Sobre o Blog do Toninho

O Blog busca retratar coisas da vida interiorana e do meu interior, numa abordagem que mistura reflexão, notícias, riso, poesia, musicalidade, transcedentalidade e outras "cositas más". Tudo feito com produções próprias, mas também com a reprodução do pensar ou do sentir dos grandes gênios que o país e a humanidade pariram.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O silêncio e as palavras mortas



Assim, subitamente, me vieram à cabeça umas palavras que me foram escritas há algum tempo por um amigo que vive lá pelas bandas da capital, numa certa ocasião muita minha.
Escreveu-me ele: “preferi o silêncio. Lembrei da história contada por um amigo que aprendeu com outro amigo e que foi responsável por sua formação de escritor, o escritor Juan Carlos Onetti uma pessoa que gostava de fumar muito, tinha poucos dentes e lia vorazmente; Galeano com sua lembrança de Onetti conta que ele costumava mentir para emprestar prestígio a suas palavras. «Inventaba que eran proverbios y decía que era un proverbio chino ese de que: las únicas palabras que merecen existir son aquellas mejores que el silencio. Yo siempre supuse que era un proverbio onettiano, por lo mentiroso, pero ahora me enteré que era un proverbio hindú. Y sea chino, onettiano o hindú dice la verdad»”.

Pois é, as únicas palavras que merecem existir são aquelas melhores do que o silêncio!!!
Por que motivo essas sábias palavras vem perturbar o meu pobre pensamento nesta noite fria em que escrevo? Eu que me encontro completamente mudo no meu canto, não por uma livre escolha, mas porque estou de mal com essas minhas palavras mortas que apenas servem para me deixar nu e imundo diante de todo mundo e não aquecem nem cativam um só coração.
Suponho que seja um anjo soprando na tentativa de arrancar esse nó da minha garganta. Uma mão amiga querendo me fazer vomitar as palavras falsas e venenosas de amor que me desses para ingerir, quando devias ter desfrutado o prazer da minha carne com a boca calada como uma pedra intocada e bruta.

O bom é que o meu corpo lanhado de sofrer prefere o calor crescente e constante ao fogo meteórico da paixão!
Sorte minha que as dores de amar me ensinaram a perceber o fel que se esconde por trás da mudez lasciva e fácil do mel!
A minha salvação é que a vida me ensinou a enxergar além do orgasmo fingido das palavras proferidas para deturpar o silêncio e a paz do meu ser!

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Pitada filosófica