sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Administração municipal prossegue calçamento de ruas com recurso próprio



Em reunião com secretários municipais, assessores e vereadores, o prefeito Ildo Sallaberry, assinou, na tarde de terça-feira (09), em seu gabinete, contrato de empreitada com a construtora ACPO para prestação de serviço de calçamento de ruas.

As obras serão executadas com recurso próprio da Prefeitura Municipal, totalizando um valor de R$ 212.071,01, utilizado na pavimentação da Rua Dr. Ferreira, entre as Ruas Pinto Bandeira e Marechal Floriano e Rua Silva Tavares, entre as Ruas Borges de Medeiros e 13 de Maio. Ruas estas localizadas próximas ao centro da cidade. “Nossa estratégia de planejamento é qualificar a interligação das ruas do centro da cidade aos bairros”, informa o secretário de Planejamento e Meio Ambiente, Toninho Veleda.

O prefeito Ildo enfatizou durante a assinatura, que a obra, assim como os fretes e demais serviços serão feitos com recursos dos cofres públicos. “Esta é mais uma obra que estamos realizando para cumprir o compromisso assumido com a comunidade, destacou o prefeito ao fazer a assinatura.

Durante o firmamento do contrato, os vereadores Paulo César Carvalho e Daniel Xavier, ressaltaram que a administração está formada por pessoas capacitadas e que o prefeito busca, independente de partido político, o desenvolvimento do município. “Embora tenhamos algumas divergências, como qualquer ser humano, e discussões em alguns projetos encaminhados à Câmara de Vereadores, reconheço que o prefeito tem como objetivo desenvolver Herval, e para isso também sou parceiro”, afirmou Paulo César em seu pronunciamento.

Também se manifestou na oportunidade, o vereador João Bosco Paiva, destacando a competência dos profissionais que estão executando as obras, sendo eles do quadro de funcionários da Prefeitura. “Tenho acompanhado os serviços, e estes estão sendo feitos de forma ágil e eficaz por parte dos funcionários”, ressalta Paiva.



TEXTO: Nívea Bilhalva de Oliveira
Publicado originalmente no site da prefeitura: www.herval.rs.gov.br


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Rir é o melhor remédio




Tarso não brinca em serviço



Uma das obras mais esperadas por todos nós começa a virar realidade. Falo do recapeamento asfáltico da estrada que liga Arroio Grande a Herval.

Há muitos anos esse pleito foi apresentado ao governo do estado. Lembro-me que quando prestava assessoria à bancada petista na Câmara Municipal (há uns 10 anos) já pedíamos e pressionávamos politicamente o governo da época para atender essa importante demanda. O resultado foi um silêncio ensurdecedor.

Depois disso, vários pedidos de lideranças locais foram feitos isoladamente ou de forma coletiva. Sempre sem sucesso. No início do ano passado participei de reunião com o Diretor do DAER, em agenda do CIDEJA, na qual ele alegava as dificuldades de atender esse pleito legítimo e necessário, tendo em vista as dificuldades do órgão e ao fato de que a prioridade número 1 seria concentrar forças, esforços e recursos para atingir a meta de levar acesso alfáltico aos municípios que ainda não possuíssem nenhuma via pavimentada.

Tal demanda vem constando há algum tempo, inclusive, entre os pleitos prioritários da Azonasul junto ao governo do estado.

Durante a visita do governador Tarso a Herval feita no final do ano passado, a administração municipal, através do prefeito Ildo Sallaberry, entregou documento nas mãos do governador reforçando e ressaltando a importância do atendimento breve desse pleito necessário e antigo.

De imediato, o governo do estado realizou operações tapa-buracos, o quais se revelaram bem intencionados, porém inócuos.

Pois para minha surpresa e alegria, ao trafegar por essa estrada na data de ontem (16), me deparei com as máquinas da empresa ENCOPAV já apostos para dar início ao trabalho de recapeamento da rodovia, partindo de Arroio Grande.

Mais uma prova do compromisso e da sensibilidade do governo do estado com Herval e região. Depois de muitos anos de abandono, a gestão estadual passou a ter uma política permanente de recuperação e manutenção das estradas.

Não é possível fazer tudo ao mesmo tempo, mas com Tarso o estado deixou de ficar parado e passou a dar os primeiros passos em todas as áreas.

Parabéns e obrigado ao governo do estado e que o trabalho iniciado por Tarso, não apenas em relação às estradas, siga adiante e não pare no meio do caminho!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Pitada filosófica




Cuidado com os caçadores de voto!



Em primeiro lugar, o que é caçador de voto? Caçador ou caçadora de votos é aquela figura com baixa expressão eleitoral ou aquela que possui pouca ou nenhuma relação com o nosso município, que agora cai de para-quedas entre nós em busca do nosso voto.

No primeiro caso, é ruim porque suas chances de se eleger são mínimas ou inexistentes e perdemos a oportunidade de dar o voto a quem pode conquistar uma vaga e nos representar na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados.

No segundo, porque em sendo eleito, dificilmente vai retribuir o voto com trabalho em prol de Herval e dos hervalenses. Do tipo que ganha o voto e nunca mais volta.

Nosso município é pobre e distante e uma das saídas para superar nossos limites e dificuldades é eleger representantes comprometidos com nossas pautas, pleitos e projetos.

Não podemos "gastar pólvora com chimangos" nem apostar em quem vai trabalhar apenas pelo interesse de alguns entre nós. Precisamos estar juntos com políticos que sempre estiveram ao nosso lado e sempre olharam e trabalharam para Herval como um todo.

Por isso, estou com Zé Nunes deputado estadual e Marcon deputado federal.

Dois cueras que não estão chegando na última hora, que tem trabalho permanente em favor do nosso município e que tem chances claras de serem eleitos (reeleito no caso de Marcon) para fortalecer nossa voz e ampliar nossa vez junto aos governos estadual e federal.

Vamos juntos votar em Zé Nunes 13500 e Marcon 1355!

domingo, 14 de setembro de 2014

Momento poético



Não se mate
(Carlos Drummond de Andrade)

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.
Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.
O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.
Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.


(Poema do livro Reunião – 10 livros de poesia. São Paulo: José Olympio, 1969. p. 26)
(Poema digitado e novamente conferido por mim mesmo em 5 de setembro de 2012, publicado em Antologia Poética - 12a edição - Rio de Janeiro: José Olympio, 1978, ps. 137 e 138) 


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Música para os meus ouvidos


Hoje convido vocês a curtirem um som agitado, mas que pede para refletir acerca de tudo que nos move ou impede de sair do lugar...




Pensar é preciso



O RS é hoje o estado que mais cresce no Brasil e os números e as obras estão aí para provar o que digo. Produziu a maior safra agrícola da história. Possui um dos menores índices de desemprego do mundo. Atraiu novos investimentos e financiamentos para obras de infraestrutura e modernização da gestão. É campeão absoluto na conquista de financiamentos internacionais e de projetos de investimentos junto ao governo federal. É referência na implantação de um modelo de pedágios mais justo e menos oneroso para o bolso da população. É exemplo de combate à pobreza extrema e das desigualdades sociais e regionais. É mestre em democracia, com a criação de um sistema estadual de participação popular e social que orienta e ampara as decisões do governo. Vem recuperando a estrutura administrativa do estado, com a contratação de novos servidores por concurso público e concedendo aumentos salariais acima da inflação. Salvou a previdência do estado que estava falida. Bate recorde em investimentos em educação, saúde e no apoio aos produtores rurais e empreendedores urbanos.

Com Tarso o estado que estava parado, chorando pelos quatro cantos e de costas para o Brasil voltou a fazer obras importantes na parceria com o governo federal. Basta ter o mínimo de bom senso e olhar os caminhos e propósitos da disputa política recente no RS para perceber que os grandes problemas do estado não nasceram na gestão de Tarso, tanto que em 2010 a então situação e a RBS diziam que o estado era ingovernável, que havíamos chegado ao fundo do poço e não havia mais o que fazer, numa atitude que pregava o derrotismo como forma de seguir no poder, justificar as escolhas perversas do governo então em curso e matar a esperança da população gaúcha em dias melhores.

Tarso pode ter feito pouco (e eu acho que fez bastante) em relação ao que precisa ser feito, mas fez muito se comparado aos outros governos, pois agora pelo menos vencemos o pessimismo e a inércia e o estado voltou a andar. A crise do estado não nasceu com Tarso e ele é o governador que vem fazendo mais e melhor para superar essa crise. Agora que o RS encontrou o caminho não pode andar para trás e voltar a entregar o ouro para o bandido. Sim, porque a crise do RS não caiu do céu, ela é fruto de escolhas políticas feitas no passado que agora ficaram mais claras porque revelaram sua verdadeira face e produziram impacto na vida das pessoas.

A crise do estado começou com as privatizações criminosas de Brito e FHC; os PDVs; a renegociação da dívida acertada entre Britto e o governo tucano que compromete mais de 13% da receita líquida com o pagamento da dívida com a União, o que engessou o RS e tornou essa dívida impagável; a lei kandir que penaliza e retira recursos do nosso estado por ele ser um estado exportador; as isenções fiscais realizadas através do Fundopem (reformulado por Tarso), que era mais uma forma de sangrar o estado, transferindo volumes absurdos de recursos financeiros do povo gaúcho para os cofres de meia dúzia de mega empresas, sem ao menos exigir contrapartida com a geração de empregos. Tudo isso retirou receita e capacidade de competição do RS perante outros estados, gerando dívidas financeiras e sociais que somente agora, com o apoio do governo federal, está se começando a reverter e superar. É como se cortassem nosso salário pela metade e nos obrigassem a manter o mesmo padrão de consumo.

Portanto, o RS está no rumo certo e vem crescendo de forma parelha e solidária. Devolver as rédeas do estado para as mãos de mais um representante da RBS é dar um tiro no pé, perder o trem da história e retomar a velha política na qual muitos são os chamados e poucos os escolhidos para receber os investimentos do governo.

Herval é um exemplo do compromisso de Tarso em superar as desigualdades sociais e regionais. Nosso município nunca recebeu tantos investimentos de um governo estadual como nesses três anos e meio. Vejamos algumas iniciativas e investimentos para comprovar o que digo:

- pela primeira vez na história nosso hospital vem recebendo recursos diretamente dos cofres do estado, num investimento de mais de R$ 300 mil, dentro do programa criado por Tarso para salvar as instituições hospitalares de todo o estado que estavam na UTI;

- aquisição de 01 van, 02 ambulâncias e 03 veículos doblôs para a Secretaria Municipal de Saúde realizar o transporte de pacientes para atendimento especializado em outros municípios;

- implantação de Ensino Médio na escola Corintho Ávila Escobar, no Basílio, além de assegurar os recursos para a reforma do I.E.E. São João Batista e Corintho, como também a construção de uma escola no assentamento São Virgílio;

- mais de R$ 60 mil investidos através da Corsan, Corag e Consulta Popular para patrocinar o Carnaval e a Fejunahe;

- envio de um veículo, por meio do programa Dissemina, para a Secretaria Municipal de Agropecuária fortalecer o trabalho de melhoria genética do nosso gado leiteiro e de corte;

- retomada do programa troca-troca de sementes de milho e destinação de recursos para a compra de calcário, construção de açúdes e aquisição de equipamentos para a bacia leiteira (em fase de licitação pela prefeitura), num investimento de mais de R$ 150 mil;

- doação de 01 ônibus para o transporte escolar da rede municipal de ensino;

- mais de R$ 100 pequenos produtores do município beneficiados com a anistia das dívidas junto ao Banrisul;

- mais de R$ 200 famílias hervalenses contempladas com o RS Mais Igual, que oferece uma ajuda financeira para complementar o valor do Bolsa Família;

- destinação de recursos para instalação de uma cozinha e uma padaria comunitárias no CRAS, as quais estão prestes a ser inauguradas;

- destinação de maquinário na forma de rodízio com municípios vizinhos, para melhoria e recuperação de estradas vicinais em todo o município;

- melhoria dos serviços prestados pelos órgãos do governo do estado em Herval, a exemplo dos investimentos realizados na CEEE, Brigada Militar, Polícia Civil e Inspetoria Veterinária, esta última tendo atendidos alguns pedidos que datavam de muitos anos, como destinação de 1 veículo utilitário e reforma do prédio;

- Tarso foi o primeiro governador a cumprir agenda oficial em Herval depois de muitos anos sem recebermos a visita da autoridade maior do RS.


Tarso a gente conhece e pode acreditar. Por tudo o que foi feito e pelo tanto que virá, vamos adiante com Tarso e que o passado se conserve no passado!



segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Pitada filosófica




Licença poética




Volto a pedir licença para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser...


Teu riso alimenta minha vontade de rimar.
Teu corpo atiça meus desejos mais loucos.
Tua alma enlaça e lança perfume pelo ar.


Sem te conhecer, curto teu ser e perco o passo
imaginando nossas mãos entrelaçadas.


Na estrada dos meus sonhos admiro tuas curvas
e curvo-me para notares quando passo.


Cruzo por ti na rua e imagino em meus braços.
Imagino nua debaixo dos meus lençóis.


Se fores tão alva quanto pinto, então estou perdido.
Perdido porque nunca vou querer te perder de vista!


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Momento poético



Poemas da amiga
(Mário de Andrade)
A TARDE se deitava nn MEUS OLHOS
E a fuga da Hora me entregava abril,
Um sabor de familiares ATE-logotipo criava
Um ar, e, o Porque nao sei, te percebi.
Voltei-me em Flor. Mas era apenas tua Lembrança.
Estavas Longe doce amiga E até vi nenhum PERFIL da Cidade
O arcanjo forte do arranha-céu cor de rosa,
Mexendo asas Azuis Dentro da Tarde.
When eu Morrer Quero Ficar,
Nao Contém EAo Meus Amigos,
Sepultado Cidade los minha, a
Saudade.
PES MEUS enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem Meu sexo,
Na Lopes Chaves a Cabeça
Esqueçam.
No Pátio do Colégio afundem
O Meu Coracao paulistano:
Um Coração vivo e hum defunto
Bem juntos.
Escondam no Correio o Ouvido
Direito, o Esquerdo Nos Telégrafos,
Quero saber da Vida Alheia
Sereia.
O Nariz guardem Nos Rosais,
A Língua nenhuma Alto do Ipiranga
Para cantar a Liberdade.
Saudade ...
OS OLHOS LA Nenhuma Jaraguá
Assistirão AO Que HÁ de vir,
O Joelho na Universidade,
Saudade ...
Como Mãos atirem POR AI,
Que desvivam Como viveram,
Como tripas atirem pro Diabo,
Que o Espírito de Deus Será, será.
Adeus.

Ato político

Tirando o parágrafo que aborda sobre a descriminalização do aborto, assino embaixo e faço minhas as palavras de Jorge Furtado. Sou contra o aborto, não por uma questão legal ou religiosa, mas por um ato de defesa da vida, em todas as formas e em todas as etapas.
A descriminalização do aborto talvez fosse admissível em sociedades mais avançadas no sentido de praticar a lei do amor que deveria nos unir, na qual tal prática não fosse tão aceita ou difundida (com ou sem o amparo da lei). Nas sociedades dos nossos tempos, no entanto, penso que esse amparo legal seria uma porta escancarada para incentivar o aumento da banalização da vida e dos amores descompromissados, um incentivo a irresponsabilidade perante os próprios atos, assim como a falta de afeto pelos frutos gerados pelo corpo, capazes de nos conduzir a andares mais altos da alma.
No mais, estou com Jorge Furtado e não recuo um só milímetro!

Jorge Furtado: Voto contra tudo isso que está aí 



Se alguém me dissesse, em 2004 - quando o primeiro governo Lula sofria a oposição feroz de toda a mídia brasileira e tinha pouco ou nada para mostrar de resultados - que em dez anos o segundo turno da eleição presidencial seria disputado entre duas ex-ministras do governo Lula, uma pelo Partido dos Trabalhadores e uma pelo Partido Socialista Brasileiro, eu diria ao meu suposto interlocutor que a sua fé na democracia era um comovente delírio. A provável ausência, pela primeira vez no segundo turno das eleições presidenciais, de candidatos da direita autêntica, do PSDB, do DEM e do PTB, é mais uma boa notícia que a democracia nos traz. Imagina-se que, vença quem vença, muitos dos derrotados voltarão correndo para os braços confortáveis do novo governo, esta é a má notícia.

Tenho familiares e bons amigos que vão votar na Marina e também no Aécio. Eu vou votar na Dilma. Acho que foi o Todorov quem disse (mais ou menos assim) que a democracia nos reúne para que a gente resolva qual é a melhor maneira de nos separar. Não sou nem nunca fui filiado a qualquer partido, já votei em vários, tenho amigos em alguns. Neste que é o maior período democrático da nossa história (25 anos, sete eleições consecutivas), o Brasil não parou de melhorar e não há nada que indique que vá parar de melhorar agora. 

Votei no Lula, desde sempre até ajudar a elegê-lo em 2002, com o palpite de que um governo popular, o primeiro em 502 anos, talvez pudesse enfrentar com mais vigor o grande problema brasileiro: a desigualdade social. Achei que, talvez, substituindo a ideia de que o bolo deve primeiro crescer para depois ser divido pela ideia de incentivar o crescimento do país com melhor distribuição de farinha, ovos, manteiga, fogões, casas com luz elétrica, empregos e vagas nas escolas e nas universidades, finalmente poderíamos começar a nos livrar da nossa cruel e petrificada divisão entre a casa grande e a senzala. Meu palpite estava certo. A desigualdade brasileira continua grande e cruel mas está, finalmente, diminuindo.

Voto, ainda, primeiro contra a desigualdade social, ainda o maior problema do país, um dos mais injustos do planeta, em poucos lugares há uma diferença tão grande entre pobres e ricos. A elite brasileira (sim, ela existe, esta aí), fundada e perpetuada no escravismo, luta para manter seus privilégios a qualquer custo. Eles são donos dos bancos, das grandes construtoras, fábricas e empresas, das tevês, rádios, jornais e portais da internet e defendem ferozmente sua agradável posição. A única maneira de enfrentar seu enorme poder é no voto.
Voto contra o poder crescente do capital sobre as políticas públicas. Quem vive de rendas pensa sempre mais no centro da meta da inflação e menos nos níveis de emprego, mais na taxa dos juros e menos no poder aquisitivo dos salários. O poder do capital especulativo, rentista, é gigante, mora na casa dos bilhões de dólares. Voto contra, muito contra, a autonomia do Banco Central, que tira do governante, eleito pelo nosso voto, o poder de guiar o desenvolvimento segundo critérios sociais, protegendo o país do ataque de especuladores e garantindo renda e empregos, e entrega este poder ao tal mercado, hereditário e eleito por si mesmo, sempre predador e zeloso em garantir a sua parte antes de lamentar os danos sociais causados por seus lucros. (Ver Espanha, Grécia, EUA, Finlândia, etc.)

Voto contra submeter os critérios de uso dos nossos recursos naturais não renováveis, como o petróleo, ao interesse de grandes empresas estrangeiras. O petróleo brasileiro e seu destino é o grande assunto não mencionado nas campanhas eleitorais. Os ataques contra a Petrobras, que acontecem invariavelmente às vésperas de cada eleição, atendem interesses das grandes empresas petroleiras, especialmente as americanas, que querem a volta do velho e bom sistema de concessões na exploração dos campos de petróleo, sistema que, na opinião delas, deveria ser extensivo às reservas do pré-sal. Aqui o interesse chega na casa do trilhão. Garantir que o uso da riqueza proveniente da exploração de nossos recursos não-renováveis tenha critérios sociais, definidos por governantes eleitos, me parece uma ideia excelente da qual o país não deveria abrir mão.

Voto contra o poder crescente das religiões sobre a vida civil. Respeito inteiramente a fé e a religião de cada um, gosto de muitos aspectos de várias religiões, sei do importante trabalho social de várias igrejas, mas não aceito o uso de argumentos ou critérios religiosos na administração pública. Mesmo para os que professam alguma fé religiosa a divisão entre os poderes da terra e do céu deveria ser clara. Diz a Bíblia, em Eclesiástico, XV, 14: “Deus criou o homem e o entregou ao poder de sua própria decisão”. (Esta é a versão grega, a versão latina fala em “de sua própria inclinação” ou “ao seu próprio juízo”.)  Erasmo faz uma boa síntese desta ideia: “Deus criou o livre-arbítrio”. Ele, se nos criou a sua imagem e semelhança e criou também as árvores, haveria de imaginar que, criadores como ele, criaríamos o serrote, e com ele cadeiras, mesas e casas, e ainda, Deus queira!, a ciência que nos permita usar com sabedoria os recursos naturais e viver bem, com saúde. O poder crescente das igrejas, com suas tevês e bancadas no congresso, deve ser contido por um estado laico.

Voto contra o preconceito contra os homossexuais. O estado não tem nada a ver com o desejo dos indivíduos. Ninguém (seriamente) está falando que o sacramento religioso do casamento, em qualquer igreja, deva ser definido por políticas públicas, mas os direitos e deveres sociais devem ser iguais para todos, ponto. Os preconceituosos e mistificadores, que vendem a cura gay ou bradam sua lucrativa intolerância contra os homossexuais, devem ser combatidos sem vacilação ou mensagens dúbias.

Voto contra a criminalização do aborto. A hipocrisia brasileira concede às filhas da elite o direito ao aborto assistido por bons médicos, em boas condições de higiene, e deixa para as filhas dos pobres os métodos cruéis e o risco de vida, milhares de meninas pobres morrem de abortos clandestinos todos os anos. A mulher deve ter direito ao seu corpo, independente de vontades do estado ou de dogmas religiosos.

Voto contra o obscurantismo que impede avanços científicos. Há quem se compadeça com os embriões que serão jogados no lixo das clínicas de fertilização e ignore o sofrimento de milhares de seres humanos, portadores de doenças graves como a distrofia muscular, a diabetes, a esclerose, o infarto, o Alzheimer, o mal de Parkinson e muitas outras, cuja esperança de cura ou melhor qualidade de vida está na pesquisa com as células tronco.
 
Voto contra palavras vazias. Nossa era da mídia transformou a oralidade num valor em si, esquecendo que há canalhas articulados e bem falantes e pessoas de bem e muito competentes que são de pouca conversa, ou até mesmo mudas. Tzvetan Todorov: “A democracia é constantemente ameaçada pela demagogia, o bem-falante pode obter a convicção (e o voto) da maioria, em detrimento de um conselheiro mais razoável, porém menos eloquente”. (1) Há quem diga de tudo e também o seu oposto, dependendo do público ouvinte a quem se pretende agradar, há quem decore frases feitas repetíveis em qualquer ocasião, há quem não fale coisa com coisa. Prefiro julgar os governantes e aspirantes a cargos públicos menos por suas palavras e mais por seus atos, seus compromissos e sua capacidade de trabalho em equipe, ninguém governa sozinho.
 
Voto contra os salvadores da pátria. Pelo menos em duas ocasiões o Brasil apostou em candidatos de si mesmos, filiados a partidos nanicos, sem base parlamentar, surfando numa repentina notoriedade inflada pela mídia e alimentada pelo discurso “contra a política”, prometendo varrer a corrupção e as “velhas raposas”. No primeiro caso, a aventura personalista de Jânio Quadros acabou num golpe militar e numa ditadura que durou 25 anos. No segundo, a aventura personalista de Fernando Collor, sem base parlamentar e passada a euforia inicial, terminou em impeachment, bem antes do fim de seu mandato. (atualizado em 01.09.14: A trajetória pessoal de Marina - muitos anos de boa luta democrática e defesa de grandes causas - é incomparável com a de Fernando Collor, um autêntico herdeiro da senzala, e Jânio Quadros, um doido. Espero que em nome de uma suposta nova política ela não jogue fora sua bela história de vida, toda construída na velha.)
 
Voto na Dilma e contra tudo isso que ainda está aí: a desigualdade social, o poder crescente do capital, a cobiça sobre nossos recursos naturais, o preconceito contra os homossexuais, a criminalização do aborto, o obscurantismo que impede avanços científicos, a criminalização da política, as palavras vazias, os salvadores da pátria. Com a direita autêntica fora do jogo podemos, sem grandes riscos de voltar ao passado, debater o melhor caminho para seguir avançando. Ponto para a democracia.

 
(1) Tzvetan Todorov, Os inimigos íntimos da democracia, tradução Joana Angelica DÁvila Melo, Companhia das Letras, 2012.