Sobre o Blog do Toninho

O Blog busca retratar coisas da vida interiorana e do meu interior, numa abordagem que mistura reflexão, notícias, riso, poesia, musicalidade, transcedentalidade e outras "cositas más". Tudo feito com produções próprias, mas também com a reprodução do pensar ou do sentir dos grandes gênios que o país e a humanidade pariram.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Cenas da vida inventada




Licença poética



Peço licença novamente para entregar-lhes outras palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Entre mil poemas premiados, me interessa e elejo apenas um.

Aquele que for inspirado nas tuas pernas torneadas,
tiver o endereço ou as coordenadas do teu corpo,
movimentar montanhas para exaltar tuas virtudes,
andar abraçado ao toque carinhoso e macio das tuas mãos.

terça-feira, 26 de junho de 2018

O desafio de encerrar um ciclo para poder avançar na caminhada



Nunca é demais recordar que nenhum governo começa do zero. Todo governo é uma herança que, boa ou ruim, impõe limites e cria condicionamentos para o gestor que assume, assim como para toda a gestão que se instaura a partir daí. No caso do nosso município não é diferente. Apesar da herança positiva deixada pelo ex-prefeito Ildo Sallaberry, é preciso considerar que o cenário administrativo mudou muito na comparação com o período anterior e que seu sucessor recebeu a agenda lotada no que se refere à pauta de projetos, uma situação que embora represente um bônus, tem o ônus de “aprisionar” e consumir grande energia do comandante do município desde janeiro de 2017.

No caso da mudança do cenário que me referi anteriormente, todos sabem que em termos de arrecadação, Herval é totalmente dependente das receitas oriundas do Fundo de Participação dos Municípios e do retorno do ICMS. Como exemplo do quão baixa ou insuficiente é a receita própria, cabe mencionar que o arrecadado com o IPTU (a maior fonte de receita própria), não cobre nem mesmo dois serviços essenciais mantidos pela administração que são a coleta de lixo e a limpeza urbana. Além disso, como fruto da política de desenvolvimento e combate às desigualdades regionais do governo de Dilma Rousseff, é bom ter em mente que até 2014 os municípios tinham acesso a um verdadeiro banquete no que tange a recursos para aquisição de maquinários e equipamentos, como também para investimento em obras nas diferentes áreas, como infraestrutura urbana, habitação, saúde, educação, saneamento, etc. Quadro favorável que começou a mudar com a histeria política que tomou conta do país e deixou de ser pintado ou foi reduzido ao máximo a partir de meados de 2016, causando impacto negativo e obrigando a desaceleração já no final do governo anterior do município.

Ademais, eu que tive a honra de trabalhar com Ildo e continuar à frente do planejamento sob o comando do prefeito Rubem Wilhelnsen, posso dizer que alguns processos de investimentos iniciados na gestão anterior e que não puderam ser concluídos até o final de 2016, se configuraram num peso a ser carregado pelo gestor que assumiu a prefeitura ano passado. Um peso positivo, mas um peso na medida em que passaram a consumir muita energia e não deixaram muito espaço para a abertura de novos processos na agenda de desenvolvimento da administração. Ou seja, não se está acusando ninguém de falta de vontade política ou imperícia administrativa. O que digo é que o prefeito atual “pegou o bonde andando” e entrou no governo com a agenda abarrotada no que se refere a investimentos contratados ou emperrados. E aqui falo das 20 moradias populares do programa Minha Casa, Minha Vida que ficaram inconclusas; da necessidade de retomar e concluir a obra de instalação de sistema de abastecimento de água nos assentamentos São Virgílio, Cerro Azul e Santa Rita III; da corrida atrás do início da construção do prédio do CRAS; das pendências técnicas que precisavam ser superadas para permitir o calçamento de um trecho de uma rua que dá acesso ao hospital e na obrigação de estabelecer a política municipal de saneamento, cumprindo uma determinação federal e criando a possibilidade de alcançar novos recursos para investimento nessa área.

Com certeza o prefeito Rubem recebeu uma administração organizada e funcionando em todas as áreas, especialmente se formos comparar com 1997 quando o próprio Rubem herdou do seu antecessor uma prefeitura sucateada e 2009, ocasião em que o ex-prefeito Ildo assumiu uma máquina pública esgualepada e totalmente desacreditada. Contudo, mesmo quando se recebe a “casa arrumada” é preciso levar em conta que, além da mudança do perfil do gestor, os momentos e as condições de governabilidade nunca são os mesmos. Também é preciso ponderar que pendências oriundas de um governo anterior podem pautar ou mesmo interferir no ritmo e até nas escolhas do novo governo.  

Já no final do governo do prefeito Ildo a orientação foi buscar menos novos projetos e focar mais na conclusão dos investimentos já encaminhados, em curso ou paralisados. Uma orientação correta que foi mantida por Rubem ao tomar posse. Assim procedem os gestores corretos e responsáveis, pois mais importante que fazer muito, é fazer e fazer bem feito. Desta forma, mais do que partir para novas realizações, desde o início a meta principal estabelecida e perseguida pelo governo chefiado por Rubem é finalizar os projetos e obras que haviam ficado travados, paralisados ou precisavam ter início.

Diante disso, reafirmo que, apesar de alguns percalços, contratempos e do vento que ora sopra contrariamente, nosso município segue em boas mãos e no rumo certo. Com aqueles que querem o bem da nossa terra acreditando e trabalhando juntos, logo ali as pendências serão superadas e novas conquistas que tiveram início há alguns anos sairão da pauta ou da agenda administrativa, sendo transformadas em realizações concretas. Com isso, não se estará encerrando um ciclo virtuoso, e sim possibilitando que a administração possa virar uma página e partir efetivamente rumo a mais mudanças positivas e novos avanços para Herval e os hervalenses.

Momento poético

















O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

Manoel de Barros


Papo cabeça



segunda-feira, 25 de junho de 2018

Para pensar...



Deputado estadual Zé Nunes visita Herval representando a AL/RS



O deputado estadual Zé Nunes (PT) visitou Herval na última sexta-feira, 22, para prestigiar a abertura da 31ª FEJUNAHE.

O parlamentar petista participou do evento na condição de representante da direção e dos 55 deputados e deputadas do Parlamento Gaúcho, atendendo convite da administração municipal e dos integrantes do Partido dos Trabalhadores no âmbito local.

Na oportunidade, Zé Nunes elogiou a administração municipal por manter viva, nesse momento tão difícil em que muitos governantes só falam em crise e no corte de investimentos públicos, uma festividade que possui uma longa trajetória e se configura no maior e principal evento promovido pela prefeitura de Herval. Segundo ele, não podemos embarcar nessa onda de cortar investimentos essenciais e tirar oportunidades de lazer e diversão do nosso povo e Herval, com o esforço para realizar essa edição da FEJUNAHE, dá o exemplo e uma demonstração de que o melhor para todos é justamente caminhar na direção aposta.

Zé Nunes também falou das importantes parcerias que mantém por aqui, bem como da relação que possui com Herval. Nesse sentido, lembrou que várias vezes tocou gaita e degustou o famoso "bife sujo" do Édio, e também da sua relação de trabalho em prol dos hervalenses, especialmente durante o período em que foi prefeito de São Lourenço do Sul e esteve à frente da AZONASUL.

Antes de participar da abertura da FEJUNAHE, Zé Nunes ainda se reuniu com um grupo de produtores de leite, na sede da Cooperforte, com o objetivo de discutir o momento atual da bacia leiteira e do trabalho realizado pelo seu mandato em favor dos produtores e dessa atividade tão importante para inúmeros municípios e a economia gaúcha.

Na sequência, o parlamentar ainda levou sua contribuição ao debate sobre as políticas públicas de cultura e a preservação do patrimônio histórico material e imaterial do nosso município, numa atividade que teve como palco o plenário da Câmara de Vereadores e que fora promovida pela Secretaria Municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer e o recém instituído Conselho Municipal de Cultura. Nessa reunião, Zé Nunes destacou que, há bastante tempo, vem dialogando e apontando um grande potencial de desenvolvimento do município, tendo como ponto de partida a valorização das belezas naturais e do jeito de ser próprio dos hervalenses. Conforme disse, essa é uma grande riqueza que precisa ser vista com outros olhos, uma vez que Herval possui características próprias e especiais, dificilmente encontradas em outros lugares, no que tange ao modo de vida das pessoas. Por fim, salientou que seu mandato está à disposição e de portas abertas para ajudar nessa tarefa.

Também participaram do encontro na Câmara de Vereadores o ex-prefeito de Jaguarão, Cláudio Martins, que atualmente trabalha na assessoria de Zé Nunes, e o vereador jaguarense Oberte Paiva.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Um Rio Grande de esperança



Não é hora de apostar em promessas de novidade que, muitas vezes, não passam de novos representantes da velha política.

É hora de dar oportunidade a quem tem compromisso com o povo gaúcho, dinamismo e conhece o nosso estado e os corredores e meandros do Piratini como a palma da mão.

O discurso de que vai ser bom para o Rio Grande do Sul porque foi bom para Pelotas, Canoas ou qualquer outra cidade importante e valorosa da nossa terra não cola mais. Lembram do Sartori, que dizia ser o cara para o Rio Grande porque havia sido o cara para Caxias e, como governador, não faz nada além de dar desculpas e procurar culpados?

Basta uma rápida pesquisada para constatar que muitos prefeitos que se dizem mega gestores e preparados para tocar o estado, fizeram boas gestões porque pegaram carona nos investimentos promovidos por Dilma e o PT. Vide como andam essas cidades depois que o governo federal fechou as portas para os municípios.

Mais que nunca é hora de dar força e andar de mãos dadas com um governador que saiba agregar e trabalhar em equipe; respeitar as diferenças e combater as desigualdades; encontrar soluções para os problemas e desafios do nosso estado; valorizar os talentos e potencialidades dos gaúchos e gaúchas; tenha um projeto para o Rio Grande do Sul como um todo, do pampa ao litoral, da serra ao planalto médio, das missões à região metropolitana, da fronteira ao vale dos sinos, e não apenas para um pequeno grupo ou região em particular.

É hora de Rossetto! Rossetto é aguerrido e de braços abertos, como o são os gaúchos da boa cepa forjados nas refregas e afagos da vida. Rossetto é homem de ideias e ação. Rossetto sabe liderar e construir de baixo para cima, incluindo e convidando todos e cada um a ser sujeito, e não objeto da história.

Rossetto é homem público do mais alto nível e com as mãos limpas. Rossetto tem história, está conectado no presente como poucos e conhece os caminhos que apontam para um futuro melhor, com desenvolvimento econômico que se apóia e promove a dignidade humana.

Rossetto foi vice-governador ao lado do insuperável Olívio Dutra, tendo voz ativa e papel atuante num dos poucos governos gaúchos que reverteu parte da dívida do estado, não vendeu um só parafuso do patrimônio público, fez a economia do RS do sul crescer acima da média nacional, pagou rigorosamente em dia e ainda deu aumentos de salários aos servidores, qualificou os serviços públicos em todas as áreas e níveis, desenvolveu centenas de programas que aumentaram a atividade econômica com base na inclusão social e enfrentamento das desigualdades regionais, apostou e dinamizou nossa matriz produtiva tradicional sem abrir mão da inovação e da atração de novos investimentos estratégicos, fez nosso estado se tornar referência em termos de diálogo e participação cidadã, através do Orçamento Participativo e do Fórum Social Mundial.

Rossetto foi ministro de Lula e Dilma em diferentes pastas, em todas elas com atuação firme, destacada, honesta e coerente num cenário político que tem mostrado cada vez mais picaretas, aventureiros e gente que faz da política não uma ferramenta de construção do bem comum, mas balcão de negócios ou palco para destilar ódio e divisões entre iguais ou território exclusivo para o banquete das aves de rapina.

É hora de voltar a cuidar das pessoas e colocar o Rio Grande do Sul nos trilhos do trabalho, do progresso, da convergência em favor do interesse da maioria. 

É hora de mudar, mas mudar para melhor e de verdade.

É hora do Rio Grande do Sul olhar para frente, fazer as pazes e resgatar a autoestima do seu povo.

É hora de deixar a letargia para trás, arregaçar as mangas e fazer acontecer. 

É hora de fazer um Rio Grande de esperança com Rossetto e todos querem resgatar os bons exemplos de outrora, a fé no futuro, a altivez e o protagonismo do nosso torrão gaúcho!

É Rossetto agora!

Música para os meus ouvidos


Para espantar o frio e espalhar calor por todos os cantos, nada melhor que uma canção que lembra e exalta teus olhos.


sexta-feira, 15 de junho de 2018

Autorretrato


E daí que faz frio? Tenho o fogo do afeto e o calor da minha alma faiscante.

Momento poético



Ainda não
I
Ainda não…
É a espera.
Afirmação
do tempo que vai chegar
no tempo que está passando.
II
Ainda não…
É a promessa.
Certeza
do tempo de querer
no tempo que vai chegando.
A mulher é a terra —
terra de semear.
III
Ainda não…
O tempo disse dormindo:
Por que esperar?
Plantar, colher
no amanhecer.
Não retardar o instante
maravilhoso da colheita.
IV
Veio o semeador,
semearam juntos
e colheram
o encantamento do fruto.
Lamentaram juntos
Retardamos tanto… no tempo.

Cora Coralina

Cenas da vida inventada





quinta-feira, 14 de junho de 2018

Pitada filosófica



Ato político



O passado deveria ser uma roupa que não nos serve mais. Deveria, pois na política Brasil e Argentina são campeões em repetir erros do passado não muito distante, caindo na cilada ultraliberal que já deveria estar morta e enterrada.

 

Por mais que a propaganda bancada pelo poder econômico mundial venda o paraíso, na prática o paradigma neoliberal provou ser o grande câncer a corroer países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, como é o caso da América Latina.

 

Assim, a promessa de que, em adotada a agenda neoliberal, se alcançaria o céu na terra; na vida real nunca passou de conto de fadas. E qual é essa tal agenda? A redução ao máximo o tamanho do Estado; promoção de ajustes fiscais escorchantes a custa do sacrifício da população com menor poder aquisitivo; corte de serviços públicos e políticas públicas promotoras de inclusão social e desenvolvimento econômico; venda de empresas públicas lucrativas; apoio governamental para o investimento especulativo no lugar de apostar no capital produtivo; falta de apoio à produção com conteúdo nacional, “exportando” empregos para outros países; isenções fiscais bilionárias para empresas multinacionais sem exigir o mínimo retorno para o conjunto da sociedade; corte de investimentos em pesquisa, inovação, ciência e tecnologia; enfraquecimento ou retirada do Estado de setores estratégicos (energia, água, combustíveis), dificultando ou impossibilitando a regulação dos preços desses serviços, etc., etc. e etc.

 

Enfim, como diz o grande Olívio Dutra, um estado mínimo para a maioria e máximo para meia dúzia de muito ricos.

 

Esperemos que o povo acorde e deixe de buscar soluções em pessoas, slogans, “dancinhas” ou palavras de ordem e preste mais atenção nos projetos políticos em disputa. Só assim, haveremos que trilhar o bom caminho e não aceitar nenhum retrocesso.

 

Brasil e Argentina repetem o modelo dos anos 90 e fracassam de novo



A direita latino-americana fez tudo o que pôde, falsificou a realidade, apelou para a fraude jurídica, para o marketing eleitoral para interromper os governos que punham em prática políticas antineoliberais. Não tinha projeto de país. Seu objetivo era prestar mais um serviço às oligarquias dominantes, interrompendo governos que governavam para todos, promoviam a integração social, fortaleciam o Estado e adotavam políticas externas de soberania nacional.

Na Argentina a direita conseguiu voltar ao poder por meio de eleições, no Brasil por meio de um golpe. Mas rápido essa diferença se revelou secundária. Colocam em prática, de novo, políticas neoliberais, muito similares entre si, como havia ocorrido nos anos 1990. E fracassam novamente, de maneira muito similar.

O retorno da direita na Argentina parecia apresentar as melhores condições para o projeto de restauração neoliberal. Um candidato que havia sido presidente do Boca Juniors numa fase sumamente vitoriosa do seu time de futebol. Depois foi prefeito de sucesso na cidade de Buenos Aires por dois mandatos, tendo eleito seu sucessor. Uma imagem jovem, de executivo de sucesso, com um marqueteiro competente, conseguiu derrotar o candidato de Cristina para presidente da Argentina e para governador da província de Buenos Aires, concentração histórica da classe operária peronista. Com o prefeito de Buenos Aires e os governadores das duas principais províncias do interior, conseguiu que seu partido chegasse aos postos chave do sistema político argentino.

Mesmo sem maioria no Parlamento, joga com os recursos do governo federal às províncias e com divisões dentro do peronismo para conseguir aprovar boa parte dos projetos que manda ao Congresso. Cronistas apressados – inclusive entre os que se julgam progressistas – se precipitaram a prever que o macrismo vinha para ficar como o grande partido da direita argentina, que Macri seria favorito para reeleger-se em 2019 e que a derrota eleitoral da esquerda seria de longo prazo.
“O Plano A está funcionando. Mudanças graduais, mas profundas. A economia cresce por segundo ano seguido, cria emprego, diminui a pobreza e tudo acontece liderado pelo investimento e enquanto corrigimos desequilíbrios. Vamos chegar a 2019 crescendo três anos seguidos, e no momento das eleições, crescendo a mais de 5%.” Mensagem escrita por um alto funcionário do Ministério da Fazenda argentino dia 22 de abril a um jornalista do Le Monde Diplomatique daquele pais, que comenta; “Duas semanas depois, a terra tremia e Macri anunciava que volvíamos ao FMI. Algo tinha falhado: o Plano A tinha se esgotado e não havia plano B.”

Havia sinais de que as coisas tinham mudado na Argentina. Macri conseguiu aprovar a reforma da previdência mas, devido à forte resistência do movimento sindical, não a reforma laboral. Manifestações de rua foram violentamente reprimidas e o apoio a Macri foi descendo. Até que veio a crise atual, possível porque o governo não conseguiu conter a subida do dólar, mesmo gastando 10 bilhões de dólares para tentar estabilizar o câmbio. Os argentinos não acreditam mais nos bancos desde a crise de 2001/2002, quando se sentiram traídos por eles, ao mudar a paridade da moeda argentina de 1 a 1, para 4 a 1, se sentiram lesionados e passaram a poupar em dólares. Dai que diante de qualquer incerteza econômica, correm a comprar dólares e se acelera a disputa pelo valor da moeda norteamericana.

Até que Macri anunciou que o país iria buscar recursos com o FMI, com todas as consequências correspondentes. Obteve 50 bilhões e a carta de intenções, com as maldades correspondentes, começa a ser revelada aos poucos. Do FMI já anunciam que: O povo vai ter que sofrer. Não se sabe de onde mais vão cortar, já que nestes dois anos já se colocou em prática um duríssimo ajuste fiscal, com desemprego, recessão e empobrecimento generalizado, ao lado da fuga de capitais, do aumento da divida pública e do aumento da inflação, que chega a 27% este ano, apesar de todos os cortes de recursos públicos.

O clima econômico mudou rapidamente, com o conhecido sentimento que vai da euforia à maior depressão, o prestigio de Macri se aproxima ao de Temer, se questiona fortemente se poderá se reeleger em 2019 ou até mesmo se vai concorrer. Mesmo sua filiada preferida, Maria Eugenia Vidal, jovem governadora da província de Buenos Aires e eventual candidata alternativa, sofre as consequências desse desgaste. 

Em suma, nas melhores condições da restauração neoliberal, o projeto argentino fracassa estrepitosamente, ao retomar, pura e simplesmente, o modelo neoliberal dos anos 1990, centrado no ajuste fiscal.

Para confirmar que a direita latinoamericana não tem nada a propor senão o ajuste neoliberal, no Brasil também se retomou o projeto fracassado nos anos 1990, como se não  houvesse passado nada desde então, nem seu fracasso, nem o sucesso dos governos que priorizaram o crescimento econômico com distribuição de renda. E, apesar do clima artificialmente criado de que estaria havendo uma recuperação econômica, ela não resistiu às greves dos caminhoneiros e dos petroleiros e volta a se instalar, generalizadamente, o clima pessimista, com índices de suposto crescimento se aproximando de zero.

Brasil e Argentina retomaram o modelo neoliberal dos anos 1990 e fracassam de novo. Fica reaberto o caminho para que governos progressistas retomem o caminho do modelo alternativo, antineoliberal, de crescimento econômico com políticas sociais, de resgate do papel ativo do Estado e de políticas externas de integração regional e intercambio Sul-Sul. O espasmo neoliberal durou pouco.


Por Emir Sader


Publicado em:



quinta-feira, 7 de junho de 2018

Licença poética



Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Ao norte de mim eu noto a sorte que alcançarei na velhice.
Ao sul enxergo um oceano doce, sapeca e de pernas para o ar.
Ao leste vejo uma sereia invadindo minhas veias, sem as vestes.
Ao oeste vislumbro o céu de mãos dadas com um cão sarnento.

Música para os meus ouvidos


Lenine brinda-nos com o som capaz de acender o coração e esquentar o corpo no frio dessa estação.




quarta-feira, 6 de junho de 2018

Rir é o melhor remédio



Ato político



Leitura mais que obrigatória nesses tempos de estupidez galopante, indicação de caminhos que nos levam cada vez mais ao passado e invocação de heróis que nunca passaram de vilões...




A ditadura corrupta

 

O sabido está cada vez mais documentado. Era certo que quando os documentos sigilosos dos Estados Unidos sobre a ditadura brasileira viessem à tona o regime dos militares ficaria nu em praça pública. Todo pesquisador sabe que a corrupção correu solta durante os 25 anos da “democracia” fardada com suas eleições presidenciais de mentirinha e suas manipulações de verdade para garantir os interesses de poucos e o silêncio de muitos. Agora que os americanos estão liberando a papelada todo dia tem novidades sobre tortura, execuções de inimigos políticos e roubalheira. A imagem do ditador Ernesto Geisel já era. Até Rede Globo, cria do regime, já trata Geisel com a devida verdade.
Um telegrama secreto de 1984, com quatro páginas, remetido pelos espiões estadunidenses, disfarçados de burocratas, a Washington revela a corrupção nos tempos de João Figueiredo, aquele general que preferia cheiro de cavalo ao de gente, e enfia o todo-poderoso Delfim Neto na lama. O documento fala em “jeitinho” brasileiro. Jeitinho de quê? De roubar. Delfim Neto é citado como coletor de propina na condição de embaixador em Paris. O texto expunha as entranhas da brasilidade de coturno: “Entre muitos oficiais, dos mais baixos aos mais altos, há uma forte crença que os últimos 20 anos no poder corromperam os militares, especialmente o alto comando e que agora é hora de deixar a política e suas intempéries e voltar a ser soldado”. Precisa mais? A ditadura é uma chaga que só os simplórios defendem.
Se precisar, tem. O documento avalia: “O que está claro é que a corrupção, real ou imaginária, está erodindo a confiança dos brasileiros em seu governo”. São 694 informes capazes de acabar com todas as ilusões sobre um tempo de tranquilidade, segurança e honestidade. A censura impedia que os casos mais escabrosos fossem noticiados. Havia nepotismo, propina e favorecimento ilícito a amigos da casa. O historiador Carlos Fico já havia tratado disso com solidez em “Como eles agiam”. Nada, porém, como uma enxurrada de dados liberada pelos aliados de golpe para afogar narrativas ingênua ou maliciosas. Na ditadura, roubou-se como sempre e enganou-se como nunca. Delfim Neto foi acusado de praticar um esporte nacional: intermediar negócios entre banco privados e estatais brasileiras.
Ela arranjou uma boa desculpa: conversa de malandros americanos para encher relatórios e enganar os chefes nos Estados Unidos. O pessoal ficaria de papo para o ar ao sol de Copacabana e contaria lorotas para mostrar serviço. A operação para abafar a corrupção aconteceu também nos governos dos ditadores gaúchos Médici e Geisel. Documentos vindos da Inglaterra entregam o jogo. Os britânicos queriam ajudar o Brasil a pegar gatunos. A ditadura optou pela “discrição”. Era o caso de superfaturamento numa compra de fragatas. Os mitos sempre morrem. Eles enfrentam um roedor implacável chamado História. Nada fica em pé. Salvo a vontade de alguns de conservar as mentiras. Ter vivido na época de um acontecimento não quer dizer muito. Pode-se viver e não saber por ignorância, ideologia ou desinteresse. Historiadores não sabem por ter vivido, mas por ter pesquisado. Beneficiam-se do distanciamento para ver melhor.
Vem mais por aí. Na conta de Ernesto Geisel já está debitado: mandou matar e abafar casos de corrupção. Eis a ditadura estraçalhada. Não a ditadura corrompida. Ditadura corrupta.

Por Juremir Machado da Silva

Momento poético

Aceitarás o amor como eu o encaro?… Aceitarás o amor como eu o encaro ?… … Azul bem leve, um nimbo, suavemente Guarda-te a ima...