quarta-feira, 14 de junho de 2017

Ato político


Precisa dizer mais? Penso que o escrito de Juremir Machado da Silva diz tudo que precisa ser dito quando de trata de se posicionar realmente ao lado da decência, da justiça e da boa política.

O resto é moralismo hipócrita, manobras sujas e escancaradas dos “donos do poder”, gente se fazendo de desentendida ou tentando fabricar novos ídolos canalhas para dizer que não têm nada com essa página triste do país ou não moveram nenhuma palha para nos jogar nesse beco sem saída.

Os juízes cara de pau do TSE não estão sozinhos nessa. Assim como eles, tem milhões de caras de pau Brasil afora que agora calam ou mudam de assunto em sinal de conivência ou mesmo conveniência ou então praticam os maiores males para combater o suposto mal do petismo e só do petismo.

Do mesmo modo, tem milhões por aí que acham que num sistema político complexo e corrupto como o nosso, bastaria eleger um (a) presidente (a) “acima de qualquer suspeita” ou “implacável com tudo que cheia mal” (como se isso fosse possível) que, num passe de mágica, tudo estaria resolvido e o Brasil seria passado a limpo. Sabe de nada inocente!

Exemplo disso é que em meio a esse mar de lama, até aqui nada desabona ou liga Dilma diretamente a essa sujeira toda. No entanto, contraditoriamente cada dia parece mais claro que ela foi derrubada justamente por esse motivo, e não pelas razões opostas.

Esquecem-se ou fingem não saber que o poder no país vai muito além do poder da Presidência da República ou do poder popular (desde sempre manipulado ou apropriado por quem pode mais e chora menos). Poder mesmo, conforme está na cara de todos nesses tempos bicudos, é o poder econômico, o poder da mega mídia, o poder da classe política encastelada no congresso, o poder do MP e do judiciário que a cada ato, interpretação dos fatos ou sentença provam que tem lado, rabo preso e voz movida por interesses eminentemente políticos.


Assim, a chapa Dilma-Temer não foi poupada por causa de Dilma, mas apesar dela como forma de proteger Temer. Só não enxerga quem não quer. Se tivesse havido a separação da chapa, como fora pleiteado pela defesa do presidente golpista, não tenho dúvidas que Dilma teria sido punida e Temer seguiria dono do campinho para ferrar a imensa maioria dos brasileiros, com as bençãos da justiça.

A grande pizza do TSE

Era a crônica de uma pizza anunciada. O TSE absolveu a chapa Dilma-Temer e manteve o presidente investigado por corrupção no poder. Tudo sob o silêncio das panelas que antes batiam pela moral.
A cronologia dos fatos é implacável. Derrotado na eleição de 2014, Aécio Neves recorreu ao TSE. O agora afastado e cada vez mais próximo da prisão Aécio Neves, então um paladino da ética, diz que entrou com a petição só “pra encher o saco do PT”. A iniciativa foi útil para desestabilizar o governo de Dilma. As acusações agora arquivadas serviram para ampliar o clima negativo que levou ao impeachment de 2016.
O ministro Gilmar Mendes impediu que a ação fosse arquivada por falta de provas. Lutou para que a investigação fosse aprofundada. Inflou o objeto para atingir Dilma Rousseff. Nesta semana, durante o julgamento que já não lhe interessava, disse que não era para cassar  ninguém, mas só pelo efeito pedagógico. Qual? Mostrar que a justiça pode ser uma farsa? Desmoralizar o TSE? Revelar a hipocrisia dos brasileiros, que antes rugiam contra a corrupção e agora silenciam e dormem de cabeça tapada?
O TSE foi aparelhado por Temer sob os olhos de todos. Em fevereiro, atrasou o andamento do processo para dar tempo ao presidente de indicar e empossar dois novos juízes, Admar Gonzaga e Tarcísio Vieira. Os dois, que deveriam ter se declarado impedidos, lamberam a mão do benfeitor. Um deles foi advogado da chapa que julgou. O jogo de compadres espantou o mundo, mas não o Brasil.
Gilmar Mendes, que passou os últimos meses de conchavo com Temer, não tinha isenção para julgar.
Nem queria. Estava ali para absolver politicamente. Aqueles que antes pediam julgamento técnico, passaram a falar em responsabilidade, estabilidade e economia. Clamaram por exceção.
Um estranho fundamento jurídico diz que se a prova cabal vem depois de começado o processo, deve ser desconsiderada, salvo se for do interesse e da conveniência dos juízes. Dilma foi condenada em 2016.
Temer foi absolvido em 2017.
Há contradições para todos. Os petistas que defenderam a inocência de Dilma e agora criticam a absolvição da chapa pelo TSE admitem que a dupla cometeu abuso de poder econômico?
As provas tornaram-se acachapantes, mas não havia interesse em condenar.
A mídia que denunciava aparelhamento do STF pelo PT ignorou esse termo em relação ao TSE.
A classe média que bradava contra Dilma não deu um pio contra Temer.
Como em 1964, em 2016 a classe média não foi às ruas contra a corrupção, mas contra o “comunismo”.
O mercado só quer as suas reformas.
O TSE aceitou chafurdar na lama.
Lembro-me de juristas dizendo que Gilmar Mendes era brilhante e que partidário eram só Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, os “petistas” do STF. A situação hoje é obscena: Herman Benjamin, o relator da matéria no TSE, saiu do julgamento como um grande juiz. Gilmar saiu como um político sem escrúpulos, um sujeito capaz de cair nas maiores  contradições por compadrio e ideologia.
O MBL, o Vem pra rua e os outros grupos de direita contra a corrupção desapareceram.
Nunca passaram de fantasias mobilizadas.
O TSE entra para a nossa história com uma farsa, a consagração da pós-verdade: nega a prova para absolver. Afinal, o criminoso ainda precisa terminar de entregar o crime encomendado.
No Senado, o aparelhamento, modelo PMDB de atuar, avança: o conselho de ética foi tomado pelos impolutos Romero Jucá, Eduardo Braga e Jader Barbalho para salvar Aécio Neves. A egrégia comissão já disse que é contra o afastamento do certamente injustiçado propineiro tucano.
Na semana que  vai começar o Procurador-Geral da República deve denunciar Michel Temer como chefe de quadrilha. O Brasil chamará a atenção do mundo pela sua originalidade: ser governado, na leitura do Ministério Público, por um gângster. As panelas continuarão silenciosas. Não é um “comunista”.
Os patéticos escudeiros de Temer sustentam que só há um crime: a gravação de Joesley.
O TSE lavou o capital do presidente da República
Saiu uma pizza tamanha família.
Amanhã a Avenida Paulista e o Parcão, em Porto Alegre, não terão ninguém de camiseta da CBF.
Deve ser por causa da derrota para a Argentina.
Isto não é uma defesa de Dilma e do PT.
É um ataque à hipocrisia brasileira e aos corruptos de estimação de cada partido.

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