Sobre o Blog do Toninho

O Blog busca retratar coisas da vida interiorana e do meu interior, numa abordagem que mistura reflexão, notícias, riso, poesia, musicalidade, transcedentalidade e outras "cositas más". Tudo feito com produções próprias, mas também com a reprodução do pensar ou do sentir dos grandes gênios que o país e a humanidade pariram.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Ato político



Gleisi Hoffmann: A solução virá com um estadista do povo


As sucessivas trapalhadas, gafes internacionais, desmontes do estado, dos programas sociais e as medidas que sacrificam à exaustão a capacidade de recuperação da economia brasileira e o bolso da população, promovidas pelo governo que está aí, trazem para o cenário de 2018 uma certeza: precisamos recuperar com urgência, internamente e lá fora, a confiança no Brasil. Não com discursos demagógicos, bizarros, moralistas, simplistas e irresponsáveis, mas com a seriedade que só a postura e os compromissos de um verdadeiro estadista do povo podem assegurar. E o presidente Lula, em seu governo, já demonstrou ser possível fazer.
Se as eleições presidenciais fossem hoje, de acordo com a mais recente sondagem do IbopeLula alcançaria 35% das intenções de voto na consulta estimulada, contra o segundo colocado nessa disputa, que teria apenas 13%. Mais uma vez os institutos de pesquisa confirmam o que as imagens da caravana de Lula Pelo Brasil, nas edições do Nordeste e de Minas Gerais, retratam, ou seja, sua popularidade e o apelo do povo por uma condução responsável, sensível às necessidades da população e séria na condução dos rumos do País. Quase como um grito de socorro.
Lula fez dois governos com responsabilidade na área fiscal e com superávit todos os anos. Mas priorizou a área social, a educação, a saúde, a assistência. Conciliou desenvolvimento e inclusão social. Valorizou o salário mínimo e aumentou muito os investimentos em infraestrutura. Por isso, tirou o Brasil do mapa da fome, para onde vergonhosamente estamos de volta.
A farsa da tal da política de austeridade e o disparate do teto de gastos alardeados pelo golpe não colam mais. Quanto se gastou para rejeitar as denúncias contra Temer e de onde saiu esse dinheiro? As pessoas questionam, mas as autoridades e boa parte da imprensa se calam.
Os setores empresariais, em especial aqueles que acreditaram que as reformas propostas seriam a tábua de salvação na crise e que promoveriam uma política fiscal que lhes favorecesse, inclusive anulando direitos sociais constitucionais, também já desencantaram. Esse teto de gastos foi pensado para ser cumprido com uma reforma previdenciária que massacrasse o povo pobre, mas que não mexesse um centímetro nos tantos privilégios que existem.
Nas andanças por Minas, Lula disse que quer mudar isso. Não tem como manter esse teto de gastos assim, sem parar todos os programas sociais, como Temer está fazendo; sem minguar o orçamento das universidades, a ponto delas fecharem as portas em um curtíssimo prazo; sem deixar de financiar a ciência e a tecnologia e sem deixar de investir em setores estratégicos do desenvolvimento e da soberania nacional. Se continuar dessa forma, o teto de gastos se transformará na extrema-unção da qualidade de vida do povo brasileiro. Um povo fadado ao desengano com relação ao seu futuro.
Não é a crueldade das medidas de reforma previdenciária, penalizando os pobres, as mulheres e as categorias diferenciadas pela natureza do trabalho pesado que exercem, a solução para os problemas do País. Muito pelo contrário. É possível fazer diferente, de forma equilibrada, justa e de modo a promover inclusão social, em vez dos privilégios. Tão pouco reduzindo o estado a fantoche de interesses externos. Não mesmo!
A quem serve o governo ilegítimo de Michel Temer, afinal? Ao mercado financeiro, aos ruralistas, grandes empresários, ao capital estrangeiro, especificamente os interesses norte-americanos, e a 300 parlamentares subordinados a esses mesmos comandos e de olho apenas nas vantagens individuais e imediatistas que puderem obter.
Digo e repito: precisamos urgentemente resgatar a confiança na seriedade e na responsabilidade do Brasil com sua economia e com sua gente. E a solução virá com um estadista do povo. Com um governo que novamente represente a grandeza desse gigante não mais adormecido, mas violentado e massacrado no seu direito de existir e de se desenvolver.
* Artigo originalmente publicado no Blog do Esmael
Gleisi Hoffmann é senadora (PT-PR) e presidenta nacional do PT

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Momento poético



As sem-razões do amor


Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


Carlos Drummond de Andrade

Altas conexões




quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Autorretrato


El tocador que usa o violão como instrumento para tocar um coração

Ato político


A briga e a revolta não eram em favor da decência no país? De jeito maneira. Como muitos avisaram, a briga sempre foi para criar um clima de histeria coletiva, de modo a permitir a volta dos indecentes ao poder, uma vez que pela via do voto os caminhos haviam se fechado para eles.

Tudo friamente calculado, gravado e amparado na fúria seletiva dos patos batedores de panela. Tudo parte do '"acordão nacional" com Supremo com tudo, como anunciou um dos mentores e próceres do golpe, Romero Jucá.

É o que lembra, com todas as letras, o sempre lúcido Juremir Machado da Silva...


Aécio, o grande escândalo


 Eu acreditei piamente que as pessoas batiam panelas e se vestiam de verde-amarelo, enchendo parques e avenidas, contra a corrupção. Acreditei ingenuamente que estavam acima de partidos e ideologias em luta pela justiça, pela transparência e pela punição aos saqueadores da nação.
Eu acreditei francamente que seriam coerentes e fariam o mesmo cada vez que uma situação equivalente se apresentasse. As decepções não tardaram.
Apareceram denúncias pesadas contra o presidente Michel Temer. Nenhuma panela bateu. Surgiu a mais impressionante série de provas gravada contra um senador, Aécio Neves. Silêncio absoluto. Nenhuma camiseta da CBF nas ruas. Tudo vazio.
Dilma Rousseff foi derrubada pelos eleitores de Aécio Neves. Por que panelas não bateram e não batem agora que a máscara do tucano caiu? Por que panelas não ecoam agora que Michel Temer será julgado, e salvo, pela segunda na Câmara dos Deputados sob graves acusações de corrupção? Vale lembrar que Dilma não foi derrubada sob acusação direta de qualquer ato de corrupção, mas pelas pedaladas fiscais. O que é mais grave: pagar compromissos governamentais com adiantamentos de bancos públicos sempre reembolsados ou receber propina de empresários? Os senadores que salvaram Aécio são os mesmos que afundaram Dilma em nome da moral. Por que as panelas não batem agora? Onde andam os jovens líderes de movimentos ditos apartidários em defesa de um Brasil limpo, novo, livre do cancro de políticos ladrões?
Eu acreditei realmente que a classe média brasileira não se deixaria novamente manipular, como acontecera em 1964, e que trataria todos da mesma maneira, com o mesmo rigor e a mesma convicção. O que tem feito Temer para merecer leniência? Tentou liberar uma reserva na Amazônia para a exploração total de minérios. Resolveu proteger o trabalho escravo. Não cobra uma dívida de 29 bilhões de ITR de ruralistas. Aprovou uma reforma trabalhista que precariza a vida da plebe. Vai insistir numa reforma da Previdência que levará muitos a morrer sem se aposentar. Corta verbas da pesquisa e da educação. Temer é o presidente dos sonhos do mercado. Que interessa a corrupção?
O STF prendeu Delcídio Amaral e afastou Eduardo Cunha sem consultar o parlamento. Primeiro deixou Cunha derrubar Dilma. Era útil. Quando chegou no queridinho Aécio, devolveu a decisão para o Senado, que tratou de salvar o parceiro tornando-se definitivamente a instituição mais desmoralizada do país e talvez do mundo. O STF provou que nossa justiça tem lado, classe e ideologia. Quando interessa, respeita a Constituição. Quando convém, atropela a Carta Magna sem o menor constrangimento em nome de algum entendimento alternativo. O caso Aécio é o maior escândalo da história da justiça e do parlamento brasileiros. O caso Temer vem a seguir. Sem contar o impeachment de Dilma, uma armação que levou ao poder um grupo crivado de comprometimentos judiciais. Vários do ministério inicial já estão na cadeia. A farra continua.
As panelas cozinham. A fúria moral passou.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Nem só de pão viverá o homem





Licença poética

Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Invade minhas veias e bebe os versos que se misturam aos glóbulos do meu sangue.

Bebe e, nessa alquimia, transforma minha seiva poética numa safra insuperável de sonetos.

Bebe lentamente e com gosto. Bebe e sorve e saboreia e engole tudo.

Até revirar meus olhos!

Até a última gota!

Até me virar do avesso!

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Momento poético



AMOR FEINHO

Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero um amor feinho.


(Do livro Bagagem. Rio de Janeiro: Record, 2011. p. 97)

Altas conexões



quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Ato político


A capacidade de pensar é o que nos distingue ou deveria distinguir dos bichos, algo cada vez mais raro e raso nesses tempos de histeria coletiva e tantas mentes formadas pelas opiniões interessadamente publicadas, postadas ou televisionadas.

Não percamos ou recuperemos a capacidade de pensar. Do contrário, logo ali estaremos parindo lobos ou vice-versa.

Eis a seguir um artigo que convida a pensar sobre política, a boa política, algo mais necessário que nunca. Afinal, política não é vilã da história. De certo não é nenhuma santa, mas política é elo que ligo pessoas e nações, tornando-nos mais humanos e conectados com os interesses que vão além do nosso próprio umbigo ou de pequenos grupos ou tribos.

O mal que muitos atribuem à política, não é causado nem culpa dela em si mesma. Na verdade, é a falta da política que instaura o caos e a histeria. É quando a política se ausenta ou é surrupiada que o bicho pega, pois não existe vácuo em termos de relações humanas e quando a política perde a vez o que existe é a guerra, a cacicagem, a negociata com aquilo que é público. Exatamente o que aconteceu no Brasil do golpe. E não por acaso, tudo friamente calculado por quem sabe que a política pode e deve ser ferramenta de humanização e inclusão de uma legião de pessoas historicamente invisíveis que, finalmente, vinham tendo alguma voz e vez.


Quem aplaudiu Obama tem que aplaudir Lula


O ex-presidente americano Barack Obama esteve no Brasil, num evento fechado aos políticos nacionais. Ele não queria, provavelmente, misturar sua imagem aos envolvidos, justamente ou não, na operação Lava Jato.

Curioso que tenha diagnosticado, segundo relato do colunista Igor Gielow, na Folha de São Paulo, a distância entre os cidadãos e o poder político como o combustível que alimenta o crescimento de movimentos autoritários nos EUA.
Outro ex-presidente, Lula, tem dito isso por onde passa:
-Descontentes com a política? Engaje-se nela, aconselha sempre aos mais jovens.
Obama disse que os frutos do divórcio entre o sistema político e as pessoas também estão presentes no Brasil.
Sabemos disso, Mr. President. Enquanto muitos fingem não ver, Jair Bolsonaro é a alternativa imediata caso Lulaseja cassado. E é Lula  quem pode, pelo seu histórico no governo, evitar o que Obama identificou como seu maior arrependimento no poder: não ter sido capaz de aproximar pessoas em polos opostos do espectro político. “Democracia é duro”. Sim, ainda mais quando, por meio dela, concilia-se sair do Mapa da Fome com virar credor do FMI, sem pedir ano a ano para o Congresso aumentar o teto de endividamento.

Obama disse, a respeito de sua gestão, que “Fomos bem-sucedidos em evitar uma grande depressão, mas não foi tão rápido assim, e as pessoas foram para cada uma para seu canto”. Pois que aqui Lula evitou rapidamente a contaminação, com a economia chegando a crescer 7,5% em 2009, usando métodos semelhantes.

Obama disse ser impossível argumentar com quem rejeita a ciência do aquecimento global, como o republicano Donald Trump. E, exatamente no Brasil, houve êxito em reduzir o desmatamento da Amazônia e protagonismo no Acordo de Paris, não por obra dos que podem assumir o governo brasileiro caso Lula seja interditado.

A Internet no Brasil também  “tribalizou a política”, com “o ódio espalhado pelas redes” contra quem fez uma gestão com vários pontos convergentes com a do presidente afro-americano, principalmente pondo em destaque a necessidade de atender aqueles que ficam para trás na globalização, pois “Em um mundo em que 1% detêm a riqueza, há instabilidade política”.
Não à toa, o Bolsa Família nacional virou exemplo recomendado pelo Banco Mundial para mitigar esta dramática realidade, tal como os grandes investimentos em seguridade social, como – e até mais estruturantes que – o Obamacare, que Trump quer desmontar (e por estas terras já está sendo posto abaixo por Michel Temer).
Se isto é “capitalismo liberal” na terra do Tio Sam, na de Zé Carioca se chama “lulismo”.
O acordo nuclear com o Irã é realmente exemplo de como a diplomacia pode suplantar o poderio bélico. E foi Lula quem plantou esta semente com Erdogan, chefe de Estado da Turquia.
E se soluções diplomáticas são preferíveis às situações como a crise envolvendo a Coréia do Norte, conforme palestrou Obama, a analogia cabe para com a da Venezuela, na qual Trump também prefere tanques e aviões, quando Lula ofertou, em seu tempo, um grupo de amigos.
Por saber das dificuldades do processo decisório no mundo, para a qual não faltam “soluções técnicas”, mas sim políticas, segundo Obama, Lula criou, no início do seu primeiro mandato, um conselho de desenvolvimento econômico e social para concertar distintos interesses e mediou as reconhecidas políticas de desenvolvimento.
A fome na África poderia ser resolvida em alguns países se os povos “não estivessem atirando um nos outros”. Uma verdade dita pelo ex-presidente Democrata. E, no Brasil, a pobreza extrema chegou próximo à erradicação por causa de políticas sociais que substituíram o tratamento aos mais pobres como caso de polícia.
Obama disse não querer “insultar” países com grandes recursos naturais e educação falha —referência clara ao Brasil (de acordo com o colunista já mencionado) e, após fazer citações futebolísticas, uma característica de Lula, disse que “não se ganha a Copa do Mundo” se “você deixar metade de seu time para trás”.
Segundo Gielow, ele se referia à falta de políticas para a inclusão educacional de mulheres e também de negros.
Houve muita resistência do status quo, mas Lula bancou diversas políticas para incluir negros e mulheres, como o Prouni ou a Lei Maria da Penha. A sucessora dele vinculou royalties do pré-sal à educação e ciência & tecnologia.
Diz-se que Obama recebera um cachê de US$ 400 mil para promover um governo – o dele – na terra do líder a quem chamou de “My man” na frente das 20 maiores economias do mundo.
Este recebia 200 mil para palestrar sobre seu sucesso à frente não do gigante do Norte, mas o do Sul.
O público – empresários e alguns atores políticos – da mesma forma, eram parecidos. Mas uma operação que gerou, por algumas distorções abusivas, o risco do Brasil cair nas mãos do autoritarismo, criminalizou aquela iniciativa.
Ao que parece, em São Paulo a plateia não deve ter gostado do que ouviu. Ou, então, certamente votará em Lula no ano que vem e, antes, fará oposição à caçada judicial em curso.

Sim, porque a palestra, cujo ingresso custou entre 5 a 7,5 mil reais  (enquanto Lula fala ao povo gratuitamente em caravanas regionais), bem que poderia ter sido feita pelo líder das pesquisas para 2018.

Por fim, nada contra recrutar jovens líderes da Fundação Lehmann. Porém, com certeza, jovens sindicalistas, sem-teto, sem-terra, fariam um belíssimo trabalho sendo o objetivo uma liderança progressista internacional.
É com eles que Lula pretende unir dois slogans de sucesso recente nos Estados Unidos: sim, podemos ser grandes outra vez.

Wasny de Roure, economista, deputado distrital e líder no PT na Câmara Legislativa do DF

Música para os meus ouvidos


O que é bom sempre pode ficar melhor. Hoje e sempre...




terça-feira, 17 de outubro de 2017

Autorretrato


Italianíssimo. Ou quase isso!

Licença poética



Peço licença novamente para entregar-lhes outras palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Teu nome forma uma palavra mágica que abre todas as portas, desvenda qualquer senha e dá acesso ao melhor do mundo.


Teu nome carrega formosura, conteúdo, atitude, líquido, concretude, rouquidão, cochicho, gemido, gritos, aconchego, desassossego, love, longe, perto, vaso, vazão, flores, espinhos e mel.


Teu nome começa com a letra mais dançante do alfabeto e rima com tudo que é belo e bom e faz bem e esbanja amor.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Momento poético



Quero, um dia, dizer às pessoas que nada foi em vão... 
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Pensar é preciso



Ser intelectual na era dos blogs


Intelectual de esquerda escrevendo no Facebook e no Twitter? O que é isso?
Na nossa formação política aprendíamos a diferença entre agitação e propaganda. Na agitação se difundem poucas ideias para muitos. Na propaganda, muitas ideias para poucos. Esta seria para a vanguarda, para os mais formados. Aquela, para a massa da população.
De repente, na era da internet, as alternativas são entre os 240 toques do Twitter ou os espaços maiores do Facebook. O que significa isso? Que possibilidades dão para a socialização de informações sonegadas pela mídia e para fazer a luta de ideias?
É verdade que não são apenas essas as alternativas. Eu tenho Facebook e Twitter, que já somam 125 mil seguidores, mas também escrevo artigos para o Brasil 247, para a Rede Brasil Atual, para o Blog da Boitempo. Além de que meus artigos são regularmente republicados em portais como o Pagina 12, da Argentina, no La Jornada, do México, no Publico, da Espanha, no El Telegrafo, do Equador, entre outros. E publico livros de autoria própria e organizo livros coletivos, claro. Portanto pode-se combinar diferentes formas de expressão das mesmas ideias em formatos diferentes.
Brecht dizia, nas suas dificuldades para dizer a verdade, que a última e a maior delas era exatamente fazer chegar a verdade a quem mais precisa da verdade. Portanto não basta uma boa analise. É preciso que ela seja expressa em linguagem compreensível para a grande maioria. Que ela encontre os meios para chegar a essa grande maioria.
A internet é hoje o melhor meio para isso. Expressar grandes verdades em 240 caracteres? Claro que é possível! Expressa-las no Facebook? Claro que é possível.
Intelectual que se resigne a ficar em casa, lendo jornais, escrevendo, de vez em quando, algum artigo, publicado para poucas pessoas, ou livros ilegíveis, para anunciar a catástrofe à qual caminha a humanidade, não existe. Suas ideias não circulam socialmente. Ele fala para seus pares.
Marxismo não combina com elitismo e com aristocratismo. A internet – entre Facebook, Twitter, Blogs – é um ótimo teste para se saber se as ideias que temos são traduzíveis em formatos e em linguagens simples, se conseguem chegar a um mundão de pessoas, se chegam aos jovens, se podem se transformar em força material.
Triste do intelectual que se fecha a esse mundo, com suas verdades, seus pares, sua vida acadêmica, suas certezas. Faz do marxismo letra morta, o contrario do que queria Marx e do que pede a realidade.

    Por Emir Sader


Rir é o melhor remédio



quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Cenas da vida inventada





Licença poética



Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Se algum dia fechares a porta para o meu sentimento, antes de ir embora vou tentar entrar pela janela ou pelo telhado ou disfarçado de entregador de gás.


Depois disso, se nenhuma fresta se abrir, vou partir levando minha alma embora, porém meu coração enorme, que não cabe em nenhuma mala, terá que ficar para trás.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Ato político



Brasil, grande Suécia


Sou louco pela Suécia. Doido de atar. Não passa um mês sem que eu fale da Suécia em palestras ou na frente do espelho. Sonho que o Brasil se transforme numa grande Suécia. Uma Suécia tropical misturando funk, samba, bossa nova e algo mais. Sertanejo universitário não precisa. Os suecos achariam primário. A Suécia é a minha tara. País mais democrático e menos desigual do mundo. O rei reina, mas não governa e não faz escândalos como a monarquia inglesa. Não há controle de constitucionalidade. Nem auxílio-moradia para juiz.
Podemos vir a ser uma grande Suécia? Muita gente acha que não e culpa o clima. Igualdade e democracia não combinariam com o calor. É um preconceito típico de quem ganha muito sem suar a camisa. A Suécia tem dez milhões de habitantes e um parlamento com 349 membros. Proporcionalmente o nosso não é grande como dizem. Apenas incompetente e voraz. A Suécia tem uma economia mista fortemente baseada na exportação de produtos industrializados. Alia como poucos a cultura empresarial e a participação do Estado na vida das pessoas. Adoro este dado: o sueco, descontados todos os impostos, embolsa 40% do valor nominal bruto dos seus ganhos. Não é bonito, instrutivo, edificante?
Quarta economia mais competitiva do mundo, a alta carga tributária não gera um “custo Suécia”. Embora existam escolas públicas e privadas, a educação é gratuita. Assim como o material escolar, a alimentação e o transporte dos estudantes. Há déficit de professores na Suécia. Culpa do salário mensal baixo: em torno de R$ 13 mil. A solução tem sido diminuir a carga horária docente e aumentar a remuneração. Com um dos melhores rendimentos escolares do planeta, a Suécia só faz avaliações com notas a partir da sexta série. Até esse patamar nada de reprovação. Estuda-se remeter a avaliação para mais tarde ainda de maneira a diminuir a pressão sobre os alunos. O dever de casa é considerado anacrônico, ineficiente e está em extinção.
Um dos pontos mais importantes da educação na Suécia atualmente é a questão de gênero. Procura-se abolir o tratamento por ele e ela. Há um pronome neutro para designar meninos e meninas e banheiros unissex. Que país maluco. Investe quase 8% do seu PIB na formação das crianças e jovens. Cada cidade compromete 42% do seu orçamento com educação. A Suécia proibiu legalmente a palmada em 1979. Tudo lá é tedioso. Pouca violência, quase sem polícia na rua, prisões vazias, jornalismo policial sensacionalista não tem audiência nem razão de ser. Lixeiro casa como médico e os dois têm salários quase iguais.
O Brasil pode vir a ser uma grande Suécia? Dificilmente. Por causa do clima? Claro que não. Por causa da elite brasileira escravocrata. Ela não deixa. Não quer. Gosta de viver perigosamente. Prefere morar em fortalezas e circular em carro blindado a dividir o bolo de modo igualitário. A prioridade dos suecos é a justiça social. A das elites brasileiras é a política de segurança pública. Leia-se, repressão. Traído por sua burguesia, antiprogressista, o Brasil busca no atraso o seu futuro. O custo Brasil tem nome: conservadorismo.

Por Juremir Machado da Silva

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