segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Licença poética



Peço licença novamente para entregar-lhes outras palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...

Jurei de pés juntos juntar todos os meus cacos para colar na tua vida.

Promessa cumprida, ainda que se diga que o resultado não é nenhuma obra de arte.

Parada pedagógica



sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Coxinhas e mortadelas juntos?


Não falta quem questione ou condene o fato do PT fazer parte do governo municipal encabeçado pelo PSDB. De fato, especialmente no momento político atual do país, essa parceria soa ainda mais estranha e indesejável. Afinal, no plano nacional os tucanos foram um dos principais avalistas e ativistas do golpe contra a presidenta eleita legitimamente, Dilma Rousseff (PT). No entanto, além das peculiaridades locais, existem outras razões muito maiores que a mera disputa partidária que une as duas siglas na Sentinela da Fronteira.

Para começo de conversa, a aliança do PT não é pura e simplesmente com o PSDB. Em 2011, ainda durante o primeiro governo de Ildo Sallaberry (PP), o Partido dos Trabalhadores, após longo debate e decisão amplamente majoritária dos seus filiados, decidiu fazer parte da administração e compor com o grupo político que vinha promovendo enormes avanços e conquistas em todos os cantos da terra hervalense, com apoio e grande volume de recursos ofertados pelos governos Dilma e Tarso. Grupo político, então, encabeçado pelo PP e composto por PSDB e DEM que, além do PT, acabara quase que concomitantemente por ser reforçado pelo PPL. Com isso, o prefeito Ildo recompunha a base de apoio – uma vez que PMDB e PTB preferiram se “bandear para a oposição” –, e ainda promovia um estreitamento maior das relações e o aumento da parceria com os governos federal e estadual da época.

Desta forma, esse casamento político logo se mostrou saudável e bem-sucedido, na medida em que Herval acabou sendo o maior vencedor e beneficiário do mesmo, algo facilmente comprovado pelas obras e investimentos realizados a olhos vistos na cidade e no campo dali em diante, bem como pelos inúmeros gestos de lealdade, respeito e admiração recíprocos, representando mais que a tão almejada eficiência e resultados administrativos, mas também o rompimento com a velha política da chantagem ou do “toma lá dá cá” e numa demonstração concreta de que a política pode ser boa e que os diferentes podem somar forças e esforços em benefício da coletividade.

Por tudo isso, nada mais natural que o PT permanecesse junto no momento desse grupo político escolher o sucessor do prefeito Ildo. Uma escolha, diga-se de passagem, cujo nome indicado para se submeter às urnas em 2016 foi feita com base no resultado de uma enquete que consultou a opinião pública sobre o assunto, e não por meia dúzia de caciques fechados entre quatro paredes. Ademais, além das questões de ordem estritamente ideológicas e do calor da batalha política histérica que atrasou e contaminou o país de norte a sul, não havia razões para o PT se apartar desse grupo político coeso e que tanto bem havia feito a Herval, no sentido administrativo e político, conforme já fora dito. A saída do PT desse grupo aquela altura é que representaria uma espécie de golpe e os petistas prezam pelo jogo político limpo e na bola, rechaçando qualquer tipo de golpe ou decisão oportunista.

Além disso, também pesou na balança dos petistas o tamanho do PSDB em Herval. Ou seja, sem nenhum menosprezo ou subestimação da força, o fato é que o PSDB ainda não decolou e até o presente momento em solo hervalense pode ser considerado um partido nanico. Até aqui o partido ainda não elegeu nenhum vereador (até teve um na última legislatura, porém eleito por outra sigla). Situação que se repetiu no último pleito sendo que, na prática, o tucanos tem atualmente o prefeito mais um ou dois cargos no primeiro escalão do governo e depende totalmente dos aliados para assegurar a governabilidade e as definições políticas, tanto no legislativo quanto no executivo.

O presente escrito, porém, não tem a pretensão de responder todos os questionamentos ou aspectos que envolvem uma engenharia política tão complexa ou contraditória na visão de muitos. Na verdade, como petista, reafirmo o caráter republicano e o acerto dessa composição política, nem tanto sob o ponto de vista partidário, mas principalmente pelos bons frutos já colhidos na esfera administrativa e pelo que ela representa de possibilidades de construir ainda mais mudanças positivas e novos avanços para o nosso amado Herval.

Cenas da vida inventada





Rir é o melhor remédio



quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Momento poético



CANÇÃO DO AMOR SERENO (Lya Luft)


Vem sem receio: Eu Te Recebo...

Como um dom dos deuses do deserto
que decretaram minha trégua,
e permitiram que o mel de teus olhos me invadisse.

Quero que o meu amor te faça livre,
Que meus dedos não te prendam,
mas contornem teu raro perfil,
como lábios tocam um anel sagrado.

Quero que o meu amor te seja enfeite e conforto,
porto de partida para a fundação do teu reino
em que a sombra seja abrigo e ilha.

Quero que o meu amor te seja leve
Como se dançasse numa praia uma menina.


terça-feira, 14 de novembro de 2017

Música para os meus ouvidos


O acaso me deixou na porta da tua casa...




Pitada filosófica



Ato político


Lula lá sempre!!! E não se trata de paixão cega ou partidarismo xiita, como querem fazer crer os partidaristas xiitas e patrocinadores do atraso que voltou depois de uma década de avanços sob a luz apontada e a liderança de Luís Inácio Lula da Silva. 

Trata-se, antes de tudo, de respeito aos princípios democráticos e do direito que os paneleiros querem atropelar no afã de condenar apenas petistas e passar a mão por cima dos ladrões de outras siglas pegos em flagrante ou contra os quais foram descobertas provas fartas, cujos exemplos não faltam e estão diante dos olhos de todos. Basta olhar e ver.

Contra Lula, ao contrário, a única coisa concreta até aqui - depois de décadas de devassa na vida pública e privada - é a desde sempre sede das forças mais conservadoras do país de torná-lo um criminoso sem crime e, mais recentemente, a estranha validação de acusações contra Lula as quais vem sempre e curiosamente de presos e condenados sob o controle do juiz (?) Sérgio Moro.

Estou com Lula, sobretudo, por tudo de bom que Lula já fez pelo Brasil, que o tornaram o melhor presidente da história do país e um dos maiores líderes mundiais de todos os tempos. Quem não gosta de Lula, deveria ao menos respeitá-lo. Quem quer derrotar Lula, deveria pelo menos jogar na bola, como o fazem os humanos dignos de respeito e como sempre fez o próprio Lula, ao invés de apelar para esse vergonhoso jogo baixo que apenas revela a pequenez e o caráter sórdido dos seus mais ferozes adversários.


A inocência de Lula e do povo brasileiro
Por Emir Sader


Lula é inocente. Nunca ninguém foi tão acusado, perseguido, nunca ninguém teve tanto sua vida e suas atividades públicas tão vasculhadas, seu nome tão objeto de tentativas de destruição da sua reputação e nunca ninguém se saiu tão airoso. Como diz ele, conseguiu provar sua inocência, sem que os seus acusadores tenham provado sua culpa.

Lula é tão inocente como qualquer pessoa do povo brasileiro, como qualquer trabalhador, que vive do seu trabalho, da sua atividades, sem explorar a ninguém. Lula é inocente como o povo brasileiro.

Buscando espaço próprio no cenário politico alguns, ao invés de disputar com o Lula na capacidade de liderança, de empatia com o povo, de disputar com propostas para resgate da democracia e reconstrução do país, se dedicam a atacar o Lula, que seria responsável praticamente do golpe.

Visões políticas de baixo nível teórico e político não entendem como se constrói a hegemonia de um projeto popular. Vivem de afirmações estrondosas, que tem efeito de minutos na internet, depois desaparecem. Lula construiu a arquitetura que permitiu à esquerda, apesar de minoritária no Congresso, viabilizar o período mais virtuoso da história brasileira. Nos seus dois mandatos, o programa da esquerda foi hegemônico – crescimento econômico com distribuição de renda, recuperação do papel do Estado, politica externa soberana -, contando com um grande bloco social e politico.

No mandato da Dilma, a aliança se manteve. Não foi o PT que escolheu o vice da Dilma. O PT formulou o programa de continuidade com o governo Lula, que foi aceito pelo PMDB, que indicou seu presidente, Temer, como vice, dentro do programa do PT, como voltaria a ocorrer em 2014.

Demagogia barata dizer que o Lula escolheu o Temer como vice e que seria o responsável pela crise atual, visão de quem não entende nada do que aconteceu no país neste século e de quem rejeita as alianças, sem saber da sua importância e de que o que define sua natureza é saber quem detém a hegemonia. Dilma foi perdendo essa hegemonia ao longo do seu mandato, com o PMDB mudando sua correlação de forças interna, até desembocar na ruptura e no golpe.

Paralelamente às acusações ao Lula, passaram a correr acusações ao povo brasileiro. Que seria passivo, "banana", segundo a desastrada capa de uma revista. Se acusa o povo brasileiro de não reagir a tudo o que sofre, quase de ser cúmplice do golpe, até mesmo, alguns, de que porque as elites são corruptas, o próprio povo o seria ou seria complacente com a corrupção. Um pouco mais e vão pedir a dissolução do povo brasileiro.

Um problema comum a praticamente todos os governos anti neoliberais da América Latina é o de que beneficiários de suas políticas sociais não votam nos candidatos dos governos que levaram a cabo essas politicas, que mudaram tão positivamente suas vidas. Uns atribuem a culpa ao povo, ingratos, que não reconhecem os responsáveis por essas políticas.

Pelo sucesso dessas politicas em todos os países de governos neoliberais, estes deveriam sempre vencer as eleições e ter cada vez mais bases populares mais amplas de apoio. O que não somente não tem acontecido, como tem ocorrido o oposto: os triunfos eleitorais tem sido por margens menores e tem havidos vários casos de derrotas.

Ainda que reconheçam que suas vidas melhoraram e de forma significativa, não atribuem isso à mudança de governo e a políticas que os novos governos implementaram. Ou porque naturalizaram essas políticas como se fossem direitos perenes de todos ou porque atribuem as mudanças a fatores outros – a Deus, a seu próprio esforço, entre outros.

Corre na internet, amplamente, a criminalização do pobre que vota em candidatos da direita, como se a culpa fosse deles. Os próprios meios de imprensa que são incapazes de chegar ao povo e não tem nenhuma influencia sobre eles, acusam os pobres de ser "bananas".

Quando os pobres não votam na esquerda, a culpa é da esquerda, que não conseguiu chegar até eles e convence-los de seus argumentos.

Lula e o povo brasileiro são inocentes. Consultado, o povo brasileiro, com maioria cada vez mais ampla, escolhe a Lula como alternativa para dirigir o Brasil de novo.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Nem só de pão viverá o homem





Licença poética



Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...

Não te descobri em abril, mas me sinto febril desde que teu sol abriu para mim. No bom e no mais acalorado sentido.
Surgisses em outubro quando tudo andava turvo, fazendo a primavera finalmente florir e encher de cor.
Maio é teu mês, minha linda... O mesmo maio dos namorados que celebra e resplandece o amor!

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Momento poético



É assim que te quero

É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nossos lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

(Pablo Neruda)


Altas conexões



quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Música para os meus ouvidos


Amores falsos não quero mais, mesmo que sejam sinceros. Prefiro amores de verdade, ainda que sejam fracos ou feitos para acabar.





Ato político


Jeferson Miola: O preço do impeachment e o valor do STF



Lúcio Funaro adicionou novas informações sobre o preço que Cunha, Temer, Padilha, Geddel e outros golpistas peemedebistas e tucanos pagaram para a aprovação do  impeachment fraudulento.
O operador da organização criminosa revelou que Eduardo Cunha lhe pediu R$ 1 milhão para comprar o voto de alguns deputados a favor da fraude, quando o processo já tramitava na Câmara.
Além deste valor, e antes disso, outras dezenas de milhões de dólares foram investidas na conspiração que derrubou a Presidente Dilma – sabe-se hoje, uma cifra bastante superior àquela “sobra”/“troco” de R$ 51 milhões guardados num apartamento pelo ex-ministro Geddel:
– na eleição de 2014, boa quantia de dinheiro arrecadado [legalmente, via caixa 2 ou propina] pelo banco de corrupção de políticos foi apostado na compra da eleição de uma numerosa bancada anti-Dilma na Câmara.
– outra montanha de dinheiro foi investida na compra dos votos de deputados para elegerem Eduardo Cunha à presidência da Câmara – passo que se demonstrou essencial na evolução da trama conspirativa e no funcionamento da engrenagem golpista.
Qualquer que seja o ângulo de observação da realidade chega-se à conclusão que o impeachment foi uma das mais burlescas farsas políticas da história do Brasil: [1] faltou-lhe fundamentação fática, legal e constitucional; porque não existiu e nunca foi demonstrado crime de responsabilidade, e [2] a maioria composta por 367 deputados que aprovaram a farsa em 17 de abril de 2016 foi comprada.
É notório que o impeachment só prosperou porque a Suprema Corte foi condescendente com esta farsa – ou cúmplice, na visão de alguns analistas.
Sobraram motivos, alegações e pedidos para que o STF interrompesse aquela violência perpetrada contra o Estado de Direito, porém os 11 juízes simplesmente lavaram as mãos, permitindo que o mandato conferido a Dilma por 54.501.318 votos fosse usurpado pela cleptocracia que tomou de assalto o poder.
Com obscurantismo jurídico, o STF se recusou a analisar o mérito do impeachment; optou por não se pronunciar quanto à absoluta inexistência de fundamentos jurídicos para o pedido acolhido pelo então presidente da Câmara em dissonância com a Constituição e as Leis do país.
Hoje sobram razões para se anular o golpe de 2016. Ao que tudo indica, todavia, mesmo com o robustecimento das provas, evidências e indícios da compra da maioria parlamentar que aprovou a fraude do impeachment, a Suprema Corte continuará onde sempre esteve: condescendente – ou cúmplice – com o golpe.
O preço do impeachment é conhecido, assim como é sabido o valor desprezível do STF na preservação da democracia e do Estado de Direito.
O sistema político-jurídico está inteiramente apodrecido. Além de eleições limpas para restaurar a democracia, é urgente uma Assembléia Nacional Constituinte com prioridade nas reformas política, tributária, do judiciário e para a democratização da comunicação e da informação pública.

Por Jeferson Miola, integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea) e ex-coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial, em post em sua página pessoal no Facebook.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Pitada filosófica



Licença poética



Peço licença novamente para entregar-lhes outras palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


O mundo não para de desabar lá fora:
Chuva, raios, trovoadas, vento...
Entretanto, tempo feio não me apavora e enfrento qualquer clima para curtir teu clima e teu clímax.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Ato político



Gleisi Hoffmann: A solução virá com um estadista do povo


As sucessivas trapalhadas, gafes internacionais, desmontes do estado, dos programas sociais e as medidas que sacrificam à exaustão a capacidade de recuperação da economia brasileira e o bolso da população, promovidas pelo governo que está aí, trazem para o cenário de 2018 uma certeza: precisamos recuperar com urgência, internamente e lá fora, a confiança no Brasil. Não com discursos demagógicos, bizarros, moralistas, simplistas e irresponsáveis, mas com a seriedade que só a postura e os compromissos de um verdadeiro estadista do povo podem assegurar. E o presidente Lula, em seu governo, já demonstrou ser possível fazer.
Se as eleições presidenciais fossem hoje, de acordo com a mais recente sondagem do IbopeLula alcançaria 35% das intenções de voto na consulta estimulada, contra o segundo colocado nessa disputa, que teria apenas 13%. Mais uma vez os institutos de pesquisa confirmam o que as imagens da caravana de Lula Pelo Brasil, nas edições do Nordeste e de Minas Gerais, retratam, ou seja, sua popularidade e o apelo do povo por uma condução responsável, sensível às necessidades da população e séria na condução dos rumos do País. Quase como um grito de socorro.
Lula fez dois governos com responsabilidade na área fiscal e com superávit todos os anos. Mas priorizou a área social, a educação, a saúde, a assistência. Conciliou desenvolvimento e inclusão social. Valorizou o salário mínimo e aumentou muito os investimentos em infraestrutura. Por isso, tirou o Brasil do mapa da fome, para onde vergonhosamente estamos de volta.
A farsa da tal da política de austeridade e o disparate do teto de gastos alardeados pelo golpe não colam mais. Quanto se gastou para rejeitar as denúncias contra Temer e de onde saiu esse dinheiro? As pessoas questionam, mas as autoridades e boa parte da imprensa se calam.
Os setores empresariais, em especial aqueles que acreditaram que as reformas propostas seriam a tábua de salvação na crise e que promoveriam uma política fiscal que lhes favorecesse, inclusive anulando direitos sociais constitucionais, também já desencantaram. Esse teto de gastos foi pensado para ser cumprido com uma reforma previdenciária que massacrasse o povo pobre, mas que não mexesse um centímetro nos tantos privilégios que existem.
Nas andanças por Minas, Lula disse que quer mudar isso. Não tem como manter esse teto de gastos assim, sem parar todos os programas sociais, como Temer está fazendo; sem minguar o orçamento das universidades, a ponto delas fecharem as portas em um curtíssimo prazo; sem deixar de financiar a ciência e a tecnologia e sem deixar de investir em setores estratégicos do desenvolvimento e da soberania nacional. Se continuar dessa forma, o teto de gastos se transformará na extrema-unção da qualidade de vida do povo brasileiro. Um povo fadado ao desengano com relação ao seu futuro.
Não é a crueldade das medidas de reforma previdenciária, penalizando os pobres, as mulheres e as categorias diferenciadas pela natureza do trabalho pesado que exercem, a solução para os problemas do País. Muito pelo contrário. É possível fazer diferente, de forma equilibrada, justa e de modo a promover inclusão social, em vez dos privilégios. Tão pouco reduzindo o estado a fantoche de interesses externos. Não mesmo!
A quem serve o governo ilegítimo de Michel Temer, afinal? Ao mercado financeiro, aos ruralistas, grandes empresários, ao capital estrangeiro, especificamente os interesses norte-americanos, e a 300 parlamentares subordinados a esses mesmos comandos e de olho apenas nas vantagens individuais e imediatistas que puderem obter.
Digo e repito: precisamos urgentemente resgatar a confiança na seriedade e na responsabilidade do Brasil com sua economia e com sua gente. E a solução virá com um estadista do povo. Com um governo que novamente represente a grandeza desse gigante não mais adormecido, mas violentado e massacrado no seu direito de existir e de se desenvolver.
* Artigo originalmente publicado no Blog do Esmael
Gleisi Hoffmann é senadora (PT-PR) e presidenta nacional do PT

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Momento poético



As sem-razões do amor


Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


Carlos Drummond de Andrade

Altas conexões




quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Autorretrato


El tocador que usa o violão como instrumento para tocar um coração

Ato político


A briga e a revolta não eram em favor da decência no país? De jeito maneira. Como muitos avisaram, a briga sempre foi para criar um clima de histeria coletiva, de modo a permitir a volta dos indecentes ao poder, uma vez que pela via do voto os caminhos haviam se fechado para eles.

Tudo friamente calculado, gravado e amparado na fúria seletiva dos patos batedores de panela. Tudo parte do '"acordão nacional" com Supremo com tudo, como anunciou um dos mentores e próceres do golpe, Romero Jucá.

É o que lembra, com todas as letras, o sempre lúcido Juremir Machado da Silva...


Aécio, o grande escândalo


 Eu acreditei piamente que as pessoas batiam panelas e se vestiam de verde-amarelo, enchendo parques e avenidas, contra a corrupção. Acreditei ingenuamente que estavam acima de partidos e ideologias em luta pela justiça, pela transparência e pela punição aos saqueadores da nação.
Eu acreditei francamente que seriam coerentes e fariam o mesmo cada vez que uma situação equivalente se apresentasse. As decepções não tardaram.
Apareceram denúncias pesadas contra o presidente Michel Temer. Nenhuma panela bateu. Surgiu a mais impressionante série de provas gravada contra um senador, Aécio Neves. Silêncio absoluto. Nenhuma camiseta da CBF nas ruas. Tudo vazio.
Dilma Rousseff foi derrubada pelos eleitores de Aécio Neves. Por que panelas não bateram e não batem agora que a máscara do tucano caiu? Por que panelas não ecoam agora que Michel Temer será julgado, e salvo, pela segunda na Câmara dos Deputados sob graves acusações de corrupção? Vale lembrar que Dilma não foi derrubada sob acusação direta de qualquer ato de corrupção, mas pelas pedaladas fiscais. O que é mais grave: pagar compromissos governamentais com adiantamentos de bancos públicos sempre reembolsados ou receber propina de empresários? Os senadores que salvaram Aécio são os mesmos que afundaram Dilma em nome da moral. Por que as panelas não batem agora? Onde andam os jovens líderes de movimentos ditos apartidários em defesa de um Brasil limpo, novo, livre do cancro de políticos ladrões?
Eu acreditei realmente que a classe média brasileira não se deixaria novamente manipular, como acontecera em 1964, e que trataria todos da mesma maneira, com o mesmo rigor e a mesma convicção. O que tem feito Temer para merecer leniência? Tentou liberar uma reserva na Amazônia para a exploração total de minérios. Resolveu proteger o trabalho escravo. Não cobra uma dívida de 29 bilhões de ITR de ruralistas. Aprovou uma reforma trabalhista que precariza a vida da plebe. Vai insistir numa reforma da Previdência que levará muitos a morrer sem se aposentar. Corta verbas da pesquisa e da educação. Temer é o presidente dos sonhos do mercado. Que interessa a corrupção?
O STF prendeu Delcídio Amaral e afastou Eduardo Cunha sem consultar o parlamento. Primeiro deixou Cunha derrubar Dilma. Era útil. Quando chegou no queridinho Aécio, devolveu a decisão para o Senado, que tratou de salvar o parceiro tornando-se definitivamente a instituição mais desmoralizada do país e talvez do mundo. O STF provou que nossa justiça tem lado, classe e ideologia. Quando interessa, respeita a Constituição. Quando convém, atropela a Carta Magna sem o menor constrangimento em nome de algum entendimento alternativo. O caso Aécio é o maior escândalo da história da justiça e do parlamento brasileiros. O caso Temer vem a seguir. Sem contar o impeachment de Dilma, uma armação que levou ao poder um grupo crivado de comprometimentos judiciais. Vários do ministério inicial já estão na cadeia. A farra continua.
As panelas cozinham. A fúria moral passou.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Nem só de pão viverá o homem





Licença poética

Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Invade minhas veias e bebe os versos que se misturam aos glóbulos do meu sangue.

Bebe e, nessa alquimia, transforma minha seiva poética numa safra insuperável de sonetos.

Bebe lentamente e com gosto. Bebe e sorve e saboreia e engole tudo.

Até revirar meus olhos!

Até a última gota!

Até me virar do avesso!

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Momento poético



AMOR FEINHO

Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero um amor feinho.


(Do livro Bagagem. Rio de Janeiro: Record, 2011. p. 97)

Altas conexões



quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Ato político


A capacidade de pensar é o que nos distingue ou deveria distinguir dos bichos, algo cada vez mais raro e raso nesses tempos de histeria coletiva e tantas mentes formadas pelas opiniões interessadamente publicadas, postadas ou televisionadas.

Não percamos ou recuperemos a capacidade de pensar. Do contrário, logo ali estaremos parindo lobos ou vice-versa.

Eis a seguir um artigo que convida a pensar sobre política, a boa política, algo mais necessário que nunca. Afinal, política não é vilã da história. De certo não é nenhuma santa, mas política é elo que ligo pessoas e nações, tornando-nos mais humanos e conectados com os interesses que vão além do nosso próprio umbigo ou de pequenos grupos ou tribos.

O mal que muitos atribuem à política, não é causado nem culpa dela em si mesma. Na verdade, é a falta da política que instaura o caos e a histeria. É quando a política se ausenta ou é surrupiada que o bicho pega, pois não existe vácuo em termos de relações humanas e quando a política perde a vez o que existe é a guerra, a cacicagem, a negociata com aquilo que é público. Exatamente o que aconteceu no Brasil do golpe. E não por acaso, tudo friamente calculado por quem sabe que a política pode e deve ser ferramenta de humanização e inclusão de uma legião de pessoas historicamente invisíveis que, finalmente, vinham tendo alguma voz e vez.


Quem aplaudiu Obama tem que aplaudir Lula


O ex-presidente americano Barack Obama esteve no Brasil, num evento fechado aos políticos nacionais. Ele não queria, provavelmente, misturar sua imagem aos envolvidos, justamente ou não, na operação Lava Jato.

Curioso que tenha diagnosticado, segundo relato do colunista Igor Gielow, na Folha de São Paulo, a distância entre os cidadãos e o poder político como o combustível que alimenta o crescimento de movimentos autoritários nos EUA.
Outro ex-presidente, Lula, tem dito isso por onde passa:
-Descontentes com a política? Engaje-se nela, aconselha sempre aos mais jovens.
Obama disse que os frutos do divórcio entre o sistema político e as pessoas também estão presentes no Brasil.
Sabemos disso, Mr. President. Enquanto muitos fingem não ver, Jair Bolsonaro é a alternativa imediata caso Lulaseja cassado. E é Lula  quem pode, pelo seu histórico no governo, evitar o que Obama identificou como seu maior arrependimento no poder: não ter sido capaz de aproximar pessoas em polos opostos do espectro político. “Democracia é duro”. Sim, ainda mais quando, por meio dela, concilia-se sair do Mapa da Fome com virar credor do FMI, sem pedir ano a ano para o Congresso aumentar o teto de endividamento.

Obama disse, a respeito de sua gestão, que “Fomos bem-sucedidos em evitar uma grande depressão, mas não foi tão rápido assim, e as pessoas foram para cada uma para seu canto”. Pois que aqui Lula evitou rapidamente a contaminação, com a economia chegando a crescer 7,5% em 2009, usando métodos semelhantes.

Obama disse ser impossível argumentar com quem rejeita a ciência do aquecimento global, como o republicano Donald Trump. E, exatamente no Brasil, houve êxito em reduzir o desmatamento da Amazônia e protagonismo no Acordo de Paris, não por obra dos que podem assumir o governo brasileiro caso Lula seja interditado.

A Internet no Brasil também  “tribalizou a política”, com “o ódio espalhado pelas redes” contra quem fez uma gestão com vários pontos convergentes com a do presidente afro-americano, principalmente pondo em destaque a necessidade de atender aqueles que ficam para trás na globalização, pois “Em um mundo em que 1% detêm a riqueza, há instabilidade política”.
Não à toa, o Bolsa Família nacional virou exemplo recomendado pelo Banco Mundial para mitigar esta dramática realidade, tal como os grandes investimentos em seguridade social, como – e até mais estruturantes que – o Obamacare, que Trump quer desmontar (e por estas terras já está sendo posto abaixo por Michel Temer).
Se isto é “capitalismo liberal” na terra do Tio Sam, na de Zé Carioca se chama “lulismo”.
O acordo nuclear com o Irã é realmente exemplo de como a diplomacia pode suplantar o poderio bélico. E foi Lula quem plantou esta semente com Erdogan, chefe de Estado da Turquia.
E se soluções diplomáticas são preferíveis às situações como a crise envolvendo a Coréia do Norte, conforme palestrou Obama, a analogia cabe para com a da Venezuela, na qual Trump também prefere tanques e aviões, quando Lula ofertou, em seu tempo, um grupo de amigos.
Por saber das dificuldades do processo decisório no mundo, para a qual não faltam “soluções técnicas”, mas sim políticas, segundo Obama, Lula criou, no início do seu primeiro mandato, um conselho de desenvolvimento econômico e social para concertar distintos interesses e mediou as reconhecidas políticas de desenvolvimento.
A fome na África poderia ser resolvida em alguns países se os povos “não estivessem atirando um nos outros”. Uma verdade dita pelo ex-presidente Democrata. E, no Brasil, a pobreza extrema chegou próximo à erradicação por causa de políticas sociais que substituíram o tratamento aos mais pobres como caso de polícia.
Obama disse não querer “insultar” países com grandes recursos naturais e educação falha —referência clara ao Brasil (de acordo com o colunista já mencionado) e, após fazer citações futebolísticas, uma característica de Lula, disse que “não se ganha a Copa do Mundo” se “você deixar metade de seu time para trás”.
Segundo Gielow, ele se referia à falta de políticas para a inclusão educacional de mulheres e também de negros.
Houve muita resistência do status quo, mas Lula bancou diversas políticas para incluir negros e mulheres, como o Prouni ou a Lei Maria da Penha. A sucessora dele vinculou royalties do pré-sal à educação e ciência & tecnologia.
Diz-se que Obama recebera um cachê de US$ 400 mil para promover um governo – o dele – na terra do líder a quem chamou de “My man” na frente das 20 maiores economias do mundo.
Este recebia 200 mil para palestrar sobre seu sucesso à frente não do gigante do Norte, mas o do Sul.
O público – empresários e alguns atores políticos – da mesma forma, eram parecidos. Mas uma operação que gerou, por algumas distorções abusivas, o risco do Brasil cair nas mãos do autoritarismo, criminalizou aquela iniciativa.
Ao que parece, em São Paulo a plateia não deve ter gostado do que ouviu. Ou, então, certamente votará em Lula no ano que vem e, antes, fará oposição à caçada judicial em curso.

Sim, porque a palestra, cujo ingresso custou entre 5 a 7,5 mil reais  (enquanto Lula fala ao povo gratuitamente em caravanas regionais), bem que poderia ter sido feita pelo líder das pesquisas para 2018.

Por fim, nada contra recrutar jovens líderes da Fundação Lehmann. Porém, com certeza, jovens sindicalistas, sem-teto, sem-terra, fariam um belíssimo trabalho sendo o objetivo uma liderança progressista internacional.
É com eles que Lula pretende unir dois slogans de sucesso recente nos Estados Unidos: sim, podemos ser grandes outra vez.

Wasny de Roure, economista, deputado distrital e líder no PT na Câmara Legislativa do DF