O Blog busca retratar coisas da vida interiorana e do meu interior, numa abordagem que mistura reflexão, notícias, riso, poesia, musicalidade, transcedentalidade e outras cositas más. Tudo feito com produções próprias, mas também com a reprodução do pensar ou do sentir dos grandes gênios que o país e a humanidade pariram.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Momento poético


PAMPEANA (Basílio Conceição)

Vou te mostrar uma canção
Estranha e só
Nasceu por si
Pra ti pampeana

Foi como um sopro em minhas mãos
No meu cantar
No que eu amei
No que busquei
Em tantas virações

Nos temporais
Por onde andei
Por onde andavas

Só não me estranha se eu pedir
Um trago a mais
É que eu jurei
Me embebedar
Por noites e manhãs

Olha pra mim
Despeja em mim
Tua saudade
Tua solidão

Não quero mais
Amor assim de cão
Quero teu cheiro
De canavial

Bailão lá fora
Pra te apertar
E seduzir teu cheiro de animal

Olha pra mim
Te gosto assim
Índia pampeana

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Licença poética...


Peço licença para entregar-lhes mais algumas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser...


Pensando bem, é preferível que me queiras mal, a não me quereres de jeito nenhum...

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Não há mal que sempre dure nem mel que nunca se acabe.

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Se não existisses deverias ser inventada.
Mas existes, pro bem dos meus dias e da poesia!

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Nem sabes como sofro com esse frio.
Ainda bem que o meu coração se aquece por ti.

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Eu preciso dizer que te amo.
Não este amor de pele, de cama, de calor insuportavelmente frio.
Te amo como se ama as plantas que brotam em meu peito e o mar que molha minha alma que se levanta por te amar.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Lembrando o "sor" Osmar



Nesses dias de magros assuntos, que tal um conto?

“Eu 15 anos, nos meus trinta. Ela uns olhos azuis com gotas de horizonte por orvalho. A pele de nuvem. Houve uma época, em minha infância que eu pensava que as nuvens eram de algodão, e que grandes escadas postas nas montanhas elevavam homens para cortar as nuvens e vende-las em embalagens em que se lia: algodão. Eu era um menino do campo. E era com nuvens alvas que minha mãe limpava as mazelas do corpo rasgadas pelos campos de futebol. Seria, portanto, um pedaço de céu com nuvens que me curaria a alma inquieta na gaiola do corpo ansiando infinito. Como o algodão suga e se encharca das chagas ela poderia se encharcar de mim me arrebatando as magoas liquidas da solidão dos meus vícios.
Era sempre ela que aparecia e era aquela réstia de céu dentro de casa. A sombra fugia a sua chegada. Ela carregava um micro sistema de luz em suas pegadas. Eu dobrava os caminhos torcia as esquinas para encontrar com ela, só para poder dobrar o joelho em sua presença. Eram joelhos dados a reverência.
Às vezes eu chegava na sala e ela sentada, as pernas enormes semi-abertas, o corpo como um pano mole de preguiça se ajustando aos contornos da cadeira, acompanhado as paredes do vestido. Me mirava, depositando as duas fatias de céu em mim, e abria um leve sorriso. Mas tão leve que mal marcava os cantos da boca, como se uma borboleta ensaiasse um vôo pequenino sem o fazê-lo. Depois, seguia fingindo viajar dentro de si, numa distração sem par. Minha língua engordava de desejo de compreender o corpo dela letra por letra célula por célula pelo por pelo. Era um desejo físico de provar as moléculas, as gotas desconhecidas, beber-lhe a saliva do sexo o cheiro da axila a garapa da boca. A língua é órgão afoito ao sabor.
Um dia, dessas coisas da sala, era verão e brotou uma primavera no colo dela. Foi no momento em que ela, se ajeitando na cadeira, abriu mais as pernas. Eu tive certeza que ela fazia por preencher seu gosto de ter meu olhar noturno atilhado ao céu dos olhos dela.
Me afastei.
Me chamou.
Ardeu um fogaréu em mim.

Tem lances, no jogo de futebol, em que o adversário faz um movimento tão violentamente repentino que nos prega ao chão, e a bola passa lenta, debochada, entre as pernas, um segundo carrega sem esforço um século na ilharga. E a gente ali, pasmo. O pensamento a reverter a jogada, já que o corpo carrega o mundo. A voz dela era assim, como um adversário que faz uma jogada surpreendentemente previsível e nos pega desprevenido. Eu vi o som de sua fala, como uma bola debochada, passar por entre as pernas da minha fraca vontade de afastar-me. O que tinha de parentesco com o Garrincha aquela voz de quincha nua?
Reparei que minha língua se intumescia enredada nas curvas do desejo. Aquele chamado significava muito. Finalmente iria soletrar, numa língua arrastada, lambida, os escaninhos escondidos de um corpo que era puro mistério. Enquanto o comum dos homens deixa de ser comum por repartir o pão, eu repartiria a alma. Eu treparia pelas paredes do mundo e escreveria o nome dela nas partes pudicas da galáxia subiria nu ao céu e faria escorrer uma missa entre unhas e dentes e teria o gosto do corpo dela preso na ponta da língua de inventar lambidas.
A voz dela era uma isca do avesso. Era como se minhas pernas se abrissem voluntariamente para o aplauso da passagem da bola. Eu tinha novamente a chance de levar um gol nos descontos. Senti a saliva quente daquela boca que abrigou meu nome, encharcando os fonemas da fala que uso. Fustiguei o contentamento. Interrompi o percurso do sorriso. Me voltei, desinteressado. Já me via lambuzado da hóstia dos mamilos dela, santificado por suas auréolas bentas, bebendo o suor no cálice sagrado do púbis. Carregando outra vez a cruz de ser homem. Eu, que não passava de um triste menino do campo.
Não era somente meu prazer que estava na luz dos lábios, ela transgredira a fé no pudor nostálgico de seus “aí não pode.”.
Ela se abstinha de sentir um prazer que o corpo carregava na pele quente, e isso, por si só, já era pecado. Mas maior pecado ainda, era não permitir que um outro corpo sentisse o prazer que ela escondia entre as mãos, entre os lábios, na mordida branca e firme de seus dentes...
Diante da irremição terrível de um pecado mortal, ela entreabriu os lábios imensos e ensinou a minha língua a fala afável do favo, caminho que conduz ao mel. De suas axilas aprendi a fala agridoce da floresta. Do cálice escuro de seu sexo aprendi o idioma noturno das águas salobras. E há ainda muitos centímetros de idioma a serem aprendidos e descobertos. Não temos pressa.”

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Miriam Marroni inaugura Comitê em Herval




O Partido dos Trabalhadores de Herval inaugurou, no último dia 13/8, o Comitê Eleitoral Dilma Presidente e Tarso Governador.
O ato político prestigiado por um grande número de pessoas, contou com a presença da candidata a deputada estadual Miriam Marroni.
Logo após o ato inaugural do Comitê, Miriam ainda visitou o jornal O Herval e participou de um jantar com apoiadores da sua candidatura. Miriam é uma das maiores lideranças políticas do sul do RS, com uma trajetória marcada por um trabalho árduo e competente em prol do desenvolvimento da metade sul do Estado. Ela pretende voltar à Assembléia Legislativa para articular programas e investimentos que melhorem a vida das pessoas e assegurem voz e vez a nossa região no cenário político estadual, sobretudo nas áreas da educação, cultura e do desenvolvimento econômico com justiça social.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Filosofando...



(...) A verdade é que ninguém colhe o que não semeou. As grandes transformações históricas são como um fruto e precisamos respeitar o seu tempo de maturação. Não basta o fruto brotar, é preciso que ele esteja maduro para que possamos saboreá-lo. E antes da colheita do fruto vem o cuidado com a árvore que o abriga, um cuidado que precisa iniciar antes mesmo do nascimento do fruto. Antes do nascimento do fruto também vem o cuidado com a semente. Antes que a árvore possa produzir frutos deve existir o cuidado com o solo, de afastar as plantas “invasoras”. Além do cuidado de semear a árvore na estação correta.
O fruto pode até nascer e morrer por si mesmo, sem que precisemos meter-lhe o bedelho. O clima, o solo, a planta, tudo perfeito para o nascimento do fruto. O fruto pode estar nascido, pode estar ali à vista de todos; uma verdadeira obra-prima, que até parece ter brotado pela mão dos anjos. Mas e se as pessoas que rodeiam a árvore e seus frutos estiverem interessadas mesmo, em comer carne, se elas são carnívoras? Nós que enxergamos o fruto e conhecemos o seu sabor, também nos tornaremos carnívoros ou vamos ficar sentados ao pé do fruto, xingando a todos que se desviam da sua direção, dizendo: “hei, seu idiota, vem degustar o fruto da vida. Como podes passar pelo fruto da vida sem reparar na sua beleza e sem querer te nutrir com as suas proteínas?” O que fazer? Nos fartamos sozinhos do fruto; aprendemos a gostar dos sabores proibidos ou tratamos de conhecer melhor o caminho que nos levou a gostar de frutos, e os outros que estão a nossa volta, a se deliciarem com o gosto amargo das carnes? Deste encontro não pode brotar um outro alimento, menos proibido?
Ou seja, temos a imprescindível urgência, a incontornável obrigação de não dançar conforme a música, de mudar o rumo do barco, de escrever uma nova história. Mas nós não somos os únicos a fazer história e por ela ser feitos. Não somos os únicos a querer puxar a brasa pro nosso assado. Temos que prestar atenção no tempo, mas não podemos perder de vista à direção dos ventos e eles não tem soprado a nosso favor. Não basta ter coragem, é preciso ter cara e corpo. Não basta ter a alma aberta, o corpo precisa estar liberto e nunca estivemos tão acorrentados como nos dias correntes. Acorrentados em nossas próprias amarras, sem dúvida, mas não apenas nelas. Resolver nossos problemas e contradições não significa resolver as contradições e problemas insuportáveis da vida egoisticamente globalizada, embora este possa ser um passo importante nesta direção.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Momento poético



Poema em linha reta

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?


Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Licença poética...



Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Estava aqui a pensar numas palavras quentes e candentes
para espantar o frio desta estação e do meu coração:

Tua alma me arrepia.
Teu corpo me desatina.
Tua luz me alucina.
Teu olhar me ilumina.
Teu jeito me fascina.
Teu peito me incendeia.
Tua boca me acende e sufoca.

Eu e a minha imaginação!

Apelo poético



Se queres me agradar, não fumes perto de mim.
Agora, se preferes que eu te faça um agrado permita-me sugerir-te que não fumes em lugar nenhum.
Faço gosto que continues tendo vida e a tenhas em abundância.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Pelo direito à informação



Ainda na noite de ontem, foi aprovado o projeto de lei de autoria da bancada do Partido dos Trabalhadores, estabelecendo a obrigatoriedade de introdução de texto informativo impresso nos carnês de cobrança do IPTU, contendo orientações sobre o direito à isenção (ou a outros benefícios tributários de qualquer espécie) do referido imposto, nos casos previstos em lei.
A proposta objetiva assegurar o direito à informação, preceituado pela Carta Magna do país e pela Lei Maior do nosso município, respectivamente a Constituição Federal de 1988 e a Lei Orgânica do Município de Herval, promulgada em 1990.
Tal iniciativa tem por escopo levar informações ao conjunto da nossa população referentes à isenção parcial ou total do Imposto Predial e Territorial Urbano nos casos previsto em lei. Neste sentido, os próprios carnês de cobrança do mencionado imposto, configuram-se em espaço privilegiado para veicular tais informações.

Política Nacional dos Resíduos Sólidos em debate


Em sessão ordinária realizada ontem, a Câmara Municipal aprovou requerimento da bancada do PT, solicitando a realização de audiência pública para debater o manejo correto dos resíduos sólidos no âmbito do município de Herval, a luz da Política Nacional dos Resíduos Sólidos, recentemente sancionada pelo presidente Lula.
A proposta visa promover a reflexão acerca da política atual de destinação do lixo em nosso município, bem como esclarecer a opinião pública e as autoridades locais sobre as novas regras do setor; as quais visam compartilhar a responsabilidade entre sociedade, empresas, governos estaduais, união e prefeituras no tocante ao manejo correto do lixo.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Cartão candente de aniversário!



Eis a seguir mais umas palavras inspiradas na minha musa imaginária...

Penso que o mais importante nesta data não são os festejos que ela sempre pede, mas as lembranças e os planos que acabamos preparando pro futuro; sempre inevitáveis no momento em que contamos mais um ano em nossas vidas.
Tempo de aniversariar é tempo de pensar na vida: na vida que levamos até aqui e naquilo que almejamos viver daqui para frente.
É tempo de pesar as coisas na balança: as conquistas, as derrotas, as delícias, as feridas, as dores e os amores (alguns deles perdidos para sempre nos abismos do tempo!).
Muitos preferem obsequiar os aniversariantes com presentes. Eu prefiro estar presente (ainda que seja em pensamento) neste momento tão importante, em que somos convidados a renascer para o mundo e, ao mesmo tempo, renascer das cinzas de nós mesmos.
Que este tempo de pensamentos intensos sobre o sentido das coisas e das tuas coisas seja um tempo leve e fértil. Um tempo profundo e infinitamente breve...
Que o tempo continue sendo generoso contigo e as marcas que ele carrega sigam realçando tua boniteza, de corpo e alma. Enfim, que este ano ora creditado na conta dos teus anos, tenha o peso e a medida exata de mais um botão a desabrochar de tua blusa!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Licença poética...



Peço licença novamente para entregar-lhes mais algumas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Dás-me vontade de reviver meus tempos de infância.
Mas como o tempo não aprendeu a andar para trás, permito-me escrever-te palavras ternas e despudoradas, como uma brincadeira de criança:

É impossível, eu sei. E a impossibilidade não é um detalhe tão pequeno entre nós dois.
Mas pior que a impossibilidade de te ter por inteiro, seria a impossibilidade de te ter perto.

Tua presença me perturba e atrai.
Tua pele me arde e aquece e queima.
Encantas-me como gente e como mulher.

Na falta de uma fresta para extravasar meu sentimento por ti,
resigno-me em poder apanhar as migalhas do teu ser, e elas me gastam.
Elas também me bastam para dar corpo ao poeta que se esconde dentro de mim.

Coisas de menino travesso. Sabes como é!

Um pouco de história...



Herval, Sentinela da Fronteira


O nome do município origina-se da erva-mate encontrada em abundância nas matas quando da sua colonização. Na época era grafada com “h”. Poucos anos depois, sem os cuidados com a reposição ou extermínio, havia sido dizimada toda a vegetação nativa daquela árvore, hoje grande fonte de renda em outras regiões.
É o povoado mais antigo pertencente ao então município de Rio grande, que abrangia a região Sul do Estado.
Em outubro de 1777, Portugal e Espanha, firmaram um convênio que recebeu o nome de Tratado Preliminar de Restituições Recíprocas, destinado a demarcar os limites entre possessões de um e outro. Por esse tratado, o Rio Piratini e seu afluente Arroio Basílio limitaram as possessões dos dois países. Sendo este arroio o limite norte do atual município de Herval, ficava o mesmo, portanto, pelo tratado de 1777, sob o domínio espanhol. Porém, Rafael Pinto Bandeira, que ficara encarregado de guarnecer a fronteira estipulada pelos demarcadores, insistiu em fazer avançar até o Rio Jaguarão o domínio lusitano. Com esse objetivo, em meados de 1971, na margem direita do Arroio Herval, foi iniciada a construção de uma igreja, um quartel e um quadro de trincheiras. Aí estava, em pleno domínio adversário, o que seria o núcleo da atual cidade de Herval. Em meio a algumas escaramuças que esporadicamente ocorriam, o povoado foi crescendo.
No dia 18 de janeiro de 1825, o povoado foi elevado à Freguesia.
Pela Lei nº. 757, de 04 de maio de 1871, foi elevado à categoria de município.
A sede foi elevada à categoria de Vila em 20 de maio de 1881, pela Lei Providencial nº. 1326. E, pelo Decreto-Lei nº. 311, elevada à categoria de cidade em 02 de março de 1938. (Fonte: material informativo produzido pela Secretaria Municipal de Cultura, Turismo, Desporto e Lazer, em 2010)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O silêncio e as palavras mortas



Assim, subitamente, me vieram à cabeça umas palavras que me foram escritas há algum tempo por um amigo que vive lá pelas bandas da capital, numa certa ocasião muita minha.
Escreveu-me ele: “preferi o silêncio. Lembrei da história contada por um amigo que aprendeu com outro amigo e que foi responsável por sua formação de escritor, o escritor Juan Carlos Onetti uma pessoa que gostava de fumar muito, tinha poucos dentes e lia vorazmente; Galeano com sua lembrança de Onetti conta que ele costumava mentir para emprestar prestígio a suas palavras. «Inventaba que eran proverbios y decía que era un proverbio chino ese de que: las únicas palabras que merecen existir son aquellas mejores que el silencio. Yo siempre supuse que era un proverbio onettiano, por lo mentiroso, pero ahora me enteré que era un proverbio hindú. Y sea chino, onettiano o hindú dice la verdad»”.

Pois é, as únicas palavras que merecem existir são aquelas melhores do que o silêncio!!!
Por que motivo essas sábias palavras vem perturbar o meu pobre pensamento nesta noite fria em que escrevo? Eu que me encontro completamente mudo no meu canto, não por uma livre escolha, mas porque estou de mal com essas minhas palavras mortas que apenas servem para me deixar nu e imundo diante de todo mundo e não aquecem nem cativam um só coração.
Suponho que seja um anjo soprando na tentativa de arrancar esse nó da minha garganta. Uma mão amiga querendo me fazer vomitar as palavras falsas e venenosas de amor que me desses para ingerir, quando devias ter desfrutado o prazer da minha carne com a boca calada como uma pedra intocada e bruta.

O bom é que o meu corpo lanhado de sofrer prefere o calor crescente e constante ao fogo meteórico da paixão!
Sorte minha que as dores de amar me ensinaram a perceber o fel que se esconde por trás da mudez lasciva e fácil do mel!
A minha salvação é que a vida me ensinou a enxergar além do orgasmo fingido das palavras proferidas para deturpar o silêncio e a paz do meu ser!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Momento poético



LUA ADVERSA

Cecília Meireles

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Licença poética...



Peço licença para entregar-lhes mais algumas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser...

Se é posse e pressa e pressão e desvario não pode ser amor...

Amor é balada e silêncio.
Amor é palpitação e calma.
Amor é espera e saciedade.
Amor é tropeço e dança.
Amor é sapato apertado e céu estrelado.

Amor é sol e chuva, ardor e frio, flor e espinho.
Amor é chegada e despedida, longe e junto.

Ama quem não diminui ou divide o ser amado.
Ama quem multiplica e soma seus restos e melhores pedaços com quem ama.

Amar é pertencer e ser pertencido...
Amar é conter e estar contido...
Amar é passear de mãos dadas e calejadas pela dura enxada do sentimento!

Feliz aniversário filhão, do meu coração!!!


A vida te trouxe como um presente de Deus em minha vida...

Eu que era tão fechado e frio e fraco!
Teu corpinho frágil veio me dar nova carne e calor, fazendo fortificar meu corpo flácido.
Teu choro foi ao mais fundo de mim e acordou minha alma para a alegria e o riso de amar.
Tua vidinha tão minha surgiu como um facho de luz no fim do túnel escuro e estúpido e esquálido do meu viver. Meu angelical cupido, esculpido para o desabrochar do meu ser, por meio das tuas brechas!

Meu sangue não corre em tuas veias. O que importa?

O nosso amor é fonte viva que verte um fluído impalpável e candente, que a terra não pode sorver nem há de comer.
O nosso amor é laço inquebrantável que nos conduz ao caminho certo e seguro do coração por uma estrada torta.
O nosso amor é tambor que toca no fundo do peito e nos nina e embala no ritmo de um bailado perfeito.

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