quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Licença poética



Volto a pedir licença para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser...


Foi um ano bom!

Afinal, nesse ano revivi o desamor e não perdi a crença de que o amor é o melhor farol para guiar na busca de um lugar melhor e único caminho para levar ao melhor que podemos ser.

Sigo amando o Criador, a vida, a mim mesmo e o que restou de humanidade nas gentes do mundo.

Sigo amando a pureza da criança, a sabedoria dos mais velhos, purê de batatas, uma taça de vinho, a leveza do verso, a mão que alimenta, um passo de dança, o seio que amamenta e seduz, o som que suaviza, o canto do passarinho, o céu que eterniza, estar no meu canto, as pedras no meio do caminho...

No ano que ora passa, os reveses me fizeram mais forte e os tropeços mais conectado em meus passos.

Aprendi a não ter medo da solidão nem do escuro nem de bicho papão.

Aprendi a prosseguir apesar do cansaço, a inventar novos caminhos e redescobri o sul como meu norte.

Aprendi a não criar expectativas demasiadas em relação a mais ninguém nem ser escravo ou expectador da minha própria vida.


Aprendi a não ter vergonha de usar nariz de palhaço nem de transparecer tudo de belo e genial que existe em meu universo.

Aprendi a não ter pena de mim e que não vale a pena abrir o coração ou estender a mão a quem não vale a pena.

Aprendi a retribuir algumas trapaças com tapas de luvas, outras mostrando a outra face ou ainda a pagar outras com um maço de notas falsas.

Aprendi a não esperar nada em troca e a dar o troco na mesma moeda.

Aprendi a desconfiar das aparências e que nunca se deve entregar pérolas aos porcos.

Aprendi que no mundo da matéria nada é feito para durar e que o amor sincero é terno e etéreo e eterno.


Aprendi a valorizar o que tenho e a não correr atrás de quimeras ou de tudo que tira a força, a fé ou o foco.  

Aprendi a achar graça das minhas fraquezas e fracassos e que as melhores coisas são as mais simples e de graça.

Aprendi a vestir minha melhor beca e que nunca se deve bancar o bacana nem entrar num beco sem saída.

Aprendi a degustar os melhores pratos, o valor de um pranto, a deixar para trás o desgosto e a curtir ainda mais a riqueza das plantas.

Foi um ano bom e não importa se o ano que chega será melhor ou pior.


O que realmente importa é que estou vivo e de alma renovada e sedenta para seguir semeando e colhendo os frutos que plantar na terra, em outrem e aqui dentro!


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