quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Momento poético


Toada do Amor


E o amor sempre nessa toada: 
briga perdoa perdoa briga. 

Não se deve xingar a vida, 
a gente vive, depois esquece. 
Só o amor volta para brigar, 
para perdoar, 
amor cachorro bandido trem.

Mas, se não fosse ele, também 
que graça que a vida tinha? 

Mariquita, dá cá o pito, 
no teu pito está o infinito. 

Carlos Drummond de Andrade, in 'Alguma Poesia' 

Pensar é preciso!




segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Pitada filosófica



Ato político


Num país que se pensava democrático e livre da herança da trapaça institucional, o golpe vai passar. Um golpe, diga-se de passagem, dado à luz do dia, tramado na frente de todo mundo e com gravações que compravam a trama (vide a conversas gravadas e trazidas a público entre Sérgio Machado, Jucá e Renan). Lá está dito em alto e bom som que o único jeito de barrar a Lava Jato era entregar a cabeça da inocente e incorruptível Dilma numa bandeja e jogar toda a culpa no PT.

Ou alguém ainda acha que precisa desenhar? Ou prefere a máxima cínica de que o golpe foi necessário e uma manifestação do bem? Bem de quem?

Nada que surja de um golpe e do assalto ao poder pode ser bom ou carregar alguma virtude. Ao contrário, golpe é sempre sujo e execrável e já que as instituições que deveriam zelar pelo estado democrático de direito promoveram, se associaram ou lavaram as mãos diante do golpe, a história saberá julgar e condenar os golpistas. Todos eles, um a um.

Outros ainda dirão estarem convencidos de que Dilma é inocente e vítima de um golpe, porém seu retorno ao posto de onde nunca deveria ter sido retirada é inviável, pois ela não teria mais condições de governar. Pois bem, isso é algo que me assusta. Afinal, o golpista Temer parece ter poderes de sobra para governar, na medida em que assumiu muitos compromissos e já disse que está disposto a pagar cada centavo da conta do golpe para os golpistas. Leia-se o Congresso mais corrupto da história do país, a alta cúpula do judiciário, a mega imprensa manipuladora, os empresários multinacionais desde sempre exterminadores dos direitos dos trabalhadores, do emprego e do desenvolvimento do Brasil.

Apertem o cinto, guardem as fotografias e lembranças dos bons tempos. A corrupção, corruptos e corruptores estão à solta e o ímpeto de um Brasil mais justo, ético e próspero vai ser coisa do passado ou vai ter que esperar a queda do golpe e dos golpistas, quiçá, nas próximas eleições. É a triste sina de um povo que é feito de palhaço e ainda aplaude e acha graça.


Estamos sendo feitos de palhaços
Por Luís Fernando Veríssimo

Depois da provável cassação da Dilma pelo Senado, ainda falta um ato para que se possa dizer que la commedia è finita: a absolvição do Eduardo Cunha. Nossa situação é como a ópera “Pagliacci”, uma tragicomédia, burlesca e triste ao mesmo tempo. E acaba mal. Há dias li numa pagina interna de um grande jornal de São Paulo que o Temer está recorrendo às mesmas ginásticas fiscais que podem condenar a Dilma. O fato mereceria um destaque maior, nem que fosse só pela ironia, mas não mereceu nem uma chamada na primeira página do próprio jornal e não foi mais mencionado em lugar algum.
A gente admira o justiceiro Sérgio Moro, mas acha perigoso alguém ter tanto poder assim, ainda mais depois da sua espantosa declaração de que provas ilícitas são admissíveis se colhidas de boa-fé, inaugurando uma novidade na nossa jurisprudência, a boa-fé presumida. Mas é brabo ter que ouvir denúncias contra o risco de prepotência dos investigadores da Lava-Jato da boca do ministro do Supremo Gilmar Mendes, o mesmo que ameaçou chamar o então presidente Lula “às falas” por um grampo no seu escritório que nunca existiu, e ficou quase um ano com um importante processo na sua gaveta sem dar satisfação a ninguém. As óperas também costumam ter figuras sombrias que se esgueiram (grande palavra) em cena.
O Eduardo Cunha pode ganhar mais tempo antes de ser julgado, tempo para o corporativismo aflorar, e os parlamentares se darem conta do que estão fazendo, punindo o homem que, afinal, é o herói do impeachment. Foi dele que partiu o processo que está chegando ao seu fim previsível agora. Pela lógica destes dias, depois da cassação da Dilma, o passo seguinte óbvio seria condecorarem o Eduardo Cunha. Manifestantes: às ruas para pedir justiça para Eduardo Cunha!
Contam que um pai levou um filho para ver uma ópera. O garoto não estava entendendo nada, se chateou e perguntou ao pai quando a ópera acabaria. E ouviu do pai uma lição que lhe serviria por toda a vida:
— Só termina quando a gorda cantar.
Nas óperas sempre há uma cantora gorda que só canta uma ária. Enquanto ela não cantar, a ópera não termina.
Não há nenhuma cantora gorda no nosso futuro, leitor. Enquanto ela não chegar, evite olhar-se no espelho e descobrir que, nesta ópera, o palhaço somos nós.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Música para os meus ouvidos


Hoje é sexta-feira, dia de começar a sair da toca ou colocar a viola no saco. Dia de limpar as gavetas e liberar espaço no HD da memória para escrever novas histórias. Dia de abraçar o sol e cair de cara no chão, ir embora ao som do samba de Paulinho da Viola...




Rir é o melhor remédio



quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Licença poética



Peço licença outra vez para entregar-lhes mais palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Passo tropeçando nas palavras, mas basta pressentir teus passos para virar artista do universo escrito.


Faço mil malabarismos, muitas mágicas inimagináveis, subo no trapézio, embarco no globo da morte, monto e desmonto um circo de palavras que tentam acercar-se do espetáculo que é tua pessoa.

Cenas da vida inventada



Autorretrato


“Não me esperem para a colheita, estarei sempre a semear”.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Altas conexões



Momento poético



Sempre


Sou o dono dos tesouros perdidos no fundo do mar.
Só o que está perdido é nosso para sempre.
Nós só amamos os amigos mortos
E só as amadas mortas amam eternamente…

(Mario Quintana)
(Poema do livro Apontamentos de História Sobrenatural, retirado de Poesia Completa – Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 446)


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Nem só de pão viverá o homem



Pitada filosófica



Licença poética



Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Como quem não queria nada roubei tua atenção, depois teu olhar, depois teu beijo, depois tuas carícias, depois teu corpo inteiro.

Teu amor não foi preciso roubar, pois esse veio nascendo aos poucos e por vontade própria, como obra ou efeito de uma conquista.

O que era proibido rompeu todas as grades e cercas. O que parecia impossível vem vencendo todas as distâncias, barreiras e obstáculos.

Hoje vibramos na mesma frequência, falamos a mesma língua, dançamos a mesma música.

Hoje somos livres e um do outro. Não carecemos de plateia, nos bastamos e entendemos perfeitamente dentro do nosso universo.

Mesmo assim, me agrada lembrar que agora falta pouco para ocuparmos o mesmo espaço e ficar tudo claro e completo.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Rir é o melhor remédio



Momento poético



Não Digas Nada!


Não digas nada! 
Nem mesmo a verdade 
Há tanta suavidade em nada se dizer 
E tudo se entender — 
Tudo metade 
De sentir e de ver... 
Não digas nada 
Deixa esquecer 


Talvez que amanhã 
Em outra paisagem 
Digas que foi vã 
Toda essa viagem 
Até onde quis 
Ser quem me agrada... 
Mas ali fui feliz 
Não digas nada. 


Fernando Pessoa, in "Cancioneiro" 


Versos del alma gautia



quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Música para os meus ouvidos


Tem dias que a gente só quer um som que nos faça viajar nas asas da imaginação...



Ato político


Nesses tempos de esquizofrenia no qual a manipulação explícita e escancarada formou um exército de alienados letrados, Juremir Machado da Silva é um dos poucos jornalistas que não abdicou do papel do jornalista de fato e de direito: informar antes de opinar ou moldar a informação exclusivamente ao seu ponto de vista. Além disso, é um dos poucos cidadãos do nosso estado e do nosso país que não pegou a caminho mais fácil de embarcar na histeria coletiva e repetir mentiras prontas e acabadas como se verdades fossem. 

Por isso, tem meu respeito e é, para mim, inevitável não roubartilhar seus escritos.


Sartori sempre teve um programa: privatizar

Todos se enganaram. Todos os que acusaram o candidato José Ivo Sartori de ter concorrido e vencido às eleições sem ter um programa de governo. Ledo engano. Sartori sempre teve um projeto para ser executado. Ele apenas, estrategicamente, não o declarou. Seria contraproducente falar dele durante a disputa. Não se trata aqui de julgar, mas de constatar. O plano de governo de Sartori estava na cara de todo mundo. Não viu quem não quis ou não pôde enxergar. Agora, o plano está sendo aplicado. Qual era o plano de governo de Sartori? Diminuir o tamanho do Estado. Sartori elegeu-se para dar prosseguimento ao começado por Antônio Britto, não continuado por Germano Rigotto e mal terminado por Yeda Crusius: reduzir o Estado.
O plano de governo de Sartori passa por privatizações de estatais, alteração da previdência estadual e mudança no plano de carreira do magistério. O problema é que há entraves. As privatizações das estatais dependem de plebiscito. Alguns itens da previdência estão atrelados a leis federais. A mudança do plano de carreira do magistério é um barril de pólvora. Sartori sempre teve um projeto. Diminuir o tamanho do Estado. Tem também uma estratégia. Usar o quanto pior melhor como fator de criação das condições para fazer passar o “remédio amargo”. O governo espera tirar do caos o espírito favorável até mesmo à privatização por meio do plebiscito. O parcelamento dos salários pode ser o combustível que faltava.
O funcionalismo público está sendo jogado contra o resto da população como moeda de troca. O governo considera que aposentadorias aos 50 anos de idade são privilégios que comprometem as finanças públicas.
O governo entende também que muita gente se beneficia da previdência estadual sem ter contribuído para ela. O raciocínio em relação aos que se aposentam aos 50 anos de idade é simples: contribui durante 25 anos (professoras) e recebe durante 35. Sartori elegeu-se para bancar a austeridade. É a Angela Merkel dos gregos gaúchos. Os primeiros passos do governo, porém, deixaram rastros de contradições: aumentos para secretários e até para o governador, que teve de recuar. O legislativo e o judiciário trataram de garantir seus aumentos e privilégios com base no sofisma da independência dos poderes. A legitimidade foi corroída no ponto de partida. O ex-governador Tarso Genro, que deu aumentos hoje criticados, garante que o governo pode contrair 20 bilhões de empréstimos. Por que não o faz? O governo não confirma. Uma hipótese é que não quer, pois estragaria a estratégia do quanto pior melhor para aplicar o seu “remédio”.
O Rio Grande do Sul vive de esquizofrenia: a cada quatro anos troca de ideologia, de método e de programa. Num período, aposta no desenvolvimento conduzido pelo Estado com base em endividamento; no outro, faz o contrário, joga suas fichas no neoliberalismo baseado na redução do tamanho do Estado e nas privatizações. Faz parte do jogo. Só não se diga que o programa de Sartori não existia. Ele era tão claro e conhecido que não precisava ser enunciado e anunciado. Eis.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Rir é o melhor remédio



Autorretrato


Em meio a tantas tempestades e desafios, a vida me trouxe alguns presentes que fazem valer a pena estar no mundo. Um desses presentes, sem nenhuma dúvida, é esse cara aí que hoje colhe mais uma flor no jardim da existência.

Desde sempre meu parceiro nas horas boas e nos momentos de aperto. Leonino bonito e exibido, de personalidade forte, mas que sabe ser terno e querido como ninguém. Sujeitinho metido a besta que tão cedo já deixou de lado os arroubos de Don Juan, descobriu o bom da vida e vem ensinando que o amor não tem idade e é o melhor que podemos plantar nesse planeta de dores e delícias. 

Parabéns Patrique Veleda, ou Tomaz para os íntimos. Gracias por fazer parte da minha vida, que a vida seja sempre generosa contigo e entre no embalo da tua dança!