Sobre o Blog do Toninho

O Blog busca retratar coisas da vida interiorana e do meu interior, numa abordagem que mistura reflexão, notícias, riso, poesia, musicalidade, transcedentalidade e outras "cositas más". Tudo feito com produções próprias, mas também com a reprodução do pensar ou do sentir dos grandes gênios que o país e a humanidade pariram.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Viva a mudança boa que iremos semear!



O ano ainda em curso foi um ano duro para a imensa maioria do povo brasileiro: um projeto de nação foi abandanado e enchovalhado; o desemprego seguiu em alta; direitos fundamentais da população foram roubados; serviços públicos foram jogados no ralo; servidores públicos foram massacrados e humilhados; a vida ficou cara como há muito não se via; os mercados seguiram vorazes como sempre, mas agora praticamente “donos do campinho..."

Em 2019, a natureza foi tratada feito lixo; os bichos foram tratados como monstros; monstros ganharam aplausos e notoriedade; os fracos foram pisoteados; a ciência foi queimada na fogueira como as bruxas; o nome de Deus continuou sendo usado em vão; o Brasil virou motivo de piada e escolheu lamber as botas e rastejar diante dos poderosos do planeta; inúmeras riquezas do país foram entregues aos gringos de bandeja e a preço de banana; moralistas de ontem se revelaram os verdadeiros e maiores bandidos da nação...

No ano que está findando, os brasileiros que não surfam nessa onda e que desejam e lutam pelo melhor para o Brasil, seguiram sendo apedrejados moralmente e suas reputações criminalizadas sem provas ou com base em provas fabricadas; valores como ética, lealdade, justiça, empatia, sabedoria e solidariedade foram substituídos – sem nenhum constrangimento ou remorso ou crise de consciência –, pela bandalheira, a destruição, o espírito assassino e o velho jargão do “leve vantagem quem puder”.

Foi um ano em que os canalhas de sempre deram as cartas e mostraram sua face suja a quem quisesse assistir, sem medo de sofrer algum julgamento ou encarar as consequências dos seus atos.

Foi um ano em que muita gente jovem se revelou velha e prisioneiras de atitudes detestáveis de antigamente.

Foi um ano em que a verdade e a vida – que pede cotidianamente para ser bem vivida – valeram menos que um “vintém”.

Foi um ano em que se viu a maldade e o que de pior existe nos humanos se espalhar tanto, a ponto de virem bater na nossa porta ou andar abrigados bem debaixo do nosso nariz.

Enfim, foi um ano deprimente e de reinado do mal, porém não há nenhum mal que sempre dure nem mentira que não seja descoberta. Assim, foi também um ano em que muitas máscaras começaram a cair.

Em resumo, foi um ano em sua maioria ruim e adverso e do avesso, mas um ano em que a ficha caiu para muita gente e a realidade ficou clara e cristalina.

Que em 2020 não haja mais espaço nem palco para nenhum teatro, seja na vida pública ou particular ou no íntimo de cada um e cada uma.

Se o Ano Novo não vier a ser bom ou novo de fato, que ele não aceite encenações e fake news, abrindo alas ou as cortinas para que todos os seres de boa-vontade possam, a partir da realidade nua e crua que aí está, dar um tapa de luva na cara de toda e qualquer hipocrisia e arregaçar as mangas para virar esse jogo que derrota tudo o que vale a pena, torna as almas pequenas e consagra nulidades.

Que venha 2020 e nele, sem nenhuma ilusão ou mágica, sejamos sujeitos da história e, juntos a gente construa dias, ambientes, conexões humanas e gentes melhores!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Música para os meus ouvidos


          Música boa de verdade não precisa ter grito, bunda balançando, melação.
Música boa de verdade têm poesia, voz afinada, ritmo, melodia, emoção e muito mais...´




Momento poético




Esperança



Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano

Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...


Mario Quintana

Parada pedagógica



sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Ato político



O “diabo” nunca mostra sua verdadeira face feia e assustadora. Para atingir seus objetivos macabros, normalmente o mal se apresenta com cara bonita ou com um repertório ou receituário aparentemente benéfico. Assim, em nome de Deus e da virtude, a humanidade praticou e ainda pratica as piores atrocidades. Em nome do progresso, se joga nações inteiras no abismo do atraso. Em nome da liberdade ou da suposta ameaça a ela, se aprisiona de diferentes modos legiões e legiões de pessoas. Em nome da paz, se pratica as piores violências ou promove as guerras mais mortíferas.

Abre o olho Brasil, ainda dá tempo de escapar das garras “desses coisas ruins” que roubaram o nosso país e já assinaram nossa sentença de sofrimento ou de morte. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!


O Brasil em tensão: poder militar-miliciano nas veias do governo Bolsonaro


O Governo Bolsonaro constrói uma narrativa autoritária que estabelece a ordem para matar com a proposta de excludente de ilicitude e, em perspectiva, aponta para um golpe de Estado que se anuncia com repertório de fatos que coincidem com a liberação de armas de fogo. Essa narrativa se agrava com a apreensão de 117 fuzis com milicianos no condomínio de luxo que reside Bolsonaro; com militares traficando cocaína no avião presidencial; com os filhos fazendo a defesa da memória de ditadores e torturados; com a relação dos filhos com grupos milicianos; com ameaças de AI-5; com ex-juiz e ministro da Justiça que atua como um capitão do mato; com apoio a milicianos que invadem embaixadas; com militares que ameaçam ministros do STF e que não reconhecem que houve o Golpe Militar de 1964 – para eles, o Golpe foi a salvação do Brasil do comunismo; com militares que apoiam golpe militar nos países da América Latina; entre outros. Essa narrativa evidencia a marcha da insensatez rumo à consolidação de um governo militar-miliciano, que se organiza publicamente, com afronta aos Poderes Legislativo e Judiciário.

O partido Aliança pelo Brasil consolida a união do poder militar (institucional) com o poder miliciano e paramilitar (estado paralelo) para impor uma nova forma de dominação do espaço estatal, no Brasil, como o que ocorre na Bolívia. O eixo militar-miliciano tomou o Governo e tutelam qualquer interventor. É a união do Estado Institucional (militar) e do Estado Paralelo (milicianos) contra as classes populares, classe trabalhadora e contra a própria classe média. É um projeto de morte contra os sonhos de libertação do povo brasileiro e latinoamericano. É preciso ler o labirinto, perceber as contradições e apontar possibilidades de estratégias, táticas e alternativas de mobilização do povo brasileiro, pois o recado do Governo aponta para uma intervenção autoritária. A questão central que orienta nossa análise é sobre que narrativa a esquerda brasileira propõe para conter e enfrentar essa escalada armada e ideológica do Governo Bolsonaro?
A primeira estratégia é superar a visão ingênua de democracia e compreender os elementos que sustentam a democracia liberal, que se confunde com formas autoritárias de governos militares-milicianos e reconstruir o lugar da sociedade civil na organização de uma nova plataforma democrática. A segunda, é contextualizar que essa ofensiva da ultradireita, na América Latina, tem raízes históricas nas intenções de dominação europeia, cujo marco foi a invasão colonial, mas ainda perpetua com as tentativas de golpes do imperialismo estadunidense. Essas ideias povoam a América Latina com o avanço neoliberal (projeto econômico), neocolonial (projeto territorial) e neopentecostal (projeto religioso), sempre com apoio da elite colonial e escravocrata.

Esse projeto de morte encontra terreno fértil com os avanços dos grupos militares-milicianos que atuam em duas frentes: no campo institucional, com as forças armadas – que não abandonaram o ideário autoritário na disputa do Estado com a trama dos golpes militares; no campo da social, os militares ampliam sua força armada com o apoio à organização de grupos milicianos ou paramilitares que traficam armas, drogas e dominam territórios, como o que ocorre no Rio de Janeiro. Esse contexto tem o apoio e a participação da elite escravocrata, que se organiza no asfalto para dominar e subjugar os pobres e subalternizados nas periferias do Brasil – sob a lógica da velha reprodução Casa Grande X Senzala. Não há golpe militar sem armas, exército, polícia e projeto político de dominação.

A esquerda precisa analisar essa conjuntura, que combina o uso de armas e de violência para tomar o poder estatal, reprimir e perseguir seus opositores, os movimentos e as organizações sociais progressistas. Esse grupo militar-miliciano tem como objetivo dominar o Estado para garantir o enriquecimento das elites nacionais, com a destituição do sentido público estatal, com as privatizações; a expropriação das terras; e o extermínio dos povos originários e raciais, como indígenas, negros, quilombolas. Não podemos subestimar a determinação dos aliados de Bolsonaro, tampouco dos militares que compõem o Governo e dos ideais de manutenção de privilégios das elites nacionais.

Depois de mais de 500 anos, a América Latina continua na solidão em sua luta pela libertação dos domínios coloniais e imperiais que avançam sobre nossas terras, nossas biodiversidades, nossas águas, nossas riquezas e, com maior intensidade, sobre a esperança e os sonhos de nossa gente. Apesar disso, a memória de libertação do domínio hispânico e português continua sendo o maior legado de organização do povo latino-americano na resistência e na conquista da independência colonial. Dois pontos de resistência na América Latina podem subsidiar nossa leitura sobre as dimensões e as estratégias de organização da esquerda no Brasil, apesar de suas especificidades.
Na Bolívia, o recente golpe de Estado e, na Venezuela, as tentativas fracassadas de golpe. Na Bolívia, prevaleceu a combinação militar-miliciana como força central de destituição do governo de Evo Morales e a instalação de um regime autoritário, com participação efetiva da Organização dos Estados Americanos (OEA), ou seja, com intervenção estadunidense no apoio das forças de extrema-direita no continente. Isso precisa ser analisado pela esquerda latino-americana.

A América Latina enfrenta uma luta de correlação de forças de extremos, com alternância entre governos democráticos e governos de extrema-direita, marcados pelo autoritarismo, pela violência policial e pela intervenção militar e miliciana. Na Venezuela, a combinação popular-institucional avança contra as tentativas de golpe de Estado, ou seja, há organização das classes populares para defesa da soberania nacional inspirada no legado de libertação do colonialismo, liderada por Simón Bolívar, e o avanço na derrota do imperialismo, pelo chavismo.

Não tem resistência sem memória, autoconhecimento e formação de uma identidade própria que esteja fora do centro estadunidense e europeu. O institucional, porque o chavismo conduziu as reformas necessárias de suas instituições como parlamento, poder judiciário e forças armadas, apesar do modelo de democracia que querem impor aquele país. A forma de democracia que tem prevalecido é a popular, o fortalecimento das instituições e de uma ampla frente de defesa da soberania nacional da Venezuela. O poder militar-miliciano de extrema-direita e antinacional, com apoio do Governo dos EUA, tem sido derrotado sucessivamente em suas tentativas de golpes. Apesar das sanções, a Venezuela, é uma experiência de resistência que pode contribuir para enfrentamento do eixo de morte militar-miliciano de Bolsonaro.

A extrema-direita, liderada pelo Governo Bolsonaro, quer impor as ideias de ditadura que corre nas veias do grupo militar-miliciano. No Brasil, a tensão aumenta a cada afirmativa do Governo de retorno do AI-5, a questão central é como a esquerda se articula para vencer os ideários de autoritarismo e a eminência da ditadura proclamada pelo eixo militar-miliciano que assume a direção política do Estado brasileiro.

Socorro Silva – Professora e Doutora em Educação da UFPI Coordenadora do Núcleo em Educação e Ciência Descolonial (NEPEECDES)



quinta-feira, 28 de novembro de 2019

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Licença poética



Peço licença outra vez para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Se não for pedir demais, tira um print da tua pele e envia para mim...

É muito bom sentir que toco tua alma à distância, mas quando se aproxima o horário de dormir, aumenta a vontade de levar tua epiderme para a minha cama.


Pitada filosófica