segunda-feira, 22 de maio de 2017

Ato político

  
Fiquemos com a lucidez e a precisão cirúrgica de Juremir Machado da Silva, o resto é empurrar o problema com a barriga, tentativa de tapar o sol com a peneira ou roupa que não nos serve mais.



Parte inferior do formulário
Ascensão e queda de Temer

Era uma vez um país incapaz de aprender com o passado. Em 1954 e 1964, a imprensa e a direita (Carlos Lacerda e a UDN) manipularam a classe média, denunciando a corrupção, até, no primeiro caso, levarem Getúlio Vargas ao suicídio e, no segundo, Jango ao exílio. Em 2016, o PSDB (sucessor da UDN), a mídia e o PMDB de Michel Temer associaram-se para tomar o poder do PT e de Dilma Rousseff.
A narrativa é simples: cansado de perder eleições, o PSDB incentivou a chegada ao poder por um atalho. Por não poder ir direto ao pote, aliou-se ao PMDB, sempre pronto a qualquer coisa, e usou um pretexto jurídico capenga, as pedaladas fiscais, e o velho pretexto da corrupção, para puxar o tapete de Dilma.
A estratégia foi revelada pelo peemedebista Romero Jucá: primeiro tira Dilma, depois “estanca a sangria da Lava Jato”. Mas a Lava Jato continuou. Há muito que Aécio Neves vinha sendo denunciado na famosa Lista de Furnas, mas a mídia amiga fingir não ver. A seletividade poupava os tucanos. Temer para chegar ao poder prometera as reformas dos sonhos do mercado e da mídia parceira. Tinha imunidade.
A ponte para o futuro, chamada de pinguela por FHC, revelou-se um trampolim para o passado.
Reforma trabalhista e da Previdência capazes de abolir até a lei Áurea.
O vaso transbordou. Os delatores começaram a entregar tudo, até o que não deviam.
A própria Lava Jato viu-se ultrapassada pelos fatos. Ouvia o que queria e o que não queria.
Trabalhou-se com provas duvidosas, teoria do domínio do fato, tudo, até a volta das provas tradicionais.
As delações da JBS botaram Aécio e Temer no lamaçal com direito a etiqueta na testa.
As panelas, porém, não soaram como antes.
As ruas ainda não se encheram de verde-amarelo.
Acontece que boa parte do discurso contra a corrupção era só antipetismo.
O petismo fez por merecer seu inferno. Mas foi mais odiado pelos poucos acertos que teve.
O inverossímil da história é que alguém tenha acreditado que Temer e seu bando predador poderiam ser a saída moralizadora para o Brasil corrupto de Lula, Dilma e o PMDB do próprio Temer.
Por que o Brasil quis se enganar assim? Quem se pensava iludir?
Ou a luta de classes, pois é disso que se trata, justificava os meios empregados?
O governo de Temer acabou estrepitosamente.
O vampiresco Michel é um cadáver político apodrecendo no Planalto.
Será mantido em formol para ter tempo de entregar suas reformas?
Há quanto tempo os “blogs sujos” forneciam elementos ignorados para prisão da irmã de Aécio?
Há quanto tempo a imprensa internacional denuncia o golpe no Brasil?
Nos jornais globais o clima é de velório. Temer foi aposta midiática e mercadológica.
Uma conveniência suja para “limpar” o Brasil do seu atraso.
Um jogo de cartas marcadas que não contava com a delação de um trapaceiro.
A frase de Temer, “tem que manter isso, viu?”, para o interlocutor da JBS que o informava da mesada para que Eduardo Cunha não abrisse o bico entrará para a história da canalhice brasileira.
Este diálogo será estudado por anos como expressão do coronelismo tropical:
“Joesley: — Se for você pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança.
Aécio: Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho.”
Como ficam aqueles que diziam com orgulho: “Eu não votei no Temer…”
Ter votado em Aécio já não é um atestado de sabedoria moral.
O Brasil está na frente do espelho: gangues em luta pelo controle do poder.


Nem só de pão viverá o homem





terça-feira, 16 de maio de 2017

Licença poética



Peço licença novamente para entregar-lhes outras palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Tenho três desejos que espero que o gênio da lâmpada venha realizar:

Entrar na tua cabeça e saber tudo que se passa lá.
Penetrar teu coração e encontrar dentro dele um canto para morar.
Adentrar as janelas do teu corpo e descobrir aonde teu prazer vai dar.

Autorretrato


"Yo" e Maryna

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Comentários a respeito do Golpe


Vivemos tempos graves e preocupantes no Brasil. O Golpe de Estado sacramentado ano passado numa presidenta legitimamente eleita e na vontade popular manifestada nas urnas em 2014 é tão somente um sintoma desse mal e, provavelmente, apenas a ponta do iceberg.

Além de abrir caminho para a retirada de direitos conquistados a duras penas durante muitas décadas de lutas e mobilizações, os quais asseguram um horizonte de civilidade ao país, bem como um padrão de vida minimamente decente à população, por meio de um amplo sistema de proteção social, esse Golpe também ataca direitos civis e políticos assegurados pela Constituição de 1988, na medida em que deflagrou uma verdadeira caçada aos líderes políticos hoje na oposição, numa perseguição implacável revestida pelo manto da legalidade e do combate à corrupção.

Que combate à corrupção é esse que busca culpados apenas num dos lados da política brasileira, que condena previamente e sem provas com base em ilações, montagens e na exposição midiática violenta e que, por outro lado, passa a mão por cima daqueles comprovadamente corruptos que apoiam ou ocupam altos cargos no governo golpista?

Não podemos aceitar calados esse verdadeiro “estado de exceção” instaurado no país em que as leis e a informação são manipuladas vergonhosamente conforme os interesses de quem julga ou forma a opinião pública. Mais que nunca é preciso reagir para não perdermos definitivamente os direitos constitucionais que nos assistem, sob pena do Brasil cair definitivamente nas garras dessa ditadura disfarçada e abrigada pelo lema de “que os bons do país podem tudo para livrar a nação do mal supostamente causado por aqueles que sofreram o Golpe”. Esse foi o pretexto para a Ditadura Militar de 64, que apenas escondeu a corrupção sob o tapete da lei e da ordem, promoveu o massacre de várias gerações e atrasou esse país por muitas décadas, em termos econômicos, sociais, democráticos e civilizatórios.

Como diz uma frase da qual não lembro o autor, “todas as verdades que se calam se tornam um dia venenosas”. É preciso gritar que os atuais donos do poder não são donos do Brasil e não podem mandar e desmandar como faziam no passado e sonham voltar a fazer, servindo-se da lei e da ordem mantida pela força do seu braço policialesco ou pelos intermináveis golpes de manchete do seu braço midiático.

Um dos maiores erros de Lula talvez tenha sido não expor em praça pública a sujeira que existia no Brasil antes dele chegar ao governo, aquele sim o período de maior roubalheira no país promovido pela privataria tucana e outros esquemas bilionários de desvio de recursos públicos que continuaram mesmo após a saída dos tucanos do governo central e/ou migraram para outras administrações comandadas por eles (basta ver as notícias da mídia nesse caso escritas com letras minúsculas e o próprio depoimento dos delatores da lava jato).

Ao invés de jogar a “cacaca no ventilidor”, pensando em não desperdiçar energias preciosas diante de um país devastado e repleto de urgências, Lula optou pela conciliação, a consertação e focar no futuro do Brasil. Isso, no entanto, fez o senso comum ter a falsa noção de que o PT assumiu o país das maravilhas, sem roubos e com as contas públicas rigosamente em dia. Ledo engano e nada mais falso. É a velha história de que aquilo que olhos não vêem o coração não sente.

Nenhum governo na história desse país criou mais mecanismos de controle e combate à corrupção que os governos de Lula e Dilma. Assim, não necessariamente se roubou mais como alegam os verdadeiros corruptos, mas logicamente o enfrentamento da corrupção entrou na pauta política e passou a aparecer mais, dando a ideia do aumento da roubalheira. A própria lava jato é resultado desses mecanismos legais instituídos para combater a corrupção. No governo FHC a lava jato não existiria, pois além de engavetarem tudo, não existia base legal para que essa operação pudesse ser deflagrada.

Contado, perante o senso comum, alimentado dia e noite pela mídia golpista, o governo petista foi o mais corrupto de todos os tempos e que esses supostos roubos foram praticados para favorecer o PT e Lula, mesmo que a realidade comprove o contrário. Mesmo depois de uma devassa na vida do ex-presidente feita durante três anos não ter revelado nada que indique que Lula roubou ou foi beneficiado diretamente pelo petrolão, sequer a existência de laranjas como sustentam, resistiu ao exame das provas. Mesmo depois dos próprios delatores declararem que os maiores beneficiários desse esquema são justamente os políticos da então oposição, como Serra, Aécio, FHC, Temer e cia, os quais sempre disseram que Lula era o marido “traído dessa história” e mudaram seus depoimentos depois de anos na cadeia e sabe-se lá sob qual promessa de favorecimento.

Diante disso, nós defensores da democracia, do estado de direito e de um Brasil digno para todos e todas, não podemos silenciar nem cruzar os braços. É hora de lutar a boa luta e travar o bom debate, respeitando os pontos de vistas contrários, mas sem aceitar que mentiras virem verdade absoluta e inquestionável. Mais que o projeto de qualquer partido ou grupo político, o que está em jogo é um modelo de sociedade que queremos para agora e logo ali adiante. E o modelo dos golpistas, depois de todos os avanços que tivemos na última década, definitivamente não nos serve mais.

Diante disso também, estou criando no blog do Toninho o espaço “comentários a respeito do Golpe”, a fim de reforçar ainda mais minha posição contra o Golpe e a favor da democracia e de um país que volte a enxergar os pobres como solução, e não como problema para uma crise que está sendo usada como álibi e desculpa para conduzir o Brasil rumo ao passado de truculência e exclusão, condenando a imensa maioria dos brasileiros a uma condição de completa indigência, conformismo com as injustiças e falta de esperança.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Ato político


Eis um artigo para ler, guardar na memória e calibrar o coração público.
Cassar Lula é Cassar a Democracia e a Política (ou a Crise Mundial da Política e o Brasil)

Por Marcelo  Zero
A Quinta República francesa dissolveu-se no ar das urnas. Pela primeira vez desde sua criação, em 1968, por De Gaulle, os dois principais partidos, o Socialista e dos Republicanos, não irão para o segundo turno. Em seu lugar estarão a ultradireitista Le Pen e o aventureiro da “nova política”, o direitista Macron, que fará mais do mesmo, se eleito.
A “nova política” é sempre a mesma coisa em qualquer lugar. Afirma ser “nova” e não ser “nem de direita e nem de esquerda”. Na realidade, a “nova política” é apenas a velha direita com novo marketing. Entretanto, amealha incautos em muitos países, inclusive na França.
Mas o que surpreende é a rapidez e a intensidade da derrocada desses partidos tradicionais. Em 2007, tais partidos conseguiram 57% dos votos no primeiro turno. Em 2012, conseguiram 56%. Mas, agora, só conseguiram 26%. Patética foi a performance de Hamon, sucessor oficial de Hollande: não passou de 6%. O Partido Socialista francês se transformou num Pasok, aquele partido “socialista” grego que, por apoiar o austericídio econômico, cometeu suicídio político.
Entretanto, a crise dos partidos e dos sistemas de representação não é apenas francesa, é praticamente geral nas democracias. Nos EUA, Trump, um outsider de extrema direita, com um discurso feito sob medida para enganar trabalhadores desempregados, chegou ao poder, para surpresa de muitos. Na Grã-Bretanha, o Brexit, algo impensável há poucos anos, foi confirmado em plebiscito. Em toda a Europa, há descrença crescente na “política” e nos partidos tradicionais. Pululam aventureiros “apolíticos”, “novos políticos”, novos partidos com velhas ideias e pseudossoluções “técnicas” para problemas políticos.
Essa crise mundial da política é fruto, em grande parte, da crise econômica mundial. Com efeito, sempre que há uma grande crise econômica, intensa e persistente como a da atualidade, a democracia e os sistemas de representação sofrem considerável stress. Nessas circunstâncias, a capacidade da política de absorver e arbitrar conflitos, especialmente os conflitos distributivos, inerentes ao sistema capitalista, se fragiliza ou, em muitos casos, se esvai completamente.
Na crise dos anos 20 e 30, alguns sistemas políticos europeus simplesmente implodiram, dando lugar ao fascismo e ao nazismo, que levaram o mundo à gigantesca tragédia da Segunda Guerra Mundial. Nos EUA, entretanto, o sistema político foi salvo pelas políticas anticíclicas de Roosevelt.
Contudo, nesta crise política mundial, há um fator de base, mais profundo, que vai além da crise econômica.  Trata-se do que poderíamos denominar de a “despolitização da política econômica”. Com efeito, desde a década de 1980 que, em graus variados, os sistemas de representação política vêm “terceirizando” as decisões relevantes sobre a condução da economia para o “mercado” e “instituições independentes”, como bancos centrais dominados por grandes interesses financeiros privados.
Criaram-se, desde aquela época, “consensos técnicos” que consagraram, como racionais, desejáveis e inevitáveis, as políticas neoliberais amigáveis aos interesses do grande capital, especialmente do grande capital financeiro. Com isso, as decisões realmente relevantes sobre a condução das economias e dos países foram excluídas do sistema de representação e do controle da soberania popular, exercida pelo voto.  O “fim da História” apregoado por Francis Fukuyama, representou, na verdade, o fim da política.
Na Europa e nos EUA, a tradicional alternância entre partidos tradicionais de centro-esquerda e de centro-direita, deixou de ter qualquer incidência relevante sobre a política econômica e a vida das pessoas. Todos reproduziam, e reproduzem, em maior ou menor grau, a mesmice dos “consensos técnicos” e neoliberais. Na Europa, essa submissão ideológica das esquerdas tradicionais ao ideário neoliberal denominou-se “Terceira Via”.
Tudo isso resultou no aumento expressivo da desigualdade econômica e social, num incontido desemprego estrutural, e na “financeirização” e desregulamentação da acumulação do capital, fatores determinantes da pior crise mundial desde 1929.
No campo político, essa usurpação do controle da política econômica pelo voto resultou, em um primeiro momento, num crescente absenteísmo eleitoral e, agora, na crise, na descrença generalizada na política e na falta de credibilidade dos partidos e dos sistemas de representação. Os eleitores percebem que seus votos não fazem qualquer diferença em suas vidas. Tanto faz votar no partido A, B ou C, ou mesmo não votar. Nada muda.
A política que não cria reais alternativas de poder não é política, é apenas simulacro de democracia. É esse vazio político que está na origem da crise das democracias modernas. Assim, a crise mundial da política é, na realidade, a crise da falta de política. E a crise dos sistemas de representação é a crise da falta de representatividade dos sistemas políticos, que não dão voz efetiva aos votos colhidos.
No Brasil, para complicar, há duas jabuticabas: o golpe parlamentar e a Lava Jato.
O primeiro retirou da soberania popular qualquer controle sobre quaisquer políticas, não apenas a econômica. Sem um único voto, o consórcio golpista esta implantando, a toque de caixa, não somente medidas conjunturais draconianas de ajuste, mas medidas estruturantes, com efeito de longo prazo, talvez definitivos, em todas as áreas: educação, saúde, previdência, assistência social, trabalhista, proteção às minorias, meio ambiente, ciência e tecnologia, energia, política externa, etc.
Já a segunda retirou a credibilidade de toda a classe política brasileira e transferiu definitivamente a tomada de decisões do sistema de representação para um consórcio formado pelo grande capital, a mídia oligopolizada, procuradores messiânicos e juízes partidarizados.
No mundo inteiro, a superação da crise política e, por consequência, da crise econômica, passa pela capacidade dos sistemas de representação recapturarem a prerrogativa de tomar decisões relevantes, efetivas e inovadoras no campo econômico e, de resto, em todas as áreas. Num sentido geopolítico, essa superação implica devolver aos Estados Nacionais a capacidade decisória que fora transferida para o capital financeiro internacional e consagrada em tratados mundiais e regionais. É o que o chamado “populismo de direita” vem tentando fazer, porém de forma inteiramente estéril e equivocada. E, num sentido democrático maior, essa superação passa por devolver ao voto popular a capacidade efetiva de decidir os destinos do país.
Em outras palavras, a política de tem de recuperar a capacidade de criar, como diria Laclau, uma “identidade” popular que consiga que se antepor, numa disputa democrática real, ao establishment do capitalismo financeiro global e desregulamentado. Ou, se quiserem, a política real, como diz Chantal Mouffe, tem de substituir o vazio de escolhas da “pós-política” e a democracia tem de substituir a “pós-democracia” destituída de efetiva soberania popular.
Pois bem, no Brasil, esse processo de recuperação da política e da soberania popular, única forma de superar a crise, tem caráter emergencial e exige duas precondições: 1) realizar eleições e 2) evitar que “o golpe dentro do golpe” impeça a candidatura popular de Lula.
A experiência recente dos governos do PT mostra que o voto popular e a política podem fazer diferença. Podem mudar, para melhor, a vida das pessoas.
Gostem ou não de Lula, do PT e de outros partidos de esquerda, o fato concreto é o de que a sua pré-candidatura é única que, até agora, se apresenta com credibilidade suficiente para se antepor à agenda ultraneoliberal do golpe, a mesma que se esgotou nos EUA e na Europa. Todas as outras pré-candidaturas, com exceções pouco competitivas, se apresentam como mera continuidade do golpe. Votar eventualmente em Alckmin, Dória, Bolsonaro, Marina etc. seria votar nas mesmas políticas que vem sendo implantadas pelo consórcio golpista, com variações pouco significativas. Os partidos de direita tradicionais, os “novos” partidos, as “escolhas técnicas e apolíticas” e o nosso “populismo de direita” não se constituem em escolhas verdadeiras e alternativas reais ao que já está sendo concretizado pelo golpe.
Assim, tirar Lula da disputa no “tapetão” da Lava Jato messiânica e partidarizada representaria transformar as próximas eleições em simulacro de disputa real. Significaria apostar na “pós-política” contra a política e na “pós-democracia” contra a democracia. Significaria apostar, no fundo, no aprofundamento da crise política e democrática.
Lula, mesmo que perca, daria credibilidade à disputa política e legitimidade, durante algum tempo, a quem ganhar. Já uma disputa sem a candidatura popular de Lula será mais um desastre para a combalida democracia brasileira. A cassação de Lula seria a cassação da democracia.
O golpe e a Lava Jato já esticaram demais a corda das apostas irracionais. O Brasil está muito próximo de uma ruptura de consequências imprevisíveis.
O povo, cansado das promessas vazias do golpe, não engolirá uma cassação de Lula. Melhor, então, engolir o ódio irracional ao candidato do PT e começar a pensar com o cérebro.
O que restou da democracia brasileira agradece.
Publicado em: http://www.henriquefontana.com.br/2017/05/02/cassar-lula-e-cassar-a-democracia-e-a-politica-ou-a-crise-mundial-da-politica-e-o-brasil/

Nem só de pão viverá o homem





terça-feira, 9 de maio de 2017

Momento poético



Quando jura ser feita de verdades, 
Em minha amada creio, e sei que mente,
E passo assim por moço inexperiente,
Não versado em mundanas falsidades
Mas crendo em vão que ela me crê mais jovem 
Pois sabe bem que o tempo meu já míngua, Simplesmente acredito em falsa língua: 


E a patente verdade os dois removem. 
Por que razão infiel não se diz ela? 
Por que razão também escondo a idade? 
Oh, lei do amor fingir sinceridade 
E amante idoso os anos não revela. 
Por isso eu minto, e ela em falso jura, 
E sentimos lisonja na impostura.


William Shakespeare

Autorretrato


"Yo" cercado de gente boa e bonita

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Licença poética



Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Meu hobby é sonhar contigo todas as noites.

Nada, no entanto, produz contentamento tão grande quanto despertar para um novo dia e saber que posso sonhar contigo de olhos abertos.

É ter a certeza que poderei ganhar teus beijos, sem precisar roubar o mel da tua boca.

É notar tua presença ao meu lado para percorrermos a mesma estrada e de mãos dadas.


É constatar que inspiras minha escrita e que as mal traçadas linhas do meu corpo piram tua cabeça.

Rir é o melhor remédio





quinta-feira, 4 de maio de 2017

Ato político


Com a palavra o sempre eloquente e certeiro Tarso Genro...


Greve geral sinaliza novo rumo à esquerda



A importância desta primeira greve geral, “depois de duas décadas” – como disse a BBC\Londres – é que ela foi uma greve política. E o foi em toda a extensão legítima que esta palavra merece, embora não tenha sido tão perfeitamente política e intensamente noticiada como foram as mobilizações e arruaças de junho de 2013, orquestradas e apoiadas pelo oligopólio da mídia. Estas, chegaram a envolver uma parte da chamada “extrema-esquerda” (desconfiar sempre desta designação!) todos indignados com a “corrupção” e com a “gastança pública”, mas tanto as manifestações de junho de 2013, como as atuais – afora as provocações infiltradas e a violência policial – são aceitáveis e previsíveis em qualquer regime democrático e assim devem ser absorvidas. 
O que não é aceitável e previsível é que manifestações deste tipo sirvam para derrubar governos legítimos, para colocar em seu lugar uma Confederação de Investigados e Denunciados, com a missão de promover reformas encomendadas pelos  credores da dívida pública, que não só sequestraram o Estado Brasileiro, como vem derrubando – grão a grão – as conquistadas incrustadas na sua tímida Constituição Social. Mas a reação popular começou contra todas as previsões domesticadas dos cronistas da mídia tradicional, que agora já recarregam as baterias contra o PT e contra Lula. É o recurso sem futuro do golpismo pós-moderno. contra a democracia e a política, bloqueadas pelo jacobinismo de um Ministério Público que transforma os integrantes de todos os partidos, em abstrato, em moradores de um charco de interesses subalternos. 
O PT, como já disse várias vezes. não é uma comunidade de anjos e Lula não é nenhuma vestal. Mas até agora o PT não é nem o terceiro lugar no “ranking” dos investigados-denunciados – mesmo sendo o preferido da república de Curitiba – e de Lula não conseguiram localizar nenhuma conta no exterior, nenhum cofre com dólares, nenhum dinheiro ilícito recebido, como vem ocorrendo com eminentes líderes do golpe, subitamente desaparecidos das manchetes da grande mídia. 
O “New York Times” disse que foi uma greve contra “o Governo escandaloso de Michel Temer” e o Estadão, por seu turno, asseverou que foi uma “Manifestação contra reformas (que) afeta(ou) as grandes cidades e terminou em violência”. A leitura do New York Times é a leitura que a oposição democrática de esquerda faz da greve, a leitura do Estadão é a de João Dória, da direita neoliberal, dos empresários que apoiaram o golpe, do Governo Temer e dos seus nove ministros enrascados em investigações policiais e judiciais. Estes, enquanto não terminarem a suas tarefas reformistas liberais, ainda terão a comiseração da grande mídia, mas depois que as fizerem – se as fizerem – irão para o lixo da História, tanto aos olhos do povo prejudicado, como também aos olhos da mídia oligopólica, que dispensará os seus veneráveis serviços e possivelmente celebrará a jaulas que os receberem.   
O professor Pascual Serrano no seu opúsculo “Desinformação, como os meios de comunicação ocultam o mundo”, fez uma sentença lapidar para interpretarmos a cobertura que as mídias tradicionais fizeram da greve geral: “enquanto nos distraímos vendo pela televisão como os EUA bombardeiam o Iraque, matam seus filhos e se apoderam do seu petróleo, os EUA aproveitam para bombardear o Iraque, matar seus filhos e se apoderar do seu petróleo”. Adaptada ao Brasil, esta sentença quer dizer o seguinte, antes da greve geral: “enquanto os trabalhadores hipnotizados pela manipulação da informação vêem um Congresso totalmente ilegítimo e parcialmente corrupto sequestrar os seus direitos, o Congresso totalmente ilegítimo e parcialmente corrupto aproveita para sequestrar os seus direitos.” Mas as redes ruíram a desinformação organizada pelo liberal-rentismo e a greve geral foi um sucesso.
O que o Brasil também demonstra, com esta greve, é que as reformas liberal-rentistas – pelas quais os assalariados perdem algo do pouco que tem e se aproximam da miséria –  podem sofrer, aqui, uma dura resistência coletiva. Além dos trabalhadores terem aberto uma fenda nas lutas meramente corporativas -através da greve política – este mundo do trabalho tradicional pôde se comunicar com os trabalhadores da exclusão neoliberal: os informais, “autônomos”, precários, “meias-jornada”, os desempregados sem rumo e sem esperança, os estudantes da baixa classe média. Foi iniciada -através da nova linguagem das redes- a composição de uma nova pauta reformista, pela esquerda, não somente uma pauta de bloqueio ao sequestro de direitos. 
Com uma colaboração horizontal entre diferentes categorias do mundo do trabalho – velhas e novas,”antigas” e “modernas” – quem sabe aqui seja possível a esquerda redesenhar as utopias e recuperar a iniciativa, agora como vanguarda da democracia e república. Os operários dos setores mais tradicionais no capitalismo desenvolvido, que eram tidos como “sujeitos” de uma revolução socialista, estão sem perspectiva e vem se aproximando mais da direita de inspiração fascista, do que das esquerdas de inspiração libertária. No cinturão obreiro de Paris, 44% dos trabalhadores votaram em Mme.Le Pen (somente 14% em Melanchòn) e nos Estados Unidos os trabalhadores dos setores tradicionais elegeram Trump à Presidência, todos formando os seus juízos de valor político inspirados nas relações com o mercado, não mais nas lutas corporativas da fábrica moderna.
A austeridade comandada pela mídia oligopólica sequer é uma austeridade repartida entre os diversos sujeitos sociais e os grandes capitalistas locais e mundiais. É uma austeridade concentrada naqueles que dependem, para viver, da existência – ainda que não exemplar – dos serviços públicos e dos investimentos do Estado na proteção social, em políticas de inclusão e em obras públicas que melhorem a vida nas grandes regiões metropolitanas. Estes, agora, começaram a falar. O que resta saber é se saberemos concertar uma grande Frente política, com hegemonia democrática de esquerda, que se apoie e oriente os setores majoritários da sociedade em torno da democracia e república, para dois grandes movimentos, diferentes mas harmônicos entre si: sair da crise política de forma pactuada, sem violência e sem Temer, e ganhar as eleições com um candidato que empolgue a maioria do povo, para repactuar nosso projeto de nação.
Tarso Genro foi Governador do Estado do Rio Grande do Sul, prefeito de Porto Alegre, Ministro da Justiça, Ministro da Educação e Ministro das Relações Institucionais do Brasil.

Publicado originalmente no Sul21: http://www.sul21.com.br/jornal/greve-geral-sinaliza-novo-rumo-esquerda/

Pitada filosófica



Momento poético



RECOMEÇAR

Não importa onde você parou…
em que momento da vida você cansou…
o que importa é que sempre é possível e
necessário “Recomeçar”.

Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo…
é renovar as esperanças na vida e o mais importante…
acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
foi aprendizado…
Chorou muito?
foi limpeza da alma…

Ficou com raiva das pessoas?
foi para perdoá-las um dia…

Sentiu-se só por diversas vezes?
é porque fechaste a porta até para os anjos…
Acreditou que tudo estava perdido?
era o início da tua melhora…
Pois é…agora é hora de reiniciar…de pensar na luz…
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Que tal
Um corte de cabelo arrojado…diferente?
Um novo curso…ou aquele velho desejo de aprender a
pintar…desenhar…dominar o computador…
ou qualquer outra coisa…

Olha quanto desafio…quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te
esperando.

Tá se sentindo sozinho?
besteira…tem tanta gente que você afastou com o
seu “período de isolamento”…
tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu
para “chegar” perto de você.

Quando nos trancamos na tristeza…
nem nós mesmos nos suportamos…
ficamos horríveis…
o mal humor vai comendo nosso fígado…
até a boca fica amarga.
Recomeçar…hoje é um bom dia para começar novos
desafios.
Onde você quer chegar? ir alto…sonhe alto… queira o
melhor do melhor… queira coisas boas para a vida… pensando assim
trazemos prá nós aquilo que desejamos… se pensamos pequeno…
coisas pequenas teremos…
já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente
lutarmos pelo melhor…
o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da faxina mental…
joga fora tudo que te prende ao passado… ao mundinho
de coisas tristes…
fotos…peças de roupa, papel de bala…ingressos de
cinema, bilhetes de viagens… e toda aquela tranqueira que guardamos
quando nos julgamos apaixonados… jogue tudo fora… mas principalmente… esvazie seu coração… fique pronto para a vida… para um novo amor… Lembre-se somos apaixonáveis… somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes… afinal de contas… Nós somos o “Amor”…
” Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do
tamanho da minha altura.”


Carlos Drummond de Andrade.