Sobre o Blog do Toninho

O Blog busca retratar coisas da vida interiorana e do meu interior, numa abordagem que mistura reflexão, notícias, riso, poesia, musicalidade, transcedentalidade e outras "cositas más". Tudo feito com produções próprias, mas também com a reprodução do pensar ou do sentir dos grandes gênios que o país e a humanidade pariram.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Viva a mudança boa que iremos semear!



O ano ainda em curso foi um ano duro para a imensa maioria do povo brasileiro: um projeto de nação foi abandanado e enchovalhado; o desemprego seguiu em alta; direitos fundamentais da população foram roubados; serviços públicos foram jogados no ralo; servidores públicos foram massacrados e humilhados; a vida ficou cara como há muito não se via; os mercados seguiram vorazes como sempre, mas agora praticamente “donos do campinho..."

Em 2019, a natureza foi tratada feito lixo; os bichos foram tratados como monstros; monstros ganharam aplausos e notoriedade; os fracos foram pisoteados; a ciência foi queimada na fogueira como as bruxas; o nome de Deus continuou sendo usado em vão; o Brasil virou motivo de piada e escolheu lamber as botas e rastejar diante dos poderosos do planeta; inúmeras riquezas do país foram entregues aos gringos de bandeja e a preço de banana; moralistas de ontem se revelaram os verdadeiros e maiores bandidos da nação...

No ano que está findando, os brasileiros que não surfam nessa onda e que desejam e lutam pelo melhor para o Brasil, seguiram sendo apedrejados moralmente e suas reputações criminalizadas sem provas ou com base em provas fabricadas; valores como ética, lealdade, justiça, empatia, sabedoria e solidariedade foram substituídos – sem nenhum constrangimento ou remorso ou crise de consciência –, pela bandalheira, a destruição, o espírito assassino e o velho jargão do “leve vantagem quem puder”.

Foi um ano em que os canalhas de sempre deram as cartas e mostraram sua face suja a quem quisesse assistir, sem medo de sofrer algum julgamento ou encarar as consequências dos seus atos.

Foi um ano em que muita gente jovem se revelou velha e prisioneiras de atitudes detestáveis de antigamente.

Foi um ano em que a verdade e a vida – que pede cotidianamente para ser bem vivida – valeram menos que um “vintém”.

Foi um ano em que se viu a maldade e o que de pior existe nos humanos se espalhar tanto, a ponto de virem bater na nossa porta ou andar abrigados bem debaixo do nosso nariz.

Enfim, foi um ano deprimente e de reinado do mal, porém não há nenhum mal que sempre dure nem mentira que não seja descoberta. Assim, foi também um ano em que muitas máscaras começaram a cair.

Em resumo, foi um ano em sua maioria ruim e adverso e do avesso, mas um ano em que a ficha caiu para muita gente e a realidade ficou clara e cristalina.

Que em 2020 não haja mais espaço nem palco para nenhum teatro, seja na vida pública ou particular ou no íntimo de cada um e cada uma.

Se o Ano Novo não vier a ser bom ou novo de fato, que ele não aceite encenações e fake news, abrindo alas ou as cortinas para que todos os seres de boa-vontade possam, a partir da realidade nua e crua que aí está, dar um tapa de luva na cara de toda e qualquer hipocrisia e arregaçar as mangas para virar esse jogo que derrota tudo o que vale a pena, torna as almas pequenas e consagra nulidades.

Que venha 2020 e nele, sem nenhuma ilusão ou mágica, sejamos sujeitos da história e, juntos a gente construa dias, ambientes, conexões humanas e gentes melhores!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Música para os meus ouvidos


          Música boa de verdade não precisa ter grito, bunda balançando, melação.
Música boa de verdade têm poesia, voz afinada, ritmo, melodia, emoção e muito mais...´




Momento poético




Esperança



Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano

Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...


Mario Quintana

Parada pedagógica



sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Ato político



O “diabo” nunca mostra sua verdadeira face feia e assustadora. Para atingir seus objetivos macabros, normalmente o mal se apresenta com cara bonita ou com um repertório ou receituário aparentemente benéfico. Assim, em nome de Deus e da virtude, a humanidade praticou e ainda pratica as piores atrocidades. Em nome do progresso, se joga nações inteiras no abismo do atraso. Em nome da liberdade ou da suposta ameaça a ela, se aprisiona de diferentes modos legiões e legiões de pessoas. Em nome da paz, se pratica as piores violências ou promove as guerras mais mortíferas.

Abre o olho Brasil, ainda dá tempo de escapar das garras “desses coisas ruins” que roubaram o nosso país e já assinaram nossa sentença de sofrimento ou de morte. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!


O Brasil em tensão: poder militar-miliciano nas veias do governo Bolsonaro


O Governo Bolsonaro constrói uma narrativa autoritária que estabelece a ordem para matar com a proposta de excludente de ilicitude e, em perspectiva, aponta para um golpe de Estado que se anuncia com repertório de fatos que coincidem com a liberação de armas de fogo. Essa narrativa se agrava com a apreensão de 117 fuzis com milicianos no condomínio de luxo que reside Bolsonaro; com militares traficando cocaína no avião presidencial; com os filhos fazendo a defesa da memória de ditadores e torturados; com a relação dos filhos com grupos milicianos; com ameaças de AI-5; com ex-juiz e ministro da Justiça que atua como um capitão do mato; com apoio a milicianos que invadem embaixadas; com militares que ameaçam ministros do STF e que não reconhecem que houve o Golpe Militar de 1964 – para eles, o Golpe foi a salvação do Brasil do comunismo; com militares que apoiam golpe militar nos países da América Latina; entre outros. Essa narrativa evidencia a marcha da insensatez rumo à consolidação de um governo militar-miliciano, que se organiza publicamente, com afronta aos Poderes Legislativo e Judiciário.

O partido Aliança pelo Brasil consolida a união do poder militar (institucional) com o poder miliciano e paramilitar (estado paralelo) para impor uma nova forma de dominação do espaço estatal, no Brasil, como o que ocorre na Bolívia. O eixo militar-miliciano tomou o Governo e tutelam qualquer interventor. É a união do Estado Institucional (militar) e do Estado Paralelo (milicianos) contra as classes populares, classe trabalhadora e contra a própria classe média. É um projeto de morte contra os sonhos de libertação do povo brasileiro e latinoamericano. É preciso ler o labirinto, perceber as contradições e apontar possibilidades de estratégias, táticas e alternativas de mobilização do povo brasileiro, pois o recado do Governo aponta para uma intervenção autoritária. A questão central que orienta nossa análise é sobre que narrativa a esquerda brasileira propõe para conter e enfrentar essa escalada armada e ideológica do Governo Bolsonaro?
A primeira estratégia é superar a visão ingênua de democracia e compreender os elementos que sustentam a democracia liberal, que se confunde com formas autoritárias de governos militares-milicianos e reconstruir o lugar da sociedade civil na organização de uma nova plataforma democrática. A segunda, é contextualizar que essa ofensiva da ultradireita, na América Latina, tem raízes históricas nas intenções de dominação europeia, cujo marco foi a invasão colonial, mas ainda perpetua com as tentativas de golpes do imperialismo estadunidense. Essas ideias povoam a América Latina com o avanço neoliberal (projeto econômico), neocolonial (projeto territorial) e neopentecostal (projeto religioso), sempre com apoio da elite colonial e escravocrata.

Esse projeto de morte encontra terreno fértil com os avanços dos grupos militares-milicianos que atuam em duas frentes: no campo institucional, com as forças armadas – que não abandonaram o ideário autoritário na disputa do Estado com a trama dos golpes militares; no campo da social, os militares ampliam sua força armada com o apoio à organização de grupos milicianos ou paramilitares que traficam armas, drogas e dominam territórios, como o que ocorre no Rio de Janeiro. Esse contexto tem o apoio e a participação da elite escravocrata, que se organiza no asfalto para dominar e subjugar os pobres e subalternizados nas periferias do Brasil – sob a lógica da velha reprodução Casa Grande X Senzala. Não há golpe militar sem armas, exército, polícia e projeto político de dominação.

A esquerda precisa analisar essa conjuntura, que combina o uso de armas e de violência para tomar o poder estatal, reprimir e perseguir seus opositores, os movimentos e as organizações sociais progressistas. Esse grupo militar-miliciano tem como objetivo dominar o Estado para garantir o enriquecimento das elites nacionais, com a destituição do sentido público estatal, com as privatizações; a expropriação das terras; e o extermínio dos povos originários e raciais, como indígenas, negros, quilombolas. Não podemos subestimar a determinação dos aliados de Bolsonaro, tampouco dos militares que compõem o Governo e dos ideais de manutenção de privilégios das elites nacionais.

Depois de mais de 500 anos, a América Latina continua na solidão em sua luta pela libertação dos domínios coloniais e imperiais que avançam sobre nossas terras, nossas biodiversidades, nossas águas, nossas riquezas e, com maior intensidade, sobre a esperança e os sonhos de nossa gente. Apesar disso, a memória de libertação do domínio hispânico e português continua sendo o maior legado de organização do povo latino-americano na resistência e na conquista da independência colonial. Dois pontos de resistência na América Latina podem subsidiar nossa leitura sobre as dimensões e as estratégias de organização da esquerda no Brasil, apesar de suas especificidades.
Na Bolívia, o recente golpe de Estado e, na Venezuela, as tentativas fracassadas de golpe. Na Bolívia, prevaleceu a combinação militar-miliciana como força central de destituição do governo de Evo Morales e a instalação de um regime autoritário, com participação efetiva da Organização dos Estados Americanos (OEA), ou seja, com intervenção estadunidense no apoio das forças de extrema-direita no continente. Isso precisa ser analisado pela esquerda latino-americana.

A América Latina enfrenta uma luta de correlação de forças de extremos, com alternância entre governos democráticos e governos de extrema-direita, marcados pelo autoritarismo, pela violência policial e pela intervenção militar e miliciana. Na Venezuela, a combinação popular-institucional avança contra as tentativas de golpe de Estado, ou seja, há organização das classes populares para defesa da soberania nacional inspirada no legado de libertação do colonialismo, liderada por Simón Bolívar, e o avanço na derrota do imperialismo, pelo chavismo.

Não tem resistência sem memória, autoconhecimento e formação de uma identidade própria que esteja fora do centro estadunidense e europeu. O institucional, porque o chavismo conduziu as reformas necessárias de suas instituições como parlamento, poder judiciário e forças armadas, apesar do modelo de democracia que querem impor aquele país. A forma de democracia que tem prevalecido é a popular, o fortalecimento das instituições e de uma ampla frente de defesa da soberania nacional da Venezuela. O poder militar-miliciano de extrema-direita e antinacional, com apoio do Governo dos EUA, tem sido derrotado sucessivamente em suas tentativas de golpes. Apesar das sanções, a Venezuela, é uma experiência de resistência que pode contribuir para enfrentamento do eixo de morte militar-miliciano de Bolsonaro.

A extrema-direita, liderada pelo Governo Bolsonaro, quer impor as ideias de ditadura que corre nas veias do grupo militar-miliciano. No Brasil, a tensão aumenta a cada afirmativa do Governo de retorno do AI-5, a questão central é como a esquerda se articula para vencer os ideários de autoritarismo e a eminência da ditadura proclamada pelo eixo militar-miliciano que assume a direção política do Estado brasileiro.

Socorro Silva – Professora e Doutora em Educação da UFPI Coordenadora do Núcleo em Educação e Ciência Descolonial (NEPEECDES)



quinta-feira, 28 de novembro de 2019

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Licença poética



Peço licença outra vez para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Se não for pedir demais, tira um print da tua pele e envia para mim...

É muito bom sentir que toco tua alma à distância, mas quando se aproxima o horário de dormir, aumenta a vontade de levar tua epiderme para a minha cama.


segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Nem só de pão viverá o homem





Momento poético


Saber Viver

Não sei…
se a vida é curta
ou longa demais para nós.
Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que sacia,
amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira e pura…
enquanto durar.
(Cora Coralina) 

Rir é o melhor remédio



sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Música para os meus ouvidos


Iza é uma lindeuza e sua canção faz sentido e me faz sentir...



Ato político


Juremir Machado da Silva é leitura cada vez mais obrigatória nesses tempos de culto ao ódio, de triunfo da vilania e de encarceramento da ética e dos valores civilizatórios...


Coringa, herói dos desesperados
Crônica sobre um filme inesperado



Oswald de Andrade teria dito sobre um livro de José Lins do Rego: “Não li e não gostei”. Eu não tinha visto Coringa, mas já tinha gostado. Não queria ver por uma razão cristalina: não gosto de filmes sobre pessoas que enlouquecem e se tornam assassinas. Não tenho estômago. Mesmo assim, fui ver. É uma obra-prima. Em tempos distópicos como o nosso, sem espaço para utopias positivas, o herói é o vilão. Coringa, o fracassado, arranca aplausos. Os vencedores são cínicos, oportunistas e pusilânimes.

Li muito sobre Coringa. Quase vi o filme de tanto ler sobre ele. Coringa mostra o lado “b” do sistema. Outra noite, depois da aprovação da reforma das aposentadorias pelo Senado, o Jornal Nacional, da Rede Globo, encerrou sua cobertura com uma pessoa dizendo que sonhava com o êxito do seu filho para ele não precisar da Previdência. Como assim? O sistema público de aposentadoria por repartição é uma conquista civilizacional praticado até mesmo na meca do capitalismo, os Estados Unidos da América.

Segundo o Índice Global de Previdência Melbourne Mercer, o Chile tem o décimo melhor sistema de aposentadoria do mundo. É a capitalização que Paulo Guedes adoraria importar para o Brasil. Um milhão de chilenos, numa população de 18 milhões, foram às ruas protestar, entre outras coisas, contra esse modelo tão bem classificado no ranking Melbourne. Será que os chilenos não foram informados dessa benesse? Não estão a par? Por que idosos, recebendo metade do salário mínimo, em torno de 30% do que recebiam na ativa, suicidam-se estando protegidos por uma previdência top?

No Coringa, como se pode ler nas boas sínteses, a população explode quando funcionários de Wall Street são vítimas de um criminoso vestido de palhaço. Apologia da violência? Talvez não. Crônica de uma revanche contra as humilhações e privações sofridas ao longo do tempo. Vale lembrar que Coringa é uma produção da indústria cultural capitalista, que sabe perfeitamente como transformar a crítica à sociedade do espetáculo em espetáculo, as suas contradições em faturamento, os medos de cada um em terapia coletiva, o horror em catarse mediada por uma tela global.

Não se deve confiar em quem gosta de algo que não viu. Eu não confio em mim. Por isso, vi o filme. Tenho razões de sobra para ter um pé atrás comigo. Também não confio no Índice Global de Previdência Melbourne Mercer. Tampouco na DC Comics, que produziu Coringa. Nem na Marvel. Não confio em ninguém capaz de atrair um bilhão de pessoas para o cinema com a história de um palhaço fracassado. A mensagem, contudo, parece confiável: o palhaço somos nós. Sim, nós que trabalharemos mais tempo para ganhar menos, em nome da estabilidade do país, enquanto os aquinhoados brasileiros não pagam impostos sobre lucros e dividendos distribuídos. 

Só vejo filme açucarado. Histórias com final feliz. O Equador, a Bolívia e o Chile explodiram. A Venezuela chafurda no seu pântano. A Argentina voltou para a esquerda. O Brasil perdeu a bússola. Batman defende a ordem. Só que a ordem não dá mais conta da melancolia dos fracassados e dos infelizes. O Coringa representa os derrotados da ordem.


Autorretrato



"Yo" e essa menina sapeca, que faz chover estrelas dos olhos da gente

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Momento poético


Aceitarás o amor como eu o encaro?…

Aceitarás o amor como eu o encaro ?…
… Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.
Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.
Não exijas mais nada. Não desejo
Também mais nada, só te olhar, enquanto
A realidade é simples, e isto apenas.
Que grandeza… a evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições. O encanto
Que nasce das adorações serenas.

Mário de Andrade

Altas conexões



quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Música para os meus ouvidos


Não sou saudosista e prefiro sempre andar para frente, mas realmente em 2000 e pouco tinha mais humanos no mundo do que nesse 2000 e louco, no qual quase tudo parece meio artifical, mecanizado.

Um mundo de ovelhas desorientadas diante dos caminhos claros que conduzem para longe do abate e de lobos famintos de tudo que produz alma e ar para respirar e ainda de uma multidão que se auto-abandona e encontra dificuldade de reconhecer o próprio rosto no espelho.

Ao mesmo tempo que implora por igualdade entre os seres, o mundo clama para que cada um seja o que é e saiba o seu papel em meio a todo esse caos.




Licença poética




Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Podes crer que eu me rendo aos teus encantos...

E eles são tantos!

Me rendo completamente, ainda mais se estiveres usando calcinha de renda.

Rir é o melhor remédio



domingo, 3 de novembro de 2019

A praça é nossa



Nesses tempos difíceis, de estímulo desenfreado ao individualismo e virtualização das relações, de criminalização da política e desrespeito escancarado às regras do jogo democrático, de desmonte da máquina pública e do conceito de poder público indutor do progresso econômico com base no desenvolvimento social, nem tudo é terra arrasada ou más notícias. Falo da previsão de revitalização da Praça Marquês de Herval, anunciada no último dia 26 em encontro promovido pelo Diretório Municipal do PT; obra que deverá ser possibilitada a partir de emenda parlamentar, no valor de R$ 250 mil, indicada pelo deputado federal Henrique Fontana (PT).

Sobre a emenda em questão, ressalto que a mesma partiu de demanda que me foi apresentada pelo responsável pela pasta da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, meu colega de governo Chico Gonçalves. Ao receber tal pedido, fui bater na porta do respeitável Cláudio Martins, ex-prefeito de Jaguarão e um dos grandes líderes políticos da nossa região que, atualmente, trabalha na assessoria do mandato do deputado estadual Zé Nunes, outro grande parceiro de Herval e dos hervalenses. Cláudio, de pronto, levou adiante esse pleito, no qual contou com a generosidade e o compromisso pessoal de Henrique Fontana, com vistas ao seu atendimento.

Vale lembrar que Herval (município de pequeno porte) disputou esse investimento com dezenas de municípios, sendo contemplado em detrimento de alguns até maiores, fato que merece ser muito valorizado, ainda mais diante do cenário atual de cortes em programas e investimentos federais, no qual as emendas se tornaram uma das fontes principais e mais concorridas na corrida dos municípios em busca de recursos para realizar investimentos. Vale lembrar ainda, o trabalho de Henrique Fontana em prol da nossa terra há vários anos, especialmente nos períodos em que foi líder no Congresso dos governos Lula e Dilma, tendo atuação decisiva em conquistas como, por exemplo, os cerca de R$ 1,6 milhões destinados a Herval para a construção de pontes e melhorias em estradas rurais, no maquinário entregue ao município por meio do PAC Máquinas (patrola, retroescavadeira e caminhão) e os valores em torno de R$ 2,5 milhões depositados pela Funasa nos cofres da prefeitura para instalação de sistema de abastecimento de água nos assentamentos São Virgílio, Cerro Azul e Santa Rita III.

Sobre esse investimento, reitero o que disse no início. Nesses tempos de individualismo e de virtualização das relações, com a maioria das pessoas buscando refúgio ou exposição nas redes sociais, a revitalização da praça central de nossa cidade é um convite aos hervalenses e visitantes para que interajam e convivam mais entre si. Afinal, praças públicas são sinônimo de fruição, assim como são sinônimo também de encontro entre os diferentes e as diferenças, algo tão primordial nesse momento de tanta e tamanha intolerância e golpes mortais na democracia, conforme frisei anteriormente.

Em relação a busca de uma fonte de recursos para custear a obra pretendida de revitalização da praça, fizemos nossa parte. O deputado Henrique Fontana e os demais atores envolvidos nessa primeira etapa também cumpriram seu papel. Agora é continuar a caminhada e esperar que o governo federal cumpra a parte que lhe cabe que é, depois de cumpridos todos os ritos e trâmites burocráticos, assegurar o pagamento dos recursos previstos e necessários à execução dessa obra. E, depois da mesma ser finalizada, como diz o querido e vibrante Henrique Fontana, que aproveitemos a praça de cara nova e sejamos felizes.


quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Música para os meus ouvidos


Dispensa comentários ou maiores delongas. Um som que esbanja embalo, afinação e estímulo ao bom da vida, que costuma ser o mais simples e com o pé no chão.




terça-feira, 29 de outubro de 2019

Henrique Fontana indica emenda para revitalização da praça



Sábado, 26, foi um dia marcante para o nosso município. Em encontro promovido pela direção municipal do Partido dos Trabalhadores, na sede do Rotary Clube, com a presença do deputado federal Henrique Fontana (PT), do deputado estadual Zé Nunes (PT) e do ex-prefeito de Jaguarão, Cláudio Martins, foi anunciada emenda parlamentar no valor de R$ 250 mil, de iniciativa do mandato de Henrique Fontana, destinada à obra de revitalização da Praça Marquês de Herval.

Essa emenda partiu da demanda apresentada pela pasta da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer do município ao secretário de planejamento, Toninho Veleda, que por sua vez, acionou Cláudio Martins, atualmente assessor do mandato do deputado estadual Zé Nunes, o qual levou adiante essa pauta e construiu as pontes necessárias para assegurar a indicação desse investimento junto ao orçamento da União.

Em sua fala, Henrique Fontana ressaltou sua relação com Herval, que já vem de longa data e seu compromisso de trabalhar em prol e bem representar o povo hervalense na Câmara dos Deputados. Ele também falou do momento difícil vivido no país, fruto das políticas equivocadas, retrógradas e perversas do governo Bolsonaro, situação que contribui para o aumento da corrida dos municípios em busca das emendas parlamentares, diante do corte dos programas e dos investimentos públicos promovidos pelo governo federal. Segundo Fontana, as emendas ajudam, porém os problemas dos municípios não serão resolvidos através delas. Ademais, mais que qualquer favor, esse é um direito dos cidadãos, já que são investimentos pagos com recursos públicos, enfatizou o deputado.

Toninho Veleda, que também é presidente municipal do PT, agradeceu o mandato dos dois deputados presentes no encontro, em especial ao ex-prefeito Cláudio Martins, não apenas pela emenda ora anunciada, mas pela relação de parceria e pelo apoio e encaminhamento permanente de pleitos do município. Toninho também ressaltou a importância da obra de revitalização da praça central, pois de acordo com suas palavras, nesses tempos de ataques à democracia e estímulo ao individualismo, a praça simboliza o encontro dos diferentes e das diferenças, além propiciar o lazer, o convívio e a fruição das pessoas da nossa comunidade e daqueles que nos visitam.



quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Ato político


Ser contrário ou não se render ao governo Bolsonaro e seus asseclas, não é uma questão meramente partidária ou bancar uma posição ferrenhamente oposicionista. Ser contrário e esse governo (se é que se pode chamar de governo!) é ser a favor da lógica e das funções mínimas esperadas em qualquer administração pública.

O que pessoas normais esperam de governos


O que é normal, ou não, está longe de ser um consenso, mas quando se fala em “pessoas normais”, aponta-se para aquelas que querem o que todos querem: recursos para cumprir minimamente com as necessidades suas e de familiares – casa, emprego, saúde, alimentação, educação para si e os filhos, recreação, saneamento para ter acesso a água potável e ambiente sadio e por aí vai. Ninguém precisa ser escandinavo para ter aspiração e direito a esses bens. Pessoas normais querem viver em dignidade.

O discurso bobalhão de bílis com preconceito que elegeu Jair Bolsonaro não traz nada disso. Fazer pistolinha com a mão não torna ninguém digno – torna, quando muito, digno de piedade, de pena.
Governar é usar poder para cobrar tributos e aplicar sua receita naquilo que pessoas normais demandam, principalmente numa sociedade de desigualdades abissais como a nossa, em que a estabilidade política e social depende de ações compensatórias do estado. O resto é luxo e luxo é para ser custeado por quem o quer. A ciranda financeira, por exemplo, é para quem tem sobra e é dos bancos o papel mantê-la, não do estado.
Mas os atores que Bolsonaro trouxe para a máquina do estado entendem que cabe a nós todos, principalmente aos menos aquinhoados, pagar pela saúde financeira dos bancos que, mesmo em período de crise econômica, costumam fazer lucros enormes com os tomadores de seus serviços. São os que não têm o mínimo para garantir sua dignidade que custeiam o luxo dos que têm em excesso.
E, no meio disso, entre indignos e luxuosos, estão alguns servidores públicos com polpudos ganhos que fazem o serviço dos poderosos e ricos para continuarem a se diferenciar da ralé! O deles está garantido com Bolsonaro – basta fazerem o que os ricos esperam deles: perseguir o que sugerem que o estado deveria orientar suas prioridades para os fracos e não os fortes.
Não é por outro motivo que Lula está preso. Ele fez o que pessoas normais esperavam de seu governo. Deu-lhes dignidade, mesmo que não cobrando fatura exacerbada dos luxuosos. Mas a só “inversão” das prioridades – na visão dos que têm muito – era o suficiente para não querê-lo de volta. Mesmo que absolutamente disfuncional, preferem o governo da pistolinha com a mão a quem cumpre compromisso com a maioria.
O resultado está aí: temos um governo que não governa. Especializou-se na baixaria. Na rixa, na briga de boteco. Ora sua ex-líder no Congresso é chamada pela turma do Presidente – em virtude de sua avantajada circunferência – de “Peppa Pig”, no que ela replica e xinga os filhos do Presidente de eunucos ou de “veados”, a vomitar todo seu preconceito sexista. E, para o Presidente, a primeira-dama francesa é feia. Nisso se resumem os esforços bilaterais com aquele país europeu.
O país está literalmente paralisado. O óleo que invadiu as praias do nordeste não tiveram nenhuma prioridade do Ministério do Meio Ambiente, mesmo às vésperas da alta estação, em que a beleza do litoral nordestino atrai visitantes de todo Brasil e do exterior, dinamizando o turismo que é essencial para a economia da região. O ministro da educação, a par de jogral no YouTube, não faz nada. Prefere vomitar seu preconceito contra a comunidade universitária, exigindo mais polícia nos campi Brasil afora, não para garantir segurança, mas para vigiar a academia, feita, a seu ver, de maconheiros comunistas. O chanceler – ah, o chanceler! – manda retirar o busto de San Tiago Dantas do palácio do Itamarati, por atribuir-lhe o ato subversivo de ter estabelecido relações diplomáticas com a então URSS. No ministério dos direitos humanos, a ministra nomeia ressentidos da democratização para a comissão de desaparecidos, para negarem ter havido desaparecidos na ditadura, que eles também negam.
Governar que é bom, nada. Enquanto isso, avança a agenda de supressão de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, no Congresso Nacional, com suporte da bancada do chamado “centrão”, à revelia, mesmo, desse governo que só sabe brigar e insultar. O partido de Bolsonaro afunda no lodaçal das acusações mútuas de malfeitos de suas lideranças, enquanto ele posa no Japão com fraque, faixa e medalhas, dignas de um Idi Amin Dada. Evita banquetes por não gostar de comida japonesa. Prefere ir com seu ajudante de ordens a uma lanchonete de frituras, sempre observando de soslaio a braguilha dos japoneses, a conferir se têm mesmo o sexo pequeno, como dita o preconceito de botequim que cultiva com esmero.
Querer que o governo governe não é pedir demais. Mas, com o pandemônio que se instalou em Brasília, virou quimera. A única esperança repousa hoje no STF que, se assumir seu papel o de guardião da constituição, talvez decida, a partir desta semana, que a prisão de Lula, contrária à presunção de inocência, é ilícita. Teremos Lula livre, em breve, para liderar a conciliação entre sensatos dos mais diversos matizes políticos e ajudar a reorganizar o cenário nacional, na perspectiva de voltar a Governar, como já fez, com “G” maiúsculo. E, para pessoas normais, esse governo, minúsculo, ficará para a história como o período mais bizarro e vergonhoso da existência de nossa estatalidade.

Por Eugênio Aragão



Nem só de pão viverá o homem




Momento poético


Tenho fome de tua boca

Tenho fome de tua boca, de tua voz, de teu pêlo
e por estas ruas me vou sem alimento, calado,
não me nutri o pão, a aurora me altera,
busco o som líquido de teus pés neste dia.
Estou faminto de teu riso resvalado,
de tuas mãos cor de furioso silo,
tenho fome da pálida pedra de tuas unhas,
quero comer teu pé como uma intacta amêndoa.
Quero comer o raio queimado em tua formosura,
o nariz soberano do arrogante rosto,
quero comer a sombra fugaz de tuas sobrancelhas.
E faminto venho e vou olfateando o crepúsculo
buscando-te, buscando teu coração quente
como uma puma na solidão de Quitratúe.

(Pablo Neruda)

Música para os meus ouvidos

Sempre bom escutar Nei Lisboa. Bom, necessário e alentador!