Sobre o Blog do Toninho

O Blog busca retratar coisas da vida interiorana e do meu interior, numa abordagem que mistura reflexão, notícias, riso, poesia, musicalidade, transcedentalidade e outras "cositas más". Tudo feito com produções próprias, mas também com a reprodução do pensar ou do sentir dos grandes gênios que o país e a humanidade pariram.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Pensar é preciso




Momento poético


De que Serve a Bondade



De que serve a bondade 
Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos 
Aqueles para quem foram bondosos? 

De que serve a liberdade 
Quando os livres têm que viver entre os não-livres? 

De que serve a razão 
Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa? 


Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos 
Por criar uma situação que torne possível a bondade, e melhor; 
A faça supérflua! 

Em vez de serdes só livres, esforçai-vos 
Por criar uma situação que a todos liberte 
E também o amor da liberdade 
Faça supérfluo! 

Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos 
Por criar uma situação que faça da sem-razão dos indivíduos 
Um mau negócio! 

Bertold Brecht, in 'Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas' 
Tradução de Paulo Quintela 


quinta-feira, 25 de abril de 2019

Ato político



Nesses tempos de culto cego ao senso comum e de consagração da burrice como método científico, Juremir Machado da Silva é leitura obrigatória.


ESQUERDA E DIREITA NÃO EXISTEM MAIS?
Discurso de direita garante que não há mais esquerda nem direita


A direita adora dizer que não existe mais isso de esquerda e direita. É uma maneira de afirmar que ganhou. As ideias da esquerda não fariam mais sentido algum. Sem esquerda, não haveria mais direita. Apenas a verdade. Ou seja, a direita. Só há escuro se há claro. É verdade que o conteúdo do que significa esquerda e direita muda com o tempo. Um esquerdista e um direitista podem ser a favor do aborto. Por outro lado, liberais tentam fugir dessa dicotomia. Eles não seriam nem de esquerda nem de direita. Mais uma vez, seriam apenas a constatação factual das coisas.

Ideologia é sempre o engano do outro. Cada um vê a sua ideologia como mera manifestação técnica e pragmática da realidade. Esquerda e direita continuam a existir. Esquerda = + Estado = busca da igualdade = defesa do interesse da maioria. Direita = - Estado = + rentabilidade ou “liberdade” = defesa do interesse individual ou de poucos. Resumo: a esquerda vê o Estado como o instrumento de política pública para criar o máximo de igualdade possível. A direita, ao contrário, aposta que se pode promover igualdade e mudança estrutural com menos Estado. Liberais, portanto, são de direita. Como explicar uma ditadura direitista? Simples: Estado forte em benefício de poucos. O que caracteriza a esquerda, como se vê, não é apenas o gosto por muito Estado, mas o uso do Estado para determinados fins. A ditadura de direita é uma distorção perversa do liberalismo econômico assim como a de esquerda é uma corrupção do social. 

Direita e esquerda podem recorrer a Estados inchados e repressores. Mas com focos diferentes. O resultado, nessas situações patológicas, é o mesmo: ditaduras a serviço de poucos. A ditadura, porém, não é o traço que define esquerda e direita. Nas democracias, esquerda e direita caracterizam-se pelo que já foi enunciado: o uso maior ou menor que fazem do Estado para alcançar determinado objetivo. Para a direita, o Estado deve restringir-se aos campos da saúde, da segurança e da educação, ainda que, cada vez mais, defenda privatização de todos esses setores. Para a esquerda, o Estado deve ter um papel estruturante e distributivista.

A direita conservadora quer Estado interventor em comportamento e distante em economia. Uma parte da direita, “liberal”, quer o Estado longe dos negócios e dos costumes. A esquerda tende a defender Estado mais forte em economia para alavancar projetos indutores de inclusão social (igualdade) e só presente em comportamento para ajudar a combater preconceitos. A direita continua apostando na “mão invisível” do mercado para produzir riqueza e, em tese, até igualdade. A esquerda acha que essa mão só cuida dos próprios interesses. A direita considera os métodos da esquerda falidos. A esquerda denuncia a falácia da narrativa da direita.

Se no imaginário de certa esquerda o horizonte ainda é o comunismo e se a direita só vê a esquerda por esse ângulo, existe uma esquerda democrática, socialdemocrata, que se diferencia da direita, vale repetir, por seu foco na relação entre papel do Estado e igualdade. Esquerda e direita orientam a política por quase toda parte. É só dar uma olhada. O que funciona? Essa é outra conversa. Aqui só se fez uma constatação.





terça-feira, 23 de abril de 2019

Nem só de pão viverá o homem





Agenda positiva



Como membro do primeiro escalão, tenho escutado muitas críticas direcionadas ao governo local. Algumas com motivações meramente partidárias, outras com bastante razão e outras ainda decorrentes da falta de informações sobre as principais ações, projetos e intenções da administração municipal. O presente escrito, portanto, não têm o objetivo de rebater nenhuma crítica, as quais são sempre legítimas e necessárias numa democracia. Escrevo no intuito de alardear alguns intentos e feitos da gestão municipal em curso, algumas das quais podem, inclusive, ter passado despercebidas pelo olhar da comunidade e da opinião pública.

Começo falando da instituição da Política Municipal do Meio Ambiente, composta pelo Plano Municipal de Resíduos Sólidos que entrou em vigor no final do governo anterior e foi complementada pelo Plano Municipal de Saneamento, instituído em 2018. Outra ação importante de planejamento foi à criação do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos dos Animais, além da criação ou reestruturação dos Conselhos de Cultura, do Conselho de Turismo e do Conselho de Esporte e Lazer, juntamente com o Fundo de Incentivo à Cultura e o Fundo de Esporte e Lazer. Também merece destaque o trabalho de apoio dado pelo governo municipal na retomada das associações comunitárias de bairros, uma ferramenta valiosa para aproximar o governo da população urbana.

Nessa mesma linha, convém destacar o concurso público realizado em janeiro do corrente ano, bem como os quase 50 servidores efetivos nomeados desde 2017 até a presente data. Sem falar, no pagamento em dia tanto dos salários quanto do décimo terceiro do funcionalismo, uma medida básica e obrigatória, porém nem sempre cumprida pelas gestões públicas nesse momento de recessão econômica e de desmantelamento da máquina, do patrimônio e do próprio conceito de público país afora.

Falando em novos investimentos, cito a obra já finalizada de reconstrução de uma ponte no assentamento São Virgílio (obra há muito aguardada), o calçamento de parte da rua Pe. Francisco Hillman e a construção de novo prédio do CRAS, essas duas últimas obras em fase de execução. Outro destaque são as reformas e ampliações feitas nas escolas Manoel Lima e Carolina Anália Sais. Cito também, a construção de açudes, iniciativa que coloca Herval como um dos primeiros colocados no ranking desse tipo de investimento em âmbito estadual. E o investimento que talvez seja o mais relevante até aqui, que é o Eco Balde (projeto de compostagem urbana), que está prestes a começar a sair do papel, num investimento de cerca de R$ 1 milhão, destinado a reduzir drasticamente o volume do lixo doméstico coletado, dando solução para os resíduos orgânicos descartados pela população e fazendo Herval sair na frente na corrida da qual ninguém vai poder escapar que é a aplicação de políticas públicas que cuidem e preservem o meio ambiente. 

Tem também a compra de trator e equipamentos para a Patrulha Agrícola, a aquisição de dois ônibus para o transporte escolar (um com recursos próprios e o outro através de financiamento), sendo que outros dois estão a caminho, os quais serão adquiridos a partir de financiamento bancário junto ao Banrisul. Merece destaque ainda as novas ambulâncias e veículos adquiridos para a saúde, assim como os veículos recém chegados para atender o Gabinete e a pasta da Assistência Social. E por falar em Assistência Social, recordo O Feliz Natal Herval, a cada ano mais iluminado e da implantação do Programa Primeira Infância Melhor, numa parceria com as secretarias de Educação e de Saúde. No esporte, menciono as parcerias e a atuação protagonista, visando assegurar a retomada de um calendário anual de competições de futsal e de futebol de campo. No turismo, o destaque fica por conta do esforço para manter o Parque Aquático acessível ao público e a expectativa de revitalização da Praça Central a partir do ano que vem com recursos de emenda do deputado federal Henrique Fontana, numa articulação feita pelo secretário de planejamento do município.

Vivemos num município pouco privilegiado em termos de localização geográfica, caracterizando-se como uma espécie de fim de linha. Vivemos num município que enfrenta vários limites em termos econômicos, fruto da sua característica de cidade de pequeno porte, pela ausência de indústrias e que encontra na agropecuária sua principal vocação e matriz produtiva. Vivemos num município dependente dos repasses e programas governamentais da União e do governo do estado, os quais atualmente vêm dando às costas para quem mais precisa e deixando os menores para o fim da fila. Contudo, apesar dos limites e dificuldades, a administração municipal não foge à luta e trabalha para assegurar o básico nesses tempos em que fazer o básico é um grande feito.


quinta-feira, 18 de abril de 2019

Secretário Toninho Veleda cumpre agenda na capital





Na manhã de hoje cumprimos agenda de trabalho no Gabinete do deputado estadual Zé Nunes, na Assembleia Legislativa. Na ocasião, conversamos com a Secretária Executiva do SINDIMATE, Isabel Paludo.

Objetivo da reunião foi pleitear uma parceria com esse Sindicato visando a doação de uma quentinha (máquina que fornece água quente), de modo a possibilitar a construção de um chimarródromo na praça central da cidade, um espaço para o convívio entre as pessoas e a celebração da cultura do chimarrão. De acordo com Isabel, o pleito de Herval vai ser incluído na programação do SINDIMATE e apresenta todas as condições de ser atendido.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Ato político


A verdade, às vezes, é tão óbvia que muitos preferem acreditar nas teses fantasiosas que são inventadas e repetidas a exaustão na intenção de que se tornem verdades absolutas e inquestionáveis.

Depois de toda trama político-judiciária-midiática espalhada por todos os cantos do Brasil, é mais fácil acreditar que Lula é culpado pelos crimes que o acusam.

No entanto, a realidade revela exatamente o contrário. Todos os fatos mostram que Lula não é culpado de nenhum crime que o acusam, tanto que seus acusadores tiveram que inventar crimes e atribuir a ele para que pudessem encarcerá-lo.

E para chegar a essa conclusão, basta abrir os olhos e ver que existe um rito juridício específico e açodado quando se trata de Lula, completamente destoante da justiça lerda e benevolente em relação aos outros casos afins nos quais provas não faltam e até são fartas.

Por isso, sigo com Lula e faço coro com as vozes que clamam por Lula Live!


 Por que têm tanto medo de Lula livre?


Faz um ano que estou preso injustamente, acusado e condenado por um crime que nunca existiu. Cada dia que passei aqui fez aumentar minha indignação, mas mantenho a fé num julgamento justo em que a verdade vai prevalecer. Posso dormir com a consciência tranquila de minha inocência. Duvido que tenham sono leve os que me condenaram numa farsa judicial.

O que mais me angustia, no entanto, é o que se passa com o Brasil e o sofrimento do nosso povo. Para me impor um juízo de exceção, romperam os limites da lei e da Constituição, fragilizando a democracia. Os direitos do povo e da cidadania vêm sendo revogados, enquanto impõem o arrocho dos salários, a precarização do emprego e a alta do custo de vida. Entregam a soberania nacional, nossas riquezas, nossas empresas e até o nosso território para satisfazer interesses estrangeiros.

Hoje está claro que a minha condenação foi parte de um movimento político a partir da reeleição da presidenta Dilma Rousseff, em 2014. Derrotada nas urnas pela quarta vez consecutiva, a oposição escolheu o caminho do golpe para voltar ao poder, retomando o vício autoritário das classes dominantes brasileiras.

O golpe do impeachment sem crime de responsabilidade foi contra o modelo de desenvolvimento com inclusão social que o país vinha construindo desde 2003. Em 12 anos, criamos 20 milhões de empregos, tiramos 32 milhões de pessoas da miséria, multiplicamos o PIB por cinco. Abrimos a universidade para milhões de excluídos. Vencemos a fome.

Aquele modelo era e é intolerável para uma camada privilegiada e preconceituosa da sociedade. Feriu poderosos interesses econômicos fora do país. Enquanto o pré-sal despertou a cobiça das petrolíferas estrangeiras, empresas brasileiras passaram a disputar mercados com exportadores tradicionais de outros países.

O impeachment veio para trazer de volta o neoliberalismo, em versão ainda mais radical. Para tanto, sabotaram os esforços do governo Dilma para enfrentar a crise econômica e corrigir seus próprios erros. Afundaram o país num colapso fiscal e numa recessão que ainda perdura. Prometeram que bastava tirar o PT do governo que os problemas do país acabariam.

O povo logo percebeu que havia sido enganado. O desemprego aumentou, os programas sociais foram esvaziados, escolas e hospitais perderam verbas. Uma política suicida implantada pela Petrobras tornou o preço do gás de cozinha proibitivo para os pobres e levou à paralisação dos caminhoneiros. Querem acabar com a aposentadoria dos idosos e dos trabalhadores rurais.

Nas caravanas pelo país, vi nos olhos de nossa gente a esperança e o desejo de retomar aquele modelo que começou a corrigir as desigualdades e deu oportunidades a quem nunca as teve. Já no início de 2018 as pesquisas apontavam que eu venceria as eleições em primeiro turno.

Era preciso impedir minha candidatura a qualquer custo. A Lava Jato, que foi pano de fundo no golpe do impeachment, atropelou prazos e prerrogativas da defesa para me condenar antes das eleições. Haviam grampeado ilegalmente minhas conversas, os telefones de meus advogados e até a presidenta da República. Fui alvo de uma condução coercitiva ilegal, verdadeiro sequestro. Vasculharam minha casa, reviraram meu colchão, tomaram celulares e até tablets de meus netos.

Nada encontraram para me incriminar: nem conversas de bandidos, nem malas de dinheiro, nem contas no exterior. Mesmo assim fui condenado em prazo recorde, por Sergio Moro e pelo TRF-4, por “atos indeterminados” sem que achassem qualquer conexão entre o apartamento que nunca foi meu e supostos desvios da Petrobras. O Supremo negou-me um justo pedido de habeas corpus, sob pressão da mídia, do mercado e até das Forças Armadas, como confirmou recentemente Jair Bolsonaro, o maior beneficiário daquela perseguição.

Minha candidatura foi proibida contrariando a lei eleitoral, a jurisprudência e uma determinação do Comitê de Direitos Humanos da ONU para garantir os meus direitos políticos. E, mesmo assim, nosso candidato Fernando Haddad teve expressivas votações e só foi derrotado pela indústria de mentiras de Bolsonaro nas redes sociais, financiada por caixa 2 até com dinheiro estrangeiro, segundo a imprensa.

Os mais renomados juristas do Brasil e de outros países consideram absurda minha condenação e apontam a parcialidade de Sergio Moro, confirmada na prática quando aceitou ser ministro da Justiça do presidente que ele ajudou a eleger com minha condenação. Tudo o que quero é que apontem uma prova sequer contra mim.

Por que têm tanto medo de Lula livre, se já alcançaram o objetivo que era impedir minha eleição, se não há nada que sustente essa prisão? Na verdade, o que eles temem é a organização do povo que se identifica com nosso projeto de país. Temem ter de reconhecer as arbitrariedades que cometeram para eleger um presidente incapaz e que nos enche de vergonha.

Eles sabem que minha libertação é parte importante da retomada da democracia no Brasil. Mas são incapazes de conviver com o processo democrático.


Luiz Inácio Lula da Silva
 Ex-presidente da República (2003-2010)
ORIGINALMENTE PUBLICADO NA FOLHA DE S.PAULO


terça-feira, 9 de abril de 2019

Licença poética




Peço licença novamente para entregar-lhes outras palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Sirvo-me do presente para oficiar os cupidos de plantão, no intento que um deles acerte uma flechada em teu coração que te faça pedir, não pela própria vida, mas para que nasça um amor entre a gente.

Um amor, assim de repente, porém sem hora para chegar ao fim.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

“Nova Previdência” ou fim da Previdência para os pobres?



Temer e seu grupo político, do qual Bolsonaro fazia parte, congelaram os investimentos públicos por 20 anos com a desculpa de equilibrar as contas do governo e o rombo só aumentou ou passou a ser um rombo de fato. Temer, com apoio de Bolsonaro, fez a tal “reforma trabalhista” com a promessa de gerar milhões de empregos com carteira assinada e o desemprego no país aumentou ainda mais. Com apoio do então deputado Jair Bolsonaro, Temer ainda promoveu mais maldades, cortando direitos ou políticas públicas que não apenas beneficiavam os trabalhadores, mas faziam a roda da economia girar. Por força da mobilização dos trabalhadores, devido aos gigantescos escândalos políticos que vieram à tona e também pela proximidade do período eleitoral de 2018, o que Temer não teve forças para levar adiante foi a propalada “reforma da Previdência”. Contudo, Bolsonaro que é vinho da mesma pipa de Temer, fez dessa reforma sua principal bandeira, colocando em pauta uma proposta de reforma ainda mais perversa do que aquela defendida pelo seu antecessor.

Nesse sentido, ao contrário do que vem sendo dito pela propaganda oficial, a reforma da Previdência de Bolsonaro não acaba com as distorções e privilégios e também não é a única saída para equilibrar as contas do Sistema Previdenciário Brasileiro (por que não começar cobrando os cerca de R$ 450 bilhões devidos à Previdência pelas grandes empresas privadas, pelo combate às fraudes e pelo fim do desvio de recursos para outros setores?). Na verdade, os números apurados pela CPI da Previdência, presidida pelo Senador Paulo Paim, indicam que a Previdência não é deficitária. Na verdade também, o que a proposta que se encontra em análise no Congresso propõe é o fim de um sistema previdenciário público, composto pela contribuição de empregados e empregadores, instituindo no Brasil a tal capitalização, inspirada no modelo adotado pelo Chile, o qual vem premiando os trabalhadores com a indigência e o desamparo absoluto depois de uma vida toda de trabalho. Ou seja, aprovada a reforma de Bolsonaro, a Previdência que hoje é bancada por um fundo público, passará a ser uma poupança individual, comandada e atrelada aos bancos por meio de fundos de investimento, sem nenhuma garantia de retorno para o “poupador”.

Além dos benefícios individuais, a Previdência Social é um dos maiores, senão o maior programa de distribuição de renda e fonte que irriga as economias locais de norte a sul do Brasil. Isto é, a reforma da Previdência que está em pauta, se aprovada, vai afetar não apenas o bolso dos trabalhadores ou mesmo impedir que milhões de brasileiros consigam se aposentar e fiquem relegados ao abandono no final da sua vida. Se a reforma pretendida pelo governo prosperar, a economia dos municípios vai sofrer um baque tremendo, o que irá repercutir negativamente e de forma muito rápida nas economias locais.

No caso de Herval, por exemplo, números da Azonasul, relativos ao período de 2014/2015, apontam que somadas as receitas do Fundo de Participação dos Municípios e do ICMS, nosso município recebeu o montante de R$ 9.340.932,50 (nove milhões, trezentos e quarenta mil, novecentos e trinta e dois reais e cinquenta centavos), sendo essas as duas maiores fontes de arrecadação da prefeitura. Pois bem, nesse mesmo período, ingressou em Herval R$ 19.522.446,32 (dezenove milhões, quinhentos e vinte e dois mil, quatrocentos e quarenta e seis reais e trinta e dois centavos), oriundos da Previdência Social, relativos a aposentadorias, pensões e auxílios, representando um valor por habitante do nosso município de R$ 2.880,12 (dois mil, oitocentos e oitenta reais e doze centavos).

Portanto, o que Bolsonaro vem chamando de “Nova Previdência”, em verdade é um crime para com os trabalhadores e uma medida anti-econômica em relação ao conjunto da sociedade, na medida em que muito menos dinheiro deverá deixar de circular na economia local, em especial no comércio, em decorrência da redução ou mesmo fim desse "bolo previdenciário", o que consequentemente irá aumentar a recessão e impedir a geração de novos postos de trabalho.

Sim, a população está envelhecendo e é preciso fazer algum tipo de reforma na Previdência. Atentos a isso, Lula e Dilma mexeram na Previdência, sem retirar direitos dos trabalhadores e muito menos sem colocar em risco a Previdência Social no país. No entanto, essa reforma intentada por Bolsonaro é uma sandice, em termos humanos e econômicos, e não pode passar. Do contrário, o Brasil vai seguir crescendo para baixo e caminhando na direção do passado "do cada um por si" que precisa ficar para trás, representando não mais uma eventual derrota do petismo, mas da proteção mínima que os trabalhadores devem ter em qualquer nação civilizada e do "Estado de bem-estar social" inspirado na social democracia européia, no Brasil um caminho traçado primeiro por Getúlio Vargas e consagrado pela Constituição Federal de 1988.

terça-feira, 2 de abril de 2019

Ato político


Juremir, atual e preciso como sempre.


Fantasmas do comunismo
Bolsonaro persegue espectros?



Jair Bolsonaro esteve nos Estados Unidos. Como sempre,  atacou o comunismo.

Olavo de Carvalho sempre aproveita a ocasião para combater moinhos de vento. O comunismo no leste europeu ruiu com o muro de Berlim em 1989. Restaram no mundo vestígios arqueológicos como Cuba e mutações transgênicas como a China. A Coreia do Norte é um caso de conservação do passado por uma camada de cinzas vulcânicas. Em março de 1919, Lenin criou a III Internacional ou Internacional Comunista, que ficaria conhecida como Komintern. Era uma reação ao ecletismo da II Internacional, que aceitava socialistas reformistas. A Komintern morreu em 1943. Stalin investiu na Kominform – "Escritório de Informação dos Partidos Comunistas e Operários" –, uma internacional de comunistas alinhados à URSS. Durou até 1956. Faz tempo. O tempo não passa por aqui?

Olavo de Carvalho criou o mito de que o tal Foro de São Paulo seria a internacional comunista da América Latina. Até pode ter sido o sonho de alguns, mas também ficou pelo caminho. Olavo não é filósofo, embora se interesse pelo assunto. No passado, foi astrólogo. Considera a sua astrologia erudição. Os filósofos não querem debater com ele para não o promover ao que não é. Paulo Coelho é de esquerda. Olavo de Carvalho, de direita. Entre eles há em comum uma matriz mística. São rebentos dos anos 1960. Olavo fez de uma suposta ameaça comunista o seu cavalo de batalha para o poder intelectual. Aparelhou com palavras de ordem, simplificações e repetições um grupo capaz de conseguir votos para empalmar o poder. A estratégia funcionou por ser simplista.
É o paradoxo das redes sociais. O simplismo é mais convicente.

Chamar social-democracia de comunismo surte mais efeito.

O que querem os anticomunistas de Olavo? Implantar um modelo tão ideológico quanto o dos comunistas combatidos. Não por acaso o ministério da Educação é a base desta nova Internacional Anticomunista. A exemplo dos comunistas, os anticomunistas também cultuam personalidades. A Espanha edificou Franco. O Chile elevou Pinochet. O ministro da Educação, o colombiano Vélez Rodriguez, tentou emplacar o embrião de um projeto de culto ao novo líder. Os freios e contrapesos da democracia não deixaram. Mas a vontade de aparelhar pela direita continua viva.

A Internacional Olavista Anticomunista (IOA), com sede na Virgínia, nos Estados Unidos, também se fundamenta na construção do novo homem. No caso, o velho, com a salvação do modelo ocidental de civilização dominado pelo homem branco heterossexual com seus rituais, valores e funcionalidades. A escola e a família devem ser os centros irradiadores de uma visão de mundo tradicional e compacta. Não se trata de apenas ensinar matemática e língua portuguesa, mas de substituir sociologia e filosofia por moral e cívica para incutir padrões e valores.

Para lembrar uma expressão que fez sucesso em outros tempos, com a assinatura de Louis Althusser, para o olavismo, assim como para os seus criticados, a escola deve ser Aparelho Ideológico de Estado (AIE), com a função de transmitir e reproduzir a ideologia considerada fundamental para o regime. Ao contrário do que sugere astuciosamente a ideia de escola sem partido (sem ideologia), defende-se uma escola com muita ideologia, mas com a ideologia “certa”. Todo o projeto olavista é de aparelhamento. Depois do Foro de São Paulo, o Foro da Virgínia. O outro braço da Internacional Olavista é o ministério das Relações Exteriores, que luta contra o “comercialismo” da diplomacia por uma postura mais ideológica. O ministro olavista das Relações Exteriores, porém, perdeu espaço para o filho do homem na conversa reservada com Trump.

O culto à personalidade costuma fomentar dinastias.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Momento poético



Não Digas Nada!


Não digas nada! 
Nem mesmo a verdade 
Há tanta suavidade em nada se dizer 
E tudo se entender — 
Tudo metade 
De sentir e de ver... 
Não digas nada 
Deixa esquecer 


Talvez que amanhã 
Em outra paisagem 
Digas que foi vã 
Toda essa viagem 
Até onde quis 
Ser quem me agrada... 
Mas ali fui feliz 
Não digas nada. 


Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

Nem só de pão viverá o homem





Momento poético

Aceitarás o amor como eu o encaro?… Aceitarás o amor como eu o encaro ?… … Azul bem leve, um nimbo, suavemente Guarda-te a ima...