sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Coxinhas e mortadelas juntos?


Não falta quem questione ou condene o fato do PT fazer parte do governo municipal encabeçado pelo PSDB. De fato, especialmente no momento político atual do país, essa parceria soa ainda mais estranha e indesejável. Afinal, no plano nacional os tucanos foram um dos principais avalistas e ativistas do golpe contra a presidenta eleita legitimamente, Dilma Rousseff (PT). No entanto, além das peculiaridades locais, existem outras razões muito maiores que a mera disputa partidária que une as duas siglas na Sentinela da Fronteira.

Para começo de conversa, a aliança do PT não é pura e simplesmente com o PSDB. Em 2011, ainda durante o primeiro governo de Ildo Sallaberry (PP), o Partido dos Trabalhadores, após longo debate e decisão amplamente majoritária dos seus filiados, decidiu fazer parte da administração e compor com o grupo político que vinha promovendo enormes avanços e conquistas em todos os cantos da terra hervalense, com apoio e grande volume de recursos ofertados pelos governos Dilma e Tarso. Grupo político, então, encabeçado pelo PP e composto por PSDB e DEM que, além do PT, acabara quase que concomitantemente por ser reforçado pelo PPL. Com isso, o prefeito Ildo recompunha a base de apoio – uma vez que PMDB e PTB preferiram se “bandear para a oposição” –, e ainda promovia um estreitamento maior das relações e o aumento da parceria com os governos federal e estadual da época.

Desta forma, esse casamento político logo se mostrou saudável e bem-sucedido, na medida em que Herval acabou sendo o maior vencedor e beneficiário do mesmo, algo facilmente comprovado pelas obras e investimentos realizados a olhos vistos na cidade e no campo dali em diante, bem como pelos inúmeros gestos de lealdade, respeito e admiração recíprocos, representando mais que a tão almejada eficiência e resultados administrativos, mas também o rompimento com a velha política da chantagem ou do “toma lá dá cá” e numa demonstração concreta de que a política pode ser boa e que os diferentes podem somar forças e esforços em benefício da coletividade.

Por tudo isso, nada mais natural que o PT permanecesse junto no momento desse grupo político escolher o sucessor do prefeito Ildo. Uma escolha, diga-se de passagem, cujo nome indicado para se submeter às urnas em 2016 foi feita com base no resultado de uma enquete que consultou a opinião pública sobre o assunto, e não por meia dúzia de caciques fechados entre quatro paredes. Ademais, além das questões de ordem estritamente ideológicas e do calor da batalha política histérica que atrasou e contaminou o país de norte a sul, não havia razões para o PT se apartar desse grupo político coeso e que tanto bem havia feito a Herval, no sentido administrativo e político, conforme já fora dito. A saída do PT desse grupo aquela altura é que representaria uma espécie de golpe e os petistas prezam pelo jogo político limpo e na bola, rechaçando qualquer tipo de golpe ou decisão oportunista.

Além disso, também pesou na balança dos petistas o tamanho do PSDB em Herval. Ou seja, sem nenhum menosprezo ou subestimação da força, o fato é que o PSDB ainda não decolou e até o presente momento em solo hervalense pode ser considerado um partido nanico. Até aqui o partido ainda não elegeu nenhum vereador (até teve um na última legislatura, porém eleito por outra sigla). Situação que se repetiu no último pleito sendo que, na prática, o tucanos tem atualmente o prefeito mais um ou dois cargos no primeiro escalão do governo e depende totalmente dos aliados para assegurar a governabilidade e as definições políticas, tanto no legislativo quanto no executivo.

O presente escrito, porém, não tem a pretensão de responder todos os questionamentos ou aspectos que envolvem uma engenharia política tão complexa ou contraditória na visão de muitos. Na verdade, como petista, reafirmo o caráter republicano e o acerto dessa composição política, nem tanto sob o ponto de vista partidário, mas principalmente pelos bons frutos já colhidos na esfera administrativa e pelo que ela representa de possibilidades de construir ainda mais mudanças positivas e novos avanços para o nosso amado Herval.

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Autorretrato

E daí que faz frio? Tenho o fogo do afeto e o calor da minha alma faiscante.