sexta-feira, 26 de maio de 2017

Altas conexões



Momento poético



Dos medos nascem as coragens. Os sonhos anunciam outra realidade possível, e os delírios, outra razão. Somos o que fazemos para transformar o que somos. A identidade não é uma peça de museu, quietinha na vitrine, mas sempre assombrosa síntese das contradições nossas de cada dia. Nessa fé, fugitiva, eu creio.

Eduardo Galeano

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Representantes do Executivo avaliam como positiva agenda em Porto Alegre



Uma comitiva composta pelo vice-prefeito Fernando Silveira, o secretário de planejamento Toninho Veleda e pelo secretário de agropecuária e desenvolvimento, Valmir Miliorança, cumpriu extensa e proveitosa agenda na capital do estado, entre os dias 17 e 19 do corrente mês.

A agenda de trabalho teve como objetivo encaminhar novas demandas e reforçar pleitos encaminhados anteriormente pela administração municipal junto a órgãos dos governos estadual e federal.

Entre os órgãos governamentais visitados estão o CORSAN, INCRA, Representação do Ministério da Integração Nacional no RS, Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo – SDR, Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Irrigação – SEAPI, Secretaria Estadual de Obras, Saneamento e Habitação, além da participação no Seminário Estadual do Zoneamento Ecológico-Econômico Rio Grande do Sul.

O ponto alto foram os compromissos na SEAPI e na SDR, oportunidade em que foram abertas novas perspectivas de investimento ou consolidadas iniciativas que se encontram em andamento no município, em parceria com o governo do estado. Na SEAPI, a comitiva hervalense fora recebida pelo secretário Ernani Polo que, além de outras demandas, recebeu das mãos do vice-prefeito Fernando e do secretário Valmir, relatório detalhado sobre a utilização do veículo destinado ao município por meio do Programa Dissimina, bem como plano de trabalho para possibilitar a permanência desse veículo em Herval.

Ao receber o documento, o secretário Ernani elogiou o desempenho do município em relação ao apoio efetivo que vem sendo dado aos produtores locais em termos da melhoria genética do rebanho. Ele também garantiu que esse veículo deverá continuar sob a responsabilidade da administração do município, de modo permitir o avanço e aperfeiçoamento do trabalho que se encontra em andamento.

Outro destaque foi a reunião na SDR, aonde as lideranças locais foram recebidas pelo secretário adjunto da pasta, Iberê Orsi. A conversa teve como objetivo reforçar o pedido de apoio para a desobstrução de um poço artesiano no assentamento São Virgílio e apresentar o pedido de cedência de um caminhão para o município. Em relação à desobstrução do poço, Iberê argumentou que o maquinário que realiza tal serviço está comprometido com outras demandas, sendo mais propício no momento o município pleitear à SDR a perfuração de um novo poço artesiano, o que facilitaria o atendimento dessa demanda. Em relação à cedência do caminhão, a proposta ficou bem encaminhada e seu atendimento ficou dependendo apenas de uma análise administrativa e jurídica, cujo desfecho seria dado em poucos dias.

O vice-prefeito Fernando Silveira avaliou como muito positiva a agenda na capital do estado. Segundo ele, “apesar do momento político e econômico adverso, Herval segue num bom momento em função da administração estar organizada e o município não ter nenhuma pendência que impeça o repasse de recursos, situação de nos coloca em vantagem diante de muitas outras administrações e faz com que as portas estejam sempre abertas para novos investimentos”, defendeu.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Licença poética



Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Sinto tua pele singrando minhas águas e meu suor salta pelos poros até a última gota.

Em meio ao prazer em erupção, espasmos e contorcionismos e palavras despudoradas ao pé do ouvido.

Por fim, somos seiva e saciedade e sorrisos que dizem tudo sem mover os lábios nem verbalizarem nada.

Autorretrato


Bem belos na balada

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Ato político

  
Fiquemos com a lucidez e a precisão cirúrgica de Juremir Machado da Silva, o resto é empurrar o problema com a barriga, tentativa de tapar o sol com a peneira ou roupa que não nos serve mais.



Parte inferior do formulário
Ascensão e queda de Temer

Era uma vez um país incapaz de aprender com o passado. Em 1954 e 1964, a imprensa e a direita (Carlos Lacerda e a UDN) manipularam a classe média, denunciando a corrupção, até, no primeiro caso, levarem Getúlio Vargas ao suicídio e, no segundo, Jango ao exílio. Em 2016, o PSDB (sucessor da UDN), a mídia e o PMDB de Michel Temer associaram-se para tomar o poder do PT e de Dilma Rousseff.
A narrativa é simples: cansado de perder eleições, o PSDB incentivou a chegada ao poder por um atalho. Por não poder ir direto ao pote, aliou-se ao PMDB, sempre pronto a qualquer coisa, e usou um pretexto jurídico capenga, as pedaladas fiscais, e o velho pretexto da corrupção, para puxar o tapete de Dilma.
A estratégia foi revelada pelo peemedebista Romero Jucá: primeiro tira Dilma, depois “estanca a sangria da Lava Jato”. Mas a Lava Jato continuou. Há muito que Aécio Neves vinha sendo denunciado na famosa Lista de Furnas, mas a mídia amiga fingir não ver. A seletividade poupava os tucanos. Temer para chegar ao poder prometera as reformas dos sonhos do mercado e da mídia parceira. Tinha imunidade.
A ponte para o futuro, chamada de pinguela por FHC, revelou-se um trampolim para o passado.
Reforma trabalhista e da Previdência capazes de abolir até a lei Áurea.
O vaso transbordou. Os delatores começaram a entregar tudo, até o que não deviam.
A própria Lava Jato viu-se ultrapassada pelos fatos. Ouvia o que queria e o que não queria.
Trabalhou-se com provas duvidosas, teoria do domínio do fato, tudo, até a volta das provas tradicionais.
As delações da JBS botaram Aécio e Temer no lamaçal com direito a etiqueta na testa.
As panelas, porém, não soaram como antes.
As ruas ainda não se encheram de verde-amarelo.
Acontece que boa parte do discurso contra a corrupção era só antipetismo.
O petismo fez por merecer seu inferno. Mas foi mais odiado pelos poucos acertos que teve.
O inverossímil da história é que alguém tenha acreditado que Temer e seu bando predador poderiam ser a saída moralizadora para o Brasil corrupto de Lula, Dilma e o PMDB do próprio Temer.
Por que o Brasil quis se enganar assim? Quem se pensava iludir?
Ou a luta de classes, pois é disso que se trata, justificava os meios empregados?
O governo de Temer acabou estrepitosamente.
O vampiresco Michel é um cadáver político apodrecendo no Planalto.
Será mantido em formol para ter tempo de entregar suas reformas?
Há quanto tempo os “blogs sujos” forneciam elementos ignorados para prisão da irmã de Aécio?
Há quanto tempo a imprensa internacional denuncia o golpe no Brasil?
Nos jornais globais o clima é de velório. Temer foi aposta midiática e mercadológica.
Uma conveniência suja para “limpar” o Brasil do seu atraso.
Um jogo de cartas marcadas que não contava com a delação de um trapaceiro.
A frase de Temer, “tem que manter isso, viu?”, para o interlocutor da JBS que o informava da mesada para que Eduardo Cunha não abrisse o bico entrará para a história da canalhice brasileira.
Este diálogo será estudado por anos como expressão do coronelismo tropical:
“Joesley: — Se for você pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança.
Aécio: Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho.”
Como ficam aqueles que diziam com orgulho: “Eu não votei no Temer…”
Ter votado em Aécio já não é um atestado de sabedoria moral.
O Brasil está na frente do espelho: gangues em luta pelo controle do poder.


Nem só de pão viverá o homem





terça-feira, 16 de maio de 2017

Licença poética



Peço licença novamente para entregar-lhes outras palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Tenho três desejos que espero que o gênio da lâmpada venha realizar:

Entrar na tua cabeça e saber tudo que se passa lá.
Penetrar teu coração e encontrar dentro dele um canto para morar.
Adentrar as janelas do teu corpo e descobrir aonde teu prazer vai dar.

Autorretrato


"Yo" e Maryna

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Comentários a respeito do Golpe


Vivemos tempos graves e preocupantes no Brasil. O Golpe de Estado sacramentado ano passado numa presidenta legitimamente eleita e na vontade popular manifestada nas urnas em 2014 é tão somente um sintoma desse mal e, provavelmente, apenas a ponta do iceberg.

Além de abrir caminho para a retirada de direitos conquistados a duras penas durante muitas décadas de lutas e mobilizações, os quais asseguram um horizonte de civilidade ao país, bem como um padrão de vida minimamente decente à população, por meio de um amplo sistema de proteção social, esse Golpe também ataca direitos civis e políticos assegurados pela Constituição de 1988, na medida em que deflagrou uma verdadeira caçada aos líderes políticos hoje na oposição, numa perseguição implacável revestida pelo manto da legalidade e do combate à corrupção.

Que combate à corrupção é esse que busca culpados apenas num dos lados da política brasileira, que condena previamente e sem provas com base em ilações, montagens e na exposição midiática violenta e que, por outro lado, passa a mão por cima daqueles comprovadamente corruptos que apoiam ou ocupam altos cargos no governo golpista?

Não podemos aceitar calados esse verdadeiro “estado de exceção” instaurado no país em que as leis e a informação são manipuladas vergonhosamente conforme os interesses de quem julga ou forma a opinião pública. Mais que nunca é preciso reagir para não perdermos definitivamente os direitos constitucionais que nos assistem, sob pena do Brasil cair definitivamente nas garras dessa ditadura disfarçada e abrigada pelo lema de “que os bons do país podem tudo para livrar a nação do mal supostamente causado por aqueles que sofreram o Golpe”. Esse foi o pretexto para a Ditadura Militar de 64, que apenas escondeu a corrupção sob o tapete da lei e da ordem, promoveu o massacre de várias gerações e atrasou esse país por muitas décadas, em termos econômicos, sociais, democráticos e civilizatórios.

Como diz uma frase da qual não lembro o autor, “todas as verdades que se calam se tornam um dia venenosas”. É preciso gritar que os atuais donos do poder não são donos do Brasil e não podem mandar e desmandar como faziam no passado e sonham voltar a fazer, servindo-se da lei e da ordem mantida pela força do seu braço policialesco ou pelos intermináveis golpes de manchete do seu braço midiático.

Um dos maiores erros de Lula talvez tenha sido não expor em praça pública a sujeira que existia no Brasil antes dele chegar ao governo, aquele sim o período de maior roubalheira no país promovido pela privataria tucana e outros esquemas bilionários de desvio de recursos públicos que continuaram mesmo após a saída dos tucanos do governo central e/ou migraram para outras administrações comandadas por eles (basta ver as notícias da mídia nesse caso escritas com letras minúsculas e o próprio depoimento dos delatores da lava jato).

Ao invés de jogar a “cacaca no ventilidor”, pensando em não desperdiçar energias preciosas diante de um país devastado e repleto de urgências, Lula optou pela conciliação, a consertação e focar no futuro do Brasil. Isso, no entanto, fez o senso comum ter a falsa noção de que o PT assumiu o país das maravilhas, sem roubos e com as contas públicas rigosamente em dia. Ledo engano e nada mais falso. É a velha história de que aquilo que olhos não vêem o coração não sente.

Nenhum governo na história desse país criou mais mecanismos de controle e combate à corrupção que os governos de Lula e Dilma. Assim, não necessariamente se roubou mais como alegam os verdadeiros corruptos, mas logicamente o enfrentamento da corrupção entrou na pauta política e passou a aparecer mais, dando a ideia do aumento da roubalheira. A própria lava jato é resultado desses mecanismos legais instituídos para combater a corrupção. No governo FHC a lava jato não existiria, pois além de engavetarem tudo, não existia base legal para que essa operação pudesse ser deflagrada.

Contado, perante o senso comum, alimentado dia e noite pela mídia golpista, o governo petista foi o mais corrupto de todos os tempos e que esses supostos roubos foram praticados para favorecer o PT e Lula, mesmo que a realidade comprove o contrário. Mesmo depois de uma devassa na vida do ex-presidente feita durante três anos não ter revelado nada que indique que Lula roubou ou foi beneficiado diretamente pelo petrolão, sequer a existência de laranjas como sustentam, resistiu ao exame das provas. Mesmo depois dos próprios delatores declararem que os maiores beneficiários desse esquema são justamente os políticos da então oposição, como Serra, Aécio, FHC, Temer e cia, os quais sempre disseram que Lula era o marido “traído dessa história” e mudaram seus depoimentos depois de anos na cadeia e sabe-se lá sob qual promessa de favorecimento.

Diante disso, nós defensores da democracia, do estado de direito e de um Brasil digno para todos e todas, não podemos silenciar nem cruzar os braços. É hora de lutar a boa luta e travar o bom debate, respeitando os pontos de vistas contrários, mas sem aceitar que mentiras virem verdade absoluta e inquestionável. Mais que o projeto de qualquer partido ou grupo político, o que está em jogo é um modelo de sociedade que queremos para agora e logo ali adiante. E o modelo dos golpistas, depois de todos os avanços que tivemos na última década, definitivamente não nos serve mais.

Diante disso também, estou criando no blog do Toninho o espaço “comentários a respeito do Golpe”, a fim de reforçar ainda mais minha posição contra o Golpe e a favor da democracia e de um país que volte a enxergar os pobres como solução, e não como problema para uma crise que está sendo usada como álibi e desculpa para conduzir o Brasil rumo ao passado de truculência e exclusão, condenando a imensa maioria dos brasileiros a uma condição de completa indigência, conformismo com as injustiças e falta de esperança.