sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Boas festas e até já!!!




Como ninguém é de ferro ou consegue importunar os outros por muito tempo, o blog do Toninho se obriga a uma pequena pausa. Pequena pausa se o mundo não se for à breca hoje mesmo. KKKKKKK!!!!!!

Brincadeiras à parte, venho aqui dizer que vou sair de cena por uns dias para descansar das coisas do mundo virtual e correr atrás de novas inspirações. 

Agradeço do fundo do coração a todas e todos que me acompanharam nesta viagem ao longo deste ano que ora finda e renovo o convite para que permaneçam comigo, a bordo desta nave louco, no correr de 2013. Em breve estarei de volta (se mundo não acabar, repito). 

Obrigado por vocês existirem, boas festas e um Ano Novo à altura dos nossos sonhos!

Até já!!!


Momento poético



Receita de ano novo
(Carlos Drummond de Andrade)
 

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)



Não precisa

fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre. 


Rir é o melhor remédio





quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Nem só de pão viverá o homem





Licença poética




Peço licença novamente para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Chove chuva aqui...

Uma chuva boa para estar na cama contigo e te deixar toda molhadinha de prazer.

Chove muito mesmo...

Uma chuva que lava meu corpo e inunda meus pensamentos com as curvas do teu corpo, louco para afogar meus desejos mais loucos.

Sinto vontade do teu abraço, da tua boca em minha boca, dos nossos corpos quentes na cama, ardendo em fogo e se consumindo em afagos e gemidos e gozos de amor.

A chuva que cai aqui leva minhas mazelas e convida a dançar descalço nas ruas alagadas, como na infância.

A chuva que rola por essa cidade deserta sem ti, é como toque do teu corpo aceso.
Teu corpo delicioso que me enxerca e provoca desassossegos.


Altas conexões





quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Música para os meus ouvidos


Não entendo uma só palavra, mas esse ritmo me convida a viajar por lugares quentes e delirantes, sem sair de mim ou do lugar...



Ato político




"Ato político" compartilha  com "ustedes" um escrito lúcido e pertinente do jornalista Saul Leblon.



De Vargas a Dilma: o parto de um novo ciclo

Assim como as vantagens comparativas na economia, a relação de forças na sociedade não é um dado da natureza, mas uma construção histórica. E precisa ser exercida politicamente; não é uma fatalidade sociológica. A emergência de novos atores nas entranhas da economia não cria automaticamente novos sujeitos históricos. Quem faz isso é a ação política.

Os neoclássicos, os neoliberais aqui e alhures, gostariam que o mapa das vantagens comparativas fosse um pergaminho lacrado e blindado em tanque de nitrogênio. Facilitaria a relação de forças favorável à hegemonia conservadora. 

Por eles, o Brasil até hoje seria uma pacata fazenda de café. Ou uma usina de garapa. 

Getúlio Vargas rompeu o interdito dos interesses internos e externos soldados na economia agroexportadora. Isso aconteceu em meados do século passado. Até hoje o seu nome inspira desconforto nos sucessores da casa grande; nos intelectuais que enfeitam seus saraus e nos 'canetas' que lhes servem de ventríloquos obsequiosos. 

Em 1930 Vargas derrotou a todos. Desobstruiu assim os canais para lançar as bases de um Estado nacional digno desse nome.E abriu as portas a novos sujeitos históricos. 

Em 50, no segundo governo, transformaria esse aparelho de Estado em alavanca capaz de assoalhar a infraestrutura da economia industrial que somos hoje. 

Ao afrontar o gesso das vantagens comparativas , Vargas alterou a relação de forças na sociedade. Mas não tão sincronizado assim, nem tão solidamente assim, como se veria pelo desfecho em 24 de agosto de 54.

O desassombro daquele período, no entanto, distingue Nação brasileira de seus pares em pleno século XXI. 

O Brasil é hoje uma das poucas economias em desenvolvimento que dispõe de uma planta industrial complexa. 

A ortodoxia monetarista engordou a manada especulativa no pasto da Selic na década de 90 - o que valorizou o câmbio, a ponto de afogar o produto local em importações baratas até recentemente. Afetou o tônus da engrenagem fabril. Mas não a destruiu; ainda não a destruiu.

É ela ainda que poderá irradiar a inovação e a produtividade reclamadas pelo passo seguinte do nosso desenvolvimento. Não só para multiplicar empregos com salários dignos. Mas sobretudo, para extrair do pré-sal o impulso industrializante e tecnológico que ele enseja, gerando os fundos públicos requeridos à tarefa da emancipação social brasileira.

Não fosse o lastro fabril, a potencialidade do pré sal não apenas seria desperdiçada, terceirizada e rapinada. Ela conduziria a um duplo salto mortal feito de fastígio imediatista e longa necrose econômica: aquela decorrente da doença holandesa e da dependência externa absoluta. Faria pior: devastaria a relação de forças adequando-a ao domínio conservador.

Foi a industrialização que gerou a organização operária desdenhada pelo conservadorismo como mero ornamento populista. Até que surgiu o PT. E que o PT levou um metalúrgico à chefia da Nação; e não uma vez, duas; ademais de eleger a sua sucessora, em 2010. 

Os protagonistas progressistas ganharam nervos e musculatura, mas ainda não se cumpriu a travessia evocada por Vargas no célebre discurso do 1º de Maio de 1954, talvez a sua fala mais contundente, mais até que a Carta Testamento deixada tres meses depois: 

"A minha tarefa está terminando e a vossa apenas começa. O que já obtivestes ainda não é tudo. Resta ainda conquistar a plenitude dos direitos que vos são devidos e a satisfação das reivindicações impostas pelas necessidades (...) Como cidadãos, a vossa vontade pesará nas urnas. Como classe, podeis imprimir ao vosso sufrágio a força decisória do número. Constituí a maioria. Hoje estais com o governo. Amanhã sereis o governo

A seta do tempo não se quebrou. Mas estamos diante de uma nova esquina histórica. 

A exemplo daquela enfrentada por Getúlio, nos anos 50, a dobra seca está cercada de desafios e potencialidades interligados por uma relação de forças delicada.

Getúlio talvez tenha percebido tarde demais a necessidade de ancorar a travessia econômica em uma efetiva organização política correspondente. Quando atinou, o bonde já havia passado --cheio de golpistas. Mas não só ele demorou a ouvir as advertências da perna econômica da história. 

O descasamento tortuoso entre enredo e personagens daquele período pode ser sintetizado no paradoxal comportamento dos comunistas do Partido Comunista Brasileiro. 

Em outubro de 1953 Vargas sancionou a lei do monopólio estatal do petróleo.Criou a Petrobrás sob o açoite da mídia.O jornal o 'Estado de São Paulo' faria então um editorial emblemático do obscurantismo conservador. O texto vaticinava a irrelevância daquele gesto, dada a incapacidade (congênita?) de um país pobre como o Brasil,asseverava, desenvolver um setor então de ponta, a indústria petroleira.

Era uma tentativa de conservar o país num formol de vantagens comparativas subordinadas à reação interna e ao apetite imperial externo.As semelhanças com a grita demotucana contra a regulação soberana do pré-sal não são mera coincidência.

Em dezembro, Vargas foi além. Atacou a farra das remessas de lucros do capital estrangeiro. No início de 1954 decretou em 10% o limite para as remessas de lucros e dividendos. Sucessivamente, criaria a Eletrobrás e elevaria em 100% o salário mínimo. Novo fogo cerrado de mísseis por parte da mídia e dos interesses contrariados. Lembra muito a reação atual a cada iniciativa do governo Dilma na transição para um novo modelo de desenvolvimento: queda da Selic; aperto no spread da banca; IOF contra o capital especulativo; mudança na regra da poupança --trava 'popular' do rentismo; forte incremento dos programas sociais; fomento do BNDES ao setor industrial; PAC; preservação do poder de compra dos salários etc 

Em dezembro de 1953, conforme recorda o historiador Augusto Buonicore, o PCB abstraia a realidade e conclamava a resistência a...Vargas. Assim: 

“O governo Vargas tudo faz para facilitar a penetração do capital americano em nossa terra, a crescente dominação dos imperialistas norte-americanos e a completa colonização do Brasil pelos Estados Unidos (...): “O povo brasileiro levantar-se-á contra o atual estado de coisas, não admitirá que o governo de Vargas reduza o Brasil a colônia dos Estados Unidos. O atual regime de exploração e opressão a serviço dos imperialistas americanos deve ser destruído e substituído por um novo regime, o regime democrático e popular”. 

Isso quando a direita já escalava os muros do Catete e os jornais conservadores escalpelavam a reputação de quem quer que rodeasse o Presidente --e a dele próprio. Por todo o país ecoava o o alarido udenista pela renúncia ou golpe, que Vargas afrontaria com o suicídio, em 24 de agosto de 1954. Só o esquerdismo não ouvia.

Mutati mutandis, trata-se agora de inscrever no Brasil do século XXI uma revolução de infraestrutura e fomento industrial de audácia e desassombro equivalente a que Vargas esboçou há 58 anos. 

Foi essa tarefa que Lula retomou no seu segundo governo, e Dilma aprofunda nos dias que correm.

Repita-se, não se trata de uma baldeação técnica.Não se faz isso dissociado de uma relação de forças correspondente. Essa travessia não é um dado da natureza, ela precisa ser construída. 

Lula tirou 40 milhões de brasileiros da pobreza. Os novos protagonistas formam hoje a maioria da sociedade. Mas serão sujeitos de sua própria história? Fossem, a coalizão das togas midiáticas e o udenismo demotucano estariam fazendo o que fazem?

Urge que se avance na travessia da relação de forças. Essa é a tarefa que grita nas advertências dos dias que correm; nas investidas cada vez mais desinibidas das últimas horas. Elas não serão revertidas, à esquerda, com uma cegueira histórica equivalente a do PCB em 1953. Mas o governo também não pode mais fechar os olhos para o perigo que ronda a sua porta. Ele não será afrontado com o acanhamento amedrontado diante de palavras como 'engajamento', 'mobilização' e pluralismo midiático.

Se o que tem sido testado e assacado nas manchetes não é um ensaio para tornar insustentável o governo Dilma até 2014, então somos todos crédulos dos propósitos republicanos do senhor e senhora Gurgel, dos Barbosas & Fux e da escalada midiática que os pauta e ecoa.

Simples coincidência que a orquestra eleve o naipe dos metais exatamente quando solistas como a The Economist disparam setas de fogo contra o 'excessivo intervencionismo de Dilma' nos mercados?(Leia aqui: 'O Brasil perdeu o charme, diz o rentismo')

A resposta é não. E até para analistas insuspeitos de simpatias petistas, como o professor da FGV, ex-secretário da Fazenda de Mário Covas, Ioshiaki Nakano. 

Trecho de seu artigo desta 3ª feira no jornal Valor:

"os especuladores financeiros, que tinham lucros fantásticos com simples arbitragem de juros, perderam 5,25 pontos da sua remuneração. Perderam mais, pois com o Banco Central administrando a taxa de câmbio e a Fazenda buscando a equalização da taxa de juros interna com a internacional por meio do IOF, a possibilidade de apreciação da taxa de câmbio, pela simples ação dos especuladores, desapareceu e, com isso, os ganhos acima do juros".

A 'expressão lucros fantásticos' não é ornato do texto. Estamos falando de uma longa sangria de bilhões de dólares embolsados automaticamente nos últimos anos, apenas com um giro do dinheiro barato tomado lá fora e aplicado a juros siderais no mercado brasileiro, de títulos públicos, sobretudo.

As perdas e danos gerados pela mudança na regra da jogatina justificam a advertência embutida no arremate do articulista moderado:" Reverter as expectativas de longo prazo e mudar as 'convenções' não é tarefa fácil".

Mais que uma tarefa difícil, é preciso repetir à exaustão,ela requer atores correspondentes. Engajados. 

Para não desaguar em tragédia ou golpe, como tantas vezes na história, essa relação precisa ser construída com passadas largas, hoje maiores e mais velozes que as requeridas ontem.

Ou a transição econômica buscada pelo governo Dilma não ocorrerá.

À esquerda e aos movimentos sociais cabe sacudir a letargia burocrática e refletir sobre o desconcertante esquerdismo do PCB nos anos 50, quando os comunistas lutavam a batalha do dia anterior contra Vargas. E o golpe campeava escrito nas ruas, nas manchetes, nos discursos, nos astros, nos despachos e nas bulas. Só o esquerdismo não via, não lia, não reagia. 

Ao governo petista cabe igualmente despir-se da esquizofrênica receita de ativismo econômico, de um lado, e alucinado menosprezo ao engajamento político, do outro.

Vargas que a vulgaridade conservadora reduziu a mero estancieiro gaucho empurrado pelas circunstâncias, até ele - se quiserem assim - pressentiu onde estava o coração da disputa pelo destino do seu governo e do país.

Eleito em 3 de outubro de 1950, logo em seguida incentivou Samuel Wainer, que conhecera como repórter dos “Diários Associados”, de Assis Chateaubriand, a criar um poderoso aparato de imprensa diária. 

Queria pressa. Pediu a Wainer um antídoto ao que antevia, premonitoriamente, como 'um pacto de silêncio' da grande mídia contra seu governo, que dele "só trataria para denegrir". 

A história não se repete. Mas 60 anos depois, Dilma --e o PT-- não tem mais o direito de ignorar as suas lições. 

Entre outros atores emergentes do novo período encontra-se, por exemplo, a mídia progressista --esmagada e discriminada por critérios de audiência que perpetuam a 'vantagem comparativa' do dispositivo conservador na repartição das campanhas publicitárias federais de interesse público. Isso até Vargas já havia superado.

E não custa sugerir ainda: por que o governo não convoca uma Conferência Nacional, a exemplo daquelas temáticas e setoriais, mas desta vez sobre os novos rumos do desenvolvimento brasileiro? Uma grande mobilização com capilaridade local para discutir o país ao longo de todo ano de 2013 e desembocar em uma plenária histórica em Brasília, no segundo semestre de 2014? A ver.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Pitada filosófica





Adeus ano velho, feliz ano novo!



Ao findar de cada ano, as pessoas tendem a olhar mais atentamente para dentro de si mesmas, na tentativa de encontrar uma luz para sair do vermelho, pesar na balança as coisas que passaram e fazer novos planos para o futuro. Numa administração pública não é diferente. Além do esforço para honrar os compromissos assumidos e fechar as contas, o mais comum nesse período é avaliar os acertos, comemorar as conquistas, detectar erros e derrotas e definir as prioridades visando alcançar novas realizações. Assim é a vida, e prestar atenção nos passos certos ou em falso dados no período anterior é uma das melhores formas de se preparar para novos saltos, desafios ou mudanças.

De uns tempos para cá, graças ao amadurecimento da nossa democracia e as mudanças das prioridades e na forma de administrar o país, as pessoas da sociedade civil vem rompendo com a cultura do silêncio e incorporam, crescentemente, o hábito de cobrar mais e melhores feitos do poder público. Isso é muito positivo e saudável, especialmente porque há pouco tempo, durante a “era FHC,” fomos levados a acreditar que a história havia acabado; que não era possível mover uma palha para diminuir o abismo que separava pobres e ricos; que o jeito era aceitar como algo inevitável a fome, a injustiça social e a falácia de que o crescimento econômico só viria a custas do sacrifício dos mais necessitados. Hoje respiramos novos ares e somos referência para o mundo todo não por acaso, mas por obra de sucessivos governos progressistas que passaram a investir nos brasileiros como a maior riqueza do Brasil.

Por outro lado, é sempre importante ver o outro lado da moeda. Ou seja, é fundamental cobrar direitos, porém é igualmente fundamental reconhecer que quem chega ao comando de uma administração não chega à possibilidade de ser Deus. A questão é estar atento para perceber se a administração caminha numa direção adequada e botar a boca no trombone quando seus resultados beneficiam uma meia dúzia, e não a maioria. No entanto, é fundamental também cumprir nossos deveres. Resumindo: o trabalho da prefeitura redundou em muitas e importantes conquistas no correr de 2012, mas nem tudo foi feito, porque nunca se pode fazer tudo. Pena que nem todos compreendam ou aceitem esse fato e exijam histericamente aquilo que eles próprios não executaram quando tiveram a oportunidade de decidir os destinos do município.

E aqui não vai nenhuma tentativa de censura contra a oposição. Oposição é legítima e necessária, se não seria democracia. O que critico é a falta de bom senso, a mania de falar mal pelo gosto de falar mal, o gesto de colocar os interesses de uma pessoa ou partido acima dos interesses coletivos. Outra questão que me tira do sério é notar alguns servidores públicos (por sorte muito poucos, uns 3 ou 4, já que a imensa maioria é fora de série) fazerem corpo mole ou cruzarem os braços quando o governo não sopra a favor do seu ponto de vista ou interesses. O pior ainda é quando são cobrados legitimamente a cumprir suas funções e posam de vítima, dando a esse gesto o nome de perseguição. Parlamentares da oposição são eleitos pelo voto direto da população justamente para fazer oposição, agora servidor público precisa ter claro que recebe para prestar um bom serviço ao público e, ao não cumprirem seu papel, cumprirem porcamente ou simularem algo que não existe, estão prejudicando muito mais seus colegas de trabalho e a população que paga seus salários do que a imagem do governante que está de passagem pelo paço municipal.

O balanço que faço da administração municipal nas horas finais do ano em curso indica que o saldo é altamente positivo, tendo em vista tudo que foi feito, está em andamento ou projetado. Mesmo assim, sempre é possível ir mais longe e voar mais alto. Mas na aurora de mais um ano, olhemos para além das coisas e casos da vida pública. Olhemos para nossa vida privada e principalmente para nosso íntimo, com vistas a perceber nossas mazelas e tropeços e nos tornarmos gente melhor e mais feliz no ano que vai nascer. A vida é muito breve para perder tempo com coisas banais ou gastar energias preciosas com querelas inúteis. Cobremos de nós mesmos na mesma medida que cobramos dos outros e façamos a nossa parte para tornar a vida menos pesada e mais solidária. Sejamos a mudança que queremos ver no mundo e que o ano novo seja um ano daqueles para todos!



domingo, 16 de dezembro de 2012

Momento poético




NÂO SE MATE
Carlos Drummond de Andrade



Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas, santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê,
pra quê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém, ninguém sabe nem saberá.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Autorretrato


Yo em "outros carnavais"

Ato político



"Ato político" trás hoje as palavras profundas e derradeiras, temperadas com sofrimento e esperança  da imortal Olga Benário. Que esse tempo de eliminar seres humanos da face da terra pelo que pensam, são ou representam nunca mais volte e os resquícios ou gestos de tirania ainda vivos possam, esses sim, ser banidos cada vez mais!





“Queridos: Amanhã vou precisar de toda a minha força e de toda a minha vontade. Por isso, não posso pensar nas coisas que me torturam o coração, que são mais caras que a minha própria vida. E por isso me despeço de vocês agora. 

É totalmente impossível para mim imaginar, filha querida, que não voltarei a ver-te, que nunca mais voltarei a estreitar-te em meus braços ansiosos. Quisera poder pentear-te, fazer-te as tranças - ah, não, elas foram cortadas. Mas te fica melhor o cabelo solto, um pouco desalinhado. Antes de tudo, vou fazer-te forte. Deves andar de sandálias ou descalça, correr ao ar livre comigo. Sua avó, em princípio, não estará muito de acordo com isso, mas logo nos entenderemos muito bem. Deves respeitá-la e querê-la por toda a tua vida, como o teu pai e eu fazemos. Todas as manhãs faremos ginástica... Vês? Já volto a sonhar, como tantas noites, e esqueço que esta é a minha despedida. E agora, quando penso nisto de novo, a idéia de que nunca mais poderei estreitar teu corpinho cálido é para mim como a morte. 

Carlos, querido, amado meu: terei que renunciar para sempre a tudo de bom que me destes? Conformar-me-ia, mesmo se não pudesse ter-te muito próximo, que teus olhos mais uma vez me olhassem. E queria ver teu sorriso. Quero-os a ambos, tanto, tanto. E estou tão agradecida à vida, por ela haver me dado a ambos. 

Mas o que eu gostaria era de poder viver um dia feliz, os três juntos, como milhares de vezes imaginei. Será possível que nunca verei o quanto orgulhoso e feliz te sentes por nossa filha? Querida Anita, Meu querido marido, meu garoto: choro debaixo das mantas para que ninguém me ouça pois parece que hoje as forças não conseguem alcançar-me para suportar algo tão terrível. 

É precisamente por isso que me esforço para despedir-me de vocês agora, para não ter que fazê-lo nas últimas e difíceis horas. Depois desta noite, quero viver para este futuro tão breve que me resta. De ti aprendi, querido, o quanto significa a força de vontade, especialmente se emana de fontes como as nossas. Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. Prometo-te agora, ao despedir-me, que até o último instante não terão porque se envergonhar de mim. 

Quero que me entendam bem: preparar-me para a morte não significa que me renda, mas sim saber fazer-lhe frente quando ela chegue. Mas, no entanto, podem ainda acontecer tantas coisas... Até o último momento manter-me-ei firme e com vontade de viver. Agora vou dormir para ser mais forte amanhã. 

Beijos pela última vez. Olga”


Altas conexões





sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Momento poético




Parada pedagógica





Licença poética





Peço licença novamente para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...

Minha parca inspiração vem dos botões
que desabrocham da tua blusa.

Minha poesia verte do teu riso
que atiça minha vontade de rimar...

Poeto partindo de ti, num ímpeto de elevar e
lavar a alma e tornar a vida mais leve...

Poeto por amor a poesia e porque ela é a forma que encontrei
para te encontrar e manter sempre perto de mim.

Teu olhar é como chama que atrai e chama meu olhar.
Tua pele me toca e arrepia e acaricia e arde.
Tua boca é doce e delicada como só tu sabes ser.
Tua luz é raio que atrai e corta meu coração.

Nada me cativa mais do que a tua presença.
Nada me cutuca mais do que as curvas do teu corpo.
Nada me agrada mais que agradar-te com minhas palavras.

Algo muito forte e profundo me empurra para ti.
Preciso do teu cheiro porque teu cheiro tem aroma de céu,
mistura de mulher e anja que ilumina e alivia minha dor.

Agora dei pra andar poetando...
Justo eu, anta inspirada na tua infinita e estonteante beleza!


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Autorretrato


Yo e mis colegas, festejando em pleno ambiente de trabalho meu niver transcorrido em 12 de novembro


Estímulo ao empreendedorismo



Autoridades municipais, lideranças comunitárias e representantes das forças vivas locais receberam, no último dia 29, as visitas de Jussara Cruz Argoud, da gerência Regional Sul do SEBRAE e do Dr. Augusto Togni, gerente Adjunto da Unidade de Desenvolvimento Territorial do SEBRAE Nacional.

A reunião, realizada no gabinete do prefeito, teve como objetivo abordar assuntos relacionados às possibilidades e programas voltados ao empreendedorismo individual, a importância da participação do poder público municipal nas ações do SEBRAE e da mobilização dos interessados, além de serem buscados ações e investimentos condizentes com as vocações do município.

O Dr. Augusto trabalha como principal canal de contato em Brasília no que se refere às ações do SEBRAE para a busca de investimentos do trabalho que chega aos municípios. Segundo ele, é fundamental que esses investimentos venham de encontro às vocações do município, sendo que Herval tem uma forte vocação para o turismo, por suas belezas naturais. Neste sentido, é preciso que se desenvolva uma rede de empreendedorismo capaz de alavancar e dar suporte a esse setor.

A prefeitura municipal vem atuando como uma forte parceira do SEBRAE. Neste sentido, foi designado recentemente o novo Agente de Desenvolvimento com a missão de fortalecer e dar maior visibilidade e esta iniciativa que funciona há cerca de dois anos. O servidor Adão João dos Santos, que passou recentemente por uma capacitação, assume com a tarefa de ajudar na formalização de novos empreendedores e de agir como uma ponte para ligar cada vez mais microempreendedores e empreendedores individuais aos cursos, benefícios e ao apoio técnico a que fazem jus, por intermédio do SEBRAE.

Segundo Adão João, um dos principais desafios para consagrar a iniciativa no âmbito local é a criação da Sala do Empreendedor, uma iniciativa que viria facilitar enormemente o acesso das pessoas interessadas em se tornar um empreendedor ou qualificar seu empreendimento.


Música para os meus ouvidos

"Música para os meus ouvidos" cai no embalo do samba saboroso de Diogo Nogueira...




segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Herval em boas mãos, a crise financeira e a ajuda da oposição



A própria oposição sempre reconheceu que o atual prefeito é ótimo administrador público, que as quizílias com o governo em curso se assentavam em motivos de ordem política e/ou ideológica. Penso que agora, em meio a crise financeira que atingiu como uma bomba quase todos os municípios do país, as virtudes do comando da terra hervalense ficaram ainda mais evidentes. Não que Herval não tenha sido atingido pela crise: foi e muito. Ocorre que graças ao padrão correto de administração aqui instituído, as medidas para enfrentar esse momento adverso e permitir o fechamento das contas não precisaram ser tão amargas e radicais, como ocorreu na vizinha Candiota, onde todos os CCs foram exonerados, apenas para citar um exemplo. 

Mas antes de ir adiante, algumas breves palavras sobre a crise financeira. A televisão e os jornais mostram todos os dias, mesmo sem o devido destaque ou maiores esclarecimentos, a crise avassaladora que atinge países ricos, como Espanha, Portugal, Grécia, Itália, etc. Como receita para a crise as medidas adotadas pelos governos de lá são as mesmas levadas a efeito por aqui durante a gestão de FHC e os partidos neoliberais. Ou seja, aumento nos juros para desestimular a produção e o consumo, contração de empréstimos externos, demissões em massa, diminuição dos investimentos e das funções públicas, entre outras ações recessivas. Resultado: o desemprego chegou a níveis insuportáveis, a população perdeu poder aquisitivo, os empresários e os governos se endividaram e o Brasil passou a perder fortunas com a queda nas exportações para esses países.

Como resposta a queda nas exportações, a presidenta Dilma acertadamente promoveu uma desoneração tributária, visando fortalecer o consumo interno no país e manter os empregos dos brasileiros. Ocorre que ao reduzir tributos, como o IPI, o governo arrecada menos em impostos compartilhados com os municípios. Ao arrecadar menos os municípios, consequentemente, recebem um repasse menor do Fundo de Participação, sendo que a imensa maioria dos municípios depende do FPM para cumprir suas obrigações e atender as demandas da população. Sem um valor adequado de FPM, municípios como Herval teriam que fechar suas portas. Por isso, o prefeito Ildo sempre repetiu ao longo da última corrida eleitoral, que precisamos ter consciência de que vivemos num município pobre. Eu diria um município totalmente dependente dos repasses da União e do Estado.

Para piorar, a arrecadação do ICMS, imposto que o governo estadual reparte com os municípios, também despencou em 2012, em razão da última estiagem que devastou a produção agropecuária do RS, deixando um rastro enorme de perdas e prejuízos nesse que é o principal setor da nossa economia. Diante desse quadro, defendo que a coisa só não está pior porque temos uma gestão pública austera, eficiente e responsável; que não deixa de fazer sua parte, mas também não dá o passo maior que a perna. Só por isso os serviços essenciais não foram paralisados e as obrigações com os servidores deverão ser honradas, o que diante de tanto sufoco, já é um motivo para comemorar.

Espero que a oposição não queira tirar algum tipo de vantagem política da situação e no lugar de atrapalhar se apresente para dar sua contribuição. Como? Mais do que discurso e apontar desacertos, os hervalenses querem seguir no ritmo e no rumo do desenvolvimento e uma fonte importante de novos investimentos para a prefeitura são as emendas parlamentares. Nesse momento, em que já começaram as costuras para a definição das emendas de 2013, os vereadores atuais e os recém (re) eleitos do PDT, PMDB e PSB podem e devem fazer sua parte, solicitando a seus representantes em Brasília recursos de emendas para Herval. Afinal, o bem de todos precisa ser colocado acima da briga dos partidos e quem alardeava tanta força política tem o dever de mostrar que não estava apenas blefando.


Rir é o melhor remédio





sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Ato político



Nesses tempos em que os representantes da velha política e do PIG (Partido da Imprensa Golpista) retomam com força a tática de sangrar a golpes de manchete as forças democráticas e progressistas desse imenso país na tentativa de derrotá-las ali na frente, trago aqui um escrito que produzi no idos do ano de 2005. São palavras antigas, mas que continuam atuais...


O PT acabô. Ptlhos voltem pra suas casas, pra debaixo das pontes, pra suas ilusões, pro trabalho nas fazendas e fábricas.

Vocês nunca souberam onde estavam metidos e buscavam o infinito.

Vocês nunca entenderam o valor das pequenas vitórias e preferiram dar o passo maior que a perna.

Vocês nunca engoliram os que estavam do seu lado e queriam conquistar o mundo.

Vocês morreram por suas próprias mãos. Descansem em paz!

Política é coisa pra nós, as elites financeiras, intelectuais e morais.

Refestelam-se os velhos lobos e os urubus... (de todos os lados!)

Acotovelam-se os deformadores de opinião, lambendo a baba dos poderosos;
jogando ao ar palavras da ordem injusta.

Amontoam-se as velhas prostitutas pelos quatro cantos, pregando castidade.

Guerra santa... inquisição; más companhias; contradição; um pouco de tudo, nada; hipocrisia; pirotecnia; mentes insanas; mentiras; execuções sumárias; joio jogado junto ao trigo; intrigas; reputações arranhadas com provas falsas.

Todos pagando o alto preço cobrado pelos desvios ético-políticos cometidos por uns poucos; sonhos roubados; embromações.

Mas a luta de classes continua...

Aqui, ali e acolá ainda se pode ver e viver a vida vertendo, em pleno apelo à morte da história e das lutas organizadas do povo.

De sul a norte, de baixo pra cima, os escultores da obra inacabada, prima, e mãe e filha da boa luta; seguem esculpindo sua história de sonhos, suor, lágrimas e conquistas.

Por aí vão andando, com suas opiniões e arranhões. Atormentados, apedrejados, amantes amorosos da esperança, esperançadores. Penando, pelechando, sustando o susto. Refazendo-se das surras. Garimpando o bom da coisa ruim. Remoendo-se, rememorando-se, recriando-se, reescrevendo-se, reacendendo-se, brasa ardendo em chamas.

Podes crer incrédulo, que a leitura sofrida do borrão desta página há de valer a pena,
porque a alma da brava gente não é pequena, mesmo coberta de lama.

A estrela continua no céu, na terra, nos corações! Brilhando, encantando, guiando as mentes e mãos calejadas.

A opressão continua viva e forte. A coragem de mudar continua sã e salva. A luta continua...


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Meu reino por um crioulo




Prefeitura de Herval adere ao dia de paralisação da Azonasul





A prefeitura de Herval paralisou as atividades ontem, 27, sendo mantidos em funcionamento apenas os serviços essenciais. A paralisação atendeu a deliberação da AZONASUL, tomada durante reunião dos prefeitos realizada no município de Cerrito.

O objetivo da paralisação foi chamar a atenção da presidenta Dilma Rousseff para a necessidade de sancionar o projeto de redistribuição dos royalties do petróleo a todos os municípios e pela aprovação da restituição do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que aliviaria a situação de dificuldade financeira vivida pela maioria das prefeituras.

Além do prefeito Ildo Sallaberry que participou de coletiva de imprensa e de manifestação na esquina democrática em Pelotas, os funcionários e autoridades municipais também se somaram a manifestação com a colocação de faixas e ato realizado em frente ao prédio da prefeitura.

O movimento que faz parte da estratégia municipalista que há três anos luta pela partilha mais justa e equilibrada a todos os municípios brasileiros dos tributos pagos à nação brasileira pela exploração do petróleo e gás nas plataformas de alto-mar que hoje são recebidos somente pelos Estados e Municípios confrontantes onde desembarcam o combustível, como Rio de Janeiro, Espírito Santo, Alagoas e São Paulo.

Já com relação ao FPM, os prefeitos esperam a liberação de mais uma parcela, o que poderia garantir um fim de ano com as contas fora do vermelho. Caso contrário, em razão da Lei da Ficha Limpa, os atuais gestores poderão ter que responder na Justiça por improbidade administrativa se terminarem o mandato deixando despesas a pagar para a próxima administração.

Segundo a servidora Cristiane D’Ávila “é importante a mobilização dos prefeitos e de todos os servidores públicos e da comunidade em geral. Isto porque tanto a queda nos repasses das prefeituras quanto o possível aumento da receita dos municípios a partir de 2013 com a repartição mais justa dos royalties são situações que afetam não somente os gestores municipais, mas principalmente o funcionamento das prefeituras e o atendimento das demandas da população”. Ainda de acordo com Cristiane, “não se trata de criticar o atual governo federal, mas de defender o fortalecimento e o aumento na participação do bolo tributário do país por parte desse ente fundamental da nossa federação que é o município”, concluiu.


Rir é o melhor remédio