quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Música para os meus ouvidos


Não sou completamente negro na pele, mas sou negro no sangue, sou negro no sentimento, sou negro no samba e tenho orgulho de sê-lo...





Momento poético



ser eu poesia

(Luz Ribeiro)

noite como outrora nunca vista
as estrelas pareciam querer cair
com desvelo segurei uma delas
entre o polegar e o  indicador
e de modo  brusco, movimentei-a
move-la de lugar, ser eu passagem.

sobre minha cabeça
um mobile feito, pelo cria-dor
e cria-ação que sou me encantei, sorri
de modo  ingênuo exclui o  verbo chorar
anulei o  sofrer sempre presente
restou  alegria, ser eu  feliz.

tirei o chinelo e andei vagarosamente
contemplando o  grandioso e minucioso
todo pouco universo
grão de areia entre meus dedos
me causando leve incomodo
breves cócegas, ser eu leve.

olhos fechados pra ouvir o cochichar do mundo
ficar imóvel para encontrar ondas
e só, só esperar, esperar...
mas carrego por segurança amarguras
sendo assim por zelo, o tal sal em mim, não  tocou
pensei com dor, por ser eu dura.

cheiro forte ainda não provado
disparou  a adentrar pelas narinas
completou o vago que restava
apoderou-se do eu, encheu
nessa noite eu  fui amada
ganhei sentidos, ser eu autor.

me quis pequena e frágil
me desenhei menina afável
apaguei a frigidez, fui ágil
desenhei sonhos palpáveis
não derramei lágrimas por lucidez
e ainda assim lavei  a alma, ser eu  água.

noturna tudo fui
rodeada de sensações
sem gosto, sem cheiro
era cem expectativa
juro, pouco sei  da vida
e o que observo, escrevo
por nascer defeituosa, ser eu poeta.

Altas conexões



terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Versos del alma gautia



Valeu a pena!



Despedir-se de alguém que vai continuar com a gente não é sinônimo de tristeza, mas nem por isso deixa de ser difícil e doloroso.

As virtudes são tantas que é impossível qualificar Ildo Sallaberry servindo-se de apenas um adjetivo: visionário, destemido, ousado, magistral, incansável, desbravador, generoso, inspirador, iluminado...

Tal tarefa se torna ainda mais difícil porque mais que adjetivos Ildo é verbo, ação, alma aflita que faz acontecer.

E não faz movido pelo aplauso, pela busca do voto, pelo gosto dos holofotes, pelo ímpeto de estar no centro das atenções. Ildo faz porque esse é seu jeito de ser, essa é sua missão nessa vida, porque realizar e carregar a sensação do dever cumprido é seu maior troféu. Porque essa também foi a maneira que encontrou de tocar a alma e o coração e, principalmente, melhorar a vida das pessoas.

Hervalense que já andou pelo mundo, porém sempre carregando com orgulho o nome da nossa terra e o nosso jeito interiorano de ser.

Hervalense que nasceu em meio à pobreza, mas que desde sempre foi rico em caráter, ética, competência, dedicação, senso de justiça. Rico em vontade de vencer, compromisso em superar as misérias humanas e materiais, amor por esse chão.

Prefeito de mente aberta e coração liberto que colocou Herval no mapa do progresso e fez com que um povo que vive “longe demais das capitais” descobri-se a si mesmo e seu lugar no mundo.

Muito se fala do cérebro, da inteligência, da sapiência, do espírito de liderança, da habilidade com os números, do crânio avantajado de Ildo. Tudo isso é correto e verdadeiro. Mas quem o conhece mais de perto, sabe que ele tem um coração ainda maior e mais gigante.

Ildo é justo, generoso e agregador como poucos conseguem ser. Ildo é craque, mas sabe montar, comandar e possui a incrível capacidade de jogar junto com o time que raríssimos possuem. Ildo emana uma luz infinita e nunca se preocupa em ofuscar e muito menos apagar o brilho de outrem. Ildo não perde tempo com brigas estéreis, pequenas ou bobas, pois sabe que apenas a grande batalha pelo melhor para todos e todas merece atenção e interessa.

Em 2008 fomos às urnas eleger um prefeito e ganhamos muito mais que o chefe de um poder. Ganhamos um presente; um amigo; um pai; um conselheiro; um orientador; um mestre; um líder à frente do nosso tempo; um companheiro e caminho da caminhada; um comandante leal, firme, seguro e formador de novas lideranças; um ser humano ímpar que se faz enorme porque sabe enxergar, juntar, compartilhar e aplaudir os talentos alheios; um realizador de sonhos que antes pareciam irrealizáveis...

Como nas palavras de São Francisco de Assis, Ildo começou fazendo o que era necessário, depois passou a fazer o que era possível e de repente já estava fazendo o impossível.

Sob o teu comando – querido prefeito Ildo – mudamos nosso município para melhor e também mudamos muito a nós mesmos. Inspirados pelo teu exemplo, aprendemos a colocar o nós à frente do eu. Percebemos que o interesse pela Sentinela da Fronteira deve vir antes e acima de qualquer interesse individual ou de pequenos grupos. Deixamos de buscar desculpas ou culpados, e sim a solução para os problemas. Compreendemos que somar é sempre melhor que dividir. Passamos a ter a certeza que juntos podemos mais e nos tornamos mais fortes e capazes. Descobrimos que realizar é melhor que apenas imaginar.

Ao teu lado, entendemos que é preciso dar duro para fazer bonito. Revelamos nosso sangue no olho e, ao mesmo tempo, o brilho intenso no olhar. Contigo, fomos convocados a separar o joio do trigo e, sobretudo, o público do privado. Montamos na garupa da esperança e demos de relho no medo e no desmazelo.

Nesses oito anos, crescemos uns 8o anos. Crescemos nas obras, nas conquistas, nas realizações, mas também dentro de nós mesmos. Isso porque sob a tua batuta - prefeito Ildo – fomos capazes de superar diferenças partidárias, ideológicas, etárias, de gênero, de origem social, de religião, de cor e tantas outras. Jovens, crianças, idosos, mulheres, homens, pobres, ricos, negros, mesclados, brancos, católicos, evangélicos, espíritas, umbandistas, nativos, assentados, hervalenses de coração, progressistas, petistas, tucanos... recebemos teu chamado e fomos tocados pelo teu apelo para convergir, somar forças, colocar a mão na massa juntos e marchar verdadeiramente rumo a um município mais justo, próspero, altivo, empreendedor, feliz e de todos.

Não podemos falar em ti, Ildo, sem mencionar a dona Tania. Tua fiel escudeira e pessoa que também aprendemos a admirar, respeitar e a amar. Exemplo de primeira-dama, de figura pública e de comandante de uma das pastas mais importantes da administração. Bela, recatada, rebelde com causa, ávida de vida, do lar, do bar, do baile, da rua, dos campos, dos corpos sofridos, das almas aflitas, marcadas pela injustiça e famintas de pão, afeto e oportunidades.

Mulher bonita sem ser exibicionista. Primeira-dama dedicada e presente sem nunca ser intrometida nem soberba nem saliente. Gestora sensível, séria, correta, descentralizadora, competente, com os pés no chão e os braços abertos para acolher aqueles que mais precisam. Pessoa de alma enorme e elevada, sempre disposta a fazer o bem do jeito certo e sem importar a quem.

Assim como tu, Ildo, dona Tania se tornou um patrimônio de todos nós e símbolo do Herval fino, elegante, sincero, digno, decente, realizador e simples que se faz grande porque sabe ser humilde e valorizar a grandeza dos mais humildes.

Agora falta pouco – querido Ildo – para encerrares essa etapa no comando da prefeitura, mas ainda falta o principal: colher muitos dos frutos que plantasses, além de banhar-te com nossas palavras e gestos de gratidão terna e eterna!

De todo o coração, muito obrigado!!! Obrigado por existires! Obrigado por ter apontado o bom caminho! Obrigado por despertar e dar protagonismo aos nossos talentos! Obrigado por acordar o melhor que dormia em nós e no nosso amado Herval! Obrigado pelas inúmeras obras e pelo plantio de tantas boas sementes! Obrigado pelo legado administrativo, político e humano extraordinário que nos deixas!

Vamos continuar juntos e com a certeza que essa empreitada não acaba aqui. É preciso avançar mais e para isso continuaremos necessitando do teu brilho, lucidez, luz, ousadia, generosidade, entrega e espírito criativo e vitorioso!

Nesse momento de despedida, além do agradecimento, nos cabe dizer até sempre querido mestre-maestro Ildo! Vida longa, sucesso nas tuas novas jornadas e tarefas e que Deus siga iluminando teu caminho para que possas seguir iluminando nossas vidas e os caminhos da nossa terra!

Viva o Herval que avança! Viva o povo hervalense! Viva Ildo Sallaberry!


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Rir é o melhor remédio



Música para os meus ouvidos


Dias de lutas, dias de glória... E cada um deve ser responsável por suas lutas, derrotas e glórias.

Houve um tempo em que quis preencher os vazios de outrem ou carregar o mundo nas costas, hoje topo carregar apenas e tão somente meus próprios fardos e colho apenas os frutos que planto (bons ou ruins).

Estender a mão não deve significar carregar ninguém no colo e muito menos tentar trocar de lugar com quem quer que seja. Já fiz dessas e, além de não resolver os problemas ou mazelas alheios, acabei herdando ou respondendo por questões que não eram minhas.

Somar, dividir e compartilhar sempre, agora cada um com seu cada um e segundo suas obras, escolhas ou provações na humana existência.



sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Ho Ho Ho!!! Feliz Natal!


Natal é tempo de celebrar... Celebrar o nascimento de Cristo; celebrar a vida e a dádiva de estar vivo; celebrar o muito que faremos!

Natal é tempo de deixar passar um filme na cabeça, de avaliar os passos dados até aqui.

Natal é tempo de agradecer tudo que temos, não apenas em termos materiais, mas principalmente nossos afetos, conquistas em batalhas interiores, talentos que possuímos e tudo o mais que nos faz bem e ajuda a tornar melhores.

Natal é tempo de ser grato por aquilo que não temos também, tais como tristezas, solidão, doenças, alguma limitação física ou mental, privações de coisas essenciais à vida!

Obrigado Papai do céu! Obrigado ao aniversariante Jesus, pelo exemplo terno e eterno de bondade, humildade e grandeza!

Viva o Natal! Nesse período e ao longo de todo o ano vindouro!



Autorretrato


"Dream team"! Gente que faz sem perder o brilho no olhar e o sorriso no rosto.

Nem só de pão viverá o homem




quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Altas conexões



Ato político


Em meio a esse momento lamentável da história política do Rio Grande do Sul, sou tentado a permanecer em silêncio, pois se abrir a boca e liberar a pena, o fel e a desesperança acabarão falando mais alto.
No entanto, sirvo-me do escrito de Sergio Araujo para deixar claro de que lado estou nessa batalha e que não me calo assim no mais. Estamos perdendo muitas batalhas, mas não perderemos essa guerra.
Podem esperar canalhas. Voltaremos!

Sartori não veio para confundir. Veio para destruir
Por Sergio Araujo

Precisou que se passasse dois anos deste a última eleição estadual para que os gaúchos se dessem conta de que Sartori, o personagem enigmático da campanha eleitoral de 2014, ao contrário do que boa parte dos eleitores imaginou, nada tinha de ingênuo e bem intencionado. Ele sabia muito bem o que pretendia fazer. Só não podia dizer.

E hoje sabemos o motivo. No seu script de atuação, redigido em parceria com o que há de mais retrógrado no empresariado gaúcho, estava a conclusão do trabalho iniciado pelo governo Britto: Acabar com o que restou da máquina pública do Estado.

Ok. Não tem como não reconhecer as limitações intelectuais do governador peemedebista, claramente detectáveis nas suas manifestações públicas, mas isso não lhe reduz a responsabilidade pelos seus atos. Pelo contrário, aumenta ainda mais, pois fortalece a sua imagem de “marionete”, inaceitável para quem ocupa o cargo mais elevado da política gaúcha. Nem o empresário mais otimista esperaria tanto apoio às teses da categoria como Sartori e sua equipe tem dado.

Mas sejamos sinceros, não é apenas Sartori que tem “simpatia” pelo companheirismo privado. A maioria dos deputados que estão votando as medidas recessivas e danosas aos interesses dos funcionalismo e do Estado, tiveram suas campanhas patrocinadas por empresas privadas. Não importa se legalmente ou não. E agora, na hora de votar o pacote de maldades do governador, estão tendo a obrigação de retribuir o “favor”.

Some-se a isso a pratica do velho e não mais tolerável fisiologismo. Refiro-me ao uso do mandato para a busca de “espaço” no poder. Seja em cargos do primeiro e segundo escalão, seja pela conquista de CCs ou FGs, ou até mesmo o compromisso de execução de uma ou mais obras de interesse individualizado. Uma prática de sedução vergonhosa que é usada como moeda de troca para os governos atingirem a quantidade necessária de votos para aprovar seus projetos.

Com uma população atordoada pelos escândalos de corrupção, que ainda a impede de enxergar com clareza as manobras sorrateiras dos adeptos da política do interesse próprio, o governo do Estado tem usado todo o seu arsenal de influência. Tanto interno como externo. No último caso, movidos por interesses comuns, com predominância do fator econômico, imprensa e governo pactuam da mesma linha editorial. A culpa é do serviço público.

Como se isso não bastasse, o governo Sartori transformou a Brigada Militar numa milícia truculenta e radical, que ao contrário do acontece no combate a crescente criminalidade, tem sido impiedosa no ataque aos movimentos sociais. Um legítimo ou vai por bem, ou vai por mal.

Em meio a essa briga de David contra Golias, o contribuinte e principalmente os servidores públicos estaduais, pouco podem fazer para interromper a saga desse governo dominador. Mas a história é pródiga em mostrar que nem sempre um povo subjugado é sinônimo de concordância e passividade.

Tal qual um vulcão adormecido, a grande massa de brasileiros e gaúchos, agrilhoada por interesses pouco ou nada transparentes, está demonstrando diariamente sua insatisfação com o atual status quo da política nacional. E quer ver corruptos e maus gestores bem longe do poder. De preferência na cadeia ou impedidos de exercer cargos públicos.

Talvez leve ainda algum tempo para governantes e políticos entenderem essa nova realidade. Zumbis da direita radical, aproveitadores da turbulência social que se propaga no Brasil e no mundo, ainda precisarão ser recolocados em suas catacumbas.  Mas que a nova ordem social, com o cidadão à frente dos seus interesses, irá prevalecer não resta nenhuma dúvida. Mesmo que para isso leve algum tempo para reconstruir o que foi destruído.

Talvez Sartori acredite que veio para servir de “Salvador da Pátria”. Ou quem sabe o “Imperador dos Pampas”. O “Todo Poderoso”. Mas o tempo, comandante supremo da Justiça, haverá de mostrar que o povo sempre tem razão. Tal qual massa de pão que quanto mais apanha mais cresce, os servidores públicos estaduais e àqueles que dependem dos serviços públicos irão, a exemplo do que fez Sepé Tiaraju, mostrar que essa terra tem dono. O povo.

Sergio Araujo é jornalista e publicitário.

Publicado originalmente no site Sul21: http://www.sul21.com.br/jornal/sartori-nao-veio-para-confundir-veio-para-destruir/


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Licença poética



Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Dei entrada no tão sonhado cantinho para morar...

A morada é exuberante e espaçosa, situada em área nobre, rodeada de natureza por todos os lados, ambientes climatizados, variadas opções de lazer, decorada com requinte e bom gosto.


Mais que apenas dar para o gasto, posso ostentar que é o lugar dos sonhos. Vou morar dentro de nós.

Versos del alma gautia


Faz tempo que Dom Jayme pariu esses versos, mas parece que foi hoje... Eita Brasilzão véio que avança e volta para ainda mais atrás que o começo. Como noutros versos de Mauro Moraes, que dizem: "Bastava um grito de volta, pingo! E lá ficavam todos maneados pelas raízes".


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Música para os meus ouvidos


Tem canções que tocam o coração e falam por si. Eis uma delas...



Autorretrato


Gente fina, elegante e sincera. Não somos irmãos gêmeos, mas podemos nos dar ao luxo de festejar o aniver juntos. E, mesmo com atraso - pois novembro foi mês de férias e pausa nas coisas do mundo virtual -, esse post ainda vale.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Ato político


Para quem é apaixonado pela política e pelas coisas da vida pública, sem se perder nas paixonites crônicas e desvairadas, Juremir Machado da Silva é leitura obrigatória...


Metamorfoses eleitorais brasileiras
(Juremir Machado da Silva)


Passou um furacão pelo Brasil.
Um furação eleitoral.
O PT encolheu de 638 prefeituras para 254.
O PSDB cresceu para quase 804.
O PMDB continua na frente com 1.038.
Mas apanhou nos maiores colégios eleitorais.
Partidos desconhecidos como o PHS ganharam em cidades importantes como Belo Horizonte.
O PRB ganhou no Rio de Janeiro.
Porto Alegre é um caso especial.
A esquerda nem foi ao segundo turno.
Sebastião Melo, do PMDB, perdeu apesar de ter uma coligação do tamanho de um bonde.
Por que perdeu?
A pergunta parece complexa. A resposta é simples.
Porque, tendo dois candidatos de um mesmo campo ideológico, a população preferiu livrar-se do continuísmo.
Ou tem muita gente contente com a atual administração?
Para ganhar, Melo precisaria dos votos de petistas e psolistas,.
Quantos petistas aceitaram votar no PMDB que se atolou no petrolão com o o PT e depois derrubou Dilma?
Melo precisava carregar o PMDB do impeachment, ou golpe, da Lava Jato, do petrolão e também do Sartori.
E a administração Fortunati.
Era peso demais nas costas.
Tudo mudou.
Marchezan ganhou junto com o PP e o PTB.
Ele conseguiu encarnar-se como novidade.
Não mudou o discurso. Manteve-se como sempre é: incisivo, direto, até agressivo.
A autenticidade foi uma aposta vencedora.
Os petistas, depois da eleição, têm dois caminhos a seguir: fundar um novo partido ou limpar o atual.
Fora disso, restar torcer pelo fracasso dos novos donos do poder e pela falta de memória dos eleitores.

Pitada filosófica



segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Cenas da vida inventada



Rir é o melhor remédio



Licença poética



Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Bela sem ser exibida. Formosa sem ser frágil. Meiga sem ser melosa. Carinhosa sem ser grudenta. Presente sem ser intrometida. Feminina sem ser só um rabo de saia.

Acaso seria uma deusa? Uma entidade superior?

Até pode ser, porém pérola que abrilhanta meus dias seria o mais palpável e certo.


quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Autorretrato


No meio do caminho tinha o Toninho. Tinha o Toninho no meio do caminho.

Momento poético



O cego e a guitarra
(Fernando Pessoa)

O ruído vário da rua
Passa alto por mim que sigo.
Vejo: cada coisa é sua
Oiço: cada som é consigo.

Sou como a praia a que invade
Um mar que torna a descer.
Ah, nisto tudo a verdade
É só eu ter que morrer.

Depois de eu cessar, o ruído.
Não, não ajusto nada
Ao meu conceito perdido
Como uma flor na estrada.

Cheguei à janela
Porque ouvi cantar.
É um cego e a guitarra
Que estão a chorar.

Ambos fazem pena,
São uma coisa só
Que anda pelo mundo
A fazer ter dó.


Eu também sou um cego
Cantando na estrada,
A estrada é maior
E não peço nada.


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Rir é o melhor remédio



Ato político



Mais que o maior presidente da história do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva é um dos maiores e mais respeitados estadistas do planeta.

Isso não é para qualquer um e causa muita inveja nos vira-latas que nunca chegarão aos pés, muito menos serão capazes de fazer apenas uma parte das obras de Lula.

Viva a verdade que um dia sempre vence! Viva Luiz Inácio Lula da Silva!

Por que querem me condenar - LULA

Em mais de 40 anos de atuação pública, minha vida pessoal foi permanentemente vasculhada – pelos órgãos de segurança, pelos adversários políticos, pela imprensa. Por lutar pela liberdade de organização dos trabalhadores, cheguei a ser preso, condenado como subversivo pela infame Lei de Segurança Nacional da ditadura. Mas jamais encontraram um ato desonesto de minha parte.

Sei o que fiz antes, durante e depois de ter sido presidente. Nunca fiz nada ilegal, nada que pudesse manchar a minha história. Governei o Brasil com seriedade e dedicação, porque sabia que um trabalhador não podia falhar na Presidência. As falsas acusações que me lançaram não visavam exatamente a minha pessoa, mas o projeto político que sempre representei: de um Brasil mais justo, com oportunidades para todos.

Às vésperas de completar 71 anos, vejo meu nome no centro de uma verdadeira caçada judicial. Devassaram minhas contas pessoais, as de minha esposa e de meus filhos; grampearam meus telefonemas e divulgaram o conteúdo; invadiram minha casa e conduziram-me à força para depor, sem motivo razoável e sem base legal. Estão à procura de um crime, para me acusar, mas não encontraram e nem vão encontrar.

Desde que essa caçada começou, na campanha presidencial de 2014, percorro os caminhos da Justiça sem abrir mão de minha agenda. Continuo viajando pelo país, ao encontro dos sindicatos, dos movimentos sociais, dos partidos, para debater e defender o projeto de transformação do Brasil. Não parei para me lamentar e nem desisti da luta por igualdade e justiça social.

Nestes encontros renovo minha fé no povo brasileiro e no futuro do país. Constato que está viva na memória de nossa gente cada conquista alcançada nos governos do PT: o Bolsa Família, o Luz Para Todos, o Minha Casa, Minha Vida, o novo Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o Programa de Aquisição de Alimentos, a valorização dos salários - em conjunto, proporcionaram a maior ascensão social de todos os tempos.

Nossa gente não esquecerá dos milhões de jovens pobres e negros que tiveram acesso ao ensino superior. Vai resistir aos retrocessos porque o Brasil quer mais, e não menos direitos.

Não posso me calar, porém, diante dos abusos cometidos por agentes do Estado que usam a lei como instrumento de perseguição política. Basta observar a reta final das eleições municipais para constatar a caçada ao PT: a aceitação de uma denúncia contra mim, cinco dias depois de apresentada, e a prisão de dois ex-ministros de meu governo foram episódios espetaculosos que certamente interferiram no resultado do pleito.

Jamais pratiquei, autorizei ou me beneficiei de atos ilícitos na Petrobras ou em qualquer outro setor do governo. Desde a campanha eleitoral de 2014, trabalha-se a narrativa de ser o PT não mais partido, mas uma "organização criminosa", e eu o chefe dessa organização. Essa ideia foi martelada sem descanso por manchetes, capas de revista, rádio e televisão. Precisa ser provada à força, já que "não há fatos, mas convicções".

Não descarto que meus acusadores acreditem nessa tese maliciosa, talvez julgando os demais por seu próprio código moral. Mas salta aos olhos até mesmo a desproporção entre os bilionários desvios investigados e o que apontam como suposto butim do "chefe", evidenciando a falácia do enredo.

Percebo, também, uma perigosa ignorância de agentes da lei quanto ao funcionamento do governo e das instituições. Cheguei a essa conclusão nos depoimentos que prestei a delegados e promotores que não sabiam como funciona um governo de coalizão, como tramita uma medida provisória, como se procede numa licitação, como se dá a análise e aprovação, colegiada e técnica, de financiamentos em um banco público, como o BNDES.

De resto, nesses depoimentos, nada se perguntou de objetivo sobre as hipóteses da acusação. Tenho mesmo a impressão de que não passaram de ritos burocráticos vazios, para cumprir etapas e atender às formalidades do processo. Definitivamente, não serviram ao exercício concreto do direito de defesa.

Passados dois anos de operações, sempre vazadas com estardalhaço, não conseguiram encontrar nada capaz de vincular meu nome aos desvios investigados. Nenhum centavo não declarado em minhas contas, nenhuma empresa de fachada, nenhuma conta secreta.

Há 20 anos moro no mesmo apartamento em São Bernardo. Entre as dezenas de réus delatores, nenhum disse que tratou de algo ilegal ou desonesto comigo, a despeito da insistência dos agentes públicos para que o façam, até mesmo como condição para obter benefícios.

A leviandade, a desproporção e a falta de base legal das denúncias surpreendem e causam indignação, bem como a sofreguidão com que são processadas em juízo. Não mais se importam com fatos, provas, normas do processo. Denunciam e processam por mera convicção - é grave que as instâncias superiores e os órgãos de controle funcional não tomem providências contra os abusos.

Acusam-me, por exemplo, de ter ganho ilicitamente um apartamento que nunca me pertenceu - e não pertenceu pela simples razão de que não quis comprá-lo quando me foi oferecida a oportunidade, nem mesmo depois das reformas que, obviamente, seriam acrescentadas ao preço. Como é impossível demonstrar que a propriedade seria minha, pois nunca foi, acusam-me então de ocultá-la, num enredo surreal.

Acusam-me de corrupção por ter proferido palestras para empresas investigadas na Operação Lava Jato. Como posso ser acusado de corrupção, se não sou mais agente público desde 2011, quando comecei a dar palestras? E que relação pode haver entre os desvios da Petrobras e as apresentações, todas documentadas, que fiz para 42 empresas e organizações de diversos setores, não apenas as cinco investigadas, cobrando preço fixo e recolhendo impostos?

Meus acusadores sabem que não roubei, não fui corrompido nem tentei obstruir a Justiça, mas não podem admitir. Não podem recuar depois do massacre que promoveram na mídia. Tornaram-se prisioneiros das mentiras que criaram, na maioria das vezes a partir de reportagens facciosas e mal apuradas. Estão condenados a condenar e devem avaliar que, se não me prenderem, serão eles os desmoralizados perante a opinião pública.

Tento compreender esta caçada como parte da disputa política, muito embora seja um método repugnante de luta. Não é o Lula que pretendem condenar: é o projeto político que represento junto com milhões de brasileiros. Na tentativa de destruir uma corrente de pensamento, estão destruindo os fundamentos da democracia no Brasil.

É necessário frisar que nós, do PT, sempre apoiamos a investigação, o julgamento e a punição de quem desvia dinheiro do povo. Não é uma afirmação retórica: nós combatemos a corrupção na prática.

Ninguém atuou tanto para criar mecanismos de transparência e controle de verbas públicas, para fortalecer a Polícia Federal, a Receita e o Ministério Público, para aprovar no Congresso leis mais eficazes contra a corrupção e o crime organizado. Isso é reconhecido até mesmo pelos procuradores que nos acusam.

Tenho a consciência tranquila e o reconhecimento do povo. Confio que cedo ou tarde a Justiça e a verdade prevalecerão, nem que seja nos livros de história. O que me preocupa, e a todos os democratas, são as contínuas violações ao Estado de Direito. É a sombra do estado de exceção que vem se erguendo sobre o país.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Nem só de pão viverá o homem





Licença poética



Peço licença novamente para entregar-lhes outras palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...



Não sou fácil, não sou fraco, não sou fake.
Sou fogo, sou fel, sou figada, sou gente.
Sou cara de cara limpa, de alma liberta.
Sou peixe fisgado pelo mel da tua boca.
Sou ave que se refaz em pleno voo,
verso que abre as asas e sempre despenca no teu colo.

Altas conexões



quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Música para os meus ouvidos


"Atrás da porta o que você faz?"



Momento poético


QUANDO TU CHORAS


Quando tu choras, meu amor, teu rosto
Brilha formoso com mais doce encanto,
E as leves sombras de infantil desgosto
Tornam mais belo o cristalino pranto.

Oh! nessa idade da paixão lasciva
Como o prazer, é o chorar preciso:
Mas breve passa – qual a chuva estiva – 
E quase ao pranto se mistura o riso.

É doce o pranto de gentil donzela,
É sempre belo quando a virgem chora:
– Semelha a rosa pudibunda e bela
Toda banhada do orvalhar da aurora.

Da noite o pranto, que tão pouco dura,
Brilha nas folhas como um rir celeste,
E a mesma gota transparente e pura
Treme na relva que a campina veste.

Depois o sol, como sultão brilhante,
De luz inunda o seu gentil serralho,
E às flores todas – tão feliz amante –
Cioso sorve o matutino orvalho.

Assim, se choras, inda és mais formosa,
Brilha teu rosto com mais doce encanto:
– Serei o sol e tu serás a rosa...
Chora, meu anjo, – beberei teu pranto!

Rio - 1858

© Casimiro de Abreu
In As Primaveras, 1859

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Pitada filosófica



Descarte de lixo eletrônico em Herval



A Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente (SEPLAMA), em parceria com Azonasul, promove e convida toda a população hervalense para participar da coleta de resíduo eletrônico que será realizada nesta sexta-feira (07) das 8h às 17h.
O descarte correto desses itens ajuda na preservação do meio ambiente. Para evitar que esse tipo de lixo seja depositado de forma irregular, a comunidade poderá levar os materiais que deseja fazer o descarte até o caminhão que ficará estacionado na Praça Marquês de Herval, em frente à Prefeitura Municipal.

Confira os materiais que podem ser descartados:
– Aparelho de Som
– Ar Condicionado de janela, Split e Aquecedores
– Baterias
– Cafeteiras, Liquidificador e Bateria
– Calculadoras
– Carregadores em geral
– Celulares e Telefones no geral
– Centrais Telefônicas
– Chuveiro
– CPU
– DVD e Vídeo Cassete
– Estabilizadores e Nobreak
– Fax
– Ferro Elétrico
– Freezer
– Geladeira
– HD
– Impressoras e Scanners
– Lavadora de roupa, Secadora de Roupa e Centrifuga
– Linha Branca (geladeiras, freezers, máquinas de lavar, fogões, condicionadores de ar e similares)
– Máquina de Escrever
– Máquina de Lavar Louça
– Microondas
– Modem
– Monitores CRT e de Led
– Mouse
– Notebook
– Pen Drive
– Placas em Geral
– Receptores
– Roteadores
– Servidores
– Térmicas
– Teclados
– TV de Tubo, Led e Lcd
– Torneiras
– Unidade de CD, DVD e Disquete.

Texto: Fernanda de Freitas
Publicado originalmente no site da prefeitura: www.herval.rs.gov.br