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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Seminário discute redução no uso de agrotóxicos no RS





Evento realizado nesta sexta-feira (7) foi promovido pelos deputados Marcon e Edegar Pretto, e contou com a presença da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira

Imagine tomar 8 litros de veneno por ano. Isso parece absurdo? Infelizmente, é o que cada gaúcho consome de agrotóxicos anualmente, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). No Noroeste gaúcho, região de Santa Rosa, onde há grandes extensões de plantações de soja, esse número sobe para 30 litros por ano. “Isso é alarmante,” disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, no Seminário A Realidade e as Consequências do Uso de Agrotóxicos no RS, nesta sexta-feira, 7, na Assembleia Legislativa do RS.

O evento, realizado pelo deputado federal Dionilso Marcon e deputado estadual Edegar Pretto, ambos do PT/RS, tinha o objetivo de estabelecer um debate com a sociedade sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde e meio ambiente, e discutir medidas para o enfrentamento, como políticas públicas que estimulem a produção de alimentos saudáveis. Durante o Seminário, foi lançada a Frente Parlamentar Gaúcha em Defesa da Alimentação Saudável.

Brasil é campeão no uso de agrotóxicos

Desde 2008, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de consumo de agrotóxicos: 1 bilhão de litros por ano. De acordo com dados da Anvisa, enquanto nos últimos dez anos o mercado mundial de agrotóxicos cresceu 93%, no Brasil, esse aumento foi de 190%. A estimativa é de que, hoje, cada brasileiro consome na alimentação uma média de 7 litros de veneno por ano.

Diante de uma plateia de mais de 800 pessoas, no auditório Dante Barone da Assembleia Legislativa, o deputado Marcon declarou que neste ano, no Brasil, mais de meio milhão de pessoas poderão ser diagnosticados com câncer, vítimas do uso de agrotóxicos.  Ele também criticou o uso de venenos no Brasil proibidos em países da União Europeia e Estados Unidos.

A ministra Izabella Teixeira alertou para dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). “Entre os países em desenvolvimento, os agrotóxicos causam, anualmente, 70.000 intoxicações agudas e crônicas. Cerca de 70% dos alimentos consumidos no país estão contaminados por agrotóxicos,” lamentou a ministra.

O contrabando de Agrotóxicos

Outro problema destacado pela ministra é o contrabando de agrotóxicos no País. Tem muito produtor rural usando agrotóxico banido, que é comercializado ilegalmente no País, e vem de contrabando de países da fronteira”, afirmou.

Além disso, a venda de produtos supostamente orgânicos, mas que contêm misturas com agrotóxicos, e a utilização em excesso de produtos liberados também são questões que precisam ser regulamentadas.

CAR é a oportunidade de proteger quem preserva

A ministra Izabella Teixeira apelou para que os proprietários rurais gaúchos façam o Cadastro Ambiental Rural (CAR) para acabar com o “achismo” ambiental. “Todos os imóveis rurais devem ser cadastrados para que sejam identificadas as Áreas de Preservação Permanente, Áreas de Reserva Legal e Áreas de Uso Restrito nas propriedades, além das áreas que precisam ser recuperadas (passivo ambiental),” explicou Izabella.

Ela mostrou um mapa com dados oficiais que revelam que o RS é o estado com menor número de propriedades cadastradas.

Alimentação orgânica é uma alternativa

O consumo de alimentos orgânicos - não contem agrotóxico no cultivo- é uma alternativa ao uso de venenos.  O deputado Marcon reside no Assentamento Capela e integra uma cooperativa que produz alimentos sem agrotóxicos. “Nossa cooperativa colhe, por safra, mais de 50 mil sacas de arroz orgânico, além de criar suínos e produzir leite, o que demonstra que é possível obter lucros sem usar agrotóxicos,” explica o parlamentar.

Quanto ao fato de que os alimentos orgânicos ainda são um pouco mais caros em relação aos tradicionais, Marcon conclui: “O que você gasta a mais com os orgânicos, vai economizar na farmácia em remédios.”

Texto: Marci Hences
Fotos: Guilherme Bertollo
Assessoria de Imprensa deputado Marcon

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