Sobre o Blog do Toninho

O Blog busca retratar coisas da vida interiorana e do meu interior, numa abordagem que mistura reflexão, notícias, riso, poesia, musicalidade, transcedentalidade e outras "cositas más". Tudo feito com produções próprias, mas também com a reprodução do pensar ou do sentir dos grandes gênios que o país e a humanidade pariram.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Ato político


Juremir é sempre Juremir. Uma luz sempre acesa em tempos de obscurantismo.



Tábata Amaral e outros infiéis

O que os partidos devem fazer?


Uma coisa é “trair” por ter sido traído. Outra, ser infiel por prazer ideológico. Quando Luciana Genro e outros votaram contra a reforma da Previdência da época e acabaram expulsos do PT, o traidor era o partido. Os eleitos apenas cumpriram o contrato ideológico que tinham com a sigla. Diante da guinada partidária, os parlamentares mantiveram-se coerentes. Bem diferente é a situação de Tábata Amaral e dos que votaram, contra seus partidos, PDT e PSB, a favor da reforma da Previdência atual. Tábata entrou no PDT por livre e espontânea vontade. Sabia das ideias do partido. Beneficiou-se dos seus meios para eleger-se. Na primeira, traiu.

Ciro Gomes não erra ao dizer que ela tem militância dupla. Usa o PDT como barriga de aluguel. O seu partido é o neoliberal MBL. Muito se fala na importância de ter partidos sólidos, coerentes ideologicamente, com programas claros e metas a serem alcançadas. Faz sentido alguém entrar num partido liberal e votar a favor de estatização? Ou escolher um partido que acredita no papel desenvolvimentista do Estado e votar por privatizações generalizadas? Tem lógica alguém abraçar o trabalhismo e ser a favor do desmantelamento da CLT? Tábata Amaral ficaria melhor no DEM ou no PSL. Deveria o partido aceitar passivamente que os seus eleitos votem contrariamente às suas diretrizes, mais do que isso, à sua essência?

O PSB tem eleito que vê a sigla como um partido de direita, não se reconhece no termo socialista e admite que está ali por exigência da lei, ter um partido para se candidatar, e pelo cálculo das possibilidades de eleição. Não é essa a definição de sigla de aluguel? A fórmula partido, típica do século XIX, pode estar ultrapassada. Se for assim, melhor admitir candidaturas avulsas. Mas aí não será possível criticar a fragmentação. Poderemos ter 513 “partidos” individuais na Câmara dos Deputados. Não dá para ser fiel ao partido na hora de contar com seus recursos e com a sua rede para obter votos e ser infiel a ele na primeira oportunidade de firmar a sua identidade ideológica e programática.

Parte da chamada nova geração da política é uma gandaia ideológica. Críticos da velha política, como Kim Kataguiri e Mamãe Falei, entraram no paleolítico DEM, partido de Onyx Lorenzoni, o campeão da defesa da reforma da Previdência que mantém sua aposentadoria especial como deputado. Coerentes são aqueles que, insatisfeitos com as estruturas existentes, foram para o Novo, um partido liberal, que defende ideias liberais e vota como tal. Alguém traiu o Novo? Ou o PSOL? Mais uma vez, o inflamado Ciro Gomes tem razão: Tábata deveria sair por contra própria. O PDT não corresponde aos seus ideais. O problema é que pode perder o mandato. Tábata desconhecia as ideias do PDT? Não sabia do ideário trabalhista? Não se informou sobre Getúlio Vargas, João Goulart, Leonel Brizola e outros?

A “trabalhista” Tábata Amaral votou a favor de uma reforma cuja fórmula de cálculo do benefício ceifa parte dos ganhos dos menos favorecidos ao fazer a média não dos 80% melhores salários, mas da totalidade dos ganhos. Um pega-ratão que torna os pobres mais pobres.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Autorretrato


Pernas, para quê te quero?


Momento poético


Aceitarás o amor como eu o encaro?…

Aceitarás o amor como eu o encaro ?…
… Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.
Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.
Não exijas mais nada. Não desejo
Também mais nada, só te olhar, enquanto
A realidade é simples, e isto apenas.
Que grandeza… a evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições. O encanto
Que nasce das adorações serenas.

Mário de Andrade

terça-feira, 23 de julho de 2019

Licença poética




Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...

Se o mundo um dia acabar não será motivado por nenhum desastre ou apocalipse, e sim por que ele ficou triste pelo fato de não conseguir te conquistar!

Música para os meus ouvidos


"Sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu!"



segunda-feira, 22 de julho de 2019

Valorizar os diferentes é o que faz a diferença




Em muitos aspectos, sempre comparo a política ao futebol. Assim como no futebol, entendo que na política e na administração pública é preciso mesclar experiência com juventude; renovação com preservação das raízes; craques com “carregadores de piano”; defesa com ataque; paciência com ousadia; intensidade com precisão; força com moderação; pés no chão com o olhar distante nas estrelas... No momento atual da administração local, identifico esse “contraponto” com mais força em dois personagens: André Luiz Pereira, Coordenador de Relações Comunitárias, simbolizando o “sangue novo” e Chico dos Santos, secretário de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, representando o time dos “cascudos” na vida pública.

Com perfil empreendedor e sem nenhuma vivência anterior na luta partidária e na esfera pública, André tem atuado bastante nos bastidores e dado uma contribuição importante no intuito do governo acertar o passo e/ou intensificar o ritmo. Em pouco mais de um ano na prefeitura, além de várias outras propostas e iniciativas que não são percebidas pelo olhar do público, já colaborou nos trabalhos que vou elencar a seguir.

Diálogo com o comércio local, a partir da parceria firmada entre prefeitura e a ACIAS, possibilitando a colocação de mais de 100 (cem) placas com a indicação dos nomes das ruas da cidade. Proposta de reconfiguração do organograma dos cargos e funções em Comissão da Administração Municipal. Proposta de criação de um órgão para fazer o gerenciamento de todos os veículos da administração municipal. Sugestão de articulação junto às empresas florestais, objetivando a criação de uma rota alternativa para o tráfego dos caminhões de grande porte que fazem o transporte de madeiras oriundas das florestas cultivadas em Herval e municípios vizinhos. Articulação junto a pessoas e lideranças comunitárias, visando à reativação das Associações de Bairros de nossa cidade.

Cito ainda o trabalho político objetivando o empréstimo de uma roçadeira lateral junto ao DAER e de doação de um veículo leve, pedido que se encontra em fase de tramitação na Secretaria Estadual de Planejamento, Orçamento e Gestão. Articulação para a vinda a Herval do Secretário Executivo do Ministério da Saúde, Otávio D’Ávila, abrindo as portas para novos investimentos na Estratégia de Saúde da Família. Viagem a Porto Alegre, acompanhando o então prefeito em exercício e o secretário de planejamento, para encaminhar pleitos e demandas do município. Entrega de documento ao deputado federal Daniel Trzeciak e o deputado estadual Luiz Henrique Viana, solicitando apoio para obter recursos destinados à recuperação de espaços públicos e o investimento em obras de infraestrutura da nossa cidade.

Chico, por sua vez, dispensa apresentações. Natural de Pedro Osório e com raízes profundas em nossa terra, se tornou uma das figuras mais apaixonadas e dedicadas ao progresso político e administrativo do nosso município que já se teve notícias. Ele já andou bastante por esse mundo, sendo forjado desde cedo nas coisas e querelas da luta partidária. Antes de chegar a um alto posto no Executivo Municipal, já atuou como dirigente partidário, como assessor parlamentar em nível municipal e nacional e logrou respeito no meio artístico da região, por suas concepções e feitos em termos de produção artística e cultural.

Na gestão municipal, primeiro como Assessor Para Políticas de Cidadania Artística e Cultural e, desde 2018, como comandante da SCTEL, Chico tem feito uma verdadeira revolução à frente desta Pasta que, de uma área pouco valorizada, passou a ser o centro das atenções e um dos principais destaques do governo do prefeito Rubem Wilhelnsen. Isso tudo com um quadro de colaboradores tremendamente reduzido e num momento de recursos ainda mais parcos para investir em políticas consideradas não essenciais ou entendidas como não sendo de primeira necessidade. Não vou enumerar aqui as iniciativas que demonstram o que digo, uma vez que elas estão na boca do povo, e também porque meu foco nesse momento é ressaltar o quanto a experiência, desde que prestigiada, é vital em termos de forma e conteúdo na arquitetura de uma administração pública que busca honrar o voto dos cidadãos e cidadãs.

Num país de dimensões continentais, plural e tão diverso como o Brasil, a melhor receita para quem recebe a missão de governar é sempre apostar na mistura, é se apoiar nas diferenças e nos diferentes dispostos a convergirem numa mesma direção, com foco e compromisso com o bem comum. Assim, somando o gás dos novatos com a lucidez daqueles que conhecem os atalhos do caminho, a caminhada ganha mais fôlego e se torna melhor iluminada.


sábado, 20 de julho de 2019

Hervalenses presentes em encontro do PT de Jaguarão



Neste sábado, 20, participamos de encontro promovido pelo Partido dos Trabalhadores de Jaguarão, o qual contou com a presença do deputado federal Henrique Fontana e do deputado estadual Zé Nunes.

Sentimo-nos muito honrados com o convite e com a recepção fraterna e calorosa do sempre prefeito Cláudio Martins e de todos os companheiros e companheiras da "cidade heróica".

Na oportunidade, falamos do legado de progresso, civilidade e inclusão promovido pelo projeto político do Partido dos Trabalhadores no comando do país, além da necessidade de resistirmos democraticamente e, ao mesmo tempo, se construir de forma vigorosa uma rota alternativa a esse projeto ultra liberal que governa e vem conduzindo o Brasil tanto na direção de um deserto de iniciativas em termos de políticas públicas, quanto rumo a um buraco profundo de preconceitos, exclusão, miséria, obscurantismo e atraso.

Na ocasião, estive acompanhado do meu colega de governo e companheiro de partido, Chico Gonçalves, aproveitando esse momento para, com o apoio do mandato de Zé Nunes, articular novos investimentos em Herval, a partir de emendas parlamentares do deputado Henrique Fontana, já tendo firmado o compromisso de destinação de emenda para a revitalização da Praça Marquês do Herval e a perspectiva de novas emendas no futuro para recuperar espaços públicos importantes do nosso município.

Também participaram do encontro, representando o PT de Herval, Millene Botelho e Paula Garcia.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Momento poético




A FALTA QUE AMA


Entre areia, sol e grama
o que se esquiva se dá,
enquanto a falta que ama
procura alguém que não há.

Está coberto de terra,
forrado de esquecimento.
Onde a vista mais se aferra,
a dália é toda cimento.

A transparência da hora
corrói ângulos obscuros:
cantiga que não implora
nem ri, patinando muros.

Já nem se escuta a poeira
que o gesto espalha no chão.
A vida conta-se, inteira,
em letras de conclusão.

Por que é que revoa à toa
o pensamento, na luz?
E por que nunca se escoa
o tempo, chaga sem pus?

O inseto petrificado
na concha ardente do dia
une o tédio do passado
a uma futura energia.

No solo vira semente?
Vai tudo recomeçar?
É a falta ou ele que sente
o sonho do verbo amar?


(Carlos Drummond de Andrade)

terça-feira, 9 de julho de 2019

Defender o patrimônio dos gaúchos é defender os hervalenses



Durante a década de 1990, com a hegemonia do pensamento e do modo de governar neoliberal, as privatizações ou praticamente a liquidação do patrimônio público lucrativo era alardeada como a única solução para promover a modernidade e o equilíbrio das contas públicas. O RS com Britto seguiu essa receita e, ao contrário do prometido, tal escolha se revelou uma das principais causas do desequilíbrio das contas e do endividamento do setor público em âmbito estadual. Pois esse fantasma, que parecia ter sido exorcizado pelo sucesso de pouco mais de uma década do projeto pós-neoliberal liderado e levado a efeito pelo Partido dos Trabalhadores e aliados em nível nacional, voltou a nos assombrar e criar um horizonte sombrio. Contudo, não quero entrar no mérito desse debate, tem coisas que não adianta cantar a pedra antes e só o tempo é capaz de descortinar e tornar claras aos olhos do senso comum. O presente escrito, então, tem como intento dizer da importância de defendermos as estruturas e os serviços públicos a cargo do governo do estado em nosso município, uma vez que os mesmos além de assegurar políticas públicas essenciais, são fundamentais para ajudar a girar a roda da nossa economia.

Temos em Herval duas escolas estaduais, Banrisul, Corsan, Inspetoria Veterinária, DAER, Polícia Civil, Brigada Militar e CEEE, cuja venda foi aprovada recentemente pela imensa maioria do Parlamento Gaúcho, atendendo ao pedido do governador. O que esses órgãos possuem em comum? Todos pertencem e devem ser mantidos pela gestão estadual. Outro ponto em comum, é que todos eles ocupam ou deveriam ocupar papel de destaque no cenário hervalense, pelos serviços que possuem a missão de prestar, mas também pelo dinheiro que injetam e fazem circular na economia local, através dos investimentos que precisam realizar e por criarem um mercado de consumidores, que são os servidores destacados para prestar serviço nessas estruturas.

Além disso, os órgãos públicos são vitais por deixarem de visar somente o lucro, eles precisam cumprir um papel social, o que favorece a população no caso do acesso ao abastecimento de água e energia elétrica, por exemplo, com tarifas sociais; assim como por gerarem um equilíbrio em termos de mercado, dificultando a formação de cartéis ou monopólios. Retirem completamente de campo as empresas e/ou serviços públicos num determinado setor, e o cenário será de competição desenfreada e "desonesta" pelo lucro a qualquer preço, com o consumidor pagando a conta; serviços de baixa qualidade; perda de expertise, acúmulo tecnológico e de soberania, nos tornando reféns de produtos e serviços estrangeiros; direitos essenciais da população sendo transformados em mera mercadoria e outras “cositas más”.

No caso de Herval, vale recordar o Programa Luz Para Todos, que levou energia elétrica para mais de 300 moradores da zona rural, iniciativa que se tornou real pelo fato de ter sido capitaneada pela CEEE, uma vez que nas regiões em que as responsáveis pela oferta de energia elétrica era uma empresa privada, as coisas demoraram muito mais a acontecer. Outra questão são os limites no que se refere ao abastecimento elétrico em nosso município, decorrentes da localização, das características das redes instaladas e por contarmos com um único alimentador elétrico. Mesmo com essas dificuldades, o trabalho abnegado dos servidores e o perfil público da CEEE assegura um abastecimento regular de energia elétrica à nossa população. Alguém acredita que uma empresa privada, que visa o lucro e atende as demandas da população pelo telefone a milhares de quilômetros de distância, vai se preocupar se os hervalenses estão ou não sendo atendidos pela energia elétrica?

O mesmo vale para o abastecimento de água, os serviços de inspeção animal, a manutenção das estradas estaduais, a segurança pública praticamente abandonada em Herval nos últimos anos. Sem falar na educação, aonde os professores e profissionais convivem com o parcelamento de salários desde o governo Sartori, fato que gera transtornos pessoais e contribui significativamente para debilitar nossa economia.

Nunca defendi que o governo seja dono de tudo, o que caracterizaria um estado máximo, inclinado à burocratização, ineficiência e corrupção. A questão é que a população tem direito à oferta de serviços essenciais, os quais precisam ser prestados pela ação do poder público. Outra questão é que um governo precisa ser uma alavanca do desenvolvimento, e nunca uma agência de leilões, cujo principal foco e função é vender o patrimônio público a preço de banana, com a falsa promessa que essa é a única solução e, em lugar disso, manter o rombo nas contas públicas e abrir caminho para a precarização e o encarecimento de serviços indispensáveis ao progresso local e à qualidade de vida dos indivíduos. Por isso, mesmo pregando no deserto insisto que a gestão estadual deve cumprir seu papel de fortalecer os órgãos públicos que prestam serviço nos municípios, e não simplesmente transferir ou se livrar das suas responsabilidades. Enfim, num município tão carente de recursos e investimentos como o nosso, defender o patrimônio dos gaúchos, mais que defender um modelo de gestão, é defender o acesso a serviços garantidos pela Constituição e dias melhores para os hervalenses.


Licença poética



Peço licença novamente para entregar-lhes outras palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Sonho ser cupido para acertar teu coração,

Sussurrar palavras de amor e safadeza em teu ouvido,

Sentir teu sol incendiando o interior do meu ser,

Fazer de ti meu mel e o pior castigo.


Nem só de pão viverá o homem





sexta-feira, 5 de julho de 2019

Momento poético




POEMA DE VIOLETA PARRA

Amaldiçoo no alto céu

Amaldiçoo no alto céu
a estrela e seu fogaréu,
eu amaldiçoo o corcel
e a sua crina no breu,
amaldiçoo no subsolo
a pedra e seu contorno,
amaldiçoo fogo e forno,
pois minh’alma está de luto,
amaldiçoo os estatutos
do tempo e seu modorro,
quanto durará minha dor.

Amaldiçoo Pico da Bandeira
e Mata Atlântica na costa,
amaldiçoo, senhor, a estreita
como a larga faixa de terra,
também a paz e a guerra,
o franco e o caprichoso,
eu amaldiçoo o cheiroso,
pois morreram meus anseios,
amaldiçoo todo o certeiro
e o falso com o duvidoso,
quanto durará minha dor.

Amaldiçoo a primavera
com seus jardins em flor
e do outono a sua cor,
eu o amaldiçoo deveras;
a nuvem passageira,
a amaldiçoo tanto, tanto,
pois me ajuda um quebranto.
Amaldiçoo o inverno inteiro
como o verão embusteiro,
amaldiçoo profano e santo,
quanto durará minha dor.

Amaldiçoo o peito varonil
e o berço esplêndido,
amaldiçoo todo emblema,
o Olimpo e o pau-brasil,
o mico-leão e o azul anil,
o Universo e seus planetas,
a terra e as suas cavernas,
pois me descorçoa uma tristeza,
amaldiçoo mar e correnteza,
seus portos e caravelas,
quanto durará minha dor.

Amaldiçoo lua e paisagem,
as praias e os desertos,
amaldiçoo morto por morto
e os vivos, do rei ao pagem,
a ave com sua plumagem,
os amaldiçoo como artífice,
os professores e pontífices,
pois me flagela uma dor,
amaldiçoo a palavra amor
com toda a sua porquice,
quanto durará minha dor.

Amaldiçoo enfim o branco,
o preto e o amarelo,
os bispos e os ateus,
hospitais e ministérios,
os amaldiçoo chorando;
o livre e o prisioneiro,
ao manso e ao brigão
eu jogo minha maldição,
em grego e em palavrão
por culpa de um traidor,
quanto durará minha dor.

(tradução de Ricardo Domeneck,
publicada originalmente no terceiro número impresso
da Modo de Usar & Co.)


Rir é o melhor remédio



quinta-feira, 4 de julho de 2019

Música para os meus ouvidos


Um tapa na cara dessa sociedade hipócrita, egoísta e assassina.
Uma canção para tocar no pouco de humanidade que ainda nos resta...




Ato político


Juiz ladrão, qual é a solução? Eis a pergunta que não quer calar.

Moro morreu

Em si, Sergio Moro não tem mais importância na política brasileira. Todos os verbos que se referem a ele estão no passado.  

Chegou a ser uma hipótese de figura de primeira grandeza, quando surgiu para a opinião pública nacional como o juiz ferrabrás de uma tal Lava Jato. A maioria não o conhecia e somente os mais interessados no dia a dia do Judiciário sabiam quem era.   

Às vezes, acende-se uma pequena luz no quadro da política. Pode ser um prefeito que chama a atenção, um procurador inovador, um ministro que se destaca, um empresário com boas ideias. Ser governador de estado aumenta a chance de ser visto.

 A luz se acende, mas costuma apagar-se. É preciso mais que a oportunidade para criar um personagem relevante. No mínimo, é necessário ter carisma e substância.   

Tome-se o caso de alguém cujo conceito original se enraizava em lugar semelhante ao de Moro no imaginário da sociedade. A luz de Fernando Collor faiscou em 1987, quando assumiu o governo de um dos menores estados do País com a bandeira da “guerra aos marajás”. Recebeu toda a ajuda que teve (e não foi pouca), mas só virou presidente porque a matéria prima de sua imagem era forte, várias vezes mais forte que a do ex-juiz.   

O nome de Moro chegou a ser incluído em algumas pesquisas na ultima eleição. Em uma do Datafolha de final de setembro de 2017, não alcançava 10%, apesar de ser conhecido por quase 80% dos entrevistados (Collor, em condições semelhantes - a onze meses da eleição e entre quem o conhecia -, passava de 40%). Números decepcionantes para alguém com tantas pretensões, que devem tê-lo ajudado a desistir da aventura.    

Percebendo que seu cacife era pequeno, Moro provavelmente avaliou que o melhor caminho seria tornar-se um “grande eleitor”, assumir o governo com o vitorioso e, a partir daí, garantir uma poltrona na primeira fila da política nacional. A esse projeto se dedicou desde o começo de 2018, esperando, pelo menos, o prêmio de consolação de uma cadeira no Supremo.
  
Cumpriu o combinado com Bolsonaro e o antipetismo, correndo para tirar Lula da eleição, custasse o que custasse, passando por cima das normas mais básicas do Direito. Graças ao The Intercept Brasil, temos agora uma ideia de como ele e sua turma agiram para interferir na eleição. Nada, porém, que surpreenda quem se lembra de suas fotos debochadas com Michel Temer e os amigos tucanos.   

Deu o passo seguinte tornando-se logo ministro de Bolsonaro, mas, outra vez, foi além do que as pernas alcançavam. 

Com ignorância e arrogância, supôs que o ministério da Justiça seria um trampolim, achando que conseguiria tirar de letra o problema da segurança no Brasil.  

De novembro de 2018 até ser abatido pela exposição de suas manobras, Moro foi incapaz de dar sequer o primeiro passo para alcançá-lo. Não mostrou ter noção, visão, interpretação ou proposta para lidar com a questão.    

As revelações até agora publicadas do Intercept (e deve haver outras) bastam para colocar uma pá de cal nas ambições de Moro. Sua inépcia administrativa já havia, no entanto, feito com que sobrevivessem apenas na fantasia.   

Bolsonaro e o bolsonarismo erram, contudo (como é regra), ao rir-se das desventuras de Moro e de seus patéticos esforços de se agarrar a eles para não afundar. O ex-juiz ainda tem apoio na sociedade, mesmo que cadente e cada vez menos determinado pelo que objetivamente é e faz hoje. Destituído de futuro, sem um presente que possa ser defendido, resta como símbolo de um passado, em que era ampla a sustentação da Lava Jato e da hipotética renovação que representaria. Os que permanecem presos a essa ilusão não podem admitir a morte de Moro.   

Quem o patrocinou lá atrás, como o sistema Globo, um pedaço da cúpula do Judiciário e do Exército, só o jogará fora se não houver jeito. É o único herói da “revolução gloriosa” que fabricaram, a luta para acabar com Lula e o PT a pretexto de erradicar a corrupção. Sem Moro, a imagem do projeto que arquitetaram é o constrangedor retrato do zoológico bolsonarista. Para todos, bem como para Bolsonaro e seu governo de figuras ridículas e inexpressivas, a morte política de Moro é um revés.    
     
Há outra hipótese, de Moro ser capaz de resolver seu problema e Bolsonaro mostrar-se um presidente competente na solução de crises, mas podemos descartá-la. Os próximos meses serão piores para o capitão.


Marcos Coimbra

Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Momento poético

Já és minha Já és minha. Repousa com teu sonho em meu sonho.  Amor, dor, trabalho, devem dormir agora.  Gira a noite sobre...