quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Altas conexões



Peço licença novamente para entregar-lhes outras palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Posso ser teu fã, teu súdito, teu fogo simbólico, teu farol, teu transatlântico, tua nave espacial, teu fiel escudeiro, teu oásis, teu pombo correio... teu prato predileto, tua canção preferida, tua coberta, teu anjo da guarda, teu gênio da lâmpada, tua internet ilimitada... teu cartão de crédito, teu aplicativo, tua volta ao mundo, teu espelho, tua maquiagem, tua roupa íntima...


Para satisfazer tuas vontades ou necessidades, posso ter mil e uma utilidades.

Autorretrato


Vão-se as flores, mas a primavera sempre volta. Assim é a vida!

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Rir é o melhor remédio





Cenas da vida inventada





Momento poético


Ainda que Mal


Ainda que mal pergunte, 
ainda que mal respondas; 
ainda que mal te entenda, 
ainda que mal repitas; 
ainda que mal insista, 
ainda que mal desculpes; 
ainda que mal me exprima, 
ainda que mal me julgues; 
ainda que mal me mostre, 
ainda que mal me vejas; 
ainda que mal te encare, 
ainda que mal te furtes; 
ainda que mal te siga, 
ainda que mal te voltes; 
ainda que mal te ame, 
ainda que mal o saibas; 
ainda que mal te agarre, 
ainda que mal te mates; 
ainda assim te pergunto 
e me queimando em teu seio, 
me salvo e me dano: amor. 

Carlos Drummond de Andrade, in 'As Impurezas do Branco' 

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Andamos muito, mas ainda falta chegar lá



Durante os governos Lula e Dilma, o saneamento rural entrou na agenda de investimentos permanentes do país e se tornou uma política pública importante nos quatro cantos do Brasil. Assim, no ano de 2007 Herval foi contemplado, através do PAC I, com recursos de cerca de R$ 300 mil para instalação de sistema simplificado de abastecimento de água (poço artesiano, mecanismos de adução e caixa para a reservação) nos assentamentos São Virgílio, Cerro Azul e Santa Rita III. Contudo, pendências administrativas da gestão local da época – que deixou o município por quatro anos estacionado no SPC das prefeituras – inviabilizaram o andamento do projeto naquele momento.

Em 2009, Ildo Sallaberry assumiu o comando da prefeitura e as coisas começaram a andar. Após cumprir as exigências técnicas e administrativas do projeto, em 2012 fora realizada a primeira licitação visando à contratação de empresa para executar a obra, não aparecendo nenhum interessado. Na sequência, procedeu-se a realização de um segundo processo licitatório e uma empresa cumpriu os requisitos do edital e chegou assinar o respectivo contrato de prestação de serviços. No entanto, após a assinatura do contrato, essa empresa passou a exigir da prefeitura uma complementação de recursos para iniciar a obra, fato que motivou a rescisão do contrato no final de 2012.

Ainda em 2012, Herval foi novamente contemplado com recursos para investimento em saneamento rural. Desta feita, com um valor de pouco mais de R$ 2 milhões, por meio do PAC 2, para instalação das redes de abastecimento de água nos três assentamentos já contemplados no PAC I. Após cumprimento das exigências técnicas e administrativas pertinentes, em 2013 esse convênio também ficou apto a ser licitado. Por orientação da Funasa, órgão do governo federal que financia esse empreendimento, em meados de 2013 a prefeitura lança um edital de licitação, prevendo a contratação de uma única empresa para realizar os serviços previstos nos dois convênios, TC/PAC 0947/2007 e TC/PAC 0134/2012. A intenção era tornar o projeto mais atrativo para os licitantes e reduzir o risco de uma nova licitação deserta em relação ao objeto previsto no convênio de menor valor (TC/PAC 0947/2007). E a estratégia foi bem-sucedida, uma vez que várias empresas disputaram o certame e a vencedora foi uma empresa com sede em Candiota - JR Pereira.

As obras iniciaram ainda em 2013 e a previsão era que fossem concluídas no primeiro trimestre de 2014. Entretanto, atrasos nos repasses dos recursos dificultaram o cumprimento do cronograma, levando a paralisação parcial das obras num primeiro momento e a paralisação total já no ano de 2015, situação que obrigou a prefeitura a reincidir o contrato com a empresa pelo descumprimento dos prazos estabelecidos. Desta forma, o convênio de 2007 foi paralisado com um percentual de execução de 70% e o convênio de 2012 quanto havia atingido 96% de execução.

De lá pra cá, a administração vem se empenhando fortemente para retomar e concluir as obras. Em 2016, foram realizadas duas licitações, porém em ambas não surgiu nenhuma empresa interessada. Em fevereiro desse ano, já sob o comando do prefeito Rubem Wilhelnsen, realizou-se nova licitação e novamente o resultado foi deserto. Diante disso, no mês de março o comando da prefeitura reuniu-se com a direção da Funasa para discutir o assunto e traçar nova estratégia, visando superar o impasse.

Na ocasião, a sugestão foi que a prefeitura encaminhasse projeto para aprovação da Funasa prevendo a ampliação da meta original dos convênios e mantivesse a estratégia de ofertar os dois convênios numa única licitação, na ideia de tornar o empreendimento mais atrativo e fazer com que o convênio de 2012 (de valor maior e execução mais fácil) desse “carona" para o convênio de 2007 (de valor menor e menos lucrativo para os empreendedores), além de possibilitar a utilização da totalidade dos recursos já disponíveis nos cofres da prefeitura, incluindo os respectivos rendimentos bancários.

Ocorre que, logo após essa reunião, a prefeitura estabeleceu parceria com a Corsan e Secretaria de Obras, Saneamento e Habitação do RS, a fim de realizar os testes de qualidade da água e vazão dos poços exigidos no projeto. Nesse momento constatou-se que o poço artesiano perfurado no assentamento São Virgílio havia sido obstruído, provavelmente por um ato de vandalismo. Com isso, seria preciso primeiro resolver esse problema para ter condições de licitar e retomar a execução da obra.

Diante do ocorrido, a prefeitura então buscou parceria com o governo do estado, através da Secretaria de Desenvolvimento Rural, que deverá perfurar um novo poço artesiano no São Virgílio nos próximos meses. Sem que esse trabalho seja feito, não é possível dar continuidade nas obras nos outros dois assentamentos, pois o convênio estabelece as obras previstas no TC/PAC 0947/2007 como um único objeto e a lei das licitações proíbe o fracionamento de um objeto no momento da contratação dos serviços.

Desta forma, na última quinta-feira (14), dirigentes e técnicos da prefeitura reuniram-se novamente com a superintendente e técnicos da Funasa, com o intuito de avaliar a questão e alinhar informações e encaminhamentos. Na oportunidade, foi constatado que o melhor caminho é a prefeitura centrar fogo e finalizar o trabalho já iniciado com o objetivo de viabilizar uma nova licitação dos serviços previstos no primeiro convênio firmado com a Funasa, o que irá possibilitar a instalação dos poços artesianos e a entrada em funcionamento desse sistema de abastecimento de água nos três assentamentos. Já a ampliação da meta, o processo licitatório e a conclusão das obras relativas ao segundo convênio de 2012, deverão ficar para um momento posterior, caracterizando um segundo passo. O fato é que resolvendo os problemas técnico-administrativos e com a execução das obras relativas à instalação dos poços artesianos, o sistema já estará em condições de funcionar e a maioria das famílias desses assentamentos poderá ver a água jorrar em suas torneiras.

A notícia que todos esperam e gostaríamos de dar nesse momento seria da retomada imediata dessa obra, porém no meio do caminho existe uma série de obrigações legais, técnicas e administrativas que precisam e vêem sendo cumpridas pelo governo municipal para poder alcançar tal objetivo e honrar o compromisso de efetivar esse investimento tão importante e aguardado. Investimento público nem sempre é fácil de sair do papel, mas com perseverança, paciência, soma de esforços e valorização do trabalho de uma equipe de profissionais e dirigentes do município que já provou que gosta e sabe fazer obras, as coisas acontecem em benefício da comunidade sem ferir as regras e princípios da administração pública.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Nem só de pão viverá o homem



Altas conexões



Licença poética



Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Se a terra tremer sob teus pés não penses que se trata de terremoto...

É o chão remexendo para chamar tua atenção.

Um fenômeno natural conhecido por dança do solo abalado pela beleza inabalável de uma deusa.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Música para os meus ouvidos


Não sou bairrista, mas o som do sul é o mais bonito e poderoso de todo o universo.




Ato político


Ataco novamente de Juremir Machado da Silva, porque esse cabra costuma ser certeiro e desapaixonado, e não um mero soldado das empresas de comunicação ou agências de notícias, como todo jornalista e formador de opinião deveria ser.


Ladrão geral da república

Eu já vi de tudo na vida destas minhas retinas tão fatigadas.
Mas ainda não tinha visto um empresário recebido em palácio na falação da noite chamar o presidente da república, seu anfitrião e agora inimigo, de ladrão geral da república.
Temer, ladrão geral da república.
O PIB não se importa.
Comemora o crescimento de o,2% no trimestre.
Joaquim Barbosa, ex-presidente do STF, o caçador de mensaleiros petistas, continua implacável: disse que em qualquer país Temer teria sido obrigado a deixar o governo depois das acusações que sofre.
É por essas e outras que Barbosa já não é mais herói dos coxinhas.
Ele combate a corrupção, não o petismo.
O Brasil é diferente.
Aqui, tem o rouba, mas faz; o rouba, mas não faz; e o nem rouba nem faz.
O problema não é rombo. É o roubo.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Momento poético




Aninha e suas pedras



“Não te deixes destruir…

Ajuntando novas pedras e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre, sempre.

Remove pedras e planta roseiras e faz doces.

Recomeça.

Faz de tua vida mesquinha um poema.

E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.

Toma a tua parte.

Vem a estas páginas e não entraves seu uso aos que têm sede.”

 (Cora Coralina)

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Rir é o melhor remédio



Licença poética



Peço licença novamente para entregar-lhes outras palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


És tão bela que mais parece um poema escrito nas estrelas ou prece proferida na presença do Criador.

Tão bela que quando pisa no chão deixa toda a face da terra no chinelo.

Fosses feita para enfeitar o planeta e inspirar os poetas.

Eu que perco a noção da minha insignificância e fico tentando tirar uma casquinha da tua perfeição.

Versos del alma gautia





sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Em busca de novos investimentos


O vice-prefeito Fernando Silveira e o secretário de planejamento, Toninho Veleda, cumpriram agenda de trabalho ontem (24) em Porto Alegre. Na ocasião, foram visitados diversos órgãos dos governos federal e estadual, com o objetivo de buscar novos investimentos no município.

Na sede do DAER, as autoridades locais foram recebidas por Rogério Reis, chefe de gabinete do Diretor-Geral do órgão. Acompanhados do representante da secretaria Estadual de Transportes, Valmir Mioso, o encontro teve como objetivo pleitear o recapeamento de trechos das RST 473 e RST 602, além da construção de uma rótula no acesso ao Basílio e outras localidades rurais, numa propositura oriunda do Poder Legislativo.

No INCRA, a conversa foi com o engenheiro civil Clodoir Silva, Chefe da Divisão de Desenvolvimento, tendo como finalidade informar sobre a ordem assinada na última sexta-feira pelo prefeito Rubem, prevendo para os próximos dias o início das obras de recuperação e melhoria em estradas internas e de acesso aos assentamentos Bamburral, Querência, Cerro Azul e São Virgílio, num investimento total de R$ 250 mil, sendo que R$ 100 mil já foram repassados pelo INCRA.

A reunião na Representação do Ministério da Integração Nacional em Porto Alegre teve como escopo encaminhar documentos visando possibilitar a liberação do repasse de cerca de R$ 171 mil, previstos para a reconstrução de uma ponte no assentamento São Virgílio, cuja obra já fora licitada pela prefeitura e aguarda a respectiva aprovação da proposta financeira e liberação dos recursos para ter início.

Na sequencia, Fernando e Toninho ainda participaram de reunião com o secretário adjunto da SDR, Iberê Orci, oportunidade em que pleitearam o pagamento de R$ 60 mil relativos ao projeto aprovado através da Consulta Popular que prevê a aquisição de equipamentos para a Patrulha Agrícola, sendo que a informação é de que o pretendido pagamento deverá ser feito pelo governo do estado no mês de outubro.

O vice-prefeito e o secretário de planejamento também foram recebidos na sede da secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação – SEAPI. Na reunião com o chefe de gabinete do secretário Ernani Polo, fora solicitada a prorrogação da vigência de um convênio que prevê a aquisição de calcário para atender produtores de leite do município. Na oportunidade, ainda fora confirmada a informação de que Herval está entre os contemplados com recursos provenientes de uma emenda da bancada gaúcha no Congresso Nacional que deverá assegurar a aquisição de um trator agrícola por intermédio da SEAPI.


Nem só de pão viverá o homem





quinta-feira, 17 de agosto de 2017

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Momento poético




TENTA ESQUECER-ME



Tenta esquecer-me...
Ser lembrado é como evocar
Um fantasma...
Deixa-me ser o que sou,
O que sempre fui, um rio que vai fluindo...
Em vão, em minhas margens cantarão as horas,
Me recamarei de estrelas como um manto real,
Me bordarei de nuvens e de asas,
Às vezes virão a mim as crianças banhar-se...
Um espelho não guarda as coisas refletidas!
E o meu destino é seguir...
é seguir para o Mar,
As imagens perdendo no caminho...
Deixa-me fluir, passar, cantar...
Toda a tristeza dos rios
É não poder parar!



Mario Quintana

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Licença poética



Peço licença novamente para entregar-lhes outras palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Meu corpo não tem trancas ou cadeado para prevenir teus ataques.

Sequestra-me e mostra onde mora o perigo ou se esconde o pecado.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Ato político


A menos que haja uma grande virada nessa caminhada do país rumo ao fundo do poço, Lula deverá mesmo ser jogado atrás das grades de uma prisão. Não porque existam provas irrefutáveis, incontestes e explícitas de que o ex-presidente cometera algum ilícito. Ao contrário. Ocorre que a prisão de Lula já está decretada desde o início da cruzada da velha direita não apenas contra Lula, mas contra as forças políticas progressistas, a democracia e a maioria do povo brasileiro que, querendo ou não, é representado por Luís Inácio Lula da Silva e tudo o que ele significa.

No entanto, é preciso mais que apenas prender Lula. É preciso desmoralizá-lo, esquartejá-lo moralmente, para que ele se torne um morto em vida e a política de crescimento econômico aliada a inclusão social que Lula mostrou ser possível e eficaz, passe a ser vista apenas como símbolo de fracasso e roubalheira.

Nos tempos idos, a velha direita matava e expunha em praça pública o morto que exercera influência junto ao povo para deixar claro o destino de quem se atreve a desafiar os "donos do poder". Hoje os métodos de assassinato "dos heróis da pátria" são outros, mas talvez até mais cruéis que a tortura ou morte do corpo. 


Foto: Ramiro Furquim/Sul21.com.br


O povo deve ser destruído

Um dia após a condenação de Lula por Sergio Moro, um motorista de táxi me perguntou: contente com a condenação de Lula? Quando me ouviu dizer que não, ficou muito alterado e desfiou uma lista de crimes que teriam sido cometidos por Lula para justificar que o Brasil necessitava se livrar dele. Dia 17 de julho, o jornalista, escritor e apresentador de TV, Marcelo Tas, perdeu a costumeira fleuma no programa que coordena na GNT (Papo de Segunda), quando um dos seus companheiros referiu a falta de provas da propriedade do triplex, que fora o mote da condenação de Lula. Tas alterou-se e disse que o triplex era um crime menor e nem tinha importância, mas que Lula deveria ser condenado porque era o responsável pela recessão, por 13 milhões de desempregados, por toda a corrupção e também pelo governo Temer, uma vez que havia feito aliança com o PMDB.

Lula tem mais de 50% de rejeição nas pesquisas de opinião, em que pese ser o pré- candidato com a maior intenção de voto, mas a pergunta que não quer calar é: por que o discurso de ódio contra Lula, que faz sentido a um motorista de táxi, é o mesmo do intelectualizado Marcelo Tas? Uma resposta ligeira e do gosto de todos seria que os motoristas de táxi “são assim” e que Tas é funcionário da Rede Globo (GNT), portanto, parece óbvio que se colocaria desta forma. Entretanto, estas explicações estão longe de dar lastro para ensaiar uma reflexão sobre a crise da esquerda, do PT, sobre o avanço de discursos conservadores, reacionários, racistas , machistas.

O primeiro discurso exitoso contra Lula se expressou em um discurso contra Dilma, mais frágil politicamente, mulher, sem grande apoio no próprio PT, portanto mais fácil de atacar. Dilma foi o primeiro fator unificador do discurso da direita política brasileira em 2014. De fato o objetivo não era ela, mas o afastamento do PT e a retirada do perigoso e popular Lula do campo da disputa política. Inventaram as pedaladas fiscais, afastaram Dilma e não a incomodaram mais. A culpa de Lewandowski , que estava participando da farsa, resultou na não cassação dos direitos políticos da então presidenta.

Afastar Dilma foi só um primeiro passo. Havia importantes políticas neoliberais de ajuste a serem feitas pelos representantes do capital financeiro, da FIESP e da banca internacional. Entre os aspectos centrais das políticas neoliberais, aqui e alhures, estão a retirada dos direitos sociais e a desqualificação das conquistas dos trabalhadores como privilégios. Para que possam ser implementadas, não bastam um golpe e um presidente fantoche, é necessário haver garantias a longo prazo de que não haverá reação do povo. Por isso, é necessário destruir o povo como agente político, como sujeito político coletivo. Esta é a grande missão dos que agora estão no poder, secundados por parte do judiciário e parte do ministério público. Não importa se a reforma da previdência não passar agora, interessa é que ela passe, no ano que vem ou em 2019. Mas é necessário derrotar o povo de forma cabal.

O que Lula tem a ver com isto? Tudo. Lula foi e ainda é um grande líder popular, se identifica com as classes populares que, durante seu governo, viram mudar as suas vidas, as possibilidades educacionais de seus filhos. O mundo viu Lula como uma nova esquerda. Como líder, Lula deu significado ao povo como sujeito político. Maior que o PT, maior que a esquerda, ele articulava as demandas populares, era o povo no poder.

As forças de esquerda em geral e o PT, especificamente, não conseguiram construir lideranças para substituí-lo, não porque Lula não deixou, ou porque o partido não quis, mas porque a existência de Lula impediu que houvesse condições de emergência de novas lideranças, por mais que ele tivesse oposição, dentro e fora do partido.

O poder simbólico que Lula representa precisa ser extirpado do Brasil para que o projeto neoliberal em curso se concretize. Por isso há esforço de arrancar Lula do centro do discurso popular e caracterizá-lo como o grande traidor, o corrupto, o operário que enriqueceu, o responsável pelas mazelas do Brasil, pela desordem, pela violência. É preciso romper o lastro discursivo do povo. Isso não se faz prometendo vantagens, mas exatamente prometendo sacrifícios. Recriando um novo sujeito político, individualizado, “responsável “, trabalhador, que não se interessa por “privilégios”, mas quer trabalhar em qualquer condição. Um individuo que não se preocupa se pessoas sem-teto são acordadas nas ruas geladas por jatos d‘agua, se usuários de drogas são caçados como bichos, se prédios ocupados por famílias que não têm onde morar são desocupados por batalhões de choque da polícia militar. Essas pessoas não importam, são “vagabundos“, perdedores, obstáculos para o restabelecimento da ordem.

Na nova ordem neoliberal não há espaço para povo, para o sujeito coletivo. O que importa é cada um cuidar de si. O fracasso é pessoal, o sucesso está na compreensão dos novos tempos, do trabalho intermitente, do fim das políticas sociais. A nova ordem é a do individuo, não importa se ele é um trabalhador ou um intelectual da mídia. Para que a nova ordem se instale, é necessário acabar com o povo, com a ação do povo como coletivo, por isso é essencial destruir quem melhor o representou na política brasileira contemporânea – Luis Inácio Lula da Silva. Mas não basta colocá-lo na cadeia, antes é preciso destruí-lo como símbolo, o que só acontecerá ao destruir o povo, já que Lula significou o povo por longos anos, décadas.

O motorista de táxi e o intelectual mediático representam muito bem este sujeito individualizado, que se constitui em um discurso de ódio contra Lula, contra o povo. São exemplares característicos dos tempos de pós democracia que vivemos.

.oOo.
Por Céli Regina Jardim Pinto - Professora Titular do Departamento de História da UFRGS.
Publicado originalmente no site Sul21: https://www.sul21.com.br/jornal/o-povo-deve-ser-destruido/

Nem só de pão viverá o homem





terça-feira, 8 de agosto de 2017

Momento poético



Quarenta Anos

A vida é para mim, está se vendo,
Uma felicidade sem repouso;
Eu nem sei mais se gozo, pois que o gozo
Só pode ser medido em se sofrendo.
Bem sei que tudo é engano, mas sabendo
Disso, persisto em me enganar… Eu ouso
Dizer que a vida foi o bem precioso
Que eu adorei. Foi meu pecado… Horrendo
Seria, agora que a velhice avança,
Que me sinto completo e além da sorte,
Me agarrar a esta vida fementida.
Vou fazer do meu fim minha esperança,
Oh sono, vem!… Que eu quero amar a morte
Com o mesmo engano com que amei a vida.

Mário de Andrade

Pitada filosófica





Versos de alma gautia





sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Licença poética




Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Meu corpo não tem trancas ou cadeado para prevenir teus ataques.
Sequestra-me e mostra onde mora o perigo ou se esconde o pecado.

Rir é o melhor remédio



quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Música para os meus ouvidos


Para escutar, refletir e cantar junto...




Feliz aniver!!!

















O cara nasceu ontem, mas já chegou aos 15 anos de estrada.

O corpo sarado, contudo, engana e faz muita gente acreditar que ele tem uns 18.

O fato é que mirrados ou sarados, para nós os filhos nunca crescem, são sempre crianças.

O fato também é que eles crescem e, antes mesmo de chegar a idade adulta, são capazes de trilhar um caminho só deles e fazer suas próprias escolhas.

A mim só cabe agradecer a Deus por ter colocado essa piá marrento em minha vida e desejar que ele siga adiante, sempre pelo caminho do bem e sendo motivo de alegria e orgulho para todos que com ele convivem.

Parabéns, filho meu, e um caminhão de felicidades, hoje e sempre!!!!!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Ato político




Quando o escrito diz tudo, não precisa acrescentar mais nada.

Juremir Machado da Silva diz tudo no texto que ora compartilho, porém nunca é demais repetir que a hipocrisia é uma das grandes doenças desse país. Um mal antigo e que talvez nunca tenha cura.

Se esse fosse um problema que acometesse apenas a classe política, como hipocritamente muitos querem fazer crer, dos males o menor. Acontece que a hipocrisia está no DNA de um povo que costuma "enxergar o argueiro no olho alheio, mas nunca enxerga a trave em seu próprio olho".

Assim, o buraco é mais embaixo e a saída desse beco sem saída se torna menos provável.





Coisa pública e privada



Atribui-se a um crítico anônimo de Robespierre esta frase contundente: “Fui ver o altar da República. Só encontrei os penicos da monarquia”. Se é verdadeira, não importa, pois faz pensar. O quê? Não sei bem. Talvez que a virtude de certos políticos brasileiros é determinada pela hora em que ocorrem os seus encontros com empresários e ao tamanho e potência dos gravadores que os visitantes usam para grampeá-los sem ter de pisotear a etiqueta. A elegância é fundamental. As delações premiadas da Lava Jato já prestaram mais serviços à transparência no Brasil do que cinco séculos de idas ao confessionário, fofocas, torturas e sessões de psicanálise somadas.
Nessa linha de raciocínio, ou de narrativa, como diria o Procurador-Geral da República Rodrigo Janot, conta-se que um senador do Império teria sugerido a um interlocutor incômodo tomar o cuidado de examinar a coisa pública. O dito cujo teria imediatamente se dirigido à privada. Tem lógica. Não confundir com ética. A ascensão de Michel Temer ao poder para combater a corrupção dos governos Dilma e Temer conta mais sobre a hipocrisia nacional do que toda a nossa literatura de costumes. Um personagem menor de Machado de Assis talvez se expressasse com uma fórmula prática: “Prova é quando a acusação atinge nossos adversários. O resto é suspeita sem fundamento”.
– Onde está a prova?
– Diante dos seus olhos.
– Não estou vendo.
– Prova que Benício é culpado.
– Benício, meu opositor?
– Ele mesmo.
– Ah, pensei que estivesse falando do Juca.
– Que diferença faz?
– Toda diferença, meu caro. Juca é dos nossos. Homem da nossa mais estrita confiança. Em se tratando do Benício, a prova é inequívoca.
Um espírito estreito chamaria isso de triunfo do cinismo. Poderia escrever um livro imitando o estilo de Michel de Montaigne ou de La Rochefoucauld em suas “Máximas”: “Hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”. Somos o povo mais reverente do mundo. Vivemos prestando homenagens à virtude. Esta é melhor: “Os velhos gostam de dar bons conselhos para se consolarem de não poder dar maus exemplos”. Em nosso caso, o contrário é menos inteligente e mais verdadeiro: “Os velhos políticos gostam de dar maus exemplos para se consolarem de não poder dar bons conselhos”. O livro receberia o título de “Mínimas”.
Chega. Excesso de espírito parece frivolidade ou exibicionismo. Ou falta de conteúdo. Quem muito diz, não é ouvido. Ou não consegue ouvir. O riso é coisa séria. Deve ser praticado com moderação e servido em doses homeopáticas com tarja preta. Um cronista responsável deve medir as consequências dos seus textos. Precisa escrever como um adulto. A maioridade é quando, enfim, podemos fazer coisas menores sem precisar pedir autorização ou dar explicações a ninguém. Um peso.
O Brasil decidirá amanhã se trata Michel Temer como coisa pública ou privada.
Se a votação acontecer e for televisionada ao vivo com voto nominal, Temer pode dançar.
Se os deputados livrarem a cara de Temer, a coisa pública irá à privada.

Nem só de pão viverá o homem





quinta-feira, 27 de julho de 2017

Momento poético





Ato político


O velho e sempre atual Karl Marx lá atrás já havia sentenciado: a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa.

No caso brasileiro essa máxima se encaixa como luva. Primeiro a tragédia do golpe militar, agora a farsa golpista que tomou o poder de assalto num "grande acordo nacional" para tirar Dilma e colocar o Michel, envolvendo o Supremo e tudo mais, conforme revelou a gravação na qual Romero Jucá escancara não apenas a decisão política, mas o roteiro e os "parças" do golpe.

Pena que o povo brasileiro não conhece a história e prefere caminhar tresloucadamente em busca de um eventual salvador da pátria. Pena que o povo brasileiro não conhece as engrenagens, os limites e inimigos do poder para quem se atreve a diminuir minimamente as desigualdades no Brasil e dá asas para raposas cuidar do galinheiro. Pena que o povo brasileiro não sabe distinguir os lados que disputam o poder e os personagens que compõem a nossa história, deixando-se seduzir e cair nas armadilhas dos vilões de sempre.



Lula não é o primeiro, nem será o último

por Henrique Fontana


Lula não é o primeiro presidente condenado na história do Brasil, como quer fazer crer a grande mídia, antes dele João Goulart e Juscelino Kubitscheck já haviam sido condenados por “crimes políticos”, e da mesma forma tiveram seus direitos políticos cassados em um outro golpe, o de 1964. Dilma Rousseff também pagou por um crime que não cometeu, que sequer existiu. Isso sem falar em Getúlio Vargas. Os golpes de classe, militares ou não, invariavelmente, condenam presidentes dos períodos democráticos anteriores, e também, invariavelmente, buscam se manter no poder sem ter que se sujeitar ao incômodo das eleições e do voto popular. Mais de vinte anos de ditadura e um de Temer que o digam.
O juiz Sérgio Moro é peça de uma engrenagem complexa, e sua sentença sem provas contra Lula, parte de uma operação com evidente caráter político. Claro que desejamos que aqueles que cometeram crimes de corrupção sejam punidos, dentro do devido processo legal, nos marcos da Constituição Federal, sem exceções. Mas a inversão do ônus da prova, que na decisão de Moro cabe ao acusado e não aos acusadores, revela mais uma face do regime de exceção que se instala no país, e todo o risco que isto significa ao Estado Democrático de Direito.
Ao mesmo tempo, o processo contra Aécio Neves é arquivado, sua irmã e primo são libertados, Geddel Vieira Lima deixa a prisão, as esposas de Eduardo Cunha e Sérgio Cabral são absolvidas por falta de provas, Eliseu Padilha e Moreira Franco seguem ministros, e Temer manobra no Congresso Nacional com distribuição de emendas e de cargos aos deputados da base aliada para se manter na presidência. Tudo isso em meio a aprovação da reforma trabalhista, que retirou grande parte dos direitos dos trabalhadores em favor dos “mercados”.
A confusão proposital que mistura “joio com trigo”, encobre culpados, condena inocentes, e favorece os que desejam criminalizar a política seletivamente e a esquerda indiscriminadamente. Ao longo de anos de acusações e de verdadeira devassa da vida de Lula, quem será capaz, por exemplo, de citar uma prova irrefutável de corrupção do ex-presidente? Quem sabe uma gravação incriminadora, como de Temer ou Aécio; contas no exterior, como de Eduardo Cunha e Sérgio Cabral; ou ainda, a posse documentada de fazendas e imóveis, como de Geddel e Padilha? Em tudo a condenação anunciada por Moro revela parcialidade, injustiça, e claro objetivo político, ao buscar inviabilizar a candidatura de Lula à presidência do Brasil.
O golpe cometido em 2016 fará quantas vítimas forem necessárias para se manter no poder e garantir sua agenda de reformas regressivas, ajuste fiscal e austeridade seletiva contra a gente pobre e trabalhadora desse país, como de resto fizeram outros golpes antes deste. Lula não é o primeiro, nem será o último. E ainda tentará colocar no poder quem melhor os servir, hoje é Temer, amanhã pode ser Maia, no futuro, quem sabe um João Dória.
O aprendizado da história nos mostra que somente a força de uma cidadania ativa, através de eleições livres e diretas, pode nos fazer retomar o caminho da democracia e do Estado de direito.