quinta-feira, 30 de junho de 2011

Parabéns e obrigado!!!



Para mim a organização competente de um evento é semelhante a um bom árbitro de futebol: está presente em todos os lances, mas não aparece mais que os jogadores ou as torcidas.
Esta foi a minha sensação em relação à organização da 24ª FEJUNAHE e 2ª Feira de Artesanato e Produtos da Agricultura Familiar, transcorrida entre os dias 23 e 26 de junho. Um evento no qual a mão dos organizadores pôde ser notada nos mais diversos momentos, porém sem a pretensão de aparecer mais que o público, expositores e artistas da festa.
Outro ponto que merece destaque é a estrutura de primeira montada para o evento. Uma estrutura de dar orgulho de ser hervalense, seja pelo seu porte, seja pelo conforto que trouxe a todos que prestigiaram esta edição da FEJUNAHE, festividade tradicional de Herval, “nascida na década de 80 depois que um grupo de amigos resolveu criar uma festa em homenagem ao padroeiro do município, São João Batista, que tivesse um caráter beneficente”.
Além da qualidade dos shows e demais atrativos, outro ponto alto da festa foi a gratuidade do acesso ao público à estrutura do evento. Se evento de qualidade já é bom, evento de qualidade e com acesso gratuito é melhor ainda, além de demonstrar a sensibilidade do poder público em relação ao fato de que a maior parte da nossa população, por viver em situação de extrema limitação financeira, teria dificuldade de pagar mesmo um valor simbólico para entrar na festa, o que provavelmente ofuscaria seu brilho e concorreria para diminuir o seu sucesso.
Por tudo isso, parabéns aos organizadores pela coragem de não transformar a FEJUNAHE em palanque político da administração e obrigado pela qualidade deste evento que, repito, nos deu orgulho de ser hervalenses.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Prefeito propõe ordenamento estrutural dos órgãos da administração



Tramita na Câmara Municipal o PL nº 31/2011, de iniciativa do Poder Executivo, que dispõe sobre o ordenamento estrutural dos órgãos da Administração Municipal de Herval, cria cargos de direção, chefia e assessoramento e dá outras providências.
O projeto é uma tentativa do Executivo de se antecipar aos possíveis efeitos de uma ação de direta de inconstitucionalidade, proposta pelo Ministério Público, em razão da maior parte dos cargos de confiança da administração supostamente não estarem enquadrados aos preceitos constitucionais, o que poderia levar a extinção dos cargos cujo julgamento confirmasse afronta aos dispositivos da Carta Maior do país.
O projeto foi recebido na Câmara Municipal com ares de polêmica, pois além de adequar os cargos em questão aos preceitos constitucionais, o projeto prevê aumento da remuneração de todos os cargos CCs, garantido a partir da redução do número de cargos políticos e a distribuição dos valores que seriam economizados entre os cargos restantes.
Segundo a manifestação da maioria dos vereadores durante a discussão do projeto, a medida de dar aumento apenas para os CCs além de ensejar desconfianças, tendo em vista que estamos há um ano do início de um novo período eleitoral, representaria mais uma injustiça para com os servidores efetivos da prefeitura, os quais prestam um ótimo serviço ao município e recebem uma das menores remunerações salariais do país.

Momento poético



OS TEUS PÉS
(Pablo Neruda)

Quando não te posso contemplar
Contemplo os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,
Teus pequenos pés duros,

Eu sei que te sustentam
E que teu doce peso
Sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,
A duplicada purpura
Dos teus mamilos,
A caixa dos teus olhos
Que há pouco levantaram voo,
A larga boca de fruta,
Tua rubra cabeleira,
Pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés
É só porque andaram
Sobre a terra e sobre
O vento e sobre a água,
Até me encontrarem.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Câmara assina TAC com Ministério Público



Em reunião realizada no dia 15 de junho do corrente ano, o presidente da Câmara Municipal, Vereador Claudiomor Inhaia, firmou Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público, comprometendo-se a realizar concurso público para o provimento dos cargos de assessor jurídico, assessor legislativo e tesoureiro para o quadro de carreira do Poder Legislativo Municipal.
De acordo com o compromisso, a publicação do edital para a realização do concurso deve ser feita até 31 de agosto de 2011, sendo que a nomeação e posse dos candidatos aprovados devem ocorrer no prazo máximo de dois meses a partir da homologação do resultado do referido concurso. Até a data de contratação dos novos servidores efetivos, a Câmara poderá firmar contratos temporários para os cargos previstos no TAC.
Segundo o presidente da Câmara Municipal, a realização deste concurso é uma das metas da sua gestão. Para Claudio Inhaia, o concurso neste momento vai obrigar o Legislativo a economizar recursos em outras atividades, mas a sua realização representará um passo importante no sentido não apenas de cumprir a constituição, mas de assegurar que algumas funções essências da Câmara Municipal não sofram nenhum tipo de prejuízo ou interrupção, em razão das trocas de comando da Casa que ocorrem a cada ano.

Música para os meus ouvidos

Costumo brincar dizendo que se Chico Buarque fosse descompromissado e se minha opção não fosse pela heterossexualidade, o pediria em casamento, de tanto que curto esse cara.
Chico é um desses raros talentos que transforma tudo o que compõe ou interpreta em ouro na forma de arte. Ele é um Rei Midas da musicalidade!

Mesmo quando aborda o cotidiano, Chico transborda e extravasa para muito além do trivial.
Mesmo quando canta o comum, ele nos convida a uma viagem por lugares e sentimentos incomuns.
Mesmo quando sua voz sai embargada com esse cálice, ele não se embriaga, e calado consegue dizer mais que mil coisas...

Chico é raro, tão raro que soube amar em meio ao desamor, transformando em versos de paz e voz, o chumbo e o silêncio dos anos de tortura.
Chico é um dos poucos que consegue cantar e decantar o amor, o amor verdadeiro e não idealizado, da vida real, com cheiro e sabor de gente.

Por tudo isso, encerro declarando efusivamente meu amor incondicional pelo poeta Chico Buarque de Holanda.



sexta-feira, 24 de junho de 2011

Herval em primeiro lugar?




Estamos há um ano do início de uma nova corrida eleitoral e os bastidores da política local começam a se agitar. O lado governista, ao que tudo indica, deverá receber o reforço de uma nova sigla em vias de criação, a partir da saída de lideranças importantes oriundas do PDT. O lado oposicionista, além das prováveis baixas, ainda acumula perdas no seu capital político por não acertar o tom e o teor da disputa, insistindo na exaltação de si mesmo e na mera desqualificação do adversário como arma para retomar o poder. Ou seja, o velho maniqueísmo manipulador, que divide as forças políticas entre o bem e o mal, desconsiderando o verdadeiro caráter da disputa e as virtudes do adversário.
Ao contrário do que o neoliberalismo propugnou com muita força, as ideologias não morreram. Sim, há diferenças de lado na política, nem todos são farinha do mesmo saco. Mas reconhecer que esquerda e direita ainda existem não resolve as coisas num passe de mágica. Política não é religião, e muito mais do que o simples apelo à fidelidade a princípios ideológicos, será preciso um trabalho político claro, consistente e cristalino, fundado em bases democráticas e civilizatórias, se o objetivo da oposição é agregar as forças progressistas para retomar o poder em benefício de todos, e não garantir a criação de um novo cacique político ou a volta de uma panela faminta de se locupletar a custas do sucateamento da máquina pública.
Mais do que o discurso de mudança, é preciso que as atitudes confirmem esta promessa. O maior entrave para a oposição, no meu modesto modo de ver, é que na próxima disputa eleitoral não haverá lugar para o comparativo entre bons e maus ou entre pobres e ricos. Penso que as pessoas também não estarão interessadas no blá blá blá que anuncia um governo ideal, sem erros ou imune à corrupção ou mesquinharias. Não, a disputa tende a ser entre os ditos e feitos do atual governo e os ditos e feitos do governo que antecedeu ao atual. E é aí que a porca torce o rabo. Penso que os números do governo em curso comparados com os números da antiga administração tendem a diluir o discurso oposicionista que tenta fazer dos números adversários do prefeito, por serem estes seu único objetivo.
Só para lembrar, por trás dos números existem pessoas na cidade e no campo beneficiadas com uma série de ações e iniciativas que, se não nasceram aqui, encontraram uma administração apta a recebê-los. Diferentemente do passado recente, em que o município perdeu milhões em investimentos devido a pendências e desacertos administrativos importantes. Deixo claro que aqui não vai uma defesa da atual administração, mas a constatação de quem busca pensar, antes de se deixar arrastar por qualquer apelo emocional.
Aliás, acredito que no próximo pleito a tendência é que a razão deva pesar mais que a emoção desenfreada. Mais do que gritarias e foguetórios, a maioria do eleitorado parece interessado em saber se a prefeitura não vai voltar a estacionar no CADIN; se as contratações de pessoal serão feitas por concurso ou pelo critério do apadrinhamento ou parentesco; se o patrimônio público além de não ser sucateado continuará a receber investimentos; se os investimentos em infra-estrutura não serão interrompidos. Mais ainda, se os servidores da prefeitura vão finalmente receber do futuro governo a remuneração salarial que merecem; se o desenvolvimento social vai passar a ser fonte do desenvolvimento econômico e não será confundido com assistencialismo.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

MST conquista escola para o município




O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem terra juntamente com a comunidade do Assentamento São Virgílio comemoram a conquista de uma escola para o município.
A nova escola contará com seis salas de aula e terá capacidade para 150 alunos do assentamento São Virgílio e arredores. O recurso para a obra, no montante de R$ 963 mil, tem origem nos governos federal e estadual, sendo o projeto técnico de responsabilidade da prefeitura municipal.
Segundo Edinaldo Azevedo, um dos representantes da região na direção estadual do MST, este investimento é mais uma demonstração da importância da reforma agrária, não apenas como alternativa para a geração de renda nos municípios anteriormente dependentes do latifúndio, mas também pelos investimentos que os municípios recebem em outras áreas importantes, a exemplo da educação.
A obra, desde a elaboração do projeto até a sua execução, será acompanhada por uma comissão composta pelos seguintes moradores do assentamento: Marta Inês Fernandes, Marilene Fátima Fernandes, Napolião Marcos Tasso, Elias Pompeu da Maia e João Luís Melo.
Esta conquista contou ainda com a participação do vereador Claudio Inhaia, presidente do Legislativo Municipal e lutador pela reforma agrária.

Música para os meus ouvidos

Para os dias de frio ou calor, Ana Carolina.
Para quem está amando, perdido ou a procura de amor, só ou mal acompanhado, Ana Carolina.
Para mulheres, homens ou adeptos de outros gêneros de amar, Ana Carolina.
Para sentir ou pensar, Ana Carolina.
Para arder ou queimar, Ana Carolina.
Para andar na multidão ou curtir as horas de solidão, Ana Carolina.
Para...
Ana Carolina, em qualquer lugar, em qualquer tom, em qualquer ocasião.


terça-feira, 21 de junho de 2011

Momento poético



Para Quê?!
(Florbela Espanca)


Tudo é vaidade neste mundo vão…
Tudo é tristeza, tudo é pó, é nada!
E mal desponta em nós a madrugada,
Vem logo a noite encher o coração!

Até o amor nos mente, essa canção
Que o nosso peito ri à gargalhada,
Flor que é nascida e logo desfolhada,
Pétalas que se pisam pelo chão!…

Beijos de amor! Pra quê?! … Tristes vaidades!
Sonhos que logo são realidades,
Que nos deixam a alma como morta!

Só neles acredita quem é louca!
Beijos de amor que vão de boca em boca,
Como pobres que vão de porta em porta!…

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Eu sou do sul

Nunca tive medo ou vergonha de dizer que sou cria da “terrinha”. Herval faz parte de mim do mesmo modo que faço parte dele.
Alguém há de dizer que tal gesto configura bairrismo exacerbado? Pode ser.
No entanto, prefiro ver nessa minha declaração de amor à terra que me pariu não um amor cego, mas a tentativa de aprender a lição do monumental Jose Martí, que ensinava: “Nenhum povo é dono do seu destino se antes não é dono de sua cultura”.
Busco conhecer e aprender permanentemente sobre as coisas e pessoas do lugar onde nasci, como ponto de partida e de apoio para desbravar o mundo inteiro.
E foi numa dessas minhas andanças pelo mundo, mais precisamente por este “mundão virtual”, que encontrei esta belíssima exposição de imagens da “terra do Herval”.
Fica aqui os meus parabéns ao autor desta obra-prima e também o meu desejo de que ele não queira me cobrar direitos autorais pela divulgação neste espaço. Afinal, tudo que é bonito é para se mostrar!


A palavra é gente



Apelo uma vez mais à sensibilidade da professora Gládis, de modo a trazer a lume essa trova temperada pela sabedoria popular:


“Pra viver junto contigo
prefiro viver no mato
tapado de folha seca
crivado de carrapato”.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Para além do desabafo



“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. No meu entender o pensamento de Antoine de Saint-Exupéry é indispensável para iluminar os casos e acasos da vida, e deveria ser bem observado também quando se trata das relações políticas.
Evoco este pensamento como ponto de partida para falar da perplexidade que vem tomando conta dos 833 eleitores hervalenses que ajudaram a reeleger o deputado federal Fernando Marroni (PT), entre os quais me incluo.
Ninguém nega ou desconhece o brilhante trabalho do deputado em prol da região, bem como a sua importante contribuição dada ao nosso município no passado recente, que culminaram na abertura de canais que levaram à superação de entraves administrativos antigos do governo municipal e a consequente obtenção de recursos para todas as áreas pela gestão atual da prefeitura.
O que se lamenta é o abandono dos vínculos aqui criados que fizeram de Marroni o deputado federal mais votado em Herval. Não se descuida de um vinculo e de um desempenho eleitoral desses sem ficar impune no futuro. Os erros na política, assim como na vida, sempre cobram seu preço. Por isso mesmo, é sempre bom alimentar o apreço por aqueles que cativamos.
O que se espera de um deputado não é que ele destine recursos ao município, até porque esta não é função de um deputado. O que a base que ajudou a eleger um deputado espera é que ele a represente em suas reivindicações ou conquistas. Que os vínculos criados no período que antecedeu o período eleitoral não se acabem no dia da votação. Que o deputado participe da vida da comunidade que contribuiu para a sua eleição, nos momentos festivos ou nas demandas de trabalho desta comunidade. Que responda aos pleitos a ele encaminhados, mesmo que seja para dizer da impossibilidade do seu acolhimento. Que nos eventos ou momentos importantes em que não for possível comparecer pessoalmente no município, que se faça representar pela sua assessoria.
E por falar em assessoria, não estaria aí a barreira que mais contribuiu para afastar Marroni de uma comunidade inteira que tanto o preza e depende da sua atuação parlamentar? Será que o deputado tem notícias dos ditos e feitos em seu nome por parte de alguns assessores do seu mandato? A indiferença é tanta, que alguns articuladores da campanha do parlamentar se queixam não ter recebido sequer um telefonema dos assessores após a corrida eleitoral para agradecer a confiança e o empenho.
Muitas questões, e do outro lado apenas o silêncio como resposta. Para além do desabafo fica o alerta: sempre é tempo para corrigir os desacertos. Afinal, errar é humano, mas persistir no erro é burrice.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Música para os meus ouvidos

Música para os meus ouvidos nos trás hoje um dos maiores encontros musicais que tenho notícias: Lenine e a bela Mexicana Julieta Venegas.

Simplesmente divino!!!

Pitada filosófica




O amor como meio, não como fim


É hora de substituir o ideal romântico do amor que basta em si mesmo (por isso não dura) por uma relação que traga crescimento individual. Há algo de errado na forma como temos vivido nossas relações amorosas. Isso é fácil de ser constatado, pois temos sofrido muito por amor. Se o que anda bem tem que nos fazer felizes, o sofrimento só pode significar que estamos numa rota equivocada. Desde crianças, aprendemos que o amor não deve ser objeto de reflexão e de entendimento racional; que deve ser apenas vivenciado, como uma mágica fascinante que nos faz sentir completos e aconchegados quando estamos ao lado daquela pessoa que se tornou única e especial. Aprendemos que a mágica do amor não pode ser perturbada pela razão, que devemos evitar esse tipo de “contaminação” para podermos usufruir integralmente as delícias dessa emoção – só que não tem dado certo. Vamos tentar, então, o caminho inverso: vamos pensar sobre o tema com sinceridade e coragem. Conclusões novas, quem sabe, nos tragam melhores resultados. Vamos nos deter em apenas uma das idéias que governam nossa visão do amor. Imaginamos sempre que um bom vínculo afetivo significa o fim de todos os nossos problemas. Nosso ideal romântico é assim: duas pessoas se encontram, se encantam uma com a outra, compõem um forte elo, de grande dependência, sentem-se preenchidas e completas e sonham em largar tudo o que fazem para se refugiar em algum oásis e viver inteiramente uma para a outra usufruindo o aconchego de ter achado sua “metade da laranja”.
Nada parece lhes faltar. Tudo o que antes valorizavam – dinheiro, aparência física, trabalho, posição social etc. – parece não ter mais a menor importância. Tudo o que não diz respeito ao amor se transforma em banalidade, algo supérfluo que agora pode ser descartado sem o menor problema. Sabemos que quem quis levar essas fantasias para a vida prática se deu mal. Com o passar do tempo, percebe-se que uma vida reclusa, sem novos estímulos, somente voltada para a relação amorosa, muito depressa se torna tediosa e desinteressante. Podemos sonhar com o paraíso perdido ou com a volta ao útero, mas não podemos fugir ao fato de que estamos habituados a viver com certos riscos, certos desafios. Sabemos que eles nos deixam em alerta e intrigados; que nos fazem muito bem. De certa forma, a realização do ideal romântico corresponde à negação da vida. Visto por esse ângulo, o amor é a antivida, pois em nome dele abandonamos tudo aquilo que até então era a nossa vida. No primeiro momento até podemos achar que estamos fazendo uma boa troca, mas rapidamente nos aborrecemos com o vazio deixado por essa renúncia à vida. A partir daí, começa a irritação com o ser amado, agora entendido como o causador do tédio, como uma pessoa pouco criativa e desinteressante. O resultado todos conhecemos: o casal rompe e cada um volta à sua vida anterior, levando consigo a impressão de ter falido em seus ideais de vida.
Os doentes acham que a saúde é tudo. Os pobres imaginam que o dinheiro lhes traria toda a felicidade sonhada. Os carentes – isto é, todos nós – acham que o amor é a mágica que dá significado à vida. O que nos falta aparece sempre idealizado, como o elixir da longa vida e da eterna felicidade. Diariamente, porém, a realidade nos mostra que as coisas não são assim, e acho importante aprendermos com ela. Nossas concepções têm de se basear em fatos, nossos projetos têm que estar de acordo com aquilo que costuma dar certo no mundo real. Fantasias e sonhos, ao contrário, têm origem em processos psíquicos ligados à lembranças e frustrações do passado. É importante percebermos que o que poderia ser uma ótima solução aos seis meses de idade, como voltar ao útero materno, será ineficaz e intolerável aos 30 anos. A bicicleta que eu não tive aos 7 anos, por exemplo, não irá resolver nenhum dos meus problemas atuais.
É preciso parar de sonhar com soluções que já não nos satisfazem a adaptar nossos sonhos à realidade da condição de vida adulta. Se é verdade, então, que o amor nos enche de alegria, vitalidade e coragem – e isso ninguém contesta –, por que não direcionar essa nova energia para ativar ainda mais os projetos nos quais estamos empenhados? Quando amamos e nos sentimos amados por alguém que admiramos e valorizamos, nossa auto-estima cresce, nos sentimos dignos e fortes. Tornamo-nos ousados e capazes de tentar coisas novas, tanto em relação ao mundo exterior como na compreensão da nossa subjetividade. Em vez de ser um fim em si mesmo, o amor deveria funcionar como um meio para o aprimoramento individual, nos curando das frustrações do passado e nos impulsionando para o futuro. Casais que conseguem vivê-lo dessa maneira crescem e evoluem, e sob essa condição seu amor se renova e se revitaliza.


por Flávio Gikovate

sábado, 11 de junho de 2011

Nem só de pão viverá o homem




A opção da simplicidade


Muitas pessoas reclamam da correria de suas vidas. Acham que têm compromissos demais e culpam a complexidade do mundo moderno. Entretanto, inúmeras delas multiplicam suas tarefas sem real necessidade.

Viver com simplicidade é uma opção que se faz. Muitas das coisas consideradas imprescindíveis à vida, na realidade, são supérfluas. A rigor, enquanto buscam coisas, as criaturas se esquecem da vida em si.

Angustiadas por múltiplos compromissos, não refletem sobre sua realidade íntima. Olvidam do que gostam, não pensam no que lhes traz paz, enquanto sufocam em buscas vãs. De que adianta ganhar o mundo e perder-se a si próprio? Se a criatura não tomar cuidado, ter e parecer podem tomar o lugar do ser.

Ninguém necessita trocar de carro constantemente, ter incontáveis sapatos, sair todo final de semana. É possível reduzir a própria agitação, conter o consumismo e redescobrir a simplicidade. O simples é aquele que não simula ser o que não é, que não dá demasiada importância a sua imagem, ao que os outros dizem ou pensam dele.

A pessoa simples não calcula os resultados de cada gesto, não tem artimanhas e nem segundas intenções. Ela experiencia a alegria de ser, apenas. Não se trata de levar uma vida inconsciente, mas de reencontrar a própria infância. Mas uma infância como virtude, não como estágio da vida.

Uma infância que não se angustia com as dúvidas de quem ainda tem tudo por fazer e conhecer.

A simplicidade não ignora, apenas aprendeu a valorizar o essencial.

Os pequenos prazeres da vida, uma conversa interessante, olhar as estrelas, andar de mãos dadas, tomar sorvete… Tudo isso compõe a simplicidade do existir.

Não é necessário ter muito dinheiro ou ser importante para ser feliz. Mas é difícil ter felicidade sem tempo para fazer o que se gosta. Não há nada de errado com o dinheiro ou o sucesso. É bom e importante trabalhar, estudar e aperfeiçoar-se. Progredir sempre é uma necessidade humana. Mas isso não implica viver angustiado, enquanto se tenta dar cabo de infinitas atividades. Se o preço do sucesso for ausência de paz, talvez ele não valha a pena. As coisas sempre ficam para trás, mais cedo ou mais tarde. Mas há tesouros imateriais que jamais se esgotam. As amizades genuínas, um amor cultivado, a serenidade e a paz de espírito são alguns deles.

Preste atenção em como você gasta seu tempo. Analise as coisas que valoriza e veja se muitas delas não são apenas um peso desnecessário em sua existência. Experimente desapegar-se dos excessos. Ao optar pela simplicidade, talvez redescubra a alegria de viver.

Pense nisso.

(Mensagem extraída do endereço eletrônico: http://momentoespirita.wordpress.com/category/motivacao/)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Versos para as mãos



Compartilho com vocês uns versos singelos e belos da lavra da amiga professora Gládis Soares.
Pessoa a quem muito admiro e sou grato pelo tanto dela que dedica a mim, inclusive o privilégio de propagar seu talento por meio deste cantinho que mantenho no “mundão virtual”:



Versos para as mãos



Mãos que escrevem, mãos que lavam
Mãos que afagam ou costuram
Mãos que tecem e mãos que cozem
Mãos que envolvem, mãos que procuram.

Mãos que se postam para rezar
Mãos para abraçar o ente querido
Mãos que seguram o filho querido
No seio moreno de viver sofrido.

Mãos delicadas da jovem donzela
Que vem na janela para acenar
Mãos calejadas da mulher roceira
Mãos da doceira, mãos de ninar.

Mãos que brilham ou mãos importantes
Mãos envolventes que juntaram as sobras.
Mãos que lavaram, mãos que colheram
Mãos que esqueceram suas grandes obras.

Mãos do arquiteto, mãos do doutor
Mãos do professor ensinando a escrever
Mãos do guri, mãos da rendeira
Mãos da parteira ajudando a nascer.

Mãos do capataz, mãos do estancieiro
Mãos do posteiro molhadas de suor
Mãos da cozinheira fazendo o seu pão
Mãos do peão feridas de dor.

As mãos da minha mãe, tão rudes, tão santas
De belezas tantas e de amor materno
Mãos que ensinaram com o coração
A fazer oração ao Pai Eterno

sábado, 4 de junho de 2011

Música para os meus ouvidos

Música para os meus ouvidos tem o prazer de trazer até vocês uma das estrelas de maior grandeza da nossa música. Sempre vale a pena ouvir, se deliciar e lambuzar ao som de Zé Ramalho!