Sobre o Blog do Toninho

O Blog busca retratar coisas da vida interiorana e do meu interior, numa abordagem que mistura reflexão, notícias, riso, poesia, musicalidade, transcedentalidade e outras "cositas más". Tudo feito com produções próprias, mas também com a reprodução do pensar ou do sentir dos grandes gênios que o país e a humanidade pariram.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Forças progressistas vencem e PT mostra força em Herval


Com base no resultado da votação do primeiro turno e da votação do último domingo, pode-se dizer com convicção que as forças progressistas deram um banho nas urnas e o Partido dos Trabalhadores mostrou força no âmbito do município.

Se forem contabilizados tanto os 4 candidatos a deputado federal (3 eleitos), como os 3 concorrentes a deputado estadual (todos eleitos) que tiveram campanha ou apoio organizado no município, o PT registrou uma votação bem acima dos 600 votos.  

Além disso, Paulo Paim foi o campeão de votos em Herval na eleição para o senado (2.120) e Abgail Pereira, a segunda candidata da coligação encabeçada pelo PT foi a terceira mais votada na Sentinela da Fronteira.

Na eleição para governador, Miguel Rossetto que ficou fora da disputa do segundo turno, na terra hervalense chegou em segundo, registrando 1.154 votos.

Na eleição presidencial, Fernando Haddad que, no primeiro turno, alcançou 1.809 votos, no segundo turno ampliou a distância sobre Jair Bolsonaro, registrando 2.379 votos, o que corresponde a 65,52%.

Os números não mentem e mostram que, em Herval, a maioria do povo hervalense optou pelo projeto que tanto bem fez ao município, além de reconhecer a importância e o protagonista do Partido dos Trabalhadores no cenário político local.

Em nome do PT, agradeço a todas e todos que nos honraram com esse voto de gratidão e confiança e renovamos nosso compromisso de, junto com as forças progressistas dessa terra, continuar na luta por dias melhores, contra o avanço do retrocesso iniciado por Temer e por nenhum direito a menos.


Rir é o melhor remédio



Música para os meus ouvidos


Não existe derrota nem triunfo definitivo. Debaixo do céu tudo é passageiro e os bons ventos sempre voltam a soprar. Enquanto a escuridão impera, seguimos semeando luz e o sol da soliedaridade, sempre de mãos dadas!




segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Vida que segue...



Quando chegamos no Gabinete do Deputado Zé Nunes na AL na última quinta-feira (25), o chefe de gabinete do parlamentar petista, Zelmute Marten, estava numa ligação com o DNIT tratando justamente da duplicação da BR 116, cuja demora na conclusão das obras tem causado inúmeros acidentes e prejuízos. Uma das vítimas foi o próprio Zé Nunes que, recentemente, sofreu um sério acidente nessa rodovia a qual ele é um dos políticos que mais luta pela conclusão das obras de duplicação.

Em primeira mão, Zelmute nos deu a notícia que pelo menos alguns lotes dessa obra devem ser assumidos pelo Exército, o que deve assegurar a conclusão das obras desses trechos até março de 2019. Segundo Zelmute, o exército vai assumir os Lotes I e II entre Guaíba e Tapes, através da liberação de R$ 56 milhões este ano oriundo de remanejamento para o Exército assumir tais lotes.

Em nossa pauta na capital, também estava o pedido e a preocupação com outra estrada, a rodovia que liga Herval a Arroio Grande, que se encontra em péssimas condições de trafegabilidade, causando prejuízos e o risco eminente de acidentes.

Ironicamente, em nosso retorno da capital ("yo", o vice-prefeito Fernando, meu colega Cachaço e nosso motorista Zé), fomos mais uma das vítimas do perigo das nossas estradas, que tem ceifado tantas vidas e emperrado o desenvolvimento da região sul.

Na altura de Cristal, o veículo que viajamos ficou preso num engavetamento, sendo atingido na culatra por uma carreta carregada com 22 toneladas. Felizmente, a mão de Deus e a presença de espírito do motorista da carreta evitaram o pior.

Eu viajava no banco de trás e a batida foi justamente do meu lado. Mas como Deus protege os bêbados, as criancinhas e as pessoas que tem a estranha mania de ter fé na vida, não tive sequer um arranhão. Nem susto tive, pois foi tudo muito rápido. Ademais, com o ocorrido meu colega Cachaço, que estava do meu lado, ficou uns instantes desacordado devido a uma pancada na cabeça decorrente da colisão.

No mais, só temos a agradecer a Deus por termos nascido de novo. Agradecer também a todos e todas que nos atenderam, os quais foram de um profissionalismo exemplar e um calor humano acima do comum, demonstrando que ainda há muita gente no mundo. Agradecer ainda, aos amigos, colegas de trabalho e todos que manifestaram preocupação e prestaram solidariedade diante do ocorrido.

Vida que segue e a luta em prol do melhor para Herval e os hervalenses não pode parar!

Altas conexões



Ato político


Perder ou ganhar faz parte do jogo. O problema nessa eleição é que valores democráticos e civilizatórios, independentemente do resultado das urnas, já foram perdidos em parte ou ameaçam ser perdidos completamente.

O politicamente correto, o padrão ético que coloca freio no pior de cada um e estabelece regras para um convívio minimamente harmônico em sociedade, nunca funcionaram perfeitamente. Aqui e em qualquer lugar do mundo sempre existem as transgressões. Contudo é exatamente disso que se trata, nenhuma lei ou regra de alcance coletivo tem a pretensão ou poder de tornar ninguém perfeito. O fato é que se essas regras erguidas com base em valores civilizatórios deixam de existir ou são banalizadas, o que se instaura é a barbárie, na qual cada um se considera a própria lei. 

Assim passa a valer a lei do mais forte. Assim passa a valer o cada um por si e o salve-se quem puder. Assim a justiça feita com as próprias mãos passa a ser o padrão de justiça e varia de acordo com o juízo e o poder de influência de cada indíviduo. A humanidade, aliás, em outros tempos e ainda agora em outras partes do mundo pouco civilizado conheceu ou conhece essa realidade, cujo resultado é trágico e em nada contribui para despertar a melhor versão do ser humano. Ao contrário, nesse caso a tendência é o "homem virar lobo do homem".

Eu particularmente, acreditava que esse tempo havia ficado para trás e, enquanto projeto político de país, não atrairia muitos adeptos. Eis que as vozes e práticas de um passado animalesco serviram-se do jogo democrático (apesar das trapaças e ameaças)  para passar a dar o tom, as cartas e colocar em xeque as próprias instituições e liberdades democráticas.

É da vida, mas não danço essa música que lembra o som e os gritos de guerra das velhas tribos que habitavam as cavernas.



A responsabilidade de cada um 


Por Juremir Machado da Silva


E agora?

O Brasil teve treze possibilidades no primeiro turno. Excetuadas as candidaturas folclóricas do Cabo Daciolo e de José Maria Eymael e a clausura ideológica de Vera Lúcia, nove eram menos problemáticas e assustadoras do que a aposta em Jair Bolsonaro. Se a questão era o combate à corrupção, por que não se votou em Álvaro Dias, o mais entusiasmado defensor da Lava Jato? Se o interesse era um choque liberal em economia e conservador em comportamento, com ênfase em alguém fora ou contra o sistema, por que não se escolheu João Amôedo? Se o foco era em reformas liberais profundas e ao gosto do mercado, por que não se foi de Henrique Meirelles? Se o importante era honestidade e ausência de radicalismos, por que Marina Silva não decolou?

Se o antipetismo era o fundamental, por que não Ciro Gomes?

Geraldo Alckmin não teria sido uma opção menos nebulosa e dentro dos limites formais da democracia? Cada um com seus limites e defeitos. Cada um contribuiu um pouco para o resultado alcançado. Os tucanos trabalharam fortemente durante anos para estimular o antipetismo. O PT colaborou com os seus erros jamais realmente admitidos e com sua incapacidade de perceber o beco em que estava metido. Não quis uma frente de esquerda. Preferiu ser hegemonista até na derrota. Faltou a Ciro Gomes, apesar de ter razões para ressentimentos, grandeza na reta final. O pedetista saiu enorme do primeiro turno e minúsculo do segundo. Todos aqueles que consideram Jair Bolsonaro ameaça à democracia deveriam ter tomado providências para vencê-lo mesmo que isso representasse perder fatias do poder. Ou era só retórica de campanha? Ou não se importavam com o futuro?

Muito se falou em fim das ideologias e em anseio de equilíbrio. Foi a eleição dos radicalismos, da polarização ideológica, do aparelhamento de setores da justiça eleitoral, com quebra da sagrada autonomia das universidades para retirar faixas que nem nomeavam candidatos, das fake news e do ódio. Talvez nunca se tenha eleito antes no Brasil um candidato com tamanho histórico de declarações preconceituosas e antidemocráticas. Se foi a eleição do contra, contra o petismo, foi também o pleito do a favor, do a favor de ideias extremas e posturas sem nuances. O bolsonarismo, como qualquer um sabe, não se pauta pelo comedimento nas provocações e ideais.

A mídia ajudou com sua sanha simplificadora pretensamente ética. A justiça deu o seu quinhão com seletividade e diferentes ritmos processuais. A imprensa internacional foi ignorada nas suas advertências ou desqualificada como esquerdista. Voltamos à Guerra Fria: capitalismo versus comunismo. O primeiro ciclo trabalhista, de Getúlio Vargas, terminou com a eleição de um militar. O segundo, fracassado o intervalo de Jânio Quadros, com um golpe midiático-civil-militar. Este terceiro, o ciclo trabalhista do lulismo, fecha-se com a eleição de dois militares aposentados. O que vem por aí? O Brasil deu um salto no escuro como se fosse a uma festa.

A economia não foi o ponto central desta eleição. Comportamento e ideologia predominaram. Antipetismo e anticorrupção encobriram algo mais profundo: uma rejeição ao imaginário forjado a partir de maio de 1968 no Ocidente. Estamos mais divididos do que nunca. Nunca estivemos unidos. Não será Bolsonaro o nosso elo.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Versos del alma gautia





Licença poética



Peço licença novamente para entregar-lhes outras palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Os dias deveriam ter uma hora a mais, desde que essa hora extra fosse dedicada exclusivamente a cultuar teus encantos ou render homenagens ao teu dom de parar o tempo!


segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Herval na luta pelo melhor para o Brasil e pela democracia!



Nesse último sábado, 20, foi dia de soltar a voz em defesa do melhor para o Brasil e em favor da democracia, ameaçada por um presidenciável que já deixou claro que, se chegar ao cargo mais alto do país, sua missão será promover uma caçada aos partidos políticos do campo democrático e popular e a todos os indivíduos e organizações sociais que não se curvam nem se alinham com o Brasil de submissão, exclusão, truculência, ódio e entreguismo que ele sonha. Ou seja, o tal ame-o ou deixe-o de 1964, no qual só havia lugar no Brasil para quem vergasse a espinha e ficasse de bico calado diante da podridão e empáfia, além das mãos sujas de sangue do regime militar.

Nesse momento que pede mobilização para que a maioria da população não perca a voz nem a vez, assegurada por um conjunto de direitos civis, econômicos, humanos e sociais estabelecidos pela Constituição de 1988, Herval que no primeiro turno conquistou uma vitória retumbante de Haddad e Manuela, não fugiu da raia e foi à praça e às ruas dizer em alto e bom som Ele não, um Brasil de todos, democrático e sobrerano sim!















Nem só de pão viverá o homem





sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Nem comunismo nem a ditadura do mercado



Sempre tive o entendimento de que os extremos nunca são positivos ou desejáveis, um princípio ou lição que ganhou ainda mais força depois do meu percurso de mais de 13 anos de vida pública. Ou como li em algum lugar, “nem tanto ao mar, nem tanto ao céu. Nem tanto como as ondas, nem tanto como as nuvens". Penso que o mesmo se aplica e, ainda com mais força, quando o assunto em pauta é o papel e/ou tamanho do Estado.

Assim, não me sinto seduzido nem pelo estado máximo dos países do comunismo ditatorial, nem pelo estado mínimo nos quais impera a ditadura do mercado, a exemplo do próprio Brasil de Temer e Cia. e da vizinha Argentina que seguiu a risca essa receita e ora se encontra no fundo do poço social e econômico. Portanto, Estado adequado para mim é o estado necessário, no qual o governo não é dono de tudo nem o centro das atenções, mas possui tamanho e força suficiente para assegurar o interesse público e equilibrar a balança social, especialmente num dos países mais desiguais do planeta que é o Brasil.

Dessa forma, o que um lado na política do país anda vendendo como novidade ou salvação não passa de um projeto político fracassado (especialmente sob o ponto de vista humano e civilizatório) e que representa uma nova roupagem para a velha sede de lucro de alguns grupos econômicos que costumam ultrapassar as fronteiras dos países, bem como das grandes potencias econômicas, cuja riqueza e poderio em parte se explica e provém do seu poder de atuar como ave de rapina diante de nações mais fracas. Isto é, nessa hora grave que atravessamos, o alvo é mais que um líder político ou agremiação partidária. O alvo é a República que a rigor nunca chegou a ser efetivada entre nós e o estado de bem-estar social, inspirado na social democracia européia, instituído no país com a Constituição de 1988 e que com os governos petistas começou a sair de fato do papel.

E a realidade e os números estão aí para provar o que digo, basta olhar e ver. Não foi privatizando nem reduzindo ao mínimo o tamanho da máquina pública que o Brasil alcançou o melhor desempenho econômico e social da história. Também não foi estatizando tudo, mas com o poder público tendo papel protagonista e formando parcerias que impulsionaram ou até colocaram os negócios privados a serviço do fortalecimento dos espaços e políticas públicas (a compra de vagas pelo governo em universidades particulares é um exemplo disso, as Parcerias Público Privadas para realizar obras públicas é outro).

Então, foi fortalecendo o setor público que o Brasil atingiu o pleno emprego (vivemos um tempo que faltava gente para contratar). Foi fortalecendo o setor público que, depois de décadas, os concursos públicos haviam voltado a ser prática comum e frequente. Foi fortalecendo o setor público que o Brasil tirou milhões de pessoas da miséria absoluta. Foi fortalecendo o setor público que o Brasil se tornou um dos maiores produtores de petróleo do planeta, a partir da exploração do pré-Sal. Foi fortalecendo o setor público que, de norte a sul, o Brasil havia sido transformado num canteiro de obras. Foi fortalecendo o setor público que os pobres entraram no orçamento do governo e os pequenos municípios, como Herval, tinham deixado de ser abandonados à sua própria sorte. Foi fortalecendo o setor público que o Brasil saltou da 9.ª para a 6.ª economia do mundo. Apenas para citar alguns exemplos.

Se na vida tudo pede equilíbrio e repulsa aos extremismos, na vida pública muito mais. Sobretudo, num país tão desigual e tão diverso como o nosso (diversidade, que ao invés de fonte de problemas, deve ser vista e valorizada como uma de nossas principais riquezas), o governo precisa agir como um juiz que não puxa para o time mais forte e também como uma mãe, que dispensa atenção a todos os filhos, porém dedica um cuidado especial aos filhos que mais precisam de amparo para vencer os desafios e dificuldades. Foi por aí que desabrochou a melhor versão do Brasil e do povo brasileiro! Foi por esse caminho que o Brasil se tornou referência de sucesso e respeitado mundialmente!

Pitada filosófica





Música para os meus ouvidos


Como diz outra canção gravada nos anais da história de luta contra o silêncio e o sangue que os donos do poder sempre tentam impor nesse país, "as lágrimas dos jovens são fortes como um segredo e podem fazer renascer o mal antigo".




quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Ato político


Sim, o anti-petismo existe e ganhou muita força, não apenas pelos erros e desvios ideológicos cometidos por altas figuras do PT, mas em grande parte por erros e desvios atribuídos ao PT que não encontram nenhum respaldo na realidade.

Contudo, o anti-petismo sozinho não explica essa onda de insanidade que tomou conta do país. Ou seja, o alvo vai além do Lula e do PT. O alvo é a República e o estado de bem-estar social, inspirado na social democracia européia, instituído no país com a Constituição de 1988 e que com os governos petistas começou a sair de fato do papel.

Então, não tem essa de que o PT representaria uma ameaça comunista. Só fanáticos ou mentes com intenções friamente calculadas para propagar uma besteira dessas. Também não existe isso que o problema seria a corrupção, pois tanto no judiciário quanto em boa parte da sociedade civil fica a cada dia mais claro que o combate à corrupção é seletivo e que, quando se trata de corrupção, apenas petistas devem ir parar atrás das grades ou ter suas reputações expostas na janela para todos (até os maiores ladrões do país) passarem a mão nela.

O que está em jogo é um combate sem tréguas e sem quartel contra o Estado ou contra os valores civilizatórios e inclusivos que o Estado Democrático deveria representar e cumprir. É o mundo ou o país dos sonhos das mentes mais retrógradas e mesquinhas sendo realizado. O estranho é o clamor popular criado em torno desse projeto macabro e devastador, como se fora uma espécie de penitência. Como se as massas que mais precisam das políticas públicas e do papel moderador de conflitos que deve ser exercido pelo Estado tivesse chegado a conclusão que ela é a causa de todo o mal e deve ser cortada na própria carne. Como se, euforicamente, pedissem para ser escravizados ou devororados pelas feras, contra as quais nada irão reclamar ou sequer cobrar, desde que escapem "da monstruosidade petista" que os assombra como o bicho papão outrora assombrava as crianças. 

Talvez, seja um caso para a psicanálise. Uma psicanálise coletiva.

Entendo que é nessa linha que caminha o escrito de Juremir Machado da Silva que ora compartilho.



No tempo das maiorias ruidosas



Um dos mais importantes livros do filósofo francês Jean Baudrillard, talvez o mais brilhante da sua época, tem como título “À sombra das maiorias silenciosas”. Foi publicado em 1978. Baudrillard morreu em 2007. Ele falava da indiferença das massas: “Não são boas condutoras do político, nem boas condutoras do social, nem boas condutoras do sentido em geral. Tudo as atravessa, tudo as magnetiza, mas nelas se dilui sem deixar traços”. Para ele, pensador independente, as massas flutuavam “em algum ponto entre a passividade e a espontaneidade selvagem, mas sempre como uma energia potencial, como um estoque de social e de energia social”.
Todos queriam domesticar as massas. Elas se mantinham incontroláveis. Baudrillard ironizava os que previam uma aceleração: “Hoje referente mudo, amanhã protagonista da história, quando elas tomarão a palavra e deixarão de ser a maioria silenciosa”. Esse futuro, para bem ou mal, chegou com as redes sociais. As massas já não são indiferentes, neutras ou silenciosas. Elas tomaram a palavra. As elites queriam fornecer conteúdos às massas. Agora, as massas ditam às elites o que estas devem dizer para continuar no poder. Mas as massas perceberam que elas podiam ir diretamente ao poder. Se antes se contentavam em admirar celebridades, passaram, com os reality shows, a ser elas mesmas as celebridades. O passo seguinte seria a política como expressão frontal.
Alguém dirá: confuso isso. Ilusão. Baudrillard dizia apenas que as massas não tinham poder de fala, mas que enganavam seus enganadores absorvendo por um tempo e depois jogando no lixo as suas recomendações, elegendo por anos a fio seus manipulares e depois, de repente, descartando-os sem dó nem piedade. Era a vingança da plebe. A tecnologia deu as massas o que elas nem esperavam: o poder de emissão. O que elas dizem? O que bem entendem, quando bem entendem, frontalmente. As maiorias ruidosas odeiam a moderação e o “mimimi”.
Jean Baudrillard fazia frases enigmáticas do ponto de vista da mídia, mas que conseguiam descobrir verdades profundas escondidas nas superfícies: “O social existe para cuidar de absorver o excedente de riqueza que, redistribuído sem outra forma de processo, arruinaria a ordem social, criaria uma situação intolerável de utopia”. As massas ruidosas das redes sociais contrariam o filósofo. Elas temem o social e querem exterminá-lo a golpes de fake news para que o excedente possa continuar concentrado. O que elas ganham com isso? Satisfação ideológica. Elas alegam que pagam impostos em demasia. Se os lucros e dividendos não são taxados já seria outra coisa. As massas ruidosas são diretas: a cada um conforme a sua capacidade de ganhar e acumular.
Se as maiorias silenciosas aceitavam a proteção estatal cinicamente, as maiorias ruidosas das redes sociais recusam publicamente qualquer benefício que possam chamar de privilégio ou de favorecimento aos seus oponentes. Querem abater o Estado. Incrédulas quanto à capacidade redistributiva estatal, declaram a extinção do social como demanda organizada de minorias excluídas e proclamam o triunfo das redes como catalisadoras do ódio represado contra o coletivo. O super-homem de Nietzsche chega a vitória por um atalho. Um longo atalho.

Rir é o melhor remédio





quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Liberdade, liberdad; Justiça, justicia





Licença poética



Peço licença novamente para entregar-lhes outras palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Que Deus conserve meus sentidos intactos e funcionando plenamente...

Tudo que preciso é visão para contemplar tua silhueta,
Audição para escutar as batidas do teu coração,
Olfato para sentir teu aroma de mulher primaveril,
Paladar par provar teu sabor sem similar,
Tato para deslizar minhas mãos maliciosamente por tuas saliências.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Música para os meus ouvidos


Nesses tempos de tantos enganos e convites escancarados para que embarquemos na canoa furada dos atos desumanos, sempre bom e nunca demais escolher o caminho contrário. Só existe um jeito de melhorar as coisas da vida pública e privada: é ser humano.




segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Que os bons ventos de Herval invadam o país inteiro!



Aqui mesmo em nossa cidade, escuto algumas opiniões que dizem que o principal problema do Brasil seria a Constituição Federal de 1988, por ela ter estabelecido muitos direitos e nenhum dever aos cidadãos. Que, em termos econômicos, essa gama de direitos foi um equívoco, na medida em que seu custo jamais caberia no orçamento do governo, especialmente, a partir dos governos petistas em nível nacional e que isso seria o responsável pelo dito colapso atual nas contas públicas, sendo a solução única e inadiável cortar esse mal pela raiz para darmos a volta por cima e fazer o Brasil progredir de fato (com menos ou nenhum direito, na base do cada um por si).

Primeiramente, é preciso dizer que esse discurso representa e traduz a visão ideológica ultraliberal, pela qual o Estado ou a máquina pública são um espaço ou estrutura podre e improdutiva por si mesmo. Que o poder público até precisa existir, porém seu tamanho deve ser mínimo e seu papel precisa ser “neutro” ou “nulo” diante do cenário econômico e social, deixando o território e os lucros livres para a iniciativa privada que, segundo esse pensamento, é a única honesta e competente, vez que os governos só saberiam atrapalhar ou “surrupiar” recursos que acabariam sendo canalizados para a corrupção ou usados para sustentar “vagabundos” (políticos, servidores públicos e pessoas que já nasceram na faixa populacional considerada de baixa renda). Isto é, por essa lógica o bom governante seria aquele que conquista o governo com a missão de delegar o poder absoluto ao "deus mercado".

Em segundo lugar, é preciso dizer que nem todos os direitos assegurados pela Constituição Federal geram custos para o governo. Ou seja, além dos direitos sociais da cidadania que devem ser assegurados e geram custos ao governo, a Carta Magna de 1988 estabelece uma série de direitos fundamentais, como os direitos civis, humanos e políticos, que não necessariamente produzem despesa financeira e se trata apenas de colocar o país no pacto e nos passos das nações civilizadas do planeta. Ou seja, quando o governo equipa as polícias ele precisa arcar com uma despesa, mas a forma de orientar a ação policial em nada depende de dinheiro e pode representar a diferença entre a vida e a morte de pobres, pretos e prostitutas (e cada vez mais mulheres em geral), para usar um jargão que identifica as vítimas desde sempre preferidas e, ao mesmo tempo, apontadas como culpadas pela violência no país.

Digo isso porque, mesmo sem muita gente perceber, todas as disputas presidências pós-ditadura militar ou reabertura democrática, sempre tiveram esse debate sobre o tamanho, o papel do Estado e os direitos sociais da população como pano de fundo. A novidade na atual corrida presidencial é que uma das candidaturas (mesmo que muitos também não percebam), no aspecto econômico, além de acusar os pobres como o problema ou mal irremediável do país, também defende abertamente como problema o fato das mulheres, negros, índios e homossexuais (as chamadas minorias) terem alcançado há 30 anos o direito constitucional de viverem livre e plenamente suas escolhas ou condição humana, sem serem considerados inferiores ou fora dos “padrões”, pois todos são iguais perante à lei.

Por tudo isso, entendo que vivemos um momento muito nebuloso e perigoso que pode nos levar de volta ao período pré-Getúlio Vargas, aprofundando e acelerando o processo iniciado por Temer de retirada de direitos, de desmonte da máquina pública e de desmantelamento da indústria nacional, tendo como resultado uma elevação ainda maior do custo de vida, o aumento da legião de cerca de 15 milhões de brasileiros hoje desempregados e a produção de uma multidão de indigentes, de norte a sul do Brasil. E, pior, junto com isso, impondo a todos nós uma verdadeira ditadura em termos de costumes e comportamento, efetivada senão pela violência física, mas pelo avanço e institucionalização da tortura psicológica e da pregação desvairada que usa em vão o nome de Deus, da pátria e da família, a qual já cobriu como uma sombra o céu do antes colorido e multifacetário Brasil.

Mas apesar dos pesares, mantenho a fé no Brasil e no povo brasileiro. Acredito que as pessoas realmente de bem irão perceber o abismo ao qual estamos sendo arrastados. Que elas irão perceber que escolher um presidente não é escolher nenhum salvador da pátria nem alguém que terá o poder de interferir em questões de foro íntimo ou da esfera particular (esse é o papel da família). Pelo contrário, é justamente isso que está em jogo nessa eleição. Precisamos de um presidente decente, trabalhador, da paz e competente que cuide bem daquilo que é função de um presidente, que é fazer a ponte para a soma do melhor de cada um sem nenhum tipo de distinções e abrir as portas das oportunidades para todos e todas.

Então, que a voz das urnas em Herval no primeiro turno sirvam de luz no fim do túnel e soprem pelo país inteiro os ventos do Brasil que prefere convergir que dividir, amar que odiar, reencontrar o bom caminho do que repetir erros de um passado distante que virou uma velha roupa que não nos serve mais nem nunca serviu!


Momento poético



O segredo



Há uma palavra que pertence a um reino que me deixa muda de horror. Não espantes o nosso mundo, não empurres com a palavra incauta o nosso barco para sempre ao mar. Temo que depois da palavra tocada fiquemos puros demais. Que faríamos de nossa vida pura? Deixa o céu à esperança apenas, com os dedos trêmulos cerro os teus lábios, não a digas. Há tanto tempo eu de medo a escondo que esqueci que a desconheço, e dela fiz o meu segredo mortal.


Clarice Lispector

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Pensar é preciso




* Sabe aqueles patos que vestiam verde e amarelo querendo um Brasil limpo e padrão FIFA, e ficaram quietos diante da roubalheira dos seus bandidos de estimação e do desmonte dos serviços públicos e do aumento do custo de vida no Brasil: agora estão dizendo que o Coiso é a solução!

* Sabe aquela corja que dizia que o Aécio era o cara e o único capaz de salvar o país: agora dizem que o coiso é o cara e nossa única salvação!

* Sabe aqueles sem noção que diziam que bastava tirar Dilma e o PT pro Brasil virar um mar de rosas: agora batem continência pro Coiso e, mesmo fora do poder, seguem dizendo que o problema é o PT!

* Sabe aquela camarilha que rasgou a constituição e colocou o traidor Temer no comando do país: agora estão com o Coiso!

* Sabe a quadrilha que vem destruindo o Brasil ao lado de Temer e, dois anos e meio depois do golpe, ainda jogam a culpa da calamidade que criaram no país na conta e nos ombros do PT: são os mesmos que criaram e querem enfiar o Coiso goela abaixo!

* Sabe aqueles abestados que não reconheceram o erro de dar um golpe na democracia ao colocar um presidente ilegítimo no comando do país e, para piorar as coisas, ainda pediram intervenção militar: são os mesmos que apoiam a truculência e apostam todas as fichas no Coiso!


Resumo da ópera ou dessa operação macabra: mudou o penteado, o tom e o tamanho da ameaça, porém a "morena" segue a mesma.

Liberdade, liberdad; Justiça, justicia





Pitada filosófica





terça-feira, 2 de outubro de 2018

Ato político



Nesses tempos de tanta ira e cegueira e falta de lucidez, Juremir é um dos poucos que enxerga todos os atores e os cenários atuais e possíveis para o país, sem máscaras ou excessos. Isso não é pouco e chega ser uma dádiva.


Do segundo turno a uma ideologia


Os dados estão quase lançados.
É muito provável que aconteça um segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. A imprensa internacional está assustada. The Economist, publicação liberal inglesa, afirma que Bolsonaro é uma ameaça para Brasil e América Latina. O francês Le Monde preocupa-se com “a inquietante ascensão da extrema-direita no Brasil”. O inglês The Guardian fala no “Trump brasileiro”, rotulado de “perigoso candidato que lidera as pesquisas”. O francês conservador Le Figaro sustenta que com Bolsonaro o “Brasil sucumbe à tentação autoritária”. Libération diz que a democracia está em perigo. É o que pensa também o norte-americano New York Times.
A história pode ser irônica.
A direita republicana brasileira ajudou a aprofundar o que sempre critica: a divisão entre nós e eles. Uniu-se com o oportunismo para derrubar Dilma Rousseff. Serviu-se de um pretexto para chegar aos fins. Semeou o ódio. Produziu Bolsonaro. O tucano Tasso Jereissatti admitiu os erros: contestar o resultado eleitoral em 2014, “votar contra princípios básicos nossos, sobretudo na economia, só para ser contra o PT” e “entrar no governo Temer”. Conclusão do ex-presidente do PSDB: “Fomos engolidos pela tentação do poder”. Fernando Henrique Cardoso publicou carta pregando união ao centro. Bastaria que todos desistissem em favor de Geraldo Alckmin.
Os outros soltaram um estrondoso “fala sério, meu”.
No segundo turno da última eleição presidencial francesa, direita republicana e esquerda se uniram em torno de Emmanuel Macron para barrar a candidata de extrema-direita Marine Le Pen, representante da xenofobia, do racismo, da homofobia e de todos os preconceitos em voga. A direita razoável brasileira terá grandeza para fazer o mesmo? FHC publicará carta pedindo votos para Haddad? Para escapar do perigo representado por Bolsonaro o espectro de centro-direita votará no PT? Bolsonaro usa o ultraliberal Paulo Guedes como isca para fisgar o mercado, que só se interessa por dinheiro. A pauta de fato de Bolsonaro é comportamental.
O que o bolsonarismo foca mesmo é no combate ao comunismo (uau!), ao politicamente correto (reação ao empoderamento de mulheres, gays, negros, índios e qualquer minoria) e às políticas sociais, consideradas como estímulo à preguiça. A essência do bolsonarismo é ideológica e comportamental. A corrupção, que deve sempre ser combatida, é apenas pretexto para expressão de algo mais enraizado e passional: o horror à alteração do modelo patriarcal e elitista de gestão do cotidiano. O bolsonarismo confunde autoridade com autoritarismo, disciplina com repressão, educação com adestramento, justiça com vingança, punição com punitivismo, agilidade com ações sumárias, moral e ética com moralismo, organização com ordem militar.
Se o Brasil praticar o iluminismo francês, votará em qualquer um contra Bolsonaro. Poderá ir de Haddad, Ciro, Marina ou Alckmin. Henrique Meirelles tem tanta chance quanto o Cabo Daciolo. Agora é que são elas. O país verá quem é quem. A imprensa internacional já viu. Entrevistei Geraldo Alckmin ontem para o Esfera Pública. Fiquei com a impressão de que entre Bolsonaro e Haddad ele fica contra o PT.
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Bolsonarismo ideológico

O bolsonarismo é uma ideologia. O ingênuo acha que ideologia é sempre o pensamento do outro. Nunca aquilo que ele mesmo pensa. Ideologia pode ser a visão de mundo que se tem ou, como categoria de acusação, a lente consciente ou inconsciente que deforma o olhar fazendo com que “realidade” seja encoberta. Ao contrário do que muitos afirmam, a adesão a Bolsonaro não se dá principalmente pelo cansaço com a política tradicional nem por indignação contra os corruptos. O mercado namora com Bolsonaro atraído pelas promessas que o candidato faz por meio do economista ultraliberal Paulo Guedes. Para grande maioria dos bolsonaristas certamente não é isso que conta. Mas a sua concepção de mundo. Bolsonaro fascina aqueles que pensam como ele.
 Sobre o quê? Sobre os chamados temas comportamentais. Pela primeira vez possivelmente uma eleição brasileira não tem a economia como ponto central. O foco deslocou-se para os costumes. Jair Bolsonaro encarna junto com os seus admiradores uma reação contra o politicamente correto. A voz dele ecoa no imaginário do que os consideram um mito e o adoram como um profeta entoando cânticos contra o empoderamento das mulheres, o feminismo, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a restrição a piadas contra negros, gays, judeus, índios e minorias. Bolsonaro e seus discípulos comungam um ideal: a sociedade patriarcal dominada pelo macho branco na qual os demais aceitam um lugar subalterno e submetem-se ao humor dos dominantes.
A ideologia leva o dominado a considerar a sua dominação natural, legitimando o poder que o subjuga. Mulheres podem ser machistas ou naturalizar o machismo. Subordinados podem louvar a subordinação. A ideologia leva também o preconceituoso a tomar o seu ponto de vista discriminatório como “normal” e essencial. O que deseja o bolsonarista típico (pode existir o ocasional, por exemplo, o antipetista)? Que o homem seja o chefe da família, que gays não possam mais beijar-se em público, que o Estado não gaste dinheiro com políticas assistenciais, que índios não tenham amplas reservas de terra, que se possa tentar curar gays de sua inclinação sexual, que o modelo branco europeu de organização da vida seja dado por superior.
Jair Bolsonaro e muitos dos seus vibram juntos na homofobia, na discriminação racial em diferentes tons, em graus diversos de xenofobia, na simplificação que faz pensar no combate à violência através do armamento geral da população e na convicção que unidos poderão evitar políticas públicas de diminuição da desigualdade. A mensagem que seduz muitos desses adeptos apaixonados é esta: armados resistiremos aos bárbaros que nos cercam e os convenceremos a se conformar com o que lhes é dado.
Nem todos os bolsonaristas esposam o pacote ideológico do mestre.
Uns o seguem por falta de rumo ou por desejo de simplificação. Outros, por raiva. Uns vão a ele por homofobia. Outros, por racismo. Uns buscam nele a proteção contra o comunismo (políticas sociais). Outros, querem a defesa da sagrada propriedade privada mesmo quando ela não tem função social. Uns veem nele a possibilidade de retorno ao tempo “feliz” em que podiam chamar negro de crioulo ou negão, gay de viado, índio de preguiçoso, africano de malandro, mulher de vagabunda, judeu de ganancioso. Alguns querem tudo ao mesmo tempo. O bolsonarismo é uma ideologia requentada que naturaliza o ódio como visão do paraíso.

Momento poético

Soneto Por que me descobriste no abandono Com que tortura me arrancaste um beijo Por que me incendiaste de desejo Quando...