Sobre o Blog do Toninho

O Blog busca retratar coisas da vida interiorana e do meu interior, numa abordagem que mistura reflexão, notícias, riso, poesia, musicalidade, transcedentalidade e outras "cositas más". Tudo feito com produções próprias, mas também com a reprodução do pensar ou do sentir dos grandes gênios que o país e a humanidade pariram.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Licença poética



Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...

Dizem as fadas que Deus tem andado espantado por ter acertado tanto em cada feição, cada gesto, cada detalhe, cada curva, cada contorno teu.


Falam até que o espanto é tão grande que o criador inspirou um concerto de fados, feito sob medida e como uma espécie de serenata a ser soprada todas as noites em teu ouvido.

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Música para os meus ouvidos


Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra-mola que resiste

Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera




Autorretrato


"Era sol que me faltava"

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Ato político


Tempo de juntar forças para derrotar o adversário em comum e fazer brilhar uma luz no final do túnel desse mundão que caminha para o brejo a passos largos...

Tempo de coalizões (por Manuel Castells)
Manuel Castells (*)
Estamos indo para as quartas eleições em quatro anos. Porque alguns políticos ainda não assumiram a nova realidade política: vivemos em tempos de coalizões. A crise global de legitimidade política, cujas causas e consequências analisei em meu livro “Ruptura”, tem uma consequência direta nas democracias parlamentares: a fragmentação do voto entre opções cada vez mais diversas. Dada a frustração generalizada em relação aos partidos tradicionais, de direita ou esquerda, há uma busca de outras propostas que ofereçam esperança. Sobretudo entre os jovens que não estão presos ao passado, diferentemente dos maiores de 60 anos que estão apavorados ante o futuro.
A erosão da democracia liberal pode ser lenta ou pode se acelerar em momentos de concatenação de crises econômicas e políticas. Como ocorreu na França, com a queda simultânea de todos os partidos e a emergência de Macron como alternativa à extrema-direita. Embora a persistência da ruptura entre política e sociedade se manifeste nas revoltas recorrentes dos “coletes amarelos”. Ou como ocorre no Reino Unido, com a ruptura entre partido e nos partidos em relação ao Brexit. Quem pensaria que a democracia parlamentar admirada por todos suspenderia o Parlamento para não debater um tema fundamental?
Na Espanha, a conjunção de uma crise econômica, da corrupção política, da resistência das indignadas e da crise da relação entre Espanha e Catalunha questiona o bipartidarismo imperfeito característico da nossa democracia. Os dois grandes partidos perderam uma parte substancial de seus votos. Surgiram alternativas no lado da esquerda tradicional (Podemos e suas confluências) e no lado da direita e do nacionalismo espanhol (Cidadãos e Vox). O PP, devastado por denúncias de corrupção, foi o que mais sofreu. O PSOE estava em queda livre e em processo de autodestruição conspirativa até que a improvável ressurreição de Pedro Sanchez fez renascer esperanças de uma volta à socialdemocracia. Tanto a nova esquerda como o independentismo ‘pactista’ catalão apostaram nesta regeneração socialista. Tais convergências beneficiaram o PSOE, mas não até o ponto de proporcionar uma maioria suficiente para governar sozinho. A Espanha está na mesma situação dos países de seu entorno, alguns degraus acima ou abaixo, dependendo do caso. O governo de coalizão, cooperação, colaboração, ou a fórmula que seja, é a regra, não a exceção.
Essa necessidade também diz respeito à direita. Mas na Espanha, os partidos de direita, decididos a se coligar ainda que ao custo de abandonar o centro, têm uma dificuldade adicional. No parlamento espanhol há, de forma estável, cerca de trinta cadeiras de partidos nacionalistas catalães e bascos que, em certas condições, podem abster-se em favor de uma aliança de esquerda. E sempre votaram contra uma direita nacionalista espanhola que chega ao governo com uma faca entre os dentes. Ou seja, para governar a direita tem que chegar a 176 cadeiras o que estabelece um nível muito alto, só superável em uma situação de emergência, com uma Catalunha em rebelião aberta e o Estado espanhol jogando sua sobrevivência. Em tal situação, o PSOE também chegaria a 155. Seria uma coalizão, ainda que não para governar, mas sim para reprimir.
Enquanto continuar a crise política na transição social, tecnológica e institucional que vive o mundo, crescerá a fragmentação da representação democrática, o que faz dos governos de coalizão uma necessidade. Inclusive entre forças antagônicas ou ideologicamente incompatíveis, como ocorre na Itália, onde o Partido Democrático (PD) e o Cinco Estrelas viraram as orelhas ao lobo do neofascismo de Salvini. Não podem permitir nem uma crise que leve a eleições até que as águas se acalmem porque no ambiente atual as eleições seriam vencidas por um perigoso Salvini revanchista.
No entanto, não é o caso de tomar a palavra “coalizão” literalmente. O termo “cooperação” é mais preciso. Como mostra o caso da Dinamarca e, sobretudo, o de Portugal, onde se construiu um eficaz apoio parlamentar da esquerda radical ao governo socialdemocrata português, baseado em um controle regular da gestão política. Na Europa do norte há coalizões de todo tipo de forma entre as direitas, grandes coalizões entre direita e esquerda, ou entre esquerda e verdes, atores crescentemente importantes. Só na Grécia, a peculiar e antidemocrática lei grega permite maiorias absolutas. Mas não na Espanha. Já não pode haver governos solitários sem apoio algum. Investidura e orçamentos requerem alianças.
E então? Qualquer nova eleição não mudará o bloqueio atual, ainda que os números se modifiquem levemente. De modo que, para formar um governo, terá que ser ou uma coalizão de esquerda, com abstenção independentista para os orçamentos, ou uma grande coalizão entre o PSOE e a direita. Algo que poderiam aceitar o PP e um diminuído Cidadãos que luta para sobreviver. Uma situação paradoxal para um Pedro Sanchez que ressuscitou mediante sua oposição à grande coalizão (“com Rivera não, diziam seus seguidores”).
Não vou entrar no mérito de quem é a culpa pela não formação de uma coalizão ou cooperação entre a esquerda. Porque, como nos divórcios, os dois lados são responsáveis. Pareciam preocupados mais com a imagem midiática do que com o acordo propriamente dito. O que constato é o monumental enfado cidadão, sobretudo entre os jovens, em relação a todos os partidos. Abstenção massiva. E as sentenças do Supremo em outubro: independentismo na Catalunha, o caso dos EREs [1] na Andaluzia. Ainda assim o PSOE, que só calcula em porcentagens, pretende ter 140 cadeiras. Ainda faltariam 36. Tempo de coalizões. Não as que deseja, mas as que são possíveis. E aqui vem o mais perigoso: a cínica proposta de mudar as regras do jogo para limitar a intervenção no sistema político daqueles que não se dobram aos partidos tradicionais. É perigoso porque as demandas sociais são como a água: se encontram um bloqueio transbordam por canais imprevistos.
[1] Expedientes de Regulação de Emprego. Está em julgamento a suposta criação, por parte de altos funcionários do governo andaluz, de um “procedimento específico” para burlar os controles de fiscalização prévios da intervenção geral do governo na concessão de ajudas sociolaborais a empresas em crise entre os anos de 2000 e 2011.
(*) Doutor em sociologia pela Universidade de Paris, é professor nas áreas de sociologia, comunicação e planejamento urbano e regional e pesquisador dos efeitos da informação sobre a economia, a cultura e a sociedade. Artigo publicado originalmente em La Vanguardia.
TraduçãoMarco Weissheimer

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Momento poético



Grandes mistérios habitam

Fernando Pessoa


Grandes mistérios habitam
O limiar do meu ser, 
O limiar onde hesitam 
Grandes pássaros que fitam 
Meu transpor tardo de os ver. 
São aves cheias de abismo, 
Como nos sonhos as há. 
Hesito se sondo e cismo, 
E à minha alma é cataclismo 
O limiar onde está.


Então desperto do sonho 
E sou alegre da luz, 
Inda que em dia tristonho; 
Porque o limiar é medonho 
E todo passo é uma cruz.


sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Música para os meus ouvidos


Viva Cazuza! Viva as canções que tocam as feridas e mostram que a vida é muito mais migalhas, máscaras ou arremedos de vida!




Licença poética



Peço licença novamente para entregar-lhes outras palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Lamento informar que eu me transformo nas noites de lua cheia.

Eu viro bicho, viro um ser mitológico, viro um extraterrestre, viro um homem sapiens que só sabe beijar teus pés!

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

SEMPLAMA recebe veículo doado pelo governo do estado




A  equipe da Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente - SEMPLAMA - recebeu nessa manhã, 9, um veículo Fiat Palio, que será usado nas atividades desenvolvidas pela pasta.

O veículo é oriundo de uma doação feita pela Secretaria Estadual de Planejamento, Orçamento e Gestão, atendendo ao pedido encaminhado no início do ano pelo vice-prefeito Fernando Silveira e pelo secretário Toninho Veleda, a partir da articulação feita pelo atual secretário adjunto de planejamento, André Luiz Pereira.

Segundo Toninho, apesar de usado, o veículo doado se encontra em boas condições e será muito útil para o trabalho desenvolvido pela SEMPLAMA, pasta responsável pelo acompanhamento de todas as obras da prefeitura, como também pela fiscalização das obras particulares e das atividades que causam impacto ambiental local, algo que demanda deslocamentos constantes na cidade e na zona rural do município.

Ato político


Seria cômico, se não fosse trágico! Seria de causar espanto, se o fiasco e a catástrofe Bolsonaro não tivesse sido anunciada ao quatro cantos e com todas as letras...


Outras do Queiroz
Crônica de um governo inesperado


Eu acreditei que a corrupção e os privilégios eram os grandes problemas brasileiros e que o Capitão os varreria do país. Hoje, da janela de casa, vejo o Coaf escondido numa sala do Banco Central, a Lava Jato, interceptada por um hacker, reduzida a um aspirador cheio de poeira e de segredos cabeludos, os poderes, antes soberanos, abusados por uma lei que não deixa, em alguns pontos, de ser necessária, as bandalheiras varridas para baixo dos tapetes palacianos. Fico sabendo que o Queiroz, ex-faz-tudo do filho do rei, mudou-se para o Morumbi, bairro nobre de São Paulo, e faz tratamento no Einstein, o mais caro dos hospitais brasileiros, desdenhando o SUS e seu passado de favelado. Uma pergunta me assola: quem paga? Outra vem logo: quem sustenta o Queiroz, tirado de sua vida discreta pelo olhar indiscreto da revista Veja, aquela que antes só tinha um olho?

Queiroz não deu explicações. Recusou quatro convites do Ministério Público para uma visitinha de esclarecimento com direito a café. Mandou carta de “enrolation”. Deu entrevista de conveniência. Primeiro, disse que ganhava dinheiro negociando carros. Depois, reconheceu que administrava parte dos salários dos funcionários do seu chefe, Flávio Bolsonaro, numa nobre atitude de pedagogia financeira. Desprezado e ferido no seu orgulho, o MP não o convidou mais para conversar. Queiroz, então, sumiu em busca de tranquilidade. Trocou a violência do Rio de Janeiro pela paz do bairro chique paulistano. Pagou despesas hospitalares em dinheiro vivo, guardado no colchão, chateado certamente com os poucos rendimentos de aplicações financeiras conservadoras em tempos de taxa Selic em queda livre.

Minhas perguntas parecem o canto do sapo-boi: foi, não foi? Foi rachadinha, não foi? Silêncio, ninguém responde, cochila a pátria deitada eternamente sob o céu risonho e sujo. O Zero Um dorme em berço esplêndido como senador da República, protegido por uma decisão de Dias Toffoli, presidente da Suprema Corte, que mandou brecar investigações desagradáveis. Já o Zero Três quer voar mais alto e conquistar a América: depois de fritar hambúrguer nos Estados Unidos, cabala votos para ser embaixador do Brasil em Washington. O sapo-boi repica sua bandeira: foi nepotismo, não foi? É, não é, pode ser!

O mundo se move ainda que o movimento pareça ilusório: corrupção já não é corrupção, nepotismo pode ser outra coisa, panelas cumprem sua função original, salvo orquestrações pontuais. A ordem lembra um velho chavão de faroeste: queima primeiro, pergunta o nome do dono da floresta depois. E assim arde o Brasil todo no meio do ano. Ao menos, sejamos justos, uma pergunta não faz mais sentido: Cadê o Queiroz? O sortudo tem endereço, nenhum mandado contra ele, reside em bairro fashion, paga as suas contas cash, e, se duvidar, responde a quem o incomodar com um lacônico: “Não devo explicações”.

E aquela grana toda que o Coaf chamou de “movimentação atípica”? Os sigilos dos envolvidos foram quebrados. A justiça não parece ter pressa em revelar o que possa ter descoberto. Para quê? Enquanto Queiroz passeia nos jardins, Bolsonaro veta 356 artigos da lei de abuso de autoridade, escolheu um procurador-geral da República, Augusto Aras, fora da lista tríplice do setor, cuja principal virtude é rezar pela cartilha ideológica do presidente, e investe na militizarização das escolas de ensino fundamental e médio. E assim avançamos para o século XIX.


Por Juremir Machado da Silva
Publicado originalmente em: 
https://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/outras-do-queiroz-1.363855


Rir é o melhor remédio



terça-feira, 3 de setembro de 2019

Momento poético



Lua congelada

Com esta solidão
ingrata
tranquila

com esta solidão
de sangrados achaques
de distantes uivos
de monstruoso silêncio
de lembranças em alerta
de lua congelada
de noite para outros
de olhos bem abertos

com esta solidão
desnecessária
vazia

se pode algumas vezes
entender
o amor.



(in “O Amor, as mulheres e a vida – Antologia de poemas de amor”, Tradução: Julio Luis Gehlen. São Paulo: Verus, 2000. p. 33 – colaboração de Marcela para A Magia da Poesia)

Pitada filosófica





segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Música para os meus ouvidos


Canções "contemporâneas" também tocam meus ouvidos e invadem minhas veias...



Licença poética



Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...

Sonhei que fazíamos amor na areia, defronte ao mar.
Nada melhor!

Depois nas nuvens, a um passo das estrelas.
Nada mais excitante!

Rir é o melhor remédio



Ato político

O “diabo” nunca mostra sua verdadeira face feia e assustadora. Para atingir seus objetivos macabros, normalmente o mal se apresenta com...