sexta-feira, 20 de outubro de 2017

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Momento poético



AMOR FEINHO

Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero um amor feinho.


(Do livro Bagagem. Rio de Janeiro: Record, 2011. p. 97)

Altas conexões



quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Ato político


A capacidade de pensar é o que nos distingue ou deveria distinguir dos bichos, algo cada vez mais raro e raso nesses tempos de histeria coletiva e tantas mentes formadas pelas opiniões interessadamente publicadas.

Não percamos ou recuperemos a capacidade de pensar. Do contrário, logo ali estaremos parindo lobos ou vice-versa.

Eis a seguir um artigo que convida a pensar sobre política, a boa política, algo mais necessário que nunca. Afinal, política não é vilã da história. De certo não é nenhuma santa, mas política é elo que ligo pessoas e nações, tornando-nos mais humanos e conectados com os interesses que vão além do nosso próprio umbigo ou de pequenos grupos ou tribos.

O mal que muitos atribuem à política, não é causado nem culpa dela em si mesma. Na verdade, é a falta da política que instaura o caos e a histeria. É quando a política se ausenta ou é surrupiada que o bicho pega, pois não existe vácuo em termos de relações humanas e quando a política perde a vez o que existe é a guerra, a cacicagem, a negociata com aquilo que é público. Exatamente o que aconteceu no Brasil do golpe. E não por acaso, tudo friamente calculado por quem sabe que a política pode e deve ser ferramenta de humanização e inclusão de uma legião de pessoas historicamente invisíveis que, finalmente, vinham tendo alguma voz e vez.


Quem aplaudiu Obama tem que aplaudir Lula


O ex-presidente americano Barack Obama esteve no Brasil, num evento fechado aos políticos nacionais. Ele não queria, provavelmente, misturar sua imagem aos envolvidos, justamente ou não, na operação Lava Jato.

Curioso que tenha diagnosticado, segundo relato do colunista Igor Gielow, na Folha de São Paulo, a distância entre os cidadãos e o poder político como o combustível que alimenta o crescimento de movimentos autoritários nos EUA.
Outro ex-presidente, Lula, tem dito isso por onde passa:
-Descontentes com a política? Engaje-se nela, aconselha sempre aos mais jovens.
Obama disse que os frutos do divórcio entre o sistema político e as pessoas também estão presentes no Brasil.
Sabemos disso, Mr. President. Enquanto muitos fingem não ver, Jair Bolsonaro é a alternativa imediata caso Lulaseja cassado. E é Lula  quem pode, pelo seu histórico no governo, evitar o que Obama identificou como seu maior arrependimento no poder: não ter sido capaz de aproximar pessoas em polos opostos do espectro político. “Democracia é duro”. Sim, ainda mais quando, por meio dela, concilia-se sair do Mapa da Fome com virar credor do FMI, sem pedir ano a ano para o Congresso aumentar o teto de endividamento.

Obama disse, a respeito de sua gestão, que “Fomos bem-sucedidos em evitar uma grande depressão, mas não foi tão rápido assim, e as pessoas foram para cada uma para seu canto”. Pois que aqui Lula evitou rapidamente a contaminação, com a economia chegando a crescer 7,5% em 2009, usando métodos semelhantes.

Obama disse ser impossível argumentar com quem rejeita a ciência do aquecimento global, como o republicano Donald Trump. E, exatamente no Brasil, houve êxito em reduzir o desmatamento da Amazônia e protagonismo no Acordo de Paris, não por obra dos que podem assumir o governo brasileiro caso Lula seja interditado.

A Internet no Brasil também  “tribalizou a política”, com “o ódio espalhado pelas redes” contra quem fez uma gestão com vários pontos convergentes com a do presidente afro-americano, principalmente pondo em destaque a necessidade de atender aqueles que ficam para trás na globalização, pois “Em um mundo em que 1% detêm a riqueza, há instabilidade política”.
Não à toa, o Bolsa Família nacional virou exemplo recomendado pelo Banco Mundial para mitigar esta dramática realidade, tal como os grandes investimentos em seguridade social, como – e até mais estruturantes que – o Obamacare, que Trump quer desmontar (e por estas terras já está sendo posto abaixo por Michel Temer).
Se isto é “capitalismo liberal” na terra do Tio Sam, na de Zé Carioca se chama “lulismo”.
O acordo nuclear com o Irã é realmente exemplo de como a diplomacia pode suplantar o poderio bélico. E foi Lula quem plantou esta semente com Erdogan, chefe de Estado da Turquia.
E se soluções diplomáticas são preferíveis às situações como a crise envolvendo a Coréia do Norte, conforme palestrou Obama, a analogia cabe para com a da Venezuela, na qual Trump também prefere tanques e aviões, quando Lula ofertou, em seu tempo, um grupo de amigos.
Por saber das dificuldades do processo decisório no mundo, para a qual não faltam “soluções técnicas”, mas sim políticas, segundo Obama, Lula criou, no início do seu primeiro mandato, um conselho de desenvolvimento econômico e social para concertar distintos interesses e mediou as reconhecidas políticas de desenvolvimento.
A fome na África poderia ser resolvida em alguns países se os povos “não estivessem atirando um nos outros”. Uma verdade dita pelo ex-presidente Democrata. E, no Brasil, a pobreza extrema chegou próximo à erradicação por causa de políticas sociais que substituíram o tratamento aos mais pobres como caso de polícia.
Obama disse não querer “insultar” países com grandes recursos naturais e educação falha —referência clara ao Brasil (de acordo com o colunista já mencionado) e, após fazer citações futebolísticas, uma característica de Lula, disse que “não se ganha a Copa do Mundo” se “você deixar metade de seu time para trás”.
Segundo Gielow, ele se referia à falta de políticas para a inclusão educacional de mulheres e também de negros.
Houve muita resistência do status quo, mas Lula bancou diversas políticas para incluir negros e mulheres, como o Prouni ou a Lei Maria da Penha. A sucessora dele vinculou royalties do pré-sal à educação e ciência & tecnologia.
Diz-se que Obama recebera um cachê de US$ 400 mil para promover um governo – o dele – na terra do líder a quem chamou de “My man” na frente das 20 maiores economias do mundo.
Este recebia 200 mil para palestrar sobre seu sucesso à frente não do gigante do Norte, mas o do Sul.
O público – empresários e alguns atores políticos – da mesma forma, eram parecidos. Mas uma operação que gerou, por algumas distorções abusivas, o risco do Brasil cair nas mãos do autoritarismo, criminalizou aquela iniciativa.
Ao que parece, em São Paulo a plateia não deve ter gostado do que ouviu. Ou, então, certamente votará em Lula no ano que vem e, antes, fará oposição à caçada judicial em curso.

Sim, porque a palestra, cujo ingresso custou entre 5 a 7,5 mil reais  (enquanto Lula fala ao povo gratuitamente em caravanas regionais), bem que poderia ter sido feita pelo líder das pesquisas para 2018.

Por fim, nada contra recrutar jovens líderes da Fundação Lehmann. Porém, com certeza, jovens sindicalistas, sem-teto, sem-terra, fariam um belíssimo trabalho sendo o objetivo uma liderança progressista internacional.
É com eles que Lula pretende unir dois slogans de sucesso recente nos Estados Unidos: sim, podemos ser grandes outra vez.

Wasny de Roure, economista, deputado distrital e líder no PT na Câmara Legislativa do DF

Música para os meus ouvidos


O que é bom sempre pode ficar melhor. Hoje e sempre...




terça-feira, 17 de outubro de 2017

Autorretrato


Italianíssimo. Ou quase isso!

Licença poética



Peço licença novamente para entregar-lhes outras palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Teu nome forma uma palavra mágica que abre todas as portas, desvenda qualquer senha e dá acesso ao melhor do mundo.


Teu nome carrega formosura, conteúdo, atitude, líquido, concretude, rouquidão, cochicho, gemido, gritos, aconchego, desassossego, love, longe, perto, vaso, vazão, flores, espinhos e mel.


Teu nome começa com a letra mais dançante do alfabeto e rima com tudo que é belo e bom e faz bem e esbanja amor.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Momento poético



Quero, um dia, dizer às pessoas que nada foi em vão... 
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Pensar é preciso



Ser intelectual na era dos blogs


Intelectual de esquerda escrevendo no Facebook e no Twitter? O que é isso?
Na nossa formação política aprendíamos a diferença entre agitação e propaganda. Na agitação se difundem poucas ideias para muitos. Na propaganda, muitas ideias para poucos. Esta seria para a vanguarda, para os mais formados. Aquela, para a massa da população.
De repente, na era da internet, as alternativas são entre os 240 toques do Twitter ou os espaços maiores do Facebook. O que significa isso? Que possibilidades dão para a socialização de informações sonegadas pela mídia e para fazer a luta de ideias?
É verdade que não são apenas essas as alternativas. Eu tenho Facebook e Twitter, que já somam 125 mil seguidores, mas também escrevo artigos para o Brasil 247, para a Rede Brasil Atual, para o Blog da Boitempo. Além de que meus artigos são regularmente republicados em portais como o Pagina 12, da Argentina, no La Jornada, do México, no Publico, da Espanha, no El Telegrafo, do Equador, entre outros. E publico livros de autoria própria e organizo livros coletivos, claro. Portanto pode-se combinar diferentes formas de expressão das mesmas ideias em formatos diferentes.
Brecht dizia, nas suas dificuldades para dizer a verdade, que a última e a maior delas era exatamente fazer chegar a verdade a quem mais precisa da verdade. Portanto não basta uma boa analise. É preciso que ela seja expressa em linguagem compreensível para a grande maioria. Que ela encontre os meios para chegar a essa grande maioria.
A internet é hoje o melhor meio para isso. Expressar grandes verdades em 240 caracteres? Claro que é possível! Expressa-las no Facebook? Claro que é possível.
Intelectual que se resigne a ficar em casa, lendo jornais, escrevendo, de vez em quando, algum artigo, publicado para poucas pessoas, ou livros ilegíveis, para anunciar a catástrofe à qual caminha a humanidade, não existe. Suas ideias não circulam socialmente. Ele fala para seus pares.
Marxismo não combina com elitismo e com aristocratismo. A internet – entre Facebook, Twitter, Blogs – é um ótimo teste para se saber se as ideias que temos são traduzíveis em formatos e em linguagens simples, se conseguem chegar a um mundão de pessoas, se chegam aos jovens, se podem se transformar em força material.
Triste do intelectual que se fecha a esse mundo, com suas verdades, seus pares, sua vida acadêmica, suas certezas. Faz do marxismo letra morta, o contrario do que queria Marx e do que pede a realidade.

    Por Emir Sader