segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Música para os meus ouvidos


Um verdadeiro poema de amor, só que cantado. E cantado pela voz e o talento de um gênio da  musicalidade! Da música feita para tocar o coração e a alma, e não somente os ouvidos...




quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Catando estórias





A Ilha dos Sentimentos


Autor: Reinilson Câmara


Era uma vez uma ilha, onde moravam todos os sentimentos: a Alegria, a Tristeza, a Sabedoria e todos os outros sentimentos. Por fim o amor. Mas, um dia, foi avisado aos moradores que aquela ilha iria afundar. Todos os sentimentos apressaram-se para sair da ilha.

Pegaram seus barcos e partiram. Mas o amor ficou, pois queria ficar mais um pouco com a ilha, antes que ela afundasse. Quando, por fim, estava quase se afogando, o Amor começou a pedir ajuda. Nesse momento estava passando a Riqueza, em um lindo barco. O Amor disse:

- Riqueza, leve-me com você.
- Não posso. Há muito ouro e prata no meu barco. Não há lugar para você.

Ele pediu ajuda a Vaidade, que também vinha passando.

- Vaidade, por favor, me ajude.
- Não posso te ajudar, Amor, você está todo molhado e poderia estragar meu barco novo.

Então, o amor pediu ajuda a Tristeza.

- Tristeza, leve-me com você.
- Ah! Amor, estou tão triste, que prefiro ir sozinha.

Também passou a Alegria, mas ela estava tão alegre que nem ouviu o amor chamá-la.
Já desesperado, o Amor começou a chorar. Foi quando ouviu uma voz chamar:

- Vem Amor, eu levo você!

Era um velhinho. O Amor ficou tão feliz que esqueceu-se de perguntar o nome do velhinho. Chegando do outro lado da praia, ele perguntou a Sabedoria.

- Sabedoria, quem era aquele velhinho que me trouxe aqui?

A Sabedoria respondeu:

- Era o TEMPO.
- O Tempo? Mas porque só o Tempo me trouxe?
- Porque só o Tempo é capaz de entender o "AMOR"."


Cenas da vida inventada




quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Auto retrato

Uma imagem costuma dizer mais que mil palavras. Por isso, estréia hoje "auto retrato". Um espaço para divulgar alguns flashs da vidinha tão minha, seja nas andanças da vida pública ou política, seja em momentos que cabem apenas em mim e nos meus.



Yo e Chico Gonçalves caminhando em direção à largada da carreata do dia 11. Até a pé nós iremos!


Licença poética





Peço licença novamente para entregar-lhes mais palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...

De repente me sinto um nada!
Sem rumo, sem rima, sem ar, sem prumo...
Sem tua leveza, sem a luz do teu olhar.

De repente, sinto meu ser desprovido de razão.
Sinto o coração partido em mil pedaços,
os olhos perdidos e imersos num imenso cansaço.

Só me resta seguir vazio de mim e cheio de ti.
Só me resta transbordar sentimentos sem eco e sem corpo.
Só me cabe afogar tua falta que sufoca meu peito!

Nada possuo! Nossos passos se perderam no pó dessa estrada!
Antes de partir, porém, te entrego um abraço dorido e esse verso,
como último afago e apelo para que não guardes ou retenhas
nada de mim: nenhuma lembrança nem sequer meus traços.


Música para os meus ouvidos


Ontem tive a sorte de receber de uma amiga um torpedo no celular que dizia o seguinte:

"Quem conhece um sorriso de verdade sabe que nem todo palhaço é feliz...
Pessoas choram não porque são fracas, mas porque elas vem sendo fortes por muito tempo...
Às vezes quem a gente pensa que daria a vida por nós, na verdade não daria nem um passo à frente...
Não importa o que os outros falem de você, eles serão sempre os outros...
Jamais mude seu jeito de ser, pois quem gosta de você não te modifica, te completa..."

Estas sábias palavras me remeteram a uma canção fabulosa de Jorge Drexler. Fabulosíssima! Quero um amor assim pra mim!






terça-feira, 21 de agosto de 2012

Altas conexões






Sem dono e com responsabilidade





Tenho reparado que alguns candidatos e candidatas mais experientes, no afã de atacar apoiadores ou concorrentes novatos do lado adversário, usam o argumento de que já foram eleitos em pleitos anteriores, como se isso os tornasse seres superiores ou fosse sinônimo de um preparo político maior. Ou seja, querem silenciar oponentes com o argumento frágil e arrogante de que só teria direito de se manifestar publicamente ou se submeter às urnas quem “possui voz na sociedade”. Um gesto descabido e pouco inteligente, até porque Collor, Maluf, Arruda e outros tantos trastes também foram eleitos pelo voto direto e isso não fez deles melhores nem permite que sirvam como exemplo de boas práticas na vida pública. Antes o contrário.

Numa democracia nem sempre se elegem os melhores sob o ponto de vista humano ou os mais preparados para o desempenho das tarefas árduas da vida pública. Temos ótimos representantes em todas as esferas de poder, mas o sistema político vigente no país favorece justamente a eleição dos mais débeis politicamente ou dos mais adaptáveis a esse sistema, no lugar daqueles que poderiam dar uma contribuição maior e mais profunda para dignificar a vida pública e melhorar a vida das pessoas. Pela regra atual, é mais fácil alguém se eleger prometendo reservar parte do subsídio a que faz juz para pagar cervejadas aos amigos do que se comprometendo a cumprir aquilo que é função do parlamentar. Ou seja, fazer leis, aproximar a política do cotidiano das pessoas e fiscalizar os atos do Poder Executivo, sem ranços ou denuncismos.

Fui candidato a vereança na última eleição e não me elegi por detalhe, sendo diplomado pela Justiça Eleitoral como suplente da minha legenda. Mas mais importante que qualquer diploma é meu orgulho de ter feito uma campanha com pouco barulho e muitas propostas palpáveis; sem ataques pessoais, sem medo do contraditório, sem vender gato por lebre, sem comprar a consciência de ninguém, sem ficar atrelado a nenhum poder político ou econômico. Talvez se tivesse pego alguma carona ou seguido por um atalho teria sido eleito. Mas é preferível não se eleger e seguir de alma aberta e corpo liberto, do que chegar lá e não ter boca pra nada ou ter um desempenho tão pífio que obrigue a usar o argumento chinfrim de já ter sido vitorioso nas urnas para defender a continuidade do trabalho ou fustigar o adversário. Eleito como? Pra quê? A que preço?

Não quero dizer que os antigos não mereçam um novo voto de confiança. Nada disso! Estou me referindo tão somente às ditas ou ditos cujos que agora sobem nos palanques e, na falta de uma ideia mais lúcida e consistente para colocar seu nome em evidência, servem-se dessa pérola da soberba e do preconceito de que seriam os tais porque já passaram no teste das urnas enquanto os outros que não passaram nesse teste não tem nenhum valor ou significação para o mundo da política. Pior ainda, quando dizem isso e invocam a democracia. Mas democracia não significa direitos iguais para todos, inclusive de dizer sua palavra? Eleição não é a festa maior da democracia? Esquecem-se ainda que democracia é o momento de promover a dança das cadeiras e os preferidos de ontem podem ser os grandes derrotados no presente.

Quem decide é o povo e cada um é livre para escolher livremente seus representantes. A história de vida dos postulantes a um cargo eletivo é importante, e ainda mais importante é o projeto político que defendem. Portanto, essa conversa de querer calar as vozes dissonantes evocando os votos do passado não diz nada nem tá com nada. Na verdade, isso demonstra apenas o vazio que representam e o quanto perderam o trem da história. Cuidado os candidatos que querem ganhar no grito para não cair um baita tombo e cuidado os eleitores menos avisados para não cair em nenhuma aventura, perdendo a chance de escolher um representante à altura dos desafios do presente e do futuro, capaz de cumprir bem o papel representativo, dentro e fora dos limites do município.


sábado, 18 de agosto de 2012

Nem só de pão viverá o homem





Momento poético





Canção
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio…
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Catando estórias




Inspirado por um sopro de esperança que me chega de um reino Tão Tão distante, lanço hoje no blog o espaço denominado CATANDO ESTÓRIAS.

Como diria o monumental Fernando Pessoa, "tudo vale a pena se a alma não é pequena". Por certo, esse tudo abarca e abraça o direito de sonhar, de imaginar algo diferente do habitual que desejamos alcançar em termos da materialidade do mundo ou realizar no nosso mundo interior.

Sempre é tempo e lugar para sonhar. Sonhar com os pés no chão e os olhos bem abertos, mas sempre sonhar e correr atrás de um sonho. Sonhar ainda que seja através da doçura ou da sabedoria da palavra.

E como primeira remada em nosso barco de sonhos, através das ondas de uma estória, nos deixemos conduzir pela pena magistral de Augusto Cury...


Um dia uma criança chegou diante de um pensador e perguntou-lhe: "Que tamanho tem o universo?". Acariciando a cabeça da criança, ele olhou para o infinito e respondeu: "O universo tem o tamanho do seu mundo". Perturbada, ela novamente indagou: "Que tamanho tem meu mundo?". O pensador respondeu: "Tem o tamanho dos seus sonhos".

Se seus sonhos são pequenos, sua visão será pequena, suas metas serão limitadas, seus alvos serão diminutos, sua estrada será estreita, sua capacidade de suportar as tormentas será frágil. Os sonhos regam a existência com sentido. Se seus sonhos são frágeis, sua comida não terá sabor, suas primaveras não terão flores, suas manhãs não terão orvalho, sua emoção não terá romances. A presença dos sonhos transforma os miseráveis em reis, faz dos idosos, jovens, e a ausência deles transforma milionários em mendigos faz dos jovens idosos. Os sonhos trazem saúde para a emoção, equipam o frágil para ser autor da sua história, fazem os tímidos terem golpes de ousadia e os derrotados serem construtores de oportunidades.

Sonhe!

Música para os meus ouvidos


Essa é de arrepiar! Mais uma canção estupenda que chegou ao meu ouvido pelo ouvido exigente em termos musicais da minha sobrinha Kauana...




Rir é o melhor remédio



segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Posso ter pisado na bola, mas o jogo continua...





Tenho uma história de lutas em favor da democracia e, mais do que ninguém, sei o quanto dói na pele a dor de um preconceito.

Sou filho de um caminhoneiro e de uma mulher semianalfabeta e, ao longo da minha caminhada, já fui vítima de muita discriminação pela condição social que herdei dos meus pais.

Temos o exemplo de grandes lutadores pela democracia em nosso município, como o atual presidente do Legislativo vereador Elio Soares e outros tantos que já partiram desse mundo. No entanto, poucas pessoas nesse município podem falar verdadeiramente do cerceamento da liberdade de expressão, em plena democracia, como eu mesmo.

Lembro que há pouco mais de uma década quando comecei a publicar meus escritos, incentivado pela professora Fatinha e pelo saudoso Osmar Hences, fui alvo de uma série de arbitrariedades e pré-conceitos, sendo que um político que sempre se apresentou como defensor dos humildes chegou a sugerir que a Câmara Municipal deveria me convocar para dar explicações sobre um de meus escritos no jornal, algo que extrapola as atribuições de um Poder que existe para fiscalizar os atos do Executivo, e não dos cidadãos e cidadãs.

Portanto, tenho compromisso com os princípios democráticos e já dei muitos testemunhos em favor da liberdade de manifestação e de escolha.

Se em algum momento suscitei um entendimento contrário em alguma manifestação no mundo virtual, tenham certeza de que me expressei de maneira equivocada (tem dias que estamos de mal com as palavras), agi no calor da emoção ou então minhas palavras foram convenientemente distorcidas por pessoas que não tem compromisso com a verdade e fazem de tudo para ver o circo pegar fogo.

É muito bom ver as pessoas participando da política, sobretudo a nossa juventude. O bom da democracia é isso: as pessoas podem sair às ruas, carregando sua bandeira, defendendo um nome da sua preferência, colorindo a cidade com suas cores preferidas.

Apenas quis chamar a atenção para o momento rico que estamos vivendo no município, talvez um dos mais ricos da nossa história em termos de desenvolvimento e oportunidade para as pessoas.

Não quis dizer que essa gurizada alegre e medonha tenha que escolher o candidato da minha preferência, até porque o Herval é o nome mais importante nesse e em todos os momentos. Quis dizer apenas, que não podemos perder essa oportunidade de fazer um município cada vez melhor e uma política cada vez mais consistente e mais próxima da vida das pessoas. Cada um escolhe o candidato que melhor lhe convém, que bom que novos nomes estão surgindo e que bom que agora é assim.

O que chamei atenção também é que nem sempre foi assim. Muitos e muitas precisaram dar suas vidas para que hoje tenhamos o direito de fazer algo que parece tão simples: carregar livremente a bandeira de uma candidatura, dizer sem receio eu voto e faço força para eleger o fulano de tal. É nesse contexto que minhas palavras, equivocadas ou não, devem ser entendidas.

Em nome de tantos e tantos que tombaram para que pudéssemos chegar aonde chegamos é que não podemos extrapolar, agredindo ou hostilizando quem manifesta opinião diferente da nossa. Democracia, em síntese, é o livre embate entre as ideias; e as opiniões contrárias as nossas, certas ou erradas, precisam ser respeitadas. Do contrário retrocedemos em algo que devemos sempre avançar.

O oposto da política é a guerra, a cacicagem, a negociata com aquilo que é público. Então, façamos política com alegria, sem baixarias ou ofensas e sem esconder nossas preferências. Defendamos com entusiasmo aquilo ou quem bem entendemos. Não repitam meu provável erro, eu que sempre me julguei bom com as palavras e num dos momentos que elas precisam ser tradadas com ainda mais carinho, acabei pisando na bola e sendo traído por elas, o que contribuiu para incitar uma polêmica inútil, desnecessária e indesejável.

Mas estou sempre disposto a aprender, especialmente com os mais jovens, e não tenho nenhum problema de reconhecer meus erros. Errar é humano e aquele que estiver sem pecados que atire a primeira pedra. Só não vamos transformar um erro casual, isolado e cometido sem a intenção de errar em motivo para arrefecer os ânimos, provocando ranços indesejáveis e abalando os alicerces da democracia, justamente no momento da grande festa democrática.

Nesse caso específico, errei (ao menos muitos entenderam assim) porque tive uma intenção e no calor das coisas acabei expressando outra, exatamente oposta a minha intenção e a meu compromisso com o amadurecimento da democracia e da livre manifestação. Errei porque nossa democracia ainda é muito frágil (o que se presta a interpretações equivocadas) e as redes sociais são um espaço muito novo para propagar algo que envolve uma carga enorme de paixão como o jogo político.

Posso ter pisado na bola, mas o jogo democrático continua. Por isso, admito meu errou e peço que deixemos as pedras de revide de lado, pois amanhã o errado pode ser nós e quando erramos mais vale que nos estendam a mão para que possamos reparar o erro do que sermos apedrejados. Isso vale para mim e para todos nós, relês mortais.


Liberdade, liberdad; Justiça, justicia




Quando a liberdade vira onda de insensatez ou coisa pior




Alguns agora levantam a bandeira da liberdade de expressão para defender uma causa sem voz, sem forma, sem conteúdo. Até aí tudo bem, pois a miséria cultural e política é algo que não para de bombar. Até aí tudo bem, afinal o preço da democracia é que verdadeiros atentados ao bom senso e à própria liberdade são cometidos a cada segundo justamente em nome dos princípios democráticos e da livre manifestação.

O que me parece grave nesse episódio é exatamente o segundo ponto que menciono. Ou seja, em nome de uma dita liberdade não se vai além de palavras barulhentas e sem sentido jogadas ao vento. E mais grave ainda, em nome da liberdade negar aos que se recusam navegar nessa onda o direito legítimo e democrático de discordar ou apresentar seu ponto de vista. Trocando em miúdos, os ditos defensores da liberdade de expressão defendem uma liberdade apenas para si e aqueles que ousarem manifestar um pensamento diferente deverão ser hostilizados ou agredidos. Algo típico de uma democracia ainda frágil e de uma rebeldia sem noção e sem limites.

Pior ainda quando pessoas pretensamente lúcidas aplaudem cegamente essa agressão gratuita ao direito à liberdade do outro, sem perceber que podem estar criando um monstro ou incentivando a volta de um tempo de intolerância que precisa ficar para trás. É bonito defender uma causa, uma cor, um nome. Mas muito mais bonito é saber defender suas convicções dentro das regras do jogo democrático, sem baixarias, provocações ou agressões que revelam tão somente estupidez, violência e o vazio que defendem. Brigar por educação pública de qualidade é essencial, mas civilidade e respeito são lições que se aprende em casa.

Outra questão gravíssima é chamar de cerceamento da liberdade de expressão o direito legítimo de discordar ou contraditar uma ideia, assegurado pelo Estado Democrático de Direito vigente. Isto é, dão à discordância o nome de negação da liberdade, numa manobra típica do autoritarismo, e se colocam na condição de vítimas para poder “legitimar” suas tentativas de calar ou atropelar quem se arrisca a andar na contramão do tráfego. A continuar assim, daqui há alguns dias aqueles que ousarem dizer um ai sobre a fragilidade dessa onda vão ser linchados ou incendiados em praça pública pelo calor insano e inconsequente de mentes tão jovens e tão velhas ao mesmo tempo.

Não quero parecer melhor do que ninguém, mas poucas pessoas nesse município podem falar verdadeiramente do cerceamento da liberdade de expressão, em plena democracia, como eu mesmo. Lembro que há pouco mais de uma década quando comecei a publicar meus escritos, incentivado pela professora Fatinha e pelo saudoso amigo e mestre Osmar Hences, fui alvo de uma série de arbitrariedades e pré-conceitos, patrocinadas por um político que sempre se apresentou como defensor dos humildes, porém costuma tratar com mão de ferro os humildes que pensam diferente. O dito cujo chegou a sugerir que o Legislativo deveria me convocar para dar explicações sobre publicação com argumentos contrários a um projeto que ele havia apresentado, num gesto que extrapola as atribuições de um Poder que existe para fiscalizar os atos do Executivo, e não dos cidadãos e cidadãs.

Na época eu era colaborar do extinto jornal Meridional, comandado pela querida Mara Chafado, e as mesmas bocas grandes ainda diziam que os escritos publicados no jornal não eram obra minha, que eu não passava de um laranja. Quer dizer: se apresentam como defensores dos humildes, no entanto não admitem que o filho de um caminhoneiro e de uma mulher semianalfabeta seja competente com a escrita. Para essas mentes, pobre não pode pensar nem melhorar de vida para sempre depender de esmolas e comer na mão dos maus políticos. Isso sim é cercear a liberdade de expressão! Isso sim é tentar tolher o direito de ser livre e conquistar uma vida melhor!

Cada um é livre para fazer suas escolhas, mas enfrentar o contraditório é uma das regras mais básicas e um dos exercícios mais ricos da democracia. Cada um é livre para mergulhar no mar que achar melhor, porém quem prefere outros mares têm igualmente o direito de nadar contra a corrente. Do contrário, a liberdade que invocamos se converte numa forma de ditadura. Do contrário, as novas gerações não vão fazer muito além de repetir o passado de insensatez, devaneios e violência. Gostem ou não, vou sempre defender – e tenho a meu lado o direito – que a liberdade não deve resvalar para a libertinagem, pois o ruim sempre pode ficar pior. Esse é o jogo. Errado é o golpe baixo ou alguma tentativa de comprar o jogador para encerrar a partida.


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Música para os meus ouvidos


Não consigo escutar Belchior sem derramar ao menos uma lágrima. Esse cara é um gênio, um artista à frente do seu tempo que embalou uma geração inteira que ousou amar e mudar as coisas. Uma geração sufocada pela tortura de um tempo de escuridão que muitos fingem não ter existido nesse estranho e continental país. Uma geração que produziu muitos notáveis em meio ao povo e também muitos inúteis que ao invés de seguir na boa luta, com o passar do tempo e o desenrolar das coisas, preferiram se perder num mar sem fundo de ilusões.

Não sou do tipo saudosista, mas hoje olho para frente e pros lados e sinto falta da juventude rebelde. Não dessa rebeldia sem rosto, sem voz, sem causa, sem noção, sem poesia, sem amor. Uma rebeldia essencialmente humana, que era capaz de dar a própria vida em prol de uma vida que promova no lugar de negar a vida ou coisa parecida, como canta Belchior.

Mas nem tudo está perdido, existem muitos jovens como a minha sobrinha (tinha que puxar a brasa pro meu assado, né?!), que além de curtir a boa música não aceita embarcar na onda de nenhuma insensatez.




Momento poético




Os mortos


os mortos vêem o mundo
pelos olhos dos vivos

eventualmente ouvem,
com nossos ouvidos,
       certas sinfonias
                 algum bater de portas,
       ventanias

           Ausentes
           de corpo e alma
misturam o seu ao nosso riso
           se de fato
           quando vivos
           acharam a mesma graça
               
Ferreria Gullar
De Muitas Vozes (1999)

 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Parada pedagógica





Versos del alma gautia


Confesso que tive uma baita dúvida sobre em que lugar postar o brilhantismo de Facundo Cabral. Ao final e ao cabo, entendi que pouco importava se Facundo iria abrilhantar o espaço "Música para os meus ouvidos" ou "Versos del alma gautia". O que importa mesmo é o talento estrondoso, as lições preciosas e a alma generosa desse artista sem fronteiras e ser humano sem comparação...




domingo, 5 de agosto de 2012

Ato político




"Ato político" trás tra veiz a lucidez e o incomparável espírito republicano do governador Tarso Genro...

Mensalão e Judicialização da Política: a metáfora da mesa 

Tarso Genro (*)

O grande legado da chamada “era Lula” não é o “mensalão”. Nem este é o maior escândalo da história recente do país. Se a compra de votos para a reeleição do Presidente Fernando Henrique Cardoso - que certamente ocorreu à revelia do beneficiário - tivesse a mesma cobertura insistente da mídia e se os processos investigativos tivessem a mesma profundidade das investigações do chamado “mensalão”, a eleição que sucedeu aqueles eventos poderia ter sido inclusive anulada e um mar de cassações de mandatos e de punições pela Justiça poderia ter ilustrado, ali sim, o maior escândalo institucional da República. Tratava-se da nulidade de um mandato presidencial, cuja viabilidade teria sido literalmente comprada.
Assim como o impedimento do Presidente Collor foi feito dentro do Estado Democrático de Direito, o processo do mensalão” também o foi. Isso é bom para o país e bom para a democracia. A compra de votos para a reeleição, porém, foi diluída em termos de procedimento penal e logo arquivada também politicamente. Naquela oportunidade a política não foi judicializada, consequentemente, não foi “midiatizada” e, como sabemos, na “sociedade espetáculo” de hoje o que não está na mídia não está na vida política.
O fato de que o Estado de Direito funcionou em todos estes casos não quer dizer que isso ocorreu de maneira uniforme. O tratamento não foi igual para todos os envolvidos. As ações e providências políticas no Estado de Direito refletem no espaço midiático de forma diversa e não cumprem finalidades meramente informativas. São “mercadorias informativas” cujo objeto não é promover necessariamente decisões judiciais perfeitas e justas, apenas passam o “olhar” dos detentores do poder de informar. A Justiça, como a renda, é sempre distribuída desigualmente, porque sobre a distribuição da Justiça e a distribuição de renda incidem fatores externos às suas normas de repartição ideal, que se originam da força política e econômica dos grupos envolvidos nos conflitos políticos.
 O Estado Democrático de Direito é o melhor não porque ele é o Estado perfeitamente justo. O Estado de Direito é o desejável porque ele oferece melhores possibilidades de preservar direitos e acolher demandas e porque ele é a melhor possibilidade para preservar os direitos humanos e as liberdades públicas. O processamento dos réus do “mensalão” deve ser considerado, assim, como uma normalidade do Estado Democrático de Direito, mas o que não pode ser considerado como aceitável é o massacre midiático que já condenou os réus e condenou o PT e os petistas de forma indeterminada, antes do pronunciamento do STF. E isso não foi feito de maneira ingênua.
Vejamos porque isto ocorre. O grande legado da “era Lula” foi, além do início da mudança do modelo econômico anterior, o início de uma verdadeira “revolução democrática” no país, o que fez o seu governo ser tão combatido pela direita neoliberal, cujas posições refletem na maior parte da grande mídia, que é plenamente posicionada nos conflitos políticos e econômicos do país.
Mas o que é esta “revolução democrática”? Suponhamos que a democracia seja uma grande mesa onde todos, abrigados no princípio da igualdade formal, sentam-se para viabilizar seus interesses e disputar algo da renda socialmente gerada pelo trabalho social. Nesta grande mesa (resultado aqui no Brasil da Constituição Democrática de 88), entre a promulgação da Constituição e os governos FHC, todos sentavam nos lugares reservados por aquele ordenamento. Obviamente, porém, alguns sentavam em bancos mais elevados, viam toda mesa, observavam o que estava em cima dela para adquirir, para comprar, para “pegar” pela pressão ou pelo Direito. Conversavam entre si de maneira cordata, transitavam “democraticamente” os seus interesses, tendo na cabeceira da grande mesa os Presidentes eleitos.
Outros estavam sentados em bancos tão baixos que não viam o Presidente, não participavam do diálogo, não sabiam o que estava em cima da mesa. Não tinham sequer a quem se reportar em termos de exercício do seu poder de pressão. Estavam só formalmente na mesa democrática, sem poder e sem escuta. O que Lula promoveu foi apenas a correção da altura dos bancos, que agora permite aos trabalhadores, sindicalistas ou não, com as suas grandezas e defeitos, os “sem-terra” e “sem-teto”, os que não contavam nas políticas de Estado, os excluídos que não podiam ascender na vida (inclusive os grupos empresariais e setores médios que não tinham influência nas decisões do Planalto) verem o que sempre esteve em cima da mesa.
O simples fato de ver e dialogar permitiu que estes contingentes sociais passassem a disputar a posse de bens e uma melhor renda. A democracia em abstrato tornou-se um jogo mais concreto. Os governos Lula, assim, levaram a uma nova condição o princípio da igualdade formal, que começa pelo direito das pessoas terem a sua reivindicações apreciadas pelo poder, impulsionadas pelo conhecimento do que pode ser repartido e do que está “em cima” da mesa da democracia.
Isso foi demais. Significou e significa um bloqueio à ruína neoliberal que perpassa o mundo e, embora tenha sido um projeto também negociado com o capital financeiro, trouxe para a política, para o desejo de mudar, para a luta por melhorias concretas, milhões e milhões de plebeus que estavam fora do jogo democrático. Estes passaram a comer, vestir, estudar e reduzir os privilégios da concentração de renda.
A “plebeização” da democracia elitista que vigorava no Brasil é o fator mais importante do ódio à “era Lula” e do superfaturamento político do “mensalão”. Este é o motivo do superfaturamento, que pressiona o STF para que este não faça um julgamento segundo as provas, mas faça-o a partir de juízo político da “era Lula”, que cometeu o sacrilégio de “sujar” com os pobres a democracia das elites.
Para não entrar em debates mais sofisticados sobre Teoria Econômica, situo como premissa - a partir de uma ótica que pretende ser de grande parte da esquerda democrático-socialista - o confronto político sobre os rumos da sociedade brasileira, após a primeira eleição do Presidente Lula: de um lado, tendo como centro aglutinador os dois governos do Presidente Fernando Henrique, um bloco político e social defensor de um forte regime de privatizações, alinhamento pleno com os EEUU em termos de política global -inclusive em relação ao combate às experiências de esquerda na América Latina- com a aceitação da sociedade dos “três terços” (um terço plenamente incluído, um terço razoavelmente incluído e um terço precarizado, miserável ou totalmente fora da sociedade formal, alvo de políticas compensatórias), experiência mais próxima do projeto de sócio-econômico dos padrões neoliberais, que hoje infernizam a Europa; de outro lado, tendo como centro aglutinador os dois governos Lula, um bloco político e social que “brecou” o regime de privatizações, reconstruiu as agências financeiras do Estado (como Bndes, Banco do Brasil e Caixa Federal, para financiar o desenvolvimento), estabeleceu múltiplas relações em escala mundial -libertando o país da tutela americana na política externa- protegeu as experiência de esquerda na América Latina e desenvolveu políticas públicas de combate à pobreza, programas de inclusão social e educacional amplos, tirando 40 milhões de brasileiros da miséria, com pretensões mais próximas das experiências social-democratas, adaptadas às condições latino-americanas.
Estes dois grandes blocos têm no seu entorno fragmentos de formações políticas que ora se adaptam a um dos polos, combatem-se, ou fazem alianças pontuais sem nenhuma afinidade ideológica. Como também fazem alianças as direitas liberais com a extrema esquerda e o centro, ora com a esquerda, ora com a direita. Mais frequentemente estas alianças foram feitas para paralisar iniciativas dos governos Lula, que sobrevivem até o presente, como as políticas de valorização do salário-mínimo, as políticas de implementação do Mercosul, a política externa quando valoriza os governos progressistas latino-americanas e as políticas, em geral, de combate às desigualdades sociais e regionais.
Atualmente perpassa, na maioria da mídia tradicional, uma forte campanha pela condenação dos réus do “mensalão”, apresentando-os como quadrilheiros da impureza política. A mídia seleciona imagens e produz textos que já adiantam uma condenação que o Poder Judiciário terá obrigação de obedecer, pois “este é o maior escândalo de corrupção da história do país”, o que certamente começou com o Partido dos Trabalhadores e seus aliados no governo.
Os réus do “mensalão” e o PT já estão condenados. Já foram condenados independentemente do processo judicial, que muito pouco acrescentará ao que já foi feito, até agora, contra os indivíduos e o partido, sejam eles culpados ou não, perante as leis penais do país. O processo judicial, aliás, já é secundário, pois o essencial é que o combate entre os dois blocos já tem um resultado político: o bloco do Presidente Lula, em que pese a vitória dos seus dois governos, tornou-se - partir do processo midiático - um bloco de políticos mensaleiros, cujas práticas não diferem, no senso comum, de qualquer dos partidos tradicionais. Vai ser muito duro recuperar estas perdas. Mas elas serão recuperadas, pois o povo já se acostumou a ver o que está em cima da mesa da democracia e sabe que ali tem coisas para repartir.
(*) Governador do Estado do Rio Grande do Sul