segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Lições de um coração que nunca parou de pulsar II



Todo amor puro ou compartilhado contém pitadas de piedade, afeto, fogo, gratidão, admiração etc., mas nem toda piedade, afeto, fogo, gratidão, admiração, significam ou se traduzem num amor por completo.

Hoje percebo que um dos maiores males que se pode fazer a outrem e a nós mesmos é alimentar ou deixar rolar um amor que não sentimos, apenas porque nos sentimos protegidos ou seguros ou gratos ou desejados ou respeitados ou sei lá o que mais.

Sentimentos, sem dúvida, gigantescos e magníficos, porém muito aquém do amor que todos precisam e merecem dar e receber reciprocamente.

Amor tem outro tom, outro sabor, outra cor, outro tempero.

Até porque quem tanto corre atrás, provavelmente não toparia bancar a mesma aposta feita em relação a ela caso estivesse no nosso lugar ou se um dia os papéis viessem a se inverter.

A vida sempre ensina, mas tem sentimentos ou relações que definitivamente é melhor não viver. Ou viver do jeito certo. Isto é, transa é transa, namoro é namoro, afeto é afeto, paixão é paixão...

Aprendi também que nunca se deve entrar ou apostar numa relação apenas pelo medo da solidão ou por algum sentimento de culpa decorrente do fato de não haver correspondido satisfatoriamente um amor recebido. Afinal, o coração é um músculo involuntário que pulsa por contra própria e raramente acata os comandos do cérebro ou as ordens da razão.

Assim, nunca se deve confundir sentimento de culpa com amor ou achar culpados se o amor que não é amor não vingar.

Assim, o que é para durar que se alimente, o que o que é passageiro ou temporário que se aproveite ao máximo e seja (e) terno enquanto dure e o que não é para ser que se corte logo pela raiz.

Se não, tudo não passa de perda de tempo e passaporte para uma viagem num trem de mágoas, rancores, mal entendidos, acomodações, incômodos gratuitos, acusações sem prova para crimes não cometidos ou que não se pode punir.

Se não, alguém vira vilão e a outra parte assume papel de vítima ou mocinho (a) inocente e indefeso (a), eximindo-se dos erros e desacertos que lhe competem.

Se não, logo adiante tudo descarrila e definha e a piedade vira mar ou muro de lamentações, o afeto vira repulsa, o fogo vira banho de água fria, a gratidão vira nada e a admiração vira pó e morre na praia.

Viva o amor, com todas as forças da nossa carne fraca, apenas se for amor ou um sentimento plenamente correspondido.

Se não for, viva o que é para ser, mande logo embora e siga em frente, sem culpa, sem lembranças amargas, sem lambanças, sem desencontros, sem farpas!

Nenhum comentário: