Sobre o Blog do Toninho

O Blog busca retratar coisas da vida interiorana e do meu interior, numa abordagem que mistura reflexão, notícias, riso, poesia, musicalidade, transcedentalidade e outras "cositas más". Tudo feito com produções próprias, mas também com a reprodução do pensar ou do sentir dos grandes gênios que o país e a humanidade pariram.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Osmar e eu...




Devo muito a Osmar Hences, mais até do que eu mesmo imagino. Lembro-me e me orgulho em propagar o quanto ele teve influência em minha vida: nas sugestões de leituras; na leitura amorosa e crítica de meus escritos; na insistência para que a poesia fosse incluída no meu cardápio de leituras, como um meio de tornar meu texto mais leve e breve; na audição compartilhada de boa música; nas conversas pedagogicamente despretensiosas acerca da vida e das cercas da vida; nas muitas horas doces acompanhadas de um mate amargo; na valorização do meu ser como gente, eu que muitas vezes andei abandonado, inclusive por mim mesmo...

Por tudo isso, acabamos nos tornando por alguns anos quase como irmãos siameses. O laço que nos unia era um misto de alma e visceralidade, algo que a ignorância ou a mesquinharia alheia talvez confundisse e supusesse tratar-se de alguma ligação sexual. Longe disso, nosso único prazer advinha da nossa comunhão dialógico-reflexiva. Nada mais. Quem pensar ou pensava ao contrário, é porque ainda não descobriu os prazeres da alma que viaja para além das coisas da carne. Carne que a terra um dia há de comer e que antes disso, tende a consumir-se no consumismo ou na fumaça escura das acusações infundadas da vileza alheia, muito provavelmente para esconder ou justificar a sua própria!

Osmar foi para mim muito mais do que um grande amigo. Era impossível estar perto dele sem pensar profundamente não apenas nas relações sociais desumanizantes das gentes, mas na nossa própria condição de sujeitos que nem sempre assumem sua sujeidade. Para mim, era humanamente impossível conviver com aquela criatura sem me deixar contagiar com a alegria e o amor à vida que habitavam no seu ser.

Por isso, uma parte dele continua “vivinha da silva” em mim. Da mesma forma, imagino que um pedaço meu tenha partido junto como ele para o mundo da transcendentalidade no qual ele habita e, muito provavelmente, continua a tarefa de educar os outros, educando-se a si mesmo.

2 comentários:

Shirlei Danemberg disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Shirlei Danemberg disse...

Obrigada por descrever tão bem este ser incrível que tive o prazer de conhecer e conviver! Na minha vida ele foi como um divisor de águas.

Arte nas alturas