sábado, 26 de abril de 2014

Momento poético




Poeminha Sentimental

O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas…
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.



Versos del alma gautia




terça-feira, 22 de abril de 2014

Autoridades do município conversam com Secretário sobre cisternas



O Secretário do Trabalho e do Desenvolvimento Social do RS, Edson Borba, recebeu na tarde de quinta-feira, 17, a visita do vice-prefeito Bebeto, do Secretário de Planejamento, Toninho Veleda, e do vereador Valter Lima.

A reunião teve como objetivo tratar sobre os problemas e obstáculos que vem impedindo a execução do projeto cisternas, não apenas em Herval, mas nos 13 municípios que aderiram ao projeto.

Na ocasião, as autoridades municipais manifestaram ao Secretário a preocupação em relação ao projeto cisternas, tendo em vista que a prefeitura já tomou todas as medidas que lhe competiam para tirar o projeto do papel, porém a iniciativa não decola, em razão do atraso nas capacitações dos construtores e beneficiários das cisternas, algo previsto no projeto e que está a cargo de uma empresa contratada pelo governo do estado para esse fim.

Segundo o Secretário Toninho Veleda, “como o recurso foi repassado às vésperas do último período eleitoral, esse fato gerou uma forte politização do projeto, algo que acirrou os ânimos da oposição no Poder Legislativo e atrasou o processo. No entanto, depois de superada essa etapa, as coisas não avançaram como o esperado, e mesmo tendo realizado as mobilizações nas comunidades e a licitação para a compra dos materiais há quase um ano, o projeto emperrou na falta das capacitações que devem ser realizadas por uma empresa contratada pelo estado. A prefeitura fez sua parte, mas esse atraso provocou, além de uma grande descrença, uma enorme desmobilização em relação às cisternas, algo difícil de ser revertido e que coloca em risco a continuidade do projeto no município”, disse o Secretário.

Conforme o vice-prefeito Bebeto, “o atraso na execução das cisternas ainda permitiu o avanço de outros projetos conquistados pela prefeitura, cujo objetivo é levar abastecimento de água potável às comunidades rurais, a exemplo dos projetos que estão levando água a assentamentos do município por meio de redes de distribuição. Neste sentido, ele lembrou a orientação do MDS de que as cisternas devem ser destinadas para atender às famílias que não contam com nenhuma fonte de água potável. Ou seja, as cisternas deveriam chegar bem antes dos outros projetos, porém essa meta não se confirmou na realidade, o que agora dificulta ou mesmo impede sua construção para muitos dos seus beneficiários", lamentou.

O secretário Edson Borba concordou que a dinâmica do projeto não é a mais adequada para a realidade do nosso estado, o que frustrou todas as expectativas em termos de ritmo e da mobilização das comunidades em relação à construção das cisternas, uma vez que esse projeto foi pensado e desenvolvido originalmente para atender a realidade do semiárido nordestino. No entanto, ele argumentou que está disposto e determinado a oferecer suporte ao município para assegurar a execução do projeto.

Diante do quadro de dificuldades e incertezas que permeiam a continuidade do projeto, ficou acertado que nos próximos dias deverá ocorrer nova reunião com a participação do prefeito Ildo Sallaberry para definir o futuro do projeto em nível de Herval.

O projeto cisternas é desenvolvido em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e tem como público alvo famílias de baixa renda residentes em áreas rurais dos municípios, atingidas pela estiagem e que não possuam acesso a nenhuma fonte de água potável.


sábado, 19 de abril de 2014

Licença poética



Peço licença novamente para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Te cerco, cego, sigo, persigo.
Me apanhas, acanhas, abocanhas, lanhas.

Te pego, esfrego, afago, assopro.
Me agarras, mimas, mordes, arranhas.

Te apalpo, acaricio, como, coloco no colo.
Me palpitas, bebes, coças, pinta e bordas.

Te toco, provoco, abro, fecho.
Me abraças, enlaças, repeles, respiras.

Te arreto, arrasto, cubro, compartilho.
Me arrepias, esperas, espremes, encantas.

Te escancaro, escondo, enquadro, solto.
Me secas, encaras, disparas, enroscas.

Te preciso, desprezo, troco, toco fogo.
Me fundes, confundes, amarras, amassas.

Te levo, escapo, apago, aprecio.
Me afloras, afundas, elevas, devoras.

Te suporto, sufoco, tempero, adoço.
Me guias, rebaixas, completas, repartes.

Seguimos assim, entre versos e vidas, idas e vindas,
acordes e corações partidos.

No teu embalo vou a qualquer lugar do mundo,
ainda que me perca de mim...

Pois amar é remar sempre e viajar nos braços de quem
se ama, mesmo que acordemos nas asas da ilusão.


Autorretrato


Yo e o Uruguai do outro lado do rio e da ponte

Ato político


Com vocês a palavra sempre firme, sóbria, profunda e precisa de Henrique Fontana, ressaltando que a memória é tão importante quanto à esperança. Ou seja, o Brasil enfrenta muitos problemas e tem muitos desafios pela frente, porém não podemos esquecer as muitas conquistas dos últimos anos e também que elas não caíram do céu, são fruto de muito trabalho e da política dos governos Lula e Dilma de distribuir renda para crescer e tornar o Brasil soberano no cenário mundial. Ao contrário dos tucanos que governavam para poucos e transformaram o país num cassino para a especulação do grande capital mundial. Adiante, que estamos no caminho certo! 


Brasil, um país no rumo certo
Por Henrique Fontana
  
Nos últimos anos, o Brasil tem experimentado um ciclo de desenvolvimento e geração de emprego como não víamos há muito tempo. Nosso país vem melhorando e muito desde o primeiro mandato do presidente Lula, quando o governo optou por um modelo de desenvolvimento econômico com distribuição de renda, inclusão social e nacionalização de setores estratégicos como o de petróleo e naval, por exemplo. A presidenta Dilma tem sustentado nossa economia com grande solidez em um período de profunda crise da economia global com medidas de estímulo ao mercado interno e políticas sociais de transferência de renda. Os gastos do governo também estão sob controle rigoroso, sem que isso comprometa a execução de políticas sociais e os investimentos.

Os dados referentes a fundamentos estruturais comprovam esta solidez e contradizem a decisão da agência de classificação de risco Standard & Poor's de baixar a nota do Brasil. Vamos conferir alguns deles. Em onze anos, nosso Produto Interno Bruto cresceu 4,4 vezes e hoje é de U$S 2,2 trilhões. Reduzimos a inflação de 12,5%, em 2002, para 5,9%, em 2013. Há dez anos a inflação está controlada e dentro das metas. No período da crise internacional iniciada em 2008, o Brasil cresceu 17,8%, uma das maiores taxas de crescimento entre os países do G-20. Possuímos o quinto maior volume de reservas internacionais no G-20, com U$S 376 bilhões - dez vezes mais do que tínhamos em 2002, e reduzimos a dívida pública líquida praticamente pela metade, de 60,4% do PIB, em 2002, para 33,8% do PIB.

Os avanços sociais também são reflexos das decisões políticas adotadas pelo atual governo federal. O desemprego, que era de 13% em 2003, caiu para o menor nível da história e hoje é de 5,2%, fruto da geração de mais de 21 milhões de novos empregos com carteira assinada nos últimos onze anos. O mais notável é que desde 2008, enquanto a crise econômica gerada pelo neoliberalismo eliminava 68 milhões de empregos no mundo, o Brasil criava mais 10 milhões de postos de trabalho. Vale questionar, ainda, que outro país foi capaz de contratar a construção de três milhões de moradias populares? Ou triplicar o orçamento federal em educação dobrando o número de matrículas em universidades para os atuais sete milhões? Este é o Brasil que estamos construindo, apontado pela ONU como exemplo no combate à desigualdade social, que tirou 36 milhões de pessoas da pobreza extrema e incluiu 42 milhões na classe média.

Nestes onze anos, o Brasil deixou de ser um país vulnerável e tornou-se um competidor global. Isto incomoda, contraria interesses e não é por acaso que a análise de nossa política econômica tem sido alvo de avaliações claramente especulativas. Por isso, cabe a pergunta: Está certa a Standard & Poor's ou estes dados são mais fortes?

É importante ressaltar, ainda, que as agências de risco passaram a ser olhadas com desconfiança e têm perdido credibilidade desde a crise econômica mundial de 2008, quando fizeram avaliação extremamente positiva de bancos que acabaram quebrando naquele período. E, depois, durante a crise do euro, ao rebaixar notas e aumentar a pressão do mercado sobre os países em turbulência. Hoje há uma discussão sobre a capacidade dessas instituições de serem independentes nas suas decisões. As agências de risco são empresas privadas e, como tal, fazem avaliações muitas vezes focadas no interesse de parte do mercado, mais precisamente o que vive de ganhos especulativos.

Embora comemoremos os resultados acertados da nossa política econômica, reconhecemos que ainda temos muito a fazer para crescer e atender às demandas dos brasileiros. Mas temos convicção de que o caminho é aprofundar ainda mais este projeto que estamos implementando e não voltar ao passado.

Henrique Fontana é deputado federal e vice-líder do Governo Dilma
Artigo publicado no Sul 21, em 4 de abril de 2014.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Luto


(foto Javali do Herval)

Como diria o memorável Jayme Caetano Braun, “morrer não é mais do que uma viagem/ Por isso não é vantagem o forte fazer alarde/ Que às vezes pra ser covarde, precisa muita coragem”.

Relembro tais palavras em meio à partida inesperada e chocante de uma figura humana pela qual nutria imenso carinho e consideração. Falo do amigo de muitos, o grande Bosquinho.

Além de exímio cabeleireiro, Bosquinho foi meu grande parceiro no futebol e certeza de bom papo.

Gente humilde, amiga e do bem, que sabia se posicionar sem perder a ternura diante dos diferentes e das opiniões contrárias.

Profissional exemplar, que além de oferecer um magnífico corte de cabelo, sabia cativar seus clientes, fazendo-os se sentir acolhidos e em casa.

Amante convicto do internacional de Porto Alegre e aficionado pelo Brasil aqui de Herval. Alguém, que mesmo tendo suas cores bem definidas, sempre soube respeitar as cores de outrem.

Digo isso, porque mesmo sendo Gremista e União de coração, sempre falamos sobre futebol de um modo muito respeitoso e dentro de quadra e do campo, nunca nos faltou cordialidade e lealdade recíprocas.

Ainda no início da semana passada tive a oportunidade de realizar aquele que seria meu último corte de cabelo com Bosquinho, ocasião em que falamos muito de tudo, principalmente dos perigos da estrada, das suas dificuldades depois do acidente de automóvel e do seu sonho de reorganizar o futebol e a vida burocrática do Esporte Clube Brasil (algo que assumi o compromisso de dar uma força).

Não deu. Uma nuvem turva arrastou um cara fragilizado por um monte de acontecimentos adversos para uma decisão extrema e muito dolorosa para todos que o rodeavam e lhe queriam bem.

Para quem fica o ato de ceifar a própria vida é sempre algo brutal, difícil de entender ou de aceitar. No entanto, nessa hora não cabem explicações, conjecturas, "sis" ou julgamentos.

Resta apenas orar para que os familiares saibam lidar com a dor dessa perda com força, serenidade e fé no futuro. E para que o inesquecível Bosquinho receba o amparo Divino para seguir a jornada e curar as feridas noutra esfera da vida!

Paz, fé e luz para todos nós nessa hora tão doida! Que a vida continue e nunca deixe de nos fazer sentido!

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Altas conexões




Nem só de pão viverá o homem



Momento poético




Destruição

Carlos Drummond de Andrade

                                     

Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.

Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.

Nada. Ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.

E eles quedam mordidos para sempre.
deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente.


terça-feira, 8 de abril de 2014

Dirigente estadual petista visita Herval


Lideranças do PT receberam no último sábado, 5, a visita do 2.º vice-presidente estadual da sigla, Márcio Espíndola.

Márcio veio ao município representando a direção estadual do Partido dos Trabalhadores para discutir assuntos relacionados à conjuntura política municipal, estadual e nacional, além de oferecer informações para o fortalecimento da direção partidária no âmbito local.

Na ocasião, Márcio Espíndola ainda informou que é um dos pré-candidatos petistas às eleições desse ano e que pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa com o compromisso de realizar um trabalho em defesa da política de desenvolvimento econômico com inclusão social promovida pelos governos Dilma e Tarso, além de estar em sintonia direta com o mandato do senador Paulo Paim.

Márcio Espíndola é um dos dirigentes mais calejados do PT e trabalhou na assessoria do deputado federal Paulo Pimenta, ocasião em que ajudou Herval oferecendo as informações necessárias para o município se habilitar a receber o Polo da Universidade Aberta do Brasil, as quais foram repassadas pela bancada petista no legislativo ao Secretário de Educação na época. Espíndola ainda colaborou politicamente no trabalho que permitiu a destinação de computadores à escola Pe. Libório Poersch durante a administração municipal passada.

Pitada filosófica



Aprendi que Amores eternos podem acabar em uma noite.

Que grandes amigos podem se tornar grandes inimigos.

Que o amor sozinho não tem a força que imaginei.

Que ouvir os outros é o melhor remédio e o pior veneno. 

Que a gente nunca conhece uma pessoa de verdade, afinal, gastamos uma vida inteira para conhecer a nós mesmos.

Que os poucos amigos que te apoiam na queda, são muito mais fortes do que os muitos que te empurram.

Que o "nunca mais" nunca se cumpre, que o "para sempre" sempre acaba. Que minha família com suas mil diferenças, está sempre aqui quando eu preciso.

Que ainda não inventaram nada melhor do que colo de Mãe desde que o mundo é mundo.

Que vou sempre me surpreender, seja com os outros ou comigo.

Que vou cair e levantar milhões de vezes, e ainda não vou ter aprendido TUDO.

Estamos aqui de passagem...


WILLIAM SHAKESPEARE

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Música para os meus ouvidos


Lenine falou e disse nessa canção! Com muito amor, melodia e poesia, o que é melhor...



Altas conexões




Ato político

Enfim, uma manifestação lúcida e profunda acerca de um debate que a grande mídia, como de costume, junto com as forças do atraso, usam e abusam da desinformação para provocar a revolta com tudo que é público e com governo do país que trabalha para fazer o Brasil avançar em prol de todos os brasileiros.


O JOGO PESADO: TIRAR A PETROBRAS DE CAMPO
Por Saul Leblon (Carta Maior)

“O caso Pasadena pode ser tudo menos aquilo que alardeia a sofreguidão conservadora. Pode ser o resultado de um ardil inserido em um parecer técnico capcioso. Pode ser fruto de um revés de mercado impossível de ser previsto, decorrente da transição desfavorável da economia mundial; pode ser ainda  –tudo indica que seja--  a evidência ostensiva da necessidade de se repensar um critério mais democrático para o preenchimento de cargos nas diferentes instancias do aparelho de Estado. Pode ser um mosaico de  todas essas coisas juntas.  Mas não corrobora justamente aquela que é a mensagem implícita na fuzilaria conservadora nos dias que correm.  Qual seja,  a natureza prejudicial da presença do Estado na luta pelo desenvolvimento do país.

Transformar a história de sucesso da Petrobrás em um desastre de proporções ferroviárias é o passaporte para legitimar a agenda conservadora nas eleições de 2014.  Ou não será exatamente o martelete contra o ‘anacronismo intervencionista do PT’  que interliga as entrevistas e análises de formuladores e bajuladores das candidaturas Aécio & Campos? (Leia neste blog ‘Quem vai mover as turbinas do Brasil?’)  Pelas características de escala e eficiência, ademais da  esmagadora taxa de êxito que lhe é creditada – uma das cinco maiores petroleiras do planeta, responsável pela descoberta das maiores reservas  de petróleo do século XXI--  a Petrobrás figura como uma costela de pirarucu engasgada na goela do mercadismo local e internacional. Ao propiciar ao país não apenas a autossuficiência, mas a escala de descobertas que encerram o potencial de um salto tecnológico, capaz de contribuir para  o impulso industrializante de que carece o parque fabril do país, a Petrobrás reafirma a relevância insubstituível da presença estatal na ordenação da economia brasileira.

Estamos falando de uma ferramenta da luta pelo desenvolvimento. Não de um conto de fadas. Há problemas.  A empresa tem arcado com  sacrifícios equivalentes ao seu peso no país.  Há dois anos a Petrobrás vende gasolina e diesel por um  preço 20% inferior ao que paga no mercado mundial.  Tudo indica que a cota de contribuição para mitigar as pressões inflacionárias decorrentes  de choques  externos e  intempéries climáticas tenha chegado ao limite.  Mas  não impediu que a estatal fechasse 2013 como a petroleira que mais investe no mundo: mais de US$ 40 bilhões/ano: o dobro da média mundial do setor.

Ademais, ela é campeã mundial no decisivo quesito da  prospecção de novas reservas.

Os números retrucam o jogral do ‘Brasil que não deu certo’.

O pré-sal já produz  405  mil barris/dia.  Em quatro anos, a Petrobras estará extraindo 1 milhão de barris/dia da Bacia de Campos.  Até 2017, ela vai investir US$ 237 bilhões; 62% em exploração e produção. Em 2020, serão 2,1 milhões de barris/dia.  Praticamente dobrando  para 4 milhões de barris/dia a produção brasileira atual.

O conjunto explica o interesse dos investidores pela petroleira verde-amarela que está sentada sobre uma poupança  bruta formada de 50 bilhões de barris do pré-sal.  Mas pode ser o dobro disso;  os investidores sabem do que se trata e com quem estão falando.  Há duas semanas, ao captar US$ 8,5 bi no mercado internacional, a Petrobrás  obteve oferta de recursos em volume  quase três vezes superior a sua demanda.  O marco regulador do pré-sal -- aprovado com a oposição de quem agora agita a bandeira da defesa da estatal –- instituiu o regime de partilha e internalizou o comando de todo o processo tecnológico, logístico, industrial, comercial e financeiro da exploração dessa riqueza.

Todos os contratados assinados nesse âmbito passam a incluir cláusula obrigatória de conteúdo nacional nas compras, da ordem de 50%/60%, pelo menos. Esse é o ponto de mutação da riqueza do fundo do mar em prosperidade na terra.  Toda uma cadeia de equipamentos, máquinas, logística, tecnologia e serviços diretamente ligados, e também externos, ao ciclo do petróleo será  alavancada nos próximos anos.  O conjunto pode fazer do Brasil um grande exportador industrial inserido em cadeias globais de suprimento e inovação  – justamente o que falta ao fôlego do seu desenvolvimento no século XXI.

É o oposto do projeto subjacente ao torniquete de manipulação e  engessamento que se forma em torno da empresa nesse momento.  Para agenda neoliberal não faz diferença  que o Brasil deixe de contar com uma alavanca industrializante com as características reunidas pela Petrobrás.  Pode ser até bom.  O peso de um gigante estatal na economia atrapalha a ‘ordem natural das coisas’ inerente à dinâmica dos livres mercados, desabafa a lógica conservadora.  A verdade é que se fosse depender da ‘ordem natural das coisas’ o Brasil seria até hoje um enorme cafezal, sem problemas de congestionamento ou superlotação nos aeroportos, para felicidade de nove entre dez colunistas isentos.

Toda a industrialização pesada brasileira, por exemplo  – que distingue o país como uma das poucas economias em desenvolvimento dotada de capacidade de se auto-abastecer de máquinas e equipamentos – não teria sido feita.  Ela representou uma típica descontinuidade na ‘ordem natural das coisas’.  A escala e a centralização de capital necessárias a esse salto estrutural da economia não se condensam espontaneamente em um país pobre.  Num  mercado mundial já dominado por grandes corporações monopolistas nessa área e em outras, esse passo, ou melhor, essa ruptura, seria inconcebível sem forte intervenção estatal no processo.

Do mesmo modo, sem um banco de desenvolvimento como o BNDES, demonizado pelo conservadorismo, a indústria e a economia como um todo ficariam comprometidos pela ausência de um sistema financeiro de longo prazo, compatível com projetos de maior fôlego.  Do ponto de vista conservador, o financiamento indutor do Estado, a exemplo do protecionismo tarifário à indústria nascente  –implícito nas exigências de conteúdo nacional no pré-sal--  apenas semeiam distorções de preços e ineficiência no conjunto da economia.  É melhor baixar as tarifas drasticamente; deixar aos mercados a decisão sobre  quem subsistirá e quem perecerá para ceder  lugar às importações.  O corolário dessa visão foi o ciclo de governos do PSDB,  quando se privatizou, desregulou e se reduziu barreiras à entrada e saída de capitais.  A Petrobrás resistiu.  Em 1997, até um novo batismo fora providenciado para lubrificar a operação de fatiamento e venda dos seus ativos aos pedaços.  Não seu.

Dez anos depois, em 2007, essa resistência ganharia um fortificante ainda mais indigesto aos estômagos conservadores, com a descoberta e regulação soberana das reservas do pré –sal.  Num certo sentido, a arquitetura de exploração do pré-sal avança um novo degrau na história da industrialização brasileira.  Mais que isso,  esboça um modelo.  Se a empresa privada nacional  não tem escala, nem capacidade tecnológica para suprir as demandas do desenvolvimento, uma estatal pode –como o faz a Petrobras -  instituir prazos e definir garantias de compra que de certa forma  tutelem  a iniciativa privada deficiente.  Dando-lhe encomendas para  se credenciar ao novo ciclo de expansão do país –e até mesmo operar em escala global, inserindo-se nas grandes cadeias da indústria  petroleira.  A outra  alternativa seria bombear  a receita petroleira  diretamente para fora do país, vendendo o óleo bruto.
E renunciar assim aos múltiplos de bilhões de dólares de royalties que vão irrigar o fundo do pré-sal e com ele a educação pública das futuras gerações de crianças e jovens do Brasil.

Ou  então vazar  impulsos industrializantes para encomendas no exterior , sem expandir polos tecnológicos, sem engatar cadeias de equipamentos, nem elevar  índices de nacionalização em benefício de empregos e receitas locais.  A paralisia  atual da industrialização brasileira  é um problema real que afeta todo o tecido econômico.

Asfixiada durante três décadas pelo câmbio valorizado e pela concorrência chinesa, a indústria brasileira de transformação perdeu elos importante, em diferentes cadeias de fornecimento de insumos e implementos.

A atrofia é progressiva.  O PIB cresceu em média 2,8% entre 1980 e 2010; a indústria da transformação cresceu apenas 1,6%, em média. Sua fatia nas exportações recuou de 53%, entre 2001-2005, para 47%, entre 2006-2010 .  O mais preocupante é o recheio disso. Linhas e fábricas inteiras foram fechadas. Clientes passaram a se abastecer no exterior. Fornecedores se transformaram em importadores.  Empregos industriais foram eliminados; o padrão salarial do país foi afetado, para pior.  É possível interromper essa sangria, com juros subsidiados, incentivos, desonerações, protecionismo e ajuste do câmbio, como está sendo feito pelo governo.  Mas é muito difícil reverter buracos consolidados.  O dinamismo que se perdeu teria que ser substituído por um gigantesco esforço de inovação e redesenho fabril, a um custo que um país em desenvolvimento dificilmente poderia arcar.  Exceto se tivesse em seu horizonte a exploração centralizada e soberana, e o refino correspondente, das maiores jazidas de petróleo descobertas no século 21.  Esse trunfo avaliza a possibilidade de se colocar a  reindustrialização  como uma resposta política  do Estado brasileiro à crise mundial.  Nada disso  pode ser feito sem a  Petrobrás.  Tirá-la do campo em que se decide o futuro do Brasil: esse é o jogo pesado que está em curso no país.