Sobre o Blog do Toninho

O Blog busca retratar coisas da vida interiorana e do meu interior, numa abordagem que mistura reflexão, notícias, riso, poesia, musicalidade, transcedentalidade e outras "cositas más". Tudo feito com produções próprias, mas também com a reprodução do pensar ou do sentir dos grandes gênios que o país e a humanidade pariram.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Pensar é preciso


Fim da novela


A novela do ‘mensalão’, que se arrastou por oito anos, teve seu capítulo final ontem com fim melancólico, sem muita graça ou surpresa, depois de ter sido rotulada de maior escândalo de corrupção da história brasileira.
Foi, de fato, o maior escândalo de corrupção, mas não a maior ou mais lesiva corrupção. Maior escândalo, o de mais repercussão. E, como sabemos, "repercutir" é um dos verbos mais usados nas assessorias de imprensa.
Repercutiu muito, talvez até em demasia, tomou centenas de horas de nossa atenção, pautou o noticiário político por quase uma década. Isso é mais que suficiente para aceitarmos a veracidade do “maior escândalo”, nunca da maior corrupção.
Estamos vendo, concomitante à prisão dos “mensaleiros”, a questão do desvio de meio bilhão de reais dos cofres da prefeitura de São Paulo, num conluio entre a administração pública, alguns de seus funcionários e uma parte considerável das construtoras que atuam na capital paulista. Ao mesmo tempo, o Metrô de São Paulo, assim como a CPTM, também estão na berlinda quando se fala de desvios vultuosos de dinheiro público.
Maior escândalo, repito, não é maior corrupção, sequer a mais lesiva.
De qualquer maneira, a novela dos “mensaleiros” parece mesmo ter tido um fim. Sem muita comoção, pois estávamos um pouco de saco cheio do enredo. Teria durado demais.
O ponto é que esta duração não só pautou a mídia (e por ela foi pautada, em um moto-perpétuo) e os lares; virou pauta quase que única da oposição. A direita deitou e rolou no tema, apontando o dedo em riste para o PT, afinal corruptos são sempre os outros. Como ideiafix , refestelaram-se.
A novela acabou. Com ela, as revistas e jornais de fofoca mudarão o tema.
Para alguns diretamente interessados, acabou cedo demais. Perdeu o mote e o calendário político. Aquilo que não funcionou nas duas últimas eleições, quando a audiência estava alta, não funcionará nas próximas.
É agora que a oposição terá que se reinventar. Terá que parar de apontar o dedo e construir planos, pautas e projetos para o país. O denuncismo, a indignação falsa, fingida, não colou.
Por esta perspectiva, o fim da novela veio bem a calhar. Não deu os resultados políticos que esperavam, ansiavam, sonhavam orgasmicamente.
Se ainda anseiam por algo, terão que se adaptar e passar do denuncismo para uma agenda positiva. Isso poderá criar debates, discussões, enfim.... política. Resta saber se, depois de tanto tempo vivendo ao redor de uma novela, comentado-a nos elevadores, a oposição terá fôlego e preparo para tal.



5 comentários:

Anônimo disse...
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Anônimo disse...

Boa tarde Toninho!
Observei em tua postagem que visa a defesa do partido, e naturalmente também o bando de corruptos que são acobertados pelo o PT, digo, não só deste partido, mas de todos, que pelo dinheiro não tomam seus lados e sim se unem para participar da ladroagem. Não sou partidário, por isso consigo ter uma visão mais ampla da situação e te digo que: o povo brasileiro aplaude com muito orgulho a decisão do STF (Min. Joaquim Barbosa) de colocar na cadeia os canalhas que meteram a mão no nosso dinheiro. E quanto ao outro caso, esperamos que seja investigado a fundo e os principais culpados sejam punidos com muita severidade. Abraço, VS.

Toninho Veleda disse...

Olá,

Agradeço seu comentário. Todas as manifestações, desde que respeitosas e serenas, como a sua, são bem-vindas por aqui.
No entanto, não acredito que o fato da pessoa não possuir vínculo partidário a torne melhor ou mais lúcida.
Em muitos casos, a ideologia tende a opacizar a visão humana, mas acreditar que a simples falta de vinculação a uma agremiação partidária - repito -, nos torne melhor e mais lúcidos, seria um grave equívoco sob o ponto de vista filosófico. Seria o mesmo que acreditar no contrário. Ou seja, que todos que se envolvem com política partidária são corruptos ou corruptores. O Nazismo nasceu e se nutriu fartamente dessa linha de pensamento.

Toninho Veleda disse...

Portanto, minha defesa não se limita ao partido nem sou tolo ao ponto de negar que houve corrupção nesse episódio alardeado como "mensalão".
Defendo, em primeiro lugar, o arcabouço jurídico instituído no país. Isto é, se tal julgamento não teve finalidade e conotação política, por que o chamado "mensalão" do PSDB de Minas Gerais, esquema tão grave quanto esse julgado e condenado pelo Supremo, recebeu da parte da mídia e do próprio judiciário um tratamento muito mais brando em termos noticiosos e jurídicos? Quem souber responda ou cale-se para sempre.
Por que o Roberto Jefferson, denunciante do suposto "mensalão", teve seu mandato de deputado caçado? Eu respondo: porque ele não conseguiu provar a existência de um esquema para a compra de deputados e, em razão disso, perdeu o mandato por quebra do decoro parlamentar.
Outra pergunta: Quem são os deputados que supostamente recebiam mesada e por que eles também não foram julgados e condenados pela justiça? E mais: por que um governo que possuía imensa maioria no Congresso e enorme apoio popular iria deixar essa bola picando para a grande mídia e a oposição?
Outras perguntas que não querem calar: por que, o Zé Dirceu fora julgado pelo STF mesmo depois de ser absolvido em diversas instâncias do judiciário e de perder o mandato de deputado e, consequentemente, o foro privilegiado? Mesmo no julgamento no Supremo, e isso não sou eu quem digo, não foi encontrado nenhum elemento fático que ligasse o ex-ministro ao propalado esquema. Por isso digo que minha defesa vai além da mera questão partidária, ao condenar um réu sem provas, o STF abriu um precedente inédito e muito perigoso no marco jurídico do país, bem aos moldes dos regimes de exceção, criando a possibilidade de que dependendo da opção partidária do indivíduo, se venha a ser condenado ou absolvido pela Justiça.
O que também não concordo é com a tese do tal desvio de recursos públicos para pagamento de mesada a parlamentares. Na vida real, isso se revelou uma grande mentira e não existe nem uma prova, sequer indícios desse suposto esquema. Nem mesmo o Judiciário, depois de anos de investigação conseguiu provar tacitamente a existência do mensalão nos moldes em que ele foi alardeado. Eis aqui mais uma imitação da propaganda Nazista que repetia uma mentira muitas vezes até torná-la verdade absoluta e inquestionável.

Toninho Veleda disse...

O que existiu foi algo confessado pelos réus desde o momento que o esquema veio à tona. Ou seja, uso de caixa dois para bancar campanhas dos partidos aliados ao governo nas eleições municipais de 2004. Um crime gravíssimo e que precisa ser punido, inclusive, com a prisão dos responsáveis por tal prática.
A questão é que o caixa dois não pode ser combatido apenas com boas intenções e menos ainda com falso moralismo. Ademais, se todos os praticantes desse crime fossem punidos, a maioria dos políticos eleitos no país iriam parar na cadeia.
Muitos políticos não utilizam ou utilizaram o caixa dois não pelo gosto da corrupção, mas porque o sistema político-eleitoral induz a essa prática. Para combatê-la profunda e honestamente, somente uma ampla reforma política que os mesmos que bradam e apontam o dedo contra os "mensaleiros" impedem que aconteça.
Aliás, no caso do Zé Dirceu, nem mesmo a participação nesse esquema de caixa dois ficou provada.
Apesar da gravidade desse esquema de financiamento eleitoral, penso que mais grave é utilizar esquemas semelhantes para enriquecimento pessoal ilícito. Mais grave ainda, é entregar o patrimônio público a preço de banana, tal qual os governos dos tucanos no Brasil e seus aliados em muitos estados(inclusive no RS). Algo que além de usurpar e jogar pelo ralo o patrimônio que era de todos, serviu para alimentar esquemas multimilionários de corrupção, nunca denunciados pela mídia e menos ainda julgados pelo mesmo STF que acaba de colocar os argumentos políticos acima dos preceitos jurídicos.

Fraternal abraço, Toninho

Pitada filosófica