quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Ato político


Em meio a esse momento lamentável da história política do Rio Grande do Sul, sou tentado a permanecer em silêncio, pois se abrir a boca e liberar a pena, o fel e a desesperança acabarão falando mais alto.
No entanto, sirvo-me do escrito de Sergio Araujo para deixar claro de que lado estou nessa batalha e que não me calo assim no mais. Estamos perdendo muitas batalhas, mas não perderemos essa guerra.
Podem esperar canalhas. Voltaremos!

Sartori não veio para confundir. Veio para destruir
Por Sergio Araujo

Precisou que se passasse dois anos deste a última eleição estadual para que os gaúchos se dessem conta de que Sartori, o personagem enigmático da campanha eleitoral de 2014, ao contrário do que boa parte dos eleitores imaginou, nada tinha de ingênuo e bem intencionado. Ele sabia muito bem o que pretendia fazer. Só não podia dizer.

E hoje sabemos o motivo. No seu script de atuação, redigido em parceria com o que há de mais retrógrado no empresariado gaúcho, estava a conclusão do trabalho iniciado pelo governo Britto: Acabar com o que restou da máquina pública do Estado.

Ok. Não tem como não reconhecer as limitações intelectuais do governador peemedebista, claramente detectáveis nas suas manifestações públicas, mas isso não lhe reduz a responsabilidade pelos seus atos. Pelo contrário, aumenta ainda mais, pois fortalece a sua imagem de “marionete”, inaceitável para quem ocupa o cargo mais elevado da política gaúcha. Nem o empresário mais otimista esperaria tanto apoio às teses da categoria como Sartori e sua equipe tem dado.

Mas sejamos sinceros, não é apenas Sartori que tem “simpatia” pelo companheirismo privado. A maioria dos deputados que estão votando as medidas recessivas e danosas aos interesses dos funcionalismo e do Estado, tiveram suas campanhas patrocinadas por empresas privadas. Não importa se legalmente ou não. E agora, na hora de votar o pacote de maldades do governador, estão tendo a obrigação de retribuir o “favor”.

Some-se a isso a pratica do velho e não mais tolerável fisiologismo. Refiro-me ao uso do mandato para a busca de “espaço” no poder. Seja em cargos do primeiro e segundo escalão, seja pela conquista de CCs ou FGs, ou até mesmo o compromisso de execução de uma ou mais obras de interesse individualizado. Uma prática de sedução vergonhosa que é usada como moeda de troca para os governos atingirem a quantidade necessária de votos para aprovar seus projetos.

Com uma população atordoada pelos escândalos de corrupção, que ainda a impede de enxergar com clareza as manobras sorrateiras dos adeptos da política do interesse próprio, o governo do Estado tem usado todo o seu arsenal de influência. Tanto interno como externo. No último caso, movidos por interesses comuns, com predominância do fator econômico, imprensa e governo pactuam da mesma linha editorial. A culpa é do serviço público.

Como se isso não bastasse, o governo Sartori transformou a Brigada Militar numa milícia truculenta e radical, que ao contrário do acontece no combate a crescente criminalidade, tem sido impiedosa no ataque aos movimentos sociais. Um legítimo ou vai por bem, ou vai por mal.

Em meio a essa briga de David contra Golias, o contribuinte e principalmente os servidores públicos estaduais, pouco podem fazer para interromper a saga desse governo dominador. Mas a história é pródiga em mostrar que nem sempre um povo subjugado é sinônimo de concordância e passividade.

Tal qual um vulcão adormecido, a grande massa de brasileiros e gaúchos, agrilhoada por interesses pouco ou nada transparentes, está demonstrando diariamente sua insatisfação com o atual status quo da política nacional. E quer ver corruptos e maus gestores bem longe do poder. De preferência na cadeia ou impedidos de exercer cargos públicos.

Talvez leve ainda algum tempo para governantes e políticos entenderem essa nova realidade. Zumbis da direita radical, aproveitadores da turbulência social que se propaga no Brasil e no mundo, ainda precisarão ser recolocados em suas catacumbas.  Mas que a nova ordem social, com o cidadão à frente dos seus interesses, irá prevalecer não resta nenhuma dúvida. Mesmo que para isso leve algum tempo para reconstruir o que foi destruído.

Talvez Sartori acredite que veio para servir de “Salvador da Pátria”. Ou quem sabe o “Imperador dos Pampas”. O “Todo Poderoso”. Mas o tempo, comandante supremo da Justiça, haverá de mostrar que o povo sempre tem razão. Tal qual massa de pão que quanto mais apanha mais cresce, os servidores públicos estaduais e àqueles que dependem dos serviços públicos irão, a exemplo do que fez Sepé Tiaraju, mostrar que essa terra tem dono. O povo.

Sergio Araujo é jornalista e publicitário.

Publicado originalmente no site Sul21: http://www.sul21.com.br/jornal/sartori-nao-veio-para-confundir-veio-para-destruir/


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