terça-feira, 27 de maio de 2008

Arteirice...


Nos últimos dias tenho recordado demasiadamente os meus tempos de criança.
Lembro-me das brincadeiras com meus irmãos que muitas vezes acabavam em briga.
Das brigas que não raro abriam a porta para carícias e brincadeiras.
Lembro-me do meu cavalo de pau, com cabeça de cano de pvc e rédeas cuidadosamente trançadas com "enrredadeira". Lembro-me das muitas tropeadas e campereadas pelo pátio de casa. Das picardias e algazarras no meio da plantação de milho a despertar a brabeza do pai.
Lembro das pandorgas, roletes, dos jogos de futebol debaixo das chuvas de verão, do caminhão com rodas confeccionadas a partir do recorte de chinelos havaianas e a lataria caprichadamente feita a base de embalagens de óleo de soja. E tinha também outro um pouco mais sofisticado, com a cabine emprovisada e encravada no meio no pátio, imitando o ofício do seu Adão Veleda...
Lembro-me do dia triste em que tentei salvar a vida de um filhote de passarinho que caira do ninho, e desafortunadamente o entreguei de bandeja na boca do nosso estimado gato. Minha pureza infantil não me permitiu atinar que gatos predam passarinhos. Daquele dia em diante passei a odiar gatos e distrações...
Lembro-me também das obrigações com a casa e meus irmãos, além do constante ajutório ao meu pai, sempre envolvido com a vida agitada de caminhoneiro.
Não estou pretendendo voltar no tempo nem à infância. O importante é que a vida me trouxe até aqui, com uma enorme coleção de alegrias e dores. A vida é assim.
No fundo nunca deixei de ser um guri e talvez por isso ame tanto as crianças e seja tão amado por elas.
E também neste mundo tão perdido em ilusões e adultamente mecanizado e fingido, que nega Deus e rouba a vida alheia em troca de poder e aparência, é sempre bom lembrar das coisas simples e ternas, como uma brincadeira ou um afago infantil. É sempre bom lembrar o quanto somos frágeis e o quanto ainda precisamos crescer até nos tornarmos humanamente adultos.

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