sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Licença poética



Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser...


Um ser humano que não sabe se colocar no lugar ou sentir a dor de outro ser humano,
não sabe estender a mão ou retribuir um gesto de ajuda de outrem,
pode ter cérebro e forma humana,
falar como humano,
andar como humano,
possuir polegar opositor característico dos humanos,
enterrar seus mortos como só os humanos fazem,
mas não é humano.

É um arremedo ou bicho vestido de gente.

(Ou seria um lobo vestido em pele de ovelha?)

Humano pensa e pulsa profunda ou desmedidamente.
Humano não é um estado que se alcança natural ou automaticamente,
e sim uma conquista árdua, suada e permanente através do tempo e dos gestos.

Tornar-se humano é perceber seu lugar no mundo e o seu mundo interior e, ao mesmo tempo, ir além de si, das convenções, dos cabrestos humanos e dos limites da matéria.

É viver o aqui e o agora e, concomitantemente, projetar-se rumo ao infinito carregado de amor e fé viva, refletida, incandescente e etérea.

É estabelecer uma comunhão consigo, com os  demais seres, com o cosmos e com o Criador.

É fazer o bem sem olhar a quem e ser implacável com o mal e as trevas sem nunca praticar mal algum.


Humanizar-se é saber raciocinar e amar sempre mais e infinitamente, mesmo sabendo que esses atos nunca terão fim ou serão suficientes. 

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