóbora – área cultivada 550 hectares – perda de 30% representando R$ 792 mil

* Soja – área cultivada 12 mil hectares, expectativa de produção era de 40 sacos por ha. – perda de R$ 10,080 milhões

* Bovinocultura de corte – redução de 5% na taxa de natalidade na próxima parição – perda de R$ 3,375 milhões em animais adultos que deixarão de ser comercializados

* Feijão – área cultivada 180 hectares – perda de 20% representando R$ 100,8 mil

TEXTO: jornalista Nívea Bilhalva de Oliveira
Publicado originalmente no site da prefeitura: www.herval.rs.gov.br

Nem só de pão viverá o homem





quarta-feira, 25 de março de 2015

Seminário discute a importância da água e da conservação do “arroio grande”




O plenário da Câmara Municipal de Vereadores da cidade de Herval esteve repleto de autoridades, ambientalistas, representantes da Corsan e Secretaria Estadual do Meio Ambiente para discutir ações de preservação e conservação das águas do “arroio grande”, importante recurso hídrico que abastece com água potável os municípios de Herval e Arroio Grande.

O evento, intitulado “Seminário Ação e Cidadania pelas Águas”, em sua segunda edição, iniciou com apresentação artística do Coral Municipal de Herval, sob responsabilidade da “Casa das Oficinas”.


A mesa oficial do evento contou com a presença do Prefeito Municipal Ildo Sallaberry e do Vice-Prefeito Luiz Alberto Perdomo, do Secretário Municipal de Planejamento e Meio Ambiente Luiz Antonio Veleda, dos vereadores Valmir e Paulo César, além da representante da Corsan, Léia Macedo Costa, e da coordenadora do GEAN, Juliana Pereira Schlee.

Em seu pronunciamento, Ildo Sallaberry parabenizou o Grupo Ecológico pela iniciativa, enfatizando a enorme importância que as águas do “arroio Grande” possuem para os dois municípios, um Bem que preocupa e merece cuidados, principalmente suas nascentes, visto que há 48 dias não chove no Município de Herval, que já se encontra em Estado de Emergência.


Entre as palestras do dia, falou sobre a importância da conservação da água, de seus mananciais e matas ciliares, a representante da Corsan (POA) Karla Cózza. Também participou do círculo de palestras, o biólogo José Milton Schlee Jr. que apresentou suas pesquisas sobre a biodiversidade da região, trabalho denominado de “Florestas Pampeanas”.


Um importante momento foi reservado para o final do evento, uma mesa-redonda foi organizada para discussões sobre medidas que possam ser adotadas para preservação das águas do arroio, inclusive sendo constituído um grupo de estudos que formarão um subcomitê da Bacia do Arroio Grande, unindo os dois municípios em um mesmo interesse – adotar medidas de preservação e conservação das águas do “arroio”.

O “arroio grande” pertence à importante Bacia Hidrográfica Mirim-São Gonçalo, tem suas nascentes nas coxilhas de Herval, percorrendo longa extensão pelo território dos dois municípios até desaguar na Lagoa Mirim, em local denominado de “sangradouro”, na localidade denominada de Ponta Alegre.


Texto e Fotos: Lizandro Araújo

segunda-feira, 23 de março de 2015

Licença poética



Peço licença novamente para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas em minha musa imaginária...


Mulher afro, morena afrodisíaca...

Mais agradável que explosão de adrenalina,
Mais adorável que banho a dois na banheira,
Mais saborosa que sobremesa de domingo,
Mais apetitosa que quindim de nozes,
Mais alucinante que sonho bom,
Mais quente que chocolate quente.
Mais fatal que romance de carnaval,
Mais formidável que pôr do sol em Herval,

Rebola, remexe teu corpo
e mexe comigo.

Abre tuas pernas, tuas entranhas.
Me dá teu beijo.
Me afoga no mar do teu mel e
mata meu desejo de te amar!

Cenas da vida inventada




sexta-feira, 20 de março de 2015

VI Semana Municipal da Mulher




De 23 a 25 de março de 2015


PROGRAMAÇÃO

Dia 23/03 Segunda Feira
 13: 30min - Cerimônia de Abertura e
Inauguração da Padaria e Cozinha Comunitárias
-Coral Ctrl-A
- Palestra Saúde da Mulher – Drª Carla Silveira
- Cofee Break com degustação de produtos feitos na Padaria e Cozinha comunitárias
 - Sorteio de Prêmios

Dia 24/03 Terça Feira
13: 30min - Abertura
-Oficina de Dança Motivacional Kátia Kalila
-Apresentações de Dança
- Cofee Break
 - Sorteio de Prêmios

Dia 25/03 Quarta Feira
13: 30min – Abertura
- Palestra: Violência Contra Mulher – Denise Cabreira Silveira
- Inscrições  para Rainha da VI Semana da Mulher
- Cofee Break
- Escolha da Rainha da VI Semana da Mulher
- Sorteio de Prêmios
-Apresentação Banda de Rock Ctrl-A
- Show de Encerramento Bloco 100% Libório

Pitada filosófica



quinta-feira, 19 de março de 2015

Momento poético



Canção para uma valsa lenta

Minha vida não foi um romance…
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amas, não digas, que morro
De surpresa… de encanto… de medo…
Minha vida não foi um romance,
Minha vida passou por passar.
Se não amas, não finjas, que vivo
Esperando um amor para amar.
Minha vida não foi um romance…
Pobre vida… passou sem enredo…
Glória a ti que me enches a vida
De surpresa, de encanto, de medo!
Minha vida não foi um romance…
Ai de mim… Já se ia acabar!
Pobre vida que toda depende
De um sorriso… de um gesto… um olhar…

(Mario Quintana)

(In, “Canções”, segundo livro de Mario Quintana, Ed. Globo e “Melhores Poemas de Mario Quintana, Global Editora” –  vide ainda o texto em Poesia Completa – Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005. p. 156)

Liberdade, liberdad; Justiça, justicia



quarta-feira, 18 de março de 2015

Terceirização da limpeza urbana começará no início de maio



Na manhã desta quarta-feira (18), no gabinete do prefeito lldo Sallaberry, foi assinada a ordem de início de prestação de serviços de limpeza pública de 41.264 metros lineares, nas ruas e avenidas do centro e bairros de Herval.

A empresa vencedora da licitação pública, que ocorreu antes da contratação, foi a Martins e Mirapalhete, da cidade de Pelotas.  Conforme o proprietário, Darlan dos Santos Martins, a empresa presta serviço de limpeza em toda região. “Atendemos vários municípios realizando capina, roçada, raspação de vegetais, limpeza e desobstrução de bocas de lobo, limpeza de valetas e pintura de meio-fio”, explica o empresário, informando ainda que realiza a limpeza nas subestações da CEEE de 27 cidades.

De acordo com a pregoeira da Prefeitura Municipal, Roberta Bubols Machado, o edital de contratação de empresas destinadas a fazer a limpeza pública, foi publicado dentro dos prazos legais, no Dário Oficial da União, no jornal Diário Popular e no mural interno da Prefeitura, porém houve interesse apenas desta empresa para prestar o serviço. “A empresa preencheu todos os requisitos burocráticos necessários e o valor estava dentro do orçado pela administração municipal, por isso foi contratada”, argumenta Roberta.

O prazo de início das atividades ficou estipulado para maio, em virtude da necessidade de seleção de pessoal, que conforme Roberta, a empresa dará prioridade para pessoas residentes no município. “Serão em torno de sete novos empregos diretos gerados com a terceirização deste serviço”, informa a servidora da Prefeitura.
As despesas decorrentes da contratação serão por conta de dotação orçamentária da Secretaria de Obras e Mobilidade Urbana e Rural.

Estiveram presente na assinatura do contrato o vice-prefeito Luiz Alberto Perdomo, os vereadores Valter Lima e João Bosco Paiva, os secretários de governo, assessores técnicos e coordenadores de departamentos da administração municipal.


TEXTO: jornalista Nívea Bilhalva de Oliveira
publicado originalmente no site da prefeitura: www.herval.rs.gov.br

Altas conexões



segunda-feira, 16 de março de 2015

2º Seminário Ação e Cidadania pelas Águas



Música para os meus ouvidos


É isso aí e não precisa dizer mais nada. Afinal, a frase que diz "há quem não saiba dizer a verdade" é uma verdade que alenta, dá um baita toque e ajuda a tornar essa canção uma lição que toca direto nos corações cansados de cair nas garras da ilusão. 




sexta-feira, 13 de março de 2015

Pensar é preciso!



OS GOLPISTAS ENCABULADOS
Por Moisés Mendes

O Brasil não será o mesmo depois das passeatas desta semana. A primeira, do dia 13, anuncia-se como uma mobilização pela Petrobras e pelas conquistas sociais. A segunda, do dia 15, se propõe a combater a corrupção e, no que está subentendido, mas não fica claro, também pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff.
O Brasil se divide ao meio de novo, mas algumas coisas devem ser melhor explicitadas. Nomes que refugam a tese do impeachment já mostraram a cara, sem volteios. Falo de reputações acima de partidos, como Bresser-Pereira, Ricardo Semler, Luis Fernando Verissimo, Leonardo Boff.
Mas quem, do outro lado, defende o impeachment, além de Bolsonaro e de militantes das redes sociais? Quem, entre intelectuais, jornalistas, articulistas conhecidos – entre os tais formadores de opinião – diz claramente que é pela interrupção do segundo mandato de Dilma?
Quem, sem subterfúgios, sem enrolação, sem atribuir pontos de vista aos outros, sem medo de correr riscos, sem a conversa fiada de que é contra tudo o que está aí, diz abertamente que defende o impeachment e a passeata do dia 15 pelo fim deste governo?
É difícil. Há, entre os articuladores do impeachment, um acovardamento que envergonharia os lacerdistas, seus ancestrais golpistas dos anos 50. É constrangedora a falta de desprendimento dos que deveriam dizer que não suportarão os quatro anos do segundo mandato e que o grande sonho do revanchismo é fazer o governo sangrar até o impeachment ou a renúncia de Dilma.
O golpe está apenas nas entrelinhas do discurso. Por isso, esta é uma semana para não esquecer. É agora que os indecisos, se é que existem, escolhem a sua passeata, ou ficam em casa vendo a banda passar.
Surge, então, aquele temor de que em algum momento, ou por um dia, ou para sempre você poderá estar, diante de uma questão essencial, alinhado a uma certa gente estranha. São os riscos das livres escolhas.
Posso estar errado, mas erro com convicção. Decidi seguir a turma dos já citados lá no começo, com os quais nunca teria grandes estranhamentos.
Estou com Bresser-Pereira, Leonardo Boff, Luis Fernando Verissimo e Ricardo Semler. Não cheguei (e espero não chegar nunca) a uma situação extrema que me faça alinhado com o Bolsonaro.

Publicado originalmente no jornal Zero Hora

Licença poética


Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas em minha musa imaginária...

Acordei com uma vontade incontrolável de acariciar
teu rosto e passear sem pressa pelas curvas do teu corpo!

Antes que o dia acabe preciso me acabar no teu beijo e
sentir tua boca sugando minha sede com gula e gosto.

Chamo teu nome e me corpo queima em chamas.
Penso em ti e fico sem ar e ansioso para te provar.
Clamo pela tua presença e meu coração esquenta.
Farejo teu perfume e meu vazio vai embora.

Ouço o som da tua voz e perco o fôlego e o chão.
Te vejo na cama e a imaginação me sobra e sobe pelas paredes.
Apalpo tua pele e minha carne explode e inflama.
Sigo teus passos e minha alma derrama e se derrete.

Rir é o melhor remédio




quarta-feira, 11 de março de 2015

Ato político


Insatisfação é legítima, mas nunca será motivo para derrubar nenhum governo. Fazer oposição também é legítimo e necessário, desde que se saiba aceitar a derrota e com respeito às regras do jogo democrático.

O fato concreto e objetivo é que não há nenhuma razão de ordem jurídica e sequer motivo político para mobilizar o país na direção do impeachment da presidenta Dilma.

Ha, mas e as dificuldades que o país enfrenta atualmente na economia? Dificuldade econômica afeta o bolso da população e também o desempenho do governo, porém não motiva impeachment de nenhum governante. Se fosse assim, a maioria dos governos dos países europeus já teriam sido derrubados, uma vez que a crise por lá chegou bem mais cedo e com muito mais força que no Brasil.

Ha, mas e a corrupção na Petrobras? A corrupção na Petrobras foi descoberta a partir de instituições e mecanismos criados ou fortalecidos pela ação de Lula e depois Dilma. Além disso, o governo tomou todas as medidas que lhe competiam, de modo a não proteger os denunciados, colabora intensamente com as investigações e está adotando medidas concretas para dificultar a ação dos corruptos daqui para frente, sejam eles agentes públicos ou empresários que mantém contrato com a administração pública.

Situação bem diferente da registrada durante os governos tucanos, aonde os muitos escândalos de corrupção eram abafados, a sujeira toda foi varrida para debaixo do tapete e os suspeitos de corrupção continuam todos soltos e pousando de bons moços.

Portanto, ao invés dos xingamentos e vaias, Dilma merece os aplausos das pessoas de bem que querem o bem do Brasil, pois nossa presidenta vem tendo a cara, a coragem e a sensibilidade que somente as mulheres sabem ter, de defender o Brasil e o patrimônio brasileiro, sem abrir mão do dever de arrumar a casa, tanto em termos econômicos quanto no que se refere ao enfrentamento da corrupção.

Para um homem talvez fosse mais fácil passar a mão por cima ou deixar para depois, porém Dilma não foge da raia e passa as denúncias a limpo, mas também não aceita ser jogada e muito menos jogar o país na boca dos leões, e paga o preço por fazer a coisa certa e bater de frente com aqueles que sempre se julgaram donos de todos e tudo por aqui.

No entanto, os lobos vestidos em pele de ovelha não querem o mesmo que nós e a presidenta Dilma. Nós queremos um Brasil melhor e mais limpo, enquanto eles querem derrubar ou sangrar o governo para retomar o poder e fazer o Brasil voltar a funcionar bem apenas para um terço da população. Nós queremos um clima de paz, prosperidade e progresso para todos, enquanto eles querem incitar a raiva e atear fogo no país, pois sabem que um povo dividido e com ânimos acirrados é facilmente manipulável e aceita cair nas garras de qualquer aventura ou se jogar nos braços do primeiro aventureiro que aparece.

Neste sentido, é fundamental a leitura da escrita de Luís Fernando Veríssimo. Ela mostra um pouco de tudo o que está em jogo e ilumina as trevas lançadas sobre o Brasil e os brasileiros pelas forças que já nos assombraram tanto no passado e não aceitam “largar o osso”, nem que seja preciso incitar um golpe.  
   
O fenômeno do ‘espírito golpista dos ricos contra os pobres’
Luís Fernando Veríssimo

Um fenômeno novo na realidade brasileira é o ódio político, o espírito golpista dos ricos contra os pobres. O pacto nacional popular articulado pelo PT desmoronou no governo Dilma e a burguesia voltou a se unificar. Economistas liberais recomeçaram a pregar abertura comercial absoluta e a dizer que os empresários brasileiros são incompetentes e superprotegidos, quando a verdade é que têm uma desvantagem competitiva enorme. O país precisa de um novo pacto, reunindo empresários, trabalhadores e setores da baixa classe média, contra os rentistas, o setor financeiro e interesses estrangeiros. Surgiu um fenômeno nunca visto antes no Brasil, um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, a um partido e a um presidente. Não é preocupação ou medo. É ódio. Decorre do fato de se ter, pela primeira vez, um governo de centro-esquerda que se conservou de esquerda, que fez compromissos, mas não se entregou. Continuou defendendo os pobres contra os ricos. O governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres. Não deu à classe rica, aos rentistas. Nos dois últimos anos da Dilma, a luta de classes voltou com força. Não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia insatisfeita. Dilma chamou o Joaquim Levy por uma questão de sobrevivência. Ela tinha perdido o apoio na sociedade, formada por quem tem o poder. A divisão que ocorreu nos dois últimos anos foi violenta. Quando os liberais e os ricos perderam a eleição não aceitaram isso e, antidemocraticamente, continuaram de armas em punho. E de repente, voltávamos ao udenismo e ao golpismo.

Nada do que está escrito no parágrafo anterior foi dito por um petista renitente ou por um radical de esquerda. São trechos de uma entrevista dada à “Folha de São Paulo” pelo economista Luiz Carlos Bresser Pereira, que, a não ser que tenha levado uma vida secreta todos estes anos, não é exatamente um carbonário. Para quem não se lembra, Bresser Pereira foi ministro do Sarney e do Fernando Henrique. A entrevista à “Folha” foi dada por ocasião do lançamento do seu novo livro “A construção politica do Brasil” e suas opiniões, mesmo partindo de um tucano, não chegam a surpreender: ele foi sempre um desenvolvimentista nacionalista neokeynesiano. Mas confesso que até eu, que, como o Antônio Prata, sou meio intelectual, meio de esquerda, me senti, lendo o que ele disse sobre a luta de classes mal abafada que se trava no Brasil e o ódio ao PT que impele o golpismo, um pouco como se visse meu avô dançando seminu no meio do salão — um misto de choque (“Olha o velhinho!”) e de terna admiração. Às vezes, as melhores definições de onde nós estamos e do que está nos acontecendo vem de onde menos se espera.

Outro trecho da entrevista: “Os brasileiros se revelam incapazes de formular uma visão de desenvolvimento crítica do imperialismo, crítica do processo de entrega de boa parte do nosso excedente a estrangeiros. Tudo vai para o consumo. É o paraíso da não nação.”

terça-feira, 10 de março de 2015

Pitada filosófica



Momento poético



Deixa o Olhar do Mundo

Deixa que o olhar do mundo enfim devasse
Teu grande amor que é teu maior segredo!
Que terias perdido, se, mais cedo,
Todo o afeto que sentes se mostrasse?
Basta de enganos!
Mostra-me sem medo
Aos homens, afrontando-os face a face:
Quero que os homens todos, quando eu passe,
Invejosos, apontem-me com o dedo.
Olha: não posso mais!
Ando tão cheio
Deste amor, que minh'alma se consome
De te exaltar aos olhos do universo...
Ouço em tudo teu nome, em tudo o leio:
E, fatigado de calar teu nome,
Quase o revelo no final de um verso.



(Olavo Bilac)

segunda-feira, 9 de março de 2015

Viva a mudança!



Altas conexões



Prefeitura renova contrato com hospital que prestará serviços 24 horas



Durante reunião no dia 25 de fevereiro, no gabinete do prefeito Ildo Sallaberry, foi assinado por mais um ano, Convênio de Cooperação entre o Município de Herval e o L.A.S Hospital Nossa Senhora da Glória.

Na presença do presidente do hospital Alfeu Pereira, membros da diretoria da entidade, do secretário de Saúde Carlos Dioner Azambuja, do secretário de Finanças Luis Saraiva e da procuradora do Município, a advogada Renata Parcianello, a assinatura do convênio foi firmada novamente pela atual administração municipal, garantindo assim a manutenção do Pronto Atendimento 24 horas.

A partir de agora a população terá a disposição internações e serviços de Raio X, Eletrocardiograma e Ultrassonografia, através de um repasse anual de R$380 mil ao Hospital, valor este dividido em onze parcelas.

Conforme o secretário Carlos Dioner, além do repasse financeiro da Prefeitura, foi firmado apoio entre o Município e a diretoria do Hospital a fim de buscar junto ao Governo do Estado a liberação de projetos e recursos financeiros para uma melhor estruturação de atendimento na casa de saúde. “Através destas medidas proporcionaremos um melhor atendimento médico a comunidade hervalense”, afirma o secretário.


Texto: jornalista Nívea Bilhalva de Oliveira
Publicado originalmente no site da prefeitura: www.herval.rs.gov.br

sexta-feira, 6 de março de 2015

Rir é o melhor remédio



Licença poética



Venho pedir licença novamente para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas em minha musa imaginária...


Tua tez de pêssego atiça e enlouquece.
Teus olhos de mel desmoronam e causam calafrios.
Teu corpo de violão aquece e leva além do sol.
Teu hálito de hortelã apraz, tonteia e alivia.
Teus seio saliente como cerro deleita e maltrata.


Imagino minhas mãos passeando em tuas curvas e
perco as horas e a noção.


Imagino nós dois de mãos dadas e desato todos
os nós que cortam e amarram meu coração.


Não te afastes nem fujas de mim...


Cega-me com tua luz e sigas leve e nua ao meu lado.
Venha logo ao meu encontro e permita-me beijar teus pés
e incendiar teus desejos com o fogo do meu pecado.