quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Versos para os olhos



Compartilho com vocês uns versos da professora Gládis Soares, a quem nutro uma profunda admiração.




Olhos azuis de um tom profundo
Não há no mundo, maior ternura
Olhar divino do Senhor na Cruz
Olhar de Jesus por toda a Criatura.

Olhos pretos cheios de paixão
Falam ao coração de um jeito quente
Olhar de amor, olhar fulminante
Súplica constante e de amor ardente.

Olhos verdes da cor da Natureza
De tanta beleza, da cor deste Pampa
Olhar que estampa pureza e magia
Olhar de alegria, onde a paixão acampa.

Olhos castanhos, gene dominante
Olhar constante de amor e paz
Promessa de futuro e de aconchego
De eterno sossego que nos satisfaz.

Olhos da minha mãe, esverdeados, profundos
Olhando o mundo, com trabalho e coragem
Ao fim de sua vida, seu olhar com tristeza
Humilde beleza, deixando a mensagem.

Feliz ano novo?



Trago à luz pública uns versos do poeta hervalense Igor Borges, como forma de apreciar o que é nosso e também desvelar a alma desta terra sulina.

Foi dormir o louco? Eu ainda não o vi!
Tão famoso na cidade, normal vê-lo por aí.
Será que cresceu e esqueceu-se daqui.
Ou será que ganhou o mundo numa bicicleta
Que nunca vi.
Pois é, o louco é famoso e louco de engraçado.
Ver o louco leproso correr e cair.
É uma cindro-me de DAL que miro nesse fim onde nasci.
Lá a rua pechava no mato e o mato se perdia em ti.
Lá brincavam pássaros gatos cobras e os loucos que cresceram ali.
Era da cultura comer pitanga, brincar de matar na sanga,
Escrever na terra e até sorrir.
Era da cultura ver Dalmiro correr de carro:
Com uma direção de vento nas mãos
E uma descarga de carro na boca babada de cão.
Era da cultura usar roupa branca,
Comer lentilha e partilhar o pão.
E o era também, ver Dalmiro que ainda não vi.
Mas lembro dele em tantos Dalmiros,
Que insistem em proliferar-se por aqui.

Era poético ver o louco profeta pedalar
Uma bicicleta que não chegou existir.