Sobre o Blog do Toninho

O Blog busca retratar coisas da vida interiorana e do meu interior, numa abordagem que mistura reflexão, notícias, riso, poesia, musicalidade, transcedentalidade e outras "cositas más". Tudo feito com produções próprias, mas também com a reprodução do pensar ou do sentir dos grandes gênios que o país e a humanidade pariram.

terça-feira, 31 de julho de 2018

Não é se encolhendo que o Rio Grande vai voltar a ser grande!



Na propaganda, o governo Sartori aponta como saída única e inadiável o estado abrir mão de todas as estruturas e obrigações possíveis para focar apenas nas políticas de saúde, educação, segurança e obras de infraestrutura. Discurso, aliás, também alimentado por aliados que estiveram juntos com o atual governador e assinaram embaixo de tudo que foi feito nos últimos anos, porém desembarcaram do governo na última hora para se apresentarem na corrida eleitoral que se avizinha com outros nomes e ares de novidade. O fato é que, mesmo aumentando a alíquota de ICMS para todos os gaúchos, diminuindo o tamanho da máquina e cortando investimentos, na vida real o que temos visto é o resultado exatamente oposto ao prometido na propaganda, sendo que Herval constitui-se num exemplo visível do fracasso ou do efeito perverso dessa política.

Para enxergar o deserto de iniciativas e o mar de problemas criados pelas ações e omissões de Sartori e cia, nem precisa conectar a internet ou ligar a televisão (até porque ela anda escondendo ou deixando de mostrar o Rio Grande do Sul como ele de fato está, para levar ao ar amenidades ou os dramas que se passam longe da gente). Mas mesmo que a grande mídia assuma o papel de partido e revele uma parte da realidade ou uma realidade que não existe, não precisa muito esforço para perceber o estrago que tem sido feito. Só não enxerga quem não quer. Também não precisa ir longe, uma rápida olhada em Herval já é o suficiente para perceber que essa política da inércia ou do desmantelamento do estado não produz nada nem leva a lugar nenhum a não ser ao fundo do poço.

Temos em Herval diversos órgãos e serviços sob a responsabilidade do governo do estado: duas escolas estaduais, Brigada Militar, Inspetoria Veterinária, CEEE, Corsan, Banrisul e DAER. Não obstante, o profissionalismo e dedicação dos profissionais designados para desempenhar suas funções em cada um desses órgãos ou autarquias, sob o comando do atual governo do estado como eles vêm funcionando e qual a avaliação da população hervalense em relação ao seu desempenho ou qualidade dos serviços prestados? Tais estruturas vêm recebendo a devida atenção e investimentos por parte do governo ou a culpa pelas carências ou mau funcionamento dos mesmos é dos servidores, como alega Sartori e os defensores desse projeto? Tais serviços vêm sendo deixados de lado devido à falta de recursos financeiros ou por ser essa uma estratégia para justificar a entrega de algumas delas para o setor privado, tentada por esse grupo político sempre que chegam ao governo?

Como se não bastasse o abandono daquilo que lhe compete, Sartori e seus aliados ainda têm deixado os municípios em maus lençóis ao não honrar ou cumprir com bastante atraso suas obrigações relativas às transferências obrigatórias ou contratos firmados. Um exemplo concreto e dramático do que digo está na área da saúde. Somente em Herval, a dívida do estado que já esteve em cerca de R$ 1 milhão no começo desse ano, atualmente anda na casa dos R$ 600 mil, trazendo problemas para a saúde da população e adoecendo as finanças da prefeitura, que se vê obrigada a arcar com essa conta que não deveria ser sua, já que garante o aporte do percentual que o município precisa alocar para contribuir no financiamento do SUS. Sem contar a redução nos valores e o atraso nos pagamentos do convênio firmado com o único hospital da nossa cidade.

Alguém dirá que o estado está quebrado ou que Sartori vem fazendo a coisa certa. Sim, há longa data o estado encontra dificuldades  fruto, principalmente, de escolhas semelhantes às de agora e da renegociação desastrosa da dívida com a União durante o governo Britto, do qual Sartori era uma das figuras mais influentes. No entanto, o que temos assistido vai além de dificuldades financeiras e representa o desmonte da máquina e das engrenagens que formam, sustentam e permitem o funcionamento do estado, que só não é maior porque foi barrado temporariamente pela maioria da Assembleia Legislativa e uma parte importante da sociedade gaúcha que sabe que o estado mínimo é o pior dos mundos aqui ou em qualquer lugar do planeta (vide o exemplo Argentino).

Além disso, já vimos que existem outros caminhos para garantir o essencial e ainda promover importantes avanços em termos econômicos e sociais, sem aprofundar o desequilíbrio das contas públicas. Durante a gestão de Tarso Genro, por exemplo, todos os servidores receberam em dia e ainda tiveram reajuste dos seus vencimentos (o que acabou repercutindo positivamente na economia local, já que servidores são também consumidores) e a saúde que foi deixada na UTI por Yeda Crusius, alcançou um padrão bastante satisfatório e elogiável, focado no fortalecimento do sistema em âmbito local e regional. Com Tarso, pela primeira vez na história nosso hospital firmou convênio e passou a contar com financiamento estadual, fato que na oportunidade impediu que o mesmo fechasse as portas. Com Tarso, a prefeitura de Herval adquiriu 3 veículos doblô, 01 van e 3 ambulâncias também com recursos do estado, além de outros tantos investimentos importantes em ações preventivas e curativas.

Crise não é motivo para cruzar os braços e muito menos para entregar nossas riquezas de bandeja. Pelo contrário, é partindo e apostando no nosso patrimônio que podemos dar a volta por cima. É na adversidade que se conhece a capacidade e o caráter dos governantes e o objetivo dos projetos políticos que representam. Nosso estado precisa e pode voltar a ocupar o lugar de destaque que já ocupou no passado não muito distante e, para voltar a ser grande, o primeiro passo é ter um grande governo. Não um governo que promova milagres, mas que saiba que não é se encolhendo, dando desculpas ou "entregando o ouro ao bandido" que as coisas boas acontecem.


Música para os meus ouvidos

Música tão boa que até parece um café que se toma para despertar ou chocolate quente saboreado para espantar o frio...




Rir é o melhor remédio





Ato político



Ou a fatia majoritária da classe média brasileira pensa e age com grandeza ou o Brasil seguirá sendo mera colônia dos EUA e de alguns países europeus, reproduzindo velhos preconceitos, antigas formas de exclusão e vetustas misérias morais e materiais que vem desde a invasão Portuguesa em 1500.  


A classe média do atraso

Meu primeiro contato com a classe média do atraso brasileira foi em Porto de Galinhas, Pernambuco.
Me aproximei deles com a curiosidade e a esperteza de um antropólogo. As pessoas que encontrei estavam sentadas debaixo de um sombrinha e outros tomando sol, alguns bebiam água de coco e outros comiam uma espécie panqueca feita com goma de mandioca umedecida e temperada com sal.
Eram pessoas brancas que estavam hospedadas em belas pousadas, algumas haviam conseguido passar em concursos públicos no Estado, tinham um bom apartamento na cidade e uma educação universitária.
Eles liam uma revista de índole gregária, de baixo nível intelectual, chamada Veja, que era como uma bússola política para eles. Os vi assistir à TV Globo hipnotizados. Nessas fontes de mídia tinham absoluta credibilidade e não exibiam nenhum pensamento crítico, nem questionavam as informações que recebiam.
Mais tarde, soube que seu pensamento crítico era um medíocre preconceito copiado da mídia, uma conversa entediante que era sempre a mesma.
O universo deles era espaço improdutivo e mesquinho. Eles se sentavam nos restaurantes para criticar e desprezar aos pobres que recebiam Bolsa Família. Também tinham sempre um comentário depreciativo sobre a Venezuela, que eles haviam visto na televisão.
Quando repetiam e imitavam o que tinham visto na TV, faziam isso como se aquilo fosse o pensamento deles, como se essas ideias ou percepções tivessem saído de seus discernimentos e inteligências.
Os jornalistas da TV Globo eram como seus grandes orientadores, escutavam seus discursos como se estivessem ouvindo jornalismo sério. Ante a TV se comportavam como um rebanho cativo e domesticado.
Para eles votarem em um político, este tinha que ser indicado pela TV Globo, ademais tinha que ser um estereótipo europeu, um homem branco que havia chegado graças à fortuna da família a um lugar de privilegio. O dinheiro e a brancura era uma condição fundamental para que eles o considerassem de origem nobre.
Para eles, o branco elegido pela TV Globo era um homem chique. Uma pessoa que tinha que ser dada à liberdade absoluta, de modo que ele possa privatizar à vontade as propriedades do Estado.
Como todos sabem, o Brasil tem uma pobreza endêmica, uma desigualdade social herdada da escravidão, que vem do egoísmo da elite do atraso.
Mas pensar que essas pessoas pobres devem ser resguardadas pelo Estado, pensar que as crianças desprotegidas deveriam comer e ir para a escola, é para a classe média do atraso ter ideias perigosas e marxistas.
Se uma pessoa como '' Chico Buarque'' faz dinheiro com sua carreira, eles pensam quem deveriam ter que pensar como eles. Ou seja, um pensamento social que nasce do humanismo mais estrito e básico, para eles é ser subversivo e comunista.
A classe média do atraso internalizou conceitos arcaicos e agora pensa em termos sociais e políticos como um escravista do século 19.
Eles achavam logico pensar com a mesma violência psicológica do senhor de engenho ou com o mesmo espírito traiçoeiro do capitão do mato.
Outra coisa que é uma característica deles é o seu distanciamento, sua apatia com o compromisso com a riqueza nacional.
Eles pensam como os primeiros tupinambás da colonização, ponderam que temos que dar todo o Pau Brasil ao europeu. Digo precisamente como '' os primeiros tupinambás'', porque logo os índios perceberam que se tratava de uma relação desigual, na qual davam tudo para não receber nada. Por isso abandonavam a tarefa monótona de cortar árvores para o europeu, então eles passaram a fugir para o interior.
Recentemente houve um golpe de Estado orquestrado pela elite do atraso, e eles começaram a entregar o Pré-sal a preço de banana ao especulador estrangeiro.
O Mercado é um chefe invisível, uma Divindade que obedecem cegamente. As mensagens deste ser insaciável são emitidas pela TV Globo.
Nestes negócios ruins com o invisível Mercado, eles entregaram parte do Pré-sal a uma empresa estatal da Noruega.
Parece que eles são malucos e inimigos do estado em terras tropicais, mas ao cruzar o Atlântico defende o petróleo do estado socialista da Noruega.
É por isso que digo que neste país não só falta consciência política, mas há uma ausência de educação, de raciocínio básico e lógico no pensamento. Isso acontece porque durante anos a mídia corporativa fez uma lavagem cerebral neles.


segunda-feira, 30 de julho de 2018

Nem só de pão viverá o homem




Período eleitoral limita, mas não paralisa trabalho relacionado a convênios



Apesar das restrições ou mesmo algumas pausas impostas pelo período eleitoral, em razão das eleições em nível estadual e federal que se avizinham, o comando da prefeitura de Herval segue trabalhando para assegurar que procedimentos burocráticos relacionados aos convênios firmados sigam adiante ou sejam finalizados.

Neste sentido, nesta última sexta-feira (27), o prefeito em exercício e o secretário de planejamento, visitaram diversos órgãos dos governos estadual e federal com a missão de atualizar informações e encaminhar documentos pertinentes a alguns convênios que se encontram em fase de execução ou prestação de contas.

Assim, Fernando Silveira e Toninho Veleda, cumpriram agenda de trabalho na Secretaria Estadual da Fazenda, no INCRA, na Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Irrigação e na Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo.

Em todos os órgãos visitados, os representantes da administração municipal tiveram ótimo tratamento e trouxeram boas notícias. Com isso, além dos investimentos já conquistados para serem efetivados logo após o término do período eleitoral, pelo fato da prefeitura ter mantido suas obrigações rigorosamente em dia, ainda existe a possibilidade e a expectativa da conquista de novos investimentos para Herval e os hervalenses tão logo as administrações públicas voltem a funcionar em ritmo normal.

Texto: Toninho Veleda
Fotos: Millene Botelho

Altas conexões



domingo, 29 de julho de 2018

Prefeitura de Herval busca alternativas para fortalecer a cultura, o turismo e o esporte



A cultura, o turismo e o esporte dos hervalenses foram pautados durante reunião realizada quinta-feira, 26, na sede da Secretaria Estadual da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer - SEDACTEL, em Porto Alegre.

A reunião foi articulada pelo mandato do deputado estadual Zé Nunes (PT), que na oportunidade se fez representar pelo seu chefe de gabinete, Zelmute Marten, e teve como objetivo buscar novos mecanismos e fontes de investimento nessa área em âmbito local.

A equipe da administração municipal, composta pelo prefeito em exercício, Fernando Silveira, e pelos secretários Chico dos Santos (cultura, turismo, esporte e lazer) e Toninho Veleda (planejamento e meio ambiente), foram recebidos pela Chefe de Gabinete da SEDACTEL, juntamente com o Diretor de Cultura da pasta, Leoveral Golzer Soares.

Na ocasião, foram discutidos instrumentos de fomento à cultura, turismo, esporte e desenvolvimento local. Programas estaduais através de benefícios fiscais como Pró-Cultura, Pró-Esporte, FAC e a necessidade de ambientes de governança, co-gestão com a comunidade local, convergência entre a esfera pública e a iniciativa privada foram apresentados e analisados como factíveis para superação das limitações do orçamento público e a ausência de estrutura nestas áreas. A integração regional e a busca de cooperação entre municípios também foi apresentado como alternativa para superar isolamento e aumento de competitividade nas relações federativas. Ao final, foi deliberado que a Prefeitura de Herval vai oficiar a AZONASUL e a SEDACTEL para realização de evento técnico na intenção de melhorar a formação dos quadros da administração e sujeitos envolvidos com esse tema, visando qualificar o acesso aos editais e programas da secretaria estadual para a cultura e o esporte.

Na sequência, os integrantes da comitiva hervalense, ainda participaram de reunião no Gabinete do Deputado Zé Nunes na Assembleia Legislativa do RS, no intuito de buscar informações e orientações para a captação de recursos destinados a eventos locais, por meio da Lei de Incentivo a Cultura e a Lei Roanet.

O secretário Chico dos Santos, avaliou como muito positiva a agenda em Porto Alegre. Segundo ele, os encontros abriram novas possibilidades para fortalecer e ampliar o trabalho que vem sendo realizado desde que assumiu o comando da pasta, mas também mostrou que se está no caminho certo, pois a saída para avançar nesse setor que recebe uma fatia muito pequena do orçamento público, é firmar parcerias, profissionalizar a gestão, garimpar novas fontes de investimento e trabalhar na lógica da construção de sistemas de cultura, turismo e esporte. Nesse sentido, Chico lembra a recente reestruturação dos Conselhos de Cultura, do Turismo e do Esporte, além da instituição dos Fundos Municipais de Cultura e do Esporte, iniciativas do governo do prefeito Rubem Wilhelnsen que deverão trazer fôlego novo para essas áreas que, além de melhorar a qualidade de vida, indiretamente também contribuem com a saúde, a educação e a integração das pessoas.

Mandado em defesa da cultura e do turismo - O deputado estadual Zé Nunes (PT) tem atuado em questões relacionadas ao tema da cultura e do turismo, apresentando projetos de lei relacionados ao setor e defendido uma visão estratégica para vencer a grave crise que o Rio Grande do Sul enfrenta,  através de políticas públicas e ações voltadas à promoção do desenvolvimento econômico e social a partir do investimento em cultura e turismo, com dinâmica, criatividade e iniciativas concretas para conceber soluções aos grandes desafios do estado.

Texto: Toninho Veleda e Zelmute Marten
Fotos: Millene Botelho

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Pitada filosófica



Momento poético




Não há vagas

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

- porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

O poema, senhores,
não fede
nem cheira.



quinta-feira, 19 de julho de 2018

Licença poética




Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Amoras em abundância,
Fartura de morangos,
Momento sem hora para acabar e (e) ternamente lembrado,
Vinho de uma safra especial,
Bebidas quentes,
Pratos feitos para degustar sem talheres,
Meia luz a noite inteira,
Teus olhares em tons delirantes,
Teus cabelos desarrumados,
Teus lábios de mel tragando minha boca que baba por ti,
Tuas mãos ciosas por explorar os continentes e montanhas que moldam e emolduram meu corpo.
Amor, desmedido amor...


Eis a melhor mistura, meu maior sonho de consumo e uma dádiva muito além do meu merecimento.

Versos del alma gautia



Altas conexões



quarta-feira, 18 de julho de 2018

Ato político



Excelente reflexão do querido e competente Zelmute Marten.
Nesses tempos que os ambientes e relações virtuais se tornaram o chão ou céu almejado por tanta gente, é importante lembrar e reafirmar nossa condição humana.
“O mundo inventado ou em redes” tem suas virtudes, porém precisa ser visto e vivido como ferramenta ou caminho, e não um fim em si mesmo.
Somos humanos, vale insistir, com o bom e as coisas ruins que isso representa. Se no passado, o risco talvez fosse resvalarmos demasiadamente para a animalidade que habita em todos nós, hoje o risco talvez seja transformarmo-nos em personagens virtuais com pouca ou nenhuma sensação de pertencimento à vida como ela é ou deve ser.
Ou como canta Humberto Gessinguer, “Ta com tudo, mas ta carente, indiferente nada satisfaz. Cadê, cadê, o espelho que ninguém vê? Cadê, cadê a humanidade em você?"

A tenuidade do limite entre o verdadeiro e o falso


O atual momento histórico, caracterizado pelas relações líquidas e pelas denominadas redes sociais, que desassociam e  cultivam o caos; impôs profundas alterações e provoca uma relação limítrofe entre o verdadeiro e o falso. A dinâmica virtual, a instantaneidade dos acontecimentos, a realidade estabelecida por um padrão de convívio que aniquila, gradativamente, a relação face a face, que favorece o “fake news” e as ondas de versões inverídicas, parciais, geralmente incompletas e generalistas, constituem elementos responsáveis pelo avanço dos comportamentos movidos pelo ódio e pela intolerância.
Nesta ambiência, os direitos caminham para a falência. Os sentimentos vão se tornando inabitual. Conceitos são desvalorizados. Os discursos se dissociam das práticas. A normalização de todo tipo de desrespeito evidencia uma postura ofensiva, movimentada pela impaciência, onde o saber ouvir vai se fazendo raro. O modelo relacional, baseado na premissa original de construção coletiva, embora não totalmente ausente nos inflamados discursos, caminha para a extinção. Este ensejo alimenta a desesperança e promove deletérias deformações, capazes de arruinar até mesmo aqueles que percebem a importância de uma atuação ética, estratégica e competitiva.
Estamos diante de profundos retrocessos. Nossas contradições foram alimentando nossos antagonismos. A velocidade dos acontecimentos, os mapas dos algoritmos, as fazendas formadas por robôs, foi nos arrastando para o canto do ringue. A busca infrutífera por justificativas que apontem para as causas responsáveis por todas as mazelas desconsidera a questão primária, de origem, fundada na filosofia antropológica de formação do Brasil, para lembrar Marilena Chauí.
Precisamos resistir. O padrão de indignação social exige a nossa ressignificação. Nossas reações não podem seguir o padrão comportamental e relacional de nossos antagonistas, sob pena de aderirmos, ainda que de forma pouco consciente, aos seus padrões de conduta. Nossa motivação deve resgatar a capacidade de construção de um modelo baseado na justiça social. Para tanto, é inaceitável atitudes movidas por injustiças, indelicadezas e desprezo pelo sentimento alheio. É fundamental restabelecer os vínculos com o genuíno, com o verdadeiro, abandonando as destrutivas premissas do falso, que nos direciona à perigosa e restritiva via da concentração da razão e das oportunidades.

Zelmute Marten
Jornalista
Chefe de Gabinete – Deputado Estadual Zé Nunes



terça-feira, 10 de julho de 2018

Entre o Herval que sonhamos e o Herval que podemos ter




Todos nós queremos um Herval pujante e na vanguarda do desenvolvimento, o que se precisa ponderar é que o perfil e a localização do nosso município que nos proporcionam um patrimônio inestimável, sobretudo, no que tange às riquezas naturais, em termos do desenvolvimento econômico se configuram num entrave ou mesmo obstáculo de difícil superação. Portanto, tal cenário ou configuração constitui-se no nosso chão e horizonte, condicionando não apenas o poder público, mas os empreendimentos ou negócios privados aqui desenvolvidos.

Convém lembrar que estamos situados na faixa de fronteira com os “hermanos” Uruguaios, sendo que Herval não está conectado ao país vizinho por meio de uma cidade gêmea (como Jaguarão e Aceguá, por exemplo), condição que despontencializa a geração de riquezas baseada na integração fronteiriça. Bom recordar também que não possuímos ligação asfáltica com os municípios da fronteira oeste gaúcha, obra que poderia tirar Herval da posição de fim de linha, criando um corredor alternativo para acesso ao Porto de Rio Grande.

Além disso, em termos climáticos, nosso município é considerado um deserto verde, na medida em que costuma ser atingido frequentemente pela escassez de chuvas no verão e por constantes enxurradas no inverno. Dados oficiais indicam que a cada sete anos, em cinco sofremos com os efeitos da estiagem. Diante desse cenário, o município que possui pouca ou nenhuma industrialização (setor produtivo que costuma agregar maior valor à produção), tem sua principal vocação e matriz produtiva constantemente afetada pelos efeitos cruéis de fenômenos climáticos adversos. Situação que impõe repetidas perdas e prejuízos aos produtores e à economia local como um todo, além de desestimular investimentos mais “agressivos” nesse setor.

Ademais, como venho martelando insistentemente, Herval é totalmente dependente das receitas provenientes do Fundo de Participação dos Municípios e do ICMS, bem como dos recursos vinculados e convênios firmados com os governos da União e do estado. Frente a esse quadro, é inevitável que nosso município sofra um grande abalo ou mesmo não consiga deslanchar quando o Brasil e o Rio Grande do Sul não vão bem ou andam mal das pernas.

Para piorar, ainda existem alguns limites impostos à realização de investimentos públicos no município e aqui cito dois deles: a Portaria Interministerial nº 507/2011, que impede o aporte de contrapartida física (bens e serviços) em obras de infraestrutura executadas com recursos federais. Só para que o leitor e a leitora tenham uma ideia concreta não somente da morosidade gerada, mas do efeito antieconômico dessa normativa no âmbito local, digo que ela obriga a prefeitura a contratar empresa responsável pela execução das obras públicas, não podendo utilizar nas mesmas a mão-de-obra composta pelos servidores municipais. Outro obstáculo nesse sentido, já mencionado anteriormente, é a localização desprivilegiada do município que acaba impactando e elevando os custos relacionados à logística desses empreendimentos.

Alguém poderá dizer que, não obstante ao que exponho, Herval viveu um boom positivo recentemente... Sim, experimentamos uma verdadeira explosão de desenvolvimento no setor público hervalense, decorrente de uma gestão que “arrumou a casa” em sentido administrativo e montou uma estratégia correta e certeira, porém tal boom não foi produzido localmente nem mantido pela força do poder local. O que se fez foi acertado e digno de todos os aplausos, mas precisa ser visto e reconhecido como fruto da política virtuosa instituída pelos governos petistas no plano federal, o qual introduziu uma lógica e um modelo de desenvolvimento que tirou Herval e quase todos pequenos municípios da margem e colocou dentro da roda de progresso que vinha girando por todos os cantos do país.

Encerro dizendo que a administração local está fazendo sua parte e dando conta da lição de casa. Exemplo disso é que os salários dos servidores seguem sendo pagos rigorosamente em dia e a prefeitura continua livre do fantasma do CADIN que tanto assombrou os hervalenses e impediu a chegada de milhões em investimentos do então governo Lula, durante o período que o principal partido da oposição esteve no comando do município. O fato é que vivemos dias ruins, com os governos federal e estadual inoperantes ou alheios perante as principais demandas e desafios da Sentinela da Fronteira, fazendo com que nossos limites, mazelas e fraquezas fiquem mais visíveis e a realização do essencial se torne um grande feito.

Esse, portanto, é o chão que temos para pisar e o clima enfrentado no momento, porém mesmo com a diminuição do ritmo, a marcha da gestão local continua e as velas vem sendo ajustadas para que se possa acelerar quando ventos mais favoráveis voltarem a soprar na direção da nossa terra, do ambiente dos negócios e da vida de todos nós em sentido coletivo.  

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Momento poético



O quarto em desordem


Na curva perigosa dos cinquenta
derrapei neste amor. Que dor! que pétala
sensível e secreta me atormenta
e me provoca à síntese da flor

que não se sabe como é feita: amor,
na quinta-essência da palavra, e mudo
de natural silêncio já não cabe
em tanto gesto de colher e amar


a nuvem que de ambígua se dilui
nesse objeto mais vago do que nuvem 
e mais defeso, corpo! corpo, corpo,


verdade tão final, sede tão vária,
e esse cavalo solto pela cama,
a passear o peito de quem ama.



terça-feira, 3 de julho de 2018

Autorretrato


Me gusta o vermelho do mar vermelho e o vermelho da minha pele encabulada diante da tua lindeza e o vermelho das rosas rubras que tentam exalar teu aroma e muito mais o vermelho do amor que guardo para te dar de presente de aniversário.

Música para os meus ouvidos


O amor não é um mantra, mas sempre merece ser cantado com o vigor e a calma calorosa dos Vercillos da vida.


segunda-feira, 2 de julho de 2018

Ato político



Juremir Machado da Silva certeiro como sempre. Amparado em outro gênio para desfilar sua genialidade e escorado no futebol para marcar mais um golaço quando aborda a política.

Sem dúvidas, Neymar virou alvo de críticas não por conta do seu desempenho em campo, mas por suas escolhas políticas fora dele e também porque é um rico ignóbil e esnobe diante de uma multidão de miseráveis que matam um leão por dia para serem premiados apenas com o básico e olha lá.

O fato é que um golpe político-midiático é algo muito mais duro e sério que um 7x1 numa partida de futebol. Especialmente quando esse golpe atinge não apenas quem joga o jogo da política, mas justamente essa multidão de famintos (não só de comida) que tinham no projeto político golpeado um fio de esperança e a porta aberta para vencer na vida não apenas pelo caminho do futebol.

Como esperar resignação e o aplauso quando um herói dos golpistas se mostra como uma espécie de vilão ou é mostrado como modelo de sucesso que os golpeados nunca alcançarão?

Ou como disse Umberto Eco, para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável.

Vai lá Brasil de Tite e Felipe Coutinho! O Brasil de Neymar e da Globo ainda que seja campeão não passará e não produzirá nada de bom na vida do povo brasileiro fora das quatro linhas! 






Umberto Eco e as Copas 


Umberto Eco foi grande. Falava de tudo. Mas não gostava de futebol. Ele não era o intelectual indiferente à cultura de massa. Ao contrário, consumia de tudo, de histórias em quadrinhos a romances policiais. O futebol, porém, era-lhe estranho. Em 1969 e em 1978, durante a Copa da Mundo da Argentina, ele se meteu no assunto. Na primeira incursão, produziu um texto intitulado “A falação esportiva”. Nele, o futuro best-seller com “O nome da rosa” dizia que nenhum movimento estudantil ou outro seria capaz de invadir um estádio de futebol num domingo. A execração seria total. Não haveria apoio algum.
O semiólogo compreendeu a grande revolução: o futebol como esporte não mais para ser praticado, mas para ser visto. Mais do que isso, para ser objeto de falação: “Se o esporte é praticado para a saúde, como comer comida, o esporte visto é a mistificação da saúde. Quando vejo os outros jogarem, não estou fazendo nada de saudável, e apenas vagamente desfruto a sanidade alheia (o que já seria mero exercício de voyeurismo, como quem olha os outros fazendo amor). Para o teórico da “obra a aberta”, o futebol tornara-se “um discurso sobre a imprensa esportiva” ou um discurso da imprensa esportiva. O seu objetivo não era o gol, mas fazer falar do jogo e do gol. Daí a importância da polêmica. O VAR parece ser a nova etapa da falação.
Na falação, segundo Eco, “neutralizam-se as energias intelectuais”. Todo mundo é expert e todo mundo pode neutralizar o outro como despreparado. A frase mais comum da falação esportiva é “você não entende nada”, que significa “como se atreve a pensar diferente de mim”. Na falação, algo fala através de nós: aquilo que somos. Umberto Eco tocou no ponto mais sensível: fala-se para fazer contato, estar em contato, participar de algo. O problema é que essa lógica tribal empurra cada vez mais para a divisão. Uma tribo não quer mais falar com a outra. Falar por falar para fazer o tempo passar.
Em “O mundial e suas pompas”, Umberto Eco explica o seu desinteresse pelo futebol: nasceu ruim de bola. Mas isso não queria dizer que execrasse a paixão pelo futebol. Considerava-a providencial para canalizar as energias reprimidas das massas: “Sou favorável à paixão pelo futebol como sou favorável aos rachas, às competições de motoqueiros à beira do abismo, ao paraquedismo desvairado, ao alpinismo místico, à travessia dos oceanos em barcos de borracha, à roleta russa e ao uso da droga”. Era possível escrever assim. Eco nunca foi politicamente correto. Podia ironizar a cadeia esportiva.
Falar de esporte, segundo ele, naquele momento era uma maneira de não falar de política. Hoje, no Brasil, parte da crítica feita a Neymar é uma falação política contra a Rede Globo, de quem ele seria protegido, apontada como responsável pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. É só ler os textos dos gurus midiáticos de esquerda para ter a prova. Em tempos de terrorismo e de Brigadas Vermelhas, Eco especulava: “Existe a possibilidade da luta armada no domingo de campeonato? Talvez fosse preciso fazer menos discussões políticas e mais sociologia circense”. Preconceito de intelectual? Pura falação?
Para o italiano Umberto Eco esporte era uma atividade sem fins lucrativos na qual cada um empenhava diretamente o seu corpo. A Copa do Mundo faz parte do espetáculo esportivo. Nele, os jogadores “são profissionais submetidos a tensões não diferentes das de um operário da linha de montagem (afora algumas insignificantes diferenças salariais)”. Atenção, ironia! Já os espectadores se portariam “como fileiras de sexomaníacos que vão regularmente espreitar (não uma vez na vida em Amsterdã, mas todos os domingos, e em lugar de fazer) casais que fazem o amor ou que fingem fazê-lo (ou como as crianças paupérrimas de minha infância a quem se prometia levar para ver os ricos tomarem sorvete”. O futebol seria a política por outros meios.
É claro que Umberto Eco nada entendia de futebol. Talvez por isso tenha tocado no ponto mais importante a ser considerado: o futebol é uma falação interminável. O que se diz por meio do comentário do jogo? Tudo. Nas críticas a Neymar, por exemplo, transparecem visões de mundo que vão da exigência do homem que não pode chorar a um comportamento ilibado que mesmos os críticos dificilmente praticam, passando por uma exploração política escancarada que o transforma em objeto de um ressentimento incontido. Por trás da falação esportiva reverbera uma falação moral, política, psicológica, ideológica. Se luto a cada dia por muito pouco, como posso tolerar que aquele que ganha muito caia em campo e reclame?
Até que ponto Umberto Eco tinha razão? Até que ponto suas intuições se confirmaram? A falação agora tem um amplificador: as redes sociais. Nelas, contudo, não se fala para ativar a chamada função fática, o contato, mas para entrar em guerra com esse outro que diverge. A diferença decepciona. Para o jornalismo a decepção provocada é um selo de qualidade. Ela se chama independência. Umberto Eco deitou falação sobre o futebol. Foi um ato político explícito. Falava por falar. Como todo mundo. A essência do futebol é o que se diz sobre ele.

Rir é o melhor remédio




Pitada filosófica