Sobre o Blog do Toninho

O Blog busca retratar coisas da vida interiorana e do meu interior, numa abordagem que mistura reflexão, notícias, riso, poesia, musicalidade, transcedentalidade e outras "cositas más". Tudo feito com produções próprias, mas também com a reprodução do pensar ou do sentir dos grandes gênios que o país e a humanidade pariram.

terça-feira, 31 de março de 2020

Música para os meus ouvidos


Sempre bom escutar Nei Lisboa. Bom, necessário e alentador!



Momento poético





O livro sobre nada
Manoel de Barros 


É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Tem mais presença em mim o que me falta.
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
Sou muito preparado de conflitos.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
O meu amanhecer vai ser de noite.
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
Meu avesso é mais visível do que um poste.
Sábio é o que adivinha.
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
A inércia é meu ato principal.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.
Peixe não tem honras nem horizontes.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.
Eu queria ser lido pelas pedras.
As palavras me escondem sem cuidado.
Aonde eu não estou as palavras me acham.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
Uma palavra abriu o roupão pra mim. Ela deseja que eu a seja.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Esta tarefa de cessar é que puxa minhas frases para antes de mim.
Ateu é uma pessoa capaz de provar cientificamente que não é nada. Só se compara aos santos. Os santos querem ser os vermes de Deus.
Melhor para chegar a nada é descobrir a verdade.
O artista é erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
Por pudor sou impuro.
O branco me corrompe.
Não gosto de palavra acostumada.
A minha diferença é sempre menos.
Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria.
Não preciso do fim para chegar.
Do lugar onde estou já fui embora.

sexta-feira, 27 de março de 2020

Autorretrato


Foi no inverno e fazia frio. Eu não trajava terno nem gravata, mas andava tenaz e terno por dentro. Para muitos um ultraje, para mim meu jeito de ser... Sem meio termo ou medo de ser feliz!

quinta-feira, 19 de março de 2020

Licença poética



Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...

Estou saindo daqui a bordo do meu tapete voador para te encontrar.

Como um mimo meu, levo comigo o gênio da lâmpada, caso queiras fazer três pedidos.

Se eu ficar preso em alguma nuvem, peço que faças uma live para que eu possa aliviar a vontade de surfar no teu ser e passear pelas vielas do teu cio e planar nos céus da tua vida.

quarta-feira, 18 de março de 2020

Música para os meus ouvidos


Se a canção tiver poesia, o dia nem precisa ter sol. Aliás, para postergar momentos inesquecíveis, é melhor o som da chuva. E as curvas que nos animam a buscar o infinito.




Rir é o melhor remédio



Momento poético



Fanatismo

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver.
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No mist'rioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!...

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"


segunda-feira, 16 de março de 2020

O problema é o Toninho, Toninho é o problema




Quem tenta defender o indefensável precisa apelar para desculpas e argumentos simplistas e a busca de culpados. Não é virtuoso, mas é do jogo. Assim, diante do golpe armado pelo vereador petista no final de 2019, que entregou o comando da Câmara de Vereadores ao partido contrário ao grupo que ajudou ele a conquistar um mandato e o conduziu duas vezes consecutivas à Presidência do Legislativo, o argumento que restou aos “advogados do diabo” é que a culpa é desse que vos escreve. Que por ação ou omissão eu estaria a serviço da força política que eles dizem ser inimiga da sigla. Diante disso, vamos aos fatos.

De início, regressemos ao final de 2011, ocasião em que o PT, depois de lançar candidatura própria em duas eleições seguidas (sofrendo oposição e a rasteira do time do vereador) e após um amplo e exaustivo debate interno, resolveu ingressar no governo de Ildo Sallaberry (PP). Vale lembrar a participação nesse enlace político do então prefeito de Jaguarão, Cláudio Martins, que advogou em favor dessa causa e, inclusive, participou do ato que selou tal união. Como fruto desse acordo que foi muito além de cargos no Executivo e teve por base um programa administrativo comum, passei a ocupar um posto no primeiro escalão da administração municipal, a partir da indicação do partido e do aval do prefeito da época. Ressaltando que cerca de um ano antes eu havia sido convidado a comandar uma Secretaria, dentro da cota pessoal do prefeito Ildo, convite que recusei justamente por não envolver, naquele momento, um compromisso com o Partido dos Trabalhadores.

Recentemente, como presidente municipal do PT, meu papel foi sempre dar espaço e vazão às diferenças no interior da sigla, quem disser o contrário é mentiroso ou safado mesmo. Além de ser eleito pelo consenso e numa correlação de forças propositadamente equilibrada internamente, nunca impusemos nenhuma interdição ao debate, ao contrário; o apelo sempre foi para que as diferentes posições fossem pautadas e de acordo com as regras partidárias. A única coisa que repudiamos foi o ímpeto voluntarista ou desleal de algumas figuras que escamoteiam ou tentam impor seus pontos de vista na base da força ou da afobação, agindo nas sombras ou "segurando a bola debaixo do braço" quando não reunem força para vencer o embate. Prova do nosso respeito à pluralidade e de que nunca houve nenhum jogo de cartas marcadas, é que quando certos “companheiros” deram a "punhalada", o debate eleitoral se encontrava em curso, inclusive com o vereador tendo colocado seu nome à disposição do partido para concorrer na eleição majoritária.

O fato é que a escolha da Mesa Diretora do Legislativo não tinha nada ou pouco a ver com os rumos eleitorais do PT em Herval. Na eleição da Câmara havia um acordo firmado e assinado no começo da atual Legislatura, que deveria ser cumprido sem nenhuma exigência; o qual fora rompido com a suspeita de negociação de benesses com diárias pagas com dinheiro público, como já está se vendo por aí. Situação inaceitável para nós que nos pautamos pela ética na política, rechaçamos a negociata e não admitimos que os interesses de um mandato fiquem acima de um coletivo partidário. Em termos eleitorais, o PT tinha a alternativa de lançar candidatura própria (bandeira que empunhamos anos antes e acabamos traídos duas vezes pelos mesmos que agora lançaram essa tese), além de ser pretendido para uma aliança com PDT e Progressistas.

Nesse sentido, nunca escondi minha preferência pessoal, porém como dirigente minha posição sempre foi garantir o cumprimento do Estatuto Partidário que determina que quando não há consenso se vota e prevalece a vontade da maioria. Com base nos insucessos e trairagens do passado, enquanto dirigentes também calçamos o pé e trabalhamos muito em torno da necessidade de priorizar a eleição proporcional (dos 14 nomes possíveis já haviam 13 postulantes a uma vaga), tendo em vista que uma casa se constrói pelo alicerce e ainda devido a mudança ocorrida na lei eleitoral que passou a impedir coligações proporcionais e, consequentemente, que se possa esconder a fragilidade eleitoral de uma agremiação partidária na sombra de outros, como muitos faziam antes.

Apesar de tudo, sigo seguro do acerto da posição que assumimos diante do “golpe de dezembro” e do trabalho honesto, transparente e exitoso que realizamos à frente do PT, o qual levou ao crescimento institucional e na ampliação da base e dos quadros do partido em âmbito local, algo que foi jogado pelo ralo por um pequeno grupo de irresponsáveis e aventureiros. Fruto da linha de construção definida democraticamente e das relações políticas estabelecidas no município, o PT passou a ter papel decisivo na governabilidade da prefeitura (saindo de 1 para 3 secretários com atuação protagonista em inúmeras realizações) nos últimos anos; recuperou a cadeira no Legislativo perdida em 2012, depois da cassação e prisão do vereador petista que ocupava a Presidência da “Casa do Povo” (fato que repercutiu negativamente no desempenho eleitoral dos petistas no pleito daquele ano); ampliou significativamente seu quadro de filiados e, com os votos da base do PDT e o apoio das lideranças ora escolhidas como inimigas pelo vereador atual, desde a primeira eleição de Lula em 2002, em Herval o Partido dos Trabalhadores vem vencendo de goleada as disputas pela Presidência da República. Enfim, o tempo é o senhor da verdade, as urnas sempre dão o seu recado e valores como decência e competência não podem se render ou ficar reféns de nenhum golpismo, seja de direita ou de esquerda!

sexta-feira, 13 de março de 2020

Música para os meus ouvidos


Canção eterna numa voz terna e saborosa. Tudo de bom!



Licença poética




Peço licença novamente para entregar-lhes outras palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...

Se acaso fosse preciso te definir sucintamente, eu diria toda linda!

Assim, de súbito, sem titubear ou fazer delongas.

E não digo linda como a lua, pois essa beleza é toda e só tua e não comporta comparações.

quinta-feira, 12 de março de 2020

Irmanamento de Herval com uma cidade Portuguesa avança



Uma comitiva composta pelo vice-prefeito Fernando Silveira e o secretário de planejamento, Toninho Veleda, representando a prefeitura de Herval; o vice-presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Zé Nunes; o Chefe de Gabinete do citado deputado e designado informalmente como embaixador de Herval nessa empreitada, Zelmute Marten; o assessor parlamentar do mandato do Senador Paulo Paim, Ottomar Teske e o Dr. Miranda Guimarães, vice-presidente da Comissão Especial de Relações Internacionais e Integração do Mercosul da Ordem dos Advogados do Brasil/RS, cumpriu importante agenda de trabalho nesta quarta-feira, 11, no Vice-Consulado de Portugal em Porto Alegre, órgão vinculado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros do governo Português.

Na ocasião, tal comitiva fora recebida pela Vice-cônsul Filipa Mendonça, com a finalidade de tratar e buscar o apoio da Consulesa ao pleito que busca uma cidade irmã de Herval em Portugal. Segundo as manifestações dos presentes, a pretendida parceria ou irmanamento objetiva assegurar uma cooperação em termos culturais, educacionais, técnicos, financeiros e tecnológicos, propiciando o investimento em projetos que resgatem a história, entrelace culturas e aponte na direção de um futuro mais próspero para Herval, os hervalenses e os envolvidos do lado Português.

Ainda de acordo com os defensores da iniciativa, esse intento tem por base a ligação histórica estreita de Portugal com esse município brasileiro, cuja povoação teve início a partir de um acampamento militar, instalado no ano de 1784, sob as ordens de Rafael Pinto Bandeira. Esse acampamento militar fora instalado em território então pertencente à Espanha, porém a perspicácia e a bravura de Rafael Pinto Bandeira tomaram para Portugal essa área fronteiriça que, posteriormente, se consolidou como propriedade de militares e cidadãos portugueses vindos da Ilha dos Açores.

Por sugestão do Dr. Miranda Guimarães, que se configura num importante parceiro e entusiasta dessa iniciativa, as primeiras tratativas de irmanamento serão feitas junto ao comando administrativo de Oliveira do Hospital, cidade que fica na região de Coimbra e que guarda bastante similitudes com Herval, em termos populacionais e, especialmente, quanto a sua formação histórica. Esforço que depois dos primeiros passos, já conta com o apoio institucional da OAB/RS e agora do Vice-consulado de Portugal em Porto Alegre, através da Consulesa Filipa Mendonça.

Os próximos passos serão a proposição de uma homenagem da Assembleia Legislativa do RS à memória e descendentes de Rafael Pinto Bandeira, por parte do mandato do deputado Zé Nunes; a busca do apoio do Exército Brasileiro, visando obter informações históricas e produzir uma encenação do antigo acampamento militar que representou o ponto de partida da povoação de Herval; e uma missão de hervalenses e apoiadores desse pleito em Oliveira do Hospital, na ideia de marcar os primeiros passos na pretendida relação de cidades irmãs. 

Durante a visita de ontem, a Consulesa Filipa foi obsequiada com alguns mimos que, além do gesto de cordialidade, servem de amostra da cultura local, como uma garrafa de vinho Quinta do Herval, numa cortesia da vinícola Don Basílio; um exemplar da primeira edição do jornal o Herval (cortesia do seu Luiz Oliveira); um exemplar do livro História do Herval: descrição física e histórica (cortesia da APAE) e dois cortes de cordeiro, produzidos na propriedade do vice-prefeito Fernando Silveira.

Versos del alma gautia




segunda-feira, 9 de março de 2020

Rir é o melhor remédio



Ato político



Não se trata de ser saudosista ou contrário ao progresso. Trata-se, isso sim, de chamar as coisas pelo nome e perceber as novas faces de uma moeda antiga que é a desumanização ou a captura do humano pelas máquinas ou ferramentas tecnológicas.

No mundo desumano que construímos, a criatura passou a dominar o criador. Não exatamente por culpa da tecnologia, bem ao contrário, mas por conta da velha sina do homem de ser lobo do homem, como ensina uma antiga e sempre atual máxima filosófica.

Eis a questão levantada pelo escrito de Juremir Machado da Silva que reproduzo abaixo...


Ken Loach e a uberprecarização do trabalho

Novo filme do cineasta desnuda ideologia tecnicista


Quando eu era correspondente de jornal em Paris, cobri vários festivais de cinema: Cannes, Veneza e Berlim. Num deles, assisti a um filme de Ken Loach: “Terra e liberdade”. Em seguida, participei da entrevista coletiva com o cineasta. Na época, eu era jovem e ainda estava impactado pela queda do Muro de Berlim poucos anos antes. Achei Loach social demais, excessivamente marxista até, defensor de teses. Lembro-me de que José Carlos Avelar, decano dos críticos brasileiros sempre presente naqueles eventos, ficou uma arara comigo. Tinha razão.

Com o passar dos anos, não deixei de ver a maioria dos filmes de Loach. O envelhecimento me faz admirar cada vez mais esse diretor que não se deixa agarrar por modismos e resiste à ideologia tecnicista, que nos vende a ideia da “uberização” do mundo como libertação de alguma coisa. Fui ver no domingo “Você não estava aqui”, último libelo de Ken Loach contra as mentiras da tecnologia da libertação. Sem muito spoiler dá para dizer que o filme trata do desespero de um homem transformado pelo desemprego em “empreendedor”. No discurso, o negócio é dele. Na prática, sem qualquer proteção trabalhista, deve correr atrás de metas 14 horas por dia, acossado por condições terríveis impostas pela franquia. A vida familiar do sujeito vira pó em pouquíssimo tempo.

Ken Loach faz como o sociólogo francês Dominique Wolton: denuncia a ideológica tecnicista, o deslumbramento com novidades tecnológicas, às quais se atribuem virtudes emancipatórias absurdas e impossíveis. Em lugar de flexibilização, “uberprecarização” da vida. O capitalismo não precisa mais nem mesmo fornecer os meios de produção. Só recolhe a sua parte dos ganhos. As ferramentas agora pertencem ao “parceiro”. O endividamento começa com a compra ou aluguel, por exemplo, do veículo que servirá de instrumento de trabalho. Condições são impostas. O cliente deve pagar menos e ser impressionado com efeitos de modernidade. O aplicativo ou franqueador nunca perde. Quem paga essa conta é o executor do trabalho, iludido, coagido ou sem escolha.

A escravidão hipermoderna atende pelo nome de compartilhamento. Quase sempre onde tem “co” tem alguém marchando. Os aplicativos aplicaram, com a devida redundância, a mentira de que não trabalhavam com transporte e convenceram muita gente. Inventou-se a expressão fake “carona compartilhada” para um serviço lucrativo de transporte de passageiros. Táxi sem limitação de licenças. Como todo mundo, volta e meia, uso aplicativos. Só não me sinto mais moderno do que ninguém por isso. Nem me constranjo ao levantar a mão e parar um táxi. Depois de ver o filme de Ken Loach, porém, foi doloroso voltar para casa de Uber. “Você não estava aqui” é o filme a ser visto pelos vira-latas tecnológicos que não se importam em dar dinheiro para multinacionais, em chamar isso de futuro e em fazer discursos sobre flexibilização.

Exagero? Um pouco. O filme de Ken Loach, não. É de um realismo cruel. Uma crônica sobre a destruição pela tecnologia de duras conquistas trabalhistas. Resta esperar que a tecnologia se desenvolva tanto a ponto de deixar o capitalismo sem o seu objeto: a escassez.


Música para os meus ouvidos


Bravo, bravíssimo! Só o que posso dizer diante dessa obra-prima!



sexta-feira, 6 de março de 2020

Altas conexões




Dado o primeiro passo na busca de uma cidade irmã de Herval em Portugal


Oliveira do Hospital é a cidade portuguesa que emerge como sugestão para o estabelecimento de uma parceria de cidades irmãs com o município de Herval no Rio Grande do Sul. Esse horizonte é o resultado do encontro realizado em 4 de março, na capital do estado, o qual fora organizado pelo Chefe de Gabinete do Deputado Estadual Zé Nunes, Zelmute Marten, com o Vice-presidente da Comissão Especial de Relações Internacionais e Integração do Mercosul da Ordem dos Advogados do Brasil, Dr. Miranda Guimarães, com o Vice-prefeito do Herval, Fernando Silveira, e o Secretário Municipal do Planejamento e Meio Ambiente, Toninho Veleda.

Herval nasceu de um acampamento militar português em 1791, comandado na época por Rafael Pinto Bandeira. Na próxima quarta-feira, 11, haverá um novo encontro de trabalho, agora com a Vice-consul de Portugal em Porto Alegre, Filipa Mendonça, para prosseguimento das tratativas. Em paralelo será realizada uma visita para a Brigada do Exército em Jaguarão, no sentido se reviver o histórico acampamento militar, com aprofundamento do resgate dos episódios históricos através de diálogos com historiadores. Uma missão oficial das autoridades do município do Herval para visita à municipalidade de Oliveira do Hospital está nos planos do estabelecimento deste importante acordo de cooperação, tal visita vai servir para o convite das autoridades portuguesas para uma primeira presença no município do Herval.

Fortalecer a integração pelos laços culturais e históricos será o início de um processo que visa a cooperação econômica, estudantil, universitária e empresarial, sendo que a iniciativa em questão partiu da ideia do secretário Toninho Veleda, de aproveitar a riqueza histórica de Herval no sentido de promover a integração entre os povos e abrir novas fontes e perspectivas de desenvolvimento do município.


Texto: Zelmute Marten - Chefe de Gabinete do deputado estadual Zé Nunes

segunda-feira, 2 de março de 2020

O novo sempre vem 2



No meu escrito anterior abordei algumas mudanças de impacto ocorridas em Herval em pouco mais de duas décadas, em razão da derrocada do modelo baseado nas grandes propriedades rurais que teve como fato gerador o advento da globalização econômica liberal e os problemas na sucessão familiar. Hoje quero me reportar ao aspecto político dessas mudanças que, do meu ponto de vista, num primeiro momento colaboraram bastante para o crescimento em termos sociais e eleitorais do principal partido de vertente popular do município, o PDT.

De início, deixo claro que minha abordagem no que tange ao Partido Democrático Trabalhista, não intenta promover um julgamento político. O que me interessa é focar no aspecto histórico e sociológico do arrefecimento do modelo latifundista no âmbito local que, na minha ótica, teve como uma das consequências políticas imediatas – repito – o fortalecimento do PDT e do trabalhismo na Sentinela da Fronteira, logo após a longa noite da ditadura militar. Aliás, a luta contra a repressão e a favor da democracia é outro episódio que está na base e caracteriza a formação da principal força política da esquerda em nossa terra.

Alguém deve estar se perguntando o quê o enfraquecimento das estâncias tradicionais tem a ver com o ganho de musculatura por parte de uma força política que caminhava em direção oposta a essa estrutura de produção e poder? Ora, com a desnutrição ou mudança de perfil das estâncias, esquiladores, caseiros, alambradores, peões, domadores, tropeiros, etc. Enfim, uma legião de gente que vivia ou prestava serviços no campo foi perdendo ocupações ou o vínculo com as grandes propriedades rurais. Dessa forma, muitos deles migraram para a cidade e com o PDT no poder ou às portas dele, acabaram estabelecendo algum vínculo mais direto com a prefeitura ou mesmo sendo aproveitados como servidores públicos, numa época em que a regra para ingressar no serviço público era praticamente o compadresco e o alinhamento político.

Como na democracia estabelecida pela Constituição de 1988, cada pessoa no uso de seus direitos políticos representa um voto (ao contrário do passado mais distante que o voto era restrito a determinadas figuras da sociedade) e numa cultura política muito atrelada e grata à figura do patrão (no sentido patriarcal), entendo que o PDT no momento em questão teve a virtude ou a esperteza de deslocar ao seu favor uma fatia considerável da sociedade, até então provavelmente afinada ou apadrinhada politicamente pelo “outro lado”. Portanto, tal deslocamento social não representou necessariamente o rompimento com a lógica do pensamento popular em torno da política ou com o modelo de poder “de cima para baixo”. Na prática, o método de ascensão e manutenção do poder sequer arranhou o status quo estabelecido; a mudança foi praticamente na indumentária, na origem social e geográfica (santo de casa não faz milagre) e na localização do patrão, que foi deixando de estar representado nas estâncias para se aquartelar na máquina pública.

De um jeito ou outro o novo sempre vem. Assim, primeiro com o enfraquecimento e depois com o desaparecimento recente da principal liderança trabalhista no município, como também pelo fato de quase toda essa arquitetura política ter sido construída em torno desse nome (e não de um coletivo ou de um projeto renovador e renovável), o PDT perdeu espaço e, em grande parte, o endereço da identidade que deveria caracterizá-lo. Esse talvez seja o grande desafio da sigla atualmente, ou seja, mais que um novo “patrão arrebanhador de pobres", gastar energias para gestar no seu seio uma forma de fazer política que dialogue com a realidade do município e rompa o círculo vicioso de vender um mundo de ilusões, no culto cego de si mesmo e no elogio à pobreza como mero artifício para manter os pobres conformados com suas carências materiais.

Rir é o melhor remédio