quinta-feira, 7 de julho de 2016

Licença poética


Peço licença outra vez para entregar-lhes mais palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Na tua ausência, cuido dos meus afazeres, leio um livro que nunca consigo chegar no final, evito andar nas ruas, rodas ou aglomerações, malho até ficar extenuado, jogo futebol com os amigos, me esmero para melhorar a cada dia como gente, vou deixando a vida me levar.


Frequento meu círculo religioso para fazer contato com as forças superiores do universo, curto e compartilho coisas do mundo do meu filho. Escuto uma canção para interromper o silêncio, rego as plantas, planto uma árvore, presto atenção no canto dos pássaros, admiro o espetáculo da natureza, acaricio até provocar o ronronar do gato preto que me desses, provo um pedaço do teu chocolate preferido.


Como um cuco, conto as horas e intercalo os minutos que não passam com um verso que verto para exaltar tua bela e doce presença no mundo. No mais, mudo tudo constantemente de lugar, mostro-me mudo ou inerte, mesmo executando mil tarefas ou movimentos. Nada parece tocar, animar, mover ou mexer comigo.


Tua falta me dói, desarticula o pensamento, congela tudo aqui dentro, embora eu toque o barco e embarque nas coisas que se movem a minha volta.

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