segunda-feira, 29 de maio de 2017

Ato político


Seguir com a sujeirada e aprofundar a crise com as eleições indiretas ou servir-se da decência que restou, chamando o povo a fim de apontar democraticamente um caminho para iniciarmos a escalada rumo a saída do poço profundo que o golpe e os golpistas nos meteram?
Chegou a hora dessa gente bronzeda mostrar novamente seu valor e salvar o país das garras daqueles que querem o Brasil pequeno, sujo e só par si e seus comparsas.

Diretas Já: uma solução constitucional e democrática, por Henrique Fontana


O Brasil vive uma das mais graves crises políticas da história republicana. Após as revelações que envolvem o presidente Temer, as condições políticas para sua permanência no cargo estão inviabilizadas. Se tornou o primeiro presidente a ser investigado, no exercício do cargo, por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça. Temer deve renunciar ou ser afastado imediatamente. Nesses casos, a Constituição garante a realização de eleições indiretas para presidente. Mas também prevê a possibilidade de eleições diretas, por meio da aprovação de uma proposta de emenda constitucional, a PEC. As duas alternativas são constitucionais, e caberá a sociedade escolher qual caminho é o mais democrático para a eleição do novo presidente: se indireta, com o voto de 513 deputados e 81 senadores, ou se pelo voto de quase 145 milhões de cidadãos brasileiros.
Defendo firmemente que, diante da profundidade da crise, apenas o voto direto garantirá a legitimidade necessária ao próximo presidente. A tentativa de alguns setores em se manter no poder a qualquer custo, com acordos “por cima” e manobras por fora das eleições diretas, não irá retirar o país da crise, com consequências graves para a economia e alto custo social. Será inaceitável que um Congresso que foi responsável por eleger Eduardo Cunha presidente da Câmara, que tem diversos parlamentares suspeitos de vender votos no impeachment e nas medidas provisórias, e um número expressivo de membros denunciados ou investigados por corrupção, seja o responsável por eleger o próximo presidente. A insistência na eleição indireta pode resultar na eleição mais corrupta da história, um jogo de cartas marcadas, sem povo.
O fracasso de Temer é também o fracasso dos argumentos que justificaram o impeachment, o país não melhorou em nenhum aspecto. Agora, o Brasil está diante da oportunidade de corrigir sua rota e retomar o caminho da democracia. Abrigados pelo o Art. 1º, parágrafo único da Constituição, que diz: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”, seremos capazes de restaurar a estabilidade política e retomar o desenvolvimento econômico e social que o país espera e seu povo merece.

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