O Blog busca retratar coisas da vida interiorana e do meu interior, numa abordagem que mistura reflexão, notícias, riso, poesia, musicalidade, transcedentalidade e outras cositas más. Tudo feito com produções próprias, mas também com a reprodução do pensar ou do sentir dos grandes gênios que o país e a humanidade pariram.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Autorretrato


Poetas também bebem, gente grande também se mistura com a gurizada

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Versos del alma gautia




Licença poética



Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Quando te encontrar, vou beijar tuas mãos, teus pés. Escalar teus sonhos, subir pelas paredes do teu coração. Auscultar teus sentimentos, curar tuas feridas, prender tuas feras, dançar ao som da tua voz.

Solicitar teu autógrafo, te aplaudir de pé só porque existes. Ajoelhar diante de ti, pedir perdão pela minha pequenez e agradecer pela tua grandeza.

Fazer muitos gracejos para provocar teu riso, mergulhar no rio da tua graça. Acariciar tua pele mais macia que maçã, amanhecer admirando teu rosto mais amável que mil mulheres amamentando, farejar teu hálito mais agradável que cheiro de hortelã.

Perder-te de vista é meu pior castigo, estar na tua presença é um prêmio para qualquer ser vivo!

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Música para os meus ouvidos


Cartola para mim é o maior. Não sou sambista e nasci longe do morro de Mangueira, mas me emociono e bato continência sempre que escuto a composição e a voz desse monstro sagrado da música.

Não entendo como a humanidade pode cultuar tantos babacas e ter praticamente desprezado em vida gênios como esse cara.

Algumas pessoas deveriam ser eternas ou ter permissão para voltar e se materializarem no mundo no momento que bem entendessem, pelo menos para nos darem uma palhinha, ao vivo. Cartola seria um desses. Assistiria ele mil vezes e gritaria milhões de vivas!!!





Autorretrato





Se eu disser que é fácil, vai ser mentira. Se eu disser que é sempre prazeroso, mentira também.

Claro, nem tudo é só dureza ou sofrimento. Contudo, tem dias ou momentos que vai parecer tortura. Tem dias ou momentos que aquilo era a última coisa que queríamos estar fazendo. Tem dias ou momentos ainda que gostaríamos de estar em qualquer lugar do mundo, menos ali.

Mesmo assim, vale a pena malhar e manter uma rotina de treinos na academia. Nem tudo que faz bem tem gosto de chocolate e nada que nos torna melhor e mais fortes, cai do céu.

O jeito é sair da zona de conforto, encarar a dor, suar muito, curtir a adrenalina, superar limites. No começo é osso duro de roer, mas calma, depois e depois e depois também. Então, foco, fé, força, concentração, atitude, perseverança e, se começou, não para! Faça sol ou chuva, frio ou calor, seja cedo ou no final do dia. Afinal, a vida não escolhe clima ou temperatura para acontecer e viver bem é a cada segundo!

O segredo da vitória ou do sucesso é suar. Suar muito!

terça-feira, 21 de junho de 2016

Momento poético



Rifa
Clarice Lispector



Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade
está um pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos, e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente
que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado,
coração que acha que Tim Maia estava certo
quando escreveu... "não quero dinheiro,
eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".
Um idealista...
Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece,
e mantém sempre viva a esperança de ser feliz,
sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações
e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste
em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que,
abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas,
mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado
indicado apenas para quem quer viver intensamente e,
contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida
matando o tempo, defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:
" O Senhor poder conferir", eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer".
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro
que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que,
ainda não foi adotado, provavelmente,
por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar, mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário
a publicar seus segredos e, a ter a petulância
de se aventurar como poeta.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Nem só de pão viverá o homem



Herval recebe visita do deputado Zé Nunes


   
Na última sexta-feira, 17, o deputado estadual Zé Nunes fez visita de trabalho em nossa cidade. O parlamentar petista veio ao município conversar com a imprensa, lideranças e autoridades hervalenses, a fim de prestar contas do seu trabalho na Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul e reafirmar seu compromisso com as demandas locais.

Na oportunidade, Zé Nunes fez questão de visitar a sede do jornal O Herval, aonde ressaltou a importância da imprensa escrita com uma linha plural e foco nas notícias sobre os desafios e realizações no âmbito do município. Segundo ele, “num país dominado pela grande imprensa que raramente cumpre o papel de assegurar a pluralidade e o direito à informação da população, é fundamental contarmos com veículos informativos independentes, abertos a todas as correntes políticas e que priorizem as notícias sobre os fatos registrados localmente”.

O deputado ainda concedeu entrevista às duas rádios locais – HSul e Herval FM -, abordando o cenário político nacional e estadual, além de ressaltar um pouco do seu trabalho em prol de Herval e região, a exemplo da luta pela construção da Transcampesiana – rodovia que pretende garantir a ligação asfaltica entre Herval e Aceguá –, a participação decisiva do seu mandato na costura da medida que assegurou a prorrogação da validade dos exames de mormo no RS de 60 para 180 dias e sua atuação em favor dos municípios e produtores rurais atingidos pelas recentes enxurradas registradas na zona sul do estado.

Zé Nunes ainda esteve reunido com o prefeito Ildo Sallaberry e realizou visita a nova sede das secretarias de educação e de cultura, turismo, desporto e lazer, ficando impressionado com essa estrutura que, no seu entender, materializa a prioridade e o compromisso do poder público local com as políticas educacionais e culturais. Ele ainda ressaltou a beleza do prédio, o qual teve mantida a sua fachada original, porém recebeu uma reforma completa e importante modernização no seu interior. De acordo com o deputado, esse investimento, além de representar a preservação de um casarão que se tornou símbolo da cultura e da arquitetura do município, permite que o mesmo possa estar a altura dos novos tempos e adequado a finalidade a que destina atualmente, elogiou.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Autorretrato


"Yo" abandonei a aposentadoria e voltei aos gramados com ganas, pelo menos de enfrentar o frio

Licença poética



Peço licença outra vez para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Não sei dançar, porém para agarrar tua mão,
segurar tua cintura, grudar nos teus braços e
encostar na tua beleza,
me arrisco em qualquer ritmo,
danço o embalo que vier e
conduzo teus passos com
desenvoltura e destreza.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Altas conexões



Momento poético



Se Me Esqueceres

Quero que saibas
uma coisa.

Sabes como é:
se olho
a lua de cristal, o ramo vermelho
do lento outono à minha janela,
se toco
junto do lume
a impalpável cinza
ou o enrugado corpo da lenha,
tudo me leva para ti,
como se tudo o que existe,
aromas, luz, metais,
fosse pequenos barcos que navegam
até às tuas ilhas que me esperam.

Mas agora,
se pouco a pouco me deixas de amar
deixarei de te amar pouco a pouco.

Se de súbito
me esqueceres
não me procures,
porque já te terei esquecido.

Se julgas que é vasto e louco
o vento de bandeiras
que passa pela minha vida
e te resolves
a deixar-me na margem
do coração em que tenho raízes,
pensa
que nesse dia,
a essa hora
levantarei os braços
e as minhas raízes sairão
em busca de outra terra.

Porém
se todos os dias,
a toda a hora,
te sentes destinada a mim
com doçura implacável,
se todos os dias uma flor
uma flor te sobe aos lábios à minha procura,
ai meu amor, ai minha amada,
em mim todo esse fogo se repete,
em mim nada se apaga nem se esquece,
o meu amor alimenta-se do teu amor,
e enquanto viveres estará nos teus braços
sem sair dos meus.

Pablo Neruda, in "Poemas de Amor de Pablo Neruda" 


sexta-feira, 10 de junho de 2016

Pensar é preciso





Ato político


As pessoas de boa-fé (e elas ainda existem aos milhões no Brasil) que quiserem entender o que realmente acontece nesse momento triste da história do país precisam ir ao exterior. Lá a imprensa cumpre o papel de informar, e não o papel deprimente desempenhado pela grande mídia local de apoiar e associar-se a um golpe sujo e friamente calculado que ainda não teve fim, todos sabem que é golpe e nunca teve como propósito enfrentar a corrupção.

 

Bem o oposto, além de assaltar o poder, o golpe sempre teve como objetivo abafar o caso e ainda tentar fazer os grandes corruptos desse país pousar de bons moços e salvadores da pátria.

 

Haja paciência e estômago para aturar tudo isso. Felizes são as moscas que nem sequer tem a consciência que existem. O golpe é tão escancarado, é tanto imbecil postando imbecilidades em blogs e redes sociais que dá até vergonha de ser gente.

 

Mas quem quiser encarar o Brasil real e sem máscaras não precisa sair do país. Tem muita gente séria, lúcida e com conteúdo, a exemplo de Juremir Machado da Silva, publicando e mostrando aquilo que tá na cara, mas muitos fingem não enxergar ou não estão nem aí mesmo por motivos tão evidentes e escancarados quanto o golpe em curso.

 

O país dos pixulecos


O jogo está cada vez mais claro. Joga-se cada vez menos para a torcida. Sérgio Morais faz escola: que se dane a opinião pública. Melhor se lixar para ela. As cartas são marcadas. Lula era o rei dos pixulecos. Acabou. Agora, cada cacique do PMDB tem direito a um uniforme de presidiário. As cartas estão na mesa. Eliseu Padilha, em nome de Michel Temer (que não pode não saber), negocia a salvação de Eduardo Cunha. Nada mais justo. Afinal, todos devem o poder do qual desfrutam ao homem dos trust.

Salvar Eduardo Cunha escondendo a deputada Tia Eron faz parte do jogo. Um jogo que não se pretende mudar. O Procurador-Geral da República pediu ao STF a prisão dos donos do PMDB: Sarney, Cunha, Renan Calheiros e Jucá. Viu que nada acontecia. Teve de vazar seu pedido para sacudir o Supremo.

O ministro Teori Zavascky é o verdadeiro Engavetador Geral da Nação. Geraldo Brindeiro, PGR da época de FHC, era o Arquivador Geral da Nação. Teori guarda na gaveta, como fez com o pedido de afastamento de Cunha da presidência da Câmara dos Deputados, e esquece. Só abre a gaveta quando sente que será atropelado pelos fatos ou por novos julgados alheios à sua vontade e controle.

O fato de que as prisões batem nas portas dos velhos donos do poder traz de volta velhas astúcias jurídicas. As gravações de Sérgio Machado seriam nulas como prova por constituírem flagrante armado. Mas isso não valeu para o caso de Delcídio Amaral. Gilmar Mendes, ministro do STF, acha crime vazar o que seria melhor manter escondido. Não pensava assim quando se tratava de pegar seus inimigos.

O jogo está jogado. Salva-se Eduardo Cunha. A mídia esbraveja por algum tempo. A população, que ajudou a derrubar Dilma, fica fria. Não vai para a rua. A corrupção era só um pretexto. A tempestade passa. A vida continua. Cunha, rei das manobras, só não se salvou ontem por uma manobra. Foi manobra contra manobra. A vitória foi adiada. Talvez só a prisão de Cunha casse o seu mandato.

O golpe se escancara. Só a imprensa brasileira não sabe que está acontecendo um golpe no Brasil. A questão é conceitual. A grande mídia nacional quer o golpe e teima em chamar de golpe apenas o golpe tradicional dos tanques nas ruas. Finge que não vê o grande golpe: o corrupto bancando o moralizador.

O Brasil vive da cultura do estupro, da cultura do racismo, da cultura da desigualdade e da cultura do golpe. São as quatro culturas da brasilidade. A quinta cultura é a cultura do fatalismo conservador:

– Política é assim mesmo.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Autorretrato


"Yo"(primeiro acima da esquerda para a direita), pousando para o registro fotográfico da equipe de veteranos do União F. C. antes da partida realizada na manhã fria do último domingo

Música para os meus ouvidos


O dia dos namorados e namoradas vem aí... Pra quem tem um amor ou o privilégio de passar esse dia nos braços da pessoa amada, o som de Paulinho Moska é uma ótima trilha sonora e pano de fundo perfeito para demonstrações explícitas de amor.

Para quem está só ou com o coração vago no momento, boa música é sempre uma ótima companhia ou o casamento dos sonhos.




Rir é o melhor remédio



quarta-feira, 8 de junho de 2016

Licença poética



Peço licença novamente para entregar-lhes outras palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Minha poesia fala de amor, dor, drama, comédia, desejo, sexo, astros, quatro elementos, natureza, noite, dia, quatro estações, criações humanas, mãos, corpos, mentes, almas, espíritos, prosa, proeza, coisas cotidianas, liberdade, mordaça, musa, da própria poesia, do mar...

Como posso poetar sobre o mar se moro tão distante e nunca entrei no mar?

Quem tem uma musa alcança o mar, tudo que há no mundo ou até outras órbitas e planetas.

Quem tem um amor vai muito além de si, até o fim de tudo que tem começo ou bem fundo nas águas do mar.

E tudo isso sem sair do lugar!

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Nem só do pão viverá o homem



Ato político


Quem ainda não percebeu o que está acontecendo no Brasil é hora de acordar, antes que seja tarde demais.

Um país que pousa de civilizado e democrático não pode conviver com a barbárie, a injustiça institucionalizada e o arbítrio. Depois de muitos avanços, em pouco tempo, voltamos séculos atrás. Sinto como se vivêssemos antes da primeira guerra mundial. Tirando toda a tecnologia desenvolvida de lá pra cá, diria com certeza: sim, estamos em mil novecentos e antigamente!

Muito grave, preocupante e triste o que está acontecendo e, ao contrário do passado, tudo bem diante dos olhos de todos, só não enxerga quem não quer, é cúmplice ou compartilha desse atraso todo.


Tempo de avanços, por *Janio de Freitas



Michel Temer só anda em marcha a ré, nos recuos diários, mas outros avançam por ele. Avançam nos direitos alheios, avançam contra princípios e leis, avançam nos truques, malandragens e golpinhos em benefício próprio ou do seu grupo.

As notícias de que a dúvida assedia senadores pró-impeachment alarmaram parte da imprensa, que voltou ao ataque a Dilma, e levaram à criação de novos golpinhos pelos governistas. Encurtar o prazo do processo no Senado, como pretendido por Michel Temer, é um casuísmo indecente. E indicativo de que o governo prevê estar incapaz, em setembro, de se aguentar.

Na mesma linha é a atitude do relator Antonio Anastasia, comandado de Aécio Neves (PSDB-MG), que rejeitou a inclusão, nos elementos de defesa, das gravações e delação de Sérgio Machado. Seriam "estranhas ao objeto deste processo", diz ele. Trata-se de processo de impeachment e as falas gravadas tratam, em grande parte, do impeachment. Há toda a pertinência em figurarem na acusação ou na defesa. A recusa de Antonio Anastasia é uma arbitrariedade, pessoal e processual, e restringe o direito de defesa. Em linguagem mais à altura anã da atitude, é um golpe baixo.

"Eu acho" é o verbo e o tempo verbal mais apreciados pelos brasileiros. Serve para muito mais do que expor opinião. "Eu acho que tem que ser assim" é definitivo, não opina. E assim aparece em muitas das frases de Romero Jucá (PMDB-RR) que propõem "um pacto" para "delimitar" a Lava Jato "até aqui", e sustar no ponto em que está "a sangria" do meio político.

No Senado articula-se, porém, a limitação de "achar" ao sentido de opinião, para derrubar o pedido de Conselho de Ética para Jucá. Ambos também do PMDB, o presidente do Conselho, João Alberto Souza (MA), e Renan Calheiros (AL) são os patronos da nova lexicologia. Por "achar" que Nestor Cerveró devia fugir, uma fuga que não resultaria em "delimitação" da Lava Jato, Delcídio do Amaral foi cassado pela unanimidade do Conselho de Ética.

A propósito de Romero Jucá, a Lava Jato, rápida na prisão de Delcídio, não se distingue muito do Senado. Mas tem novidades próprias, em uma de suas especialidades. Condicionar o acordo de delação premiada de Marcelo Odebrecht à disposição do seu pai de "também falar" é uma forma brutal de coerção. O envolvimento de familiares é um método muito ao gosto das ditaduras, e foi prática comum na ditadura militar. Não é necessário invocar a Alemanha nazista, portanto, para atestar a indignidade desse método.

Por sua recusa, até há pouco, a admitir a delação premiada, Marcelo Odebrecht é mantido preso há um ano. Pode-se compreender que a Lava Jato queira ouvir também o ex-presidente Emílio, responsável pelos maiores saltos de crescimento e capacitação do grupo empresarial, hoje operando em muitos países. Mas, para ouvi-lo, pôr em suas mãos a liberdade ou a prisão do próprio filho, é moralmente inadmissível.

A outra novidade não está no método, já conhecido. Está em sua persistência, já com mais de dois anos. O possível acordo de delação premiada do presidente da OAS foi suspenso porque Léo Pinheiro nega qualquer papel de Lula na reforma do apartamento e nas obras do sítio. Estas, pedidas por Paulo Okamotto, e aquela decidida pela empreiteira, sem que houvesse venda. Ou Léo Pinheiro diz o esperado pelos interrogadores ou não haverá delação premiada, porque a Lava Jato não crê no que está dito. Se, contudo, há descrença, é uma razão a mais para investigar –o que a Lava Jato pouco faz ou nem faz– e não para coerção.

Como complemento desse ambiente que começa no Congresso e termina na arbitrariedade ou na cadeia, o ministro da Transparência, Torquato Jardim, diz esperar dos funcionários que não apoiem o governo de Temer "a dignidade de pedir suas exonerações". O ministro talvez não saiba que os servidores públicos federais são da União, não dos governos. Alheios à versão Temer: ame-o ou deixe o emprego. 


*Janio de Freitas é colunista e membro do Conselho Editorial da Folha de São Paulo. É um dos mais importantes jornalistas brasileiros.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Altas conexões



Momento poético



Soneto de Contrição

Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
Que o meu peito me dói como em doença
E quanto mais me seja a dor intensa
Mais cresce na minha alma teu encanto.

Como a criança que vagueia o canto
Ante o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa.

Não é maior o coração que a alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino, e sentir calma…

E é uma calma tão feita de humildade
Que tão mais te soubesse pertencida
Menos seria eterno em tua vida.

(Vinícius de Moraes)

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Pensar é preciso



Música para os meus ouvidos


Como é bom ser gaúcho e ser brindado com o talento e o bom gosto das nossas feras musicais.

E não venha dizer que sou bairrista, é que aprecio o que é bom e tirando as questões e querelas da política, a gauchada costuma ser certeira e dar de relho no resto do mundo em quase todos os campos.



Licença poética



Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


No intervalo da labuta nossa de cada dia, vez por outra paro na calçada perto da praça para bater um papo cabeça com um amigo de longa data. Rapidamente falamos de tudo um pouco e um pouco de tudo.

Então, ela passa exalando perfume, enfeitando a paisagem, enchendo a rua de beleza e graça. Passa e chama a atenção. Mais que chamar a atenção, naquele instante parece que o planeta para completamente ao vê-la passar.

Ela hipnotiza com o olhar, seduz com a voz, encanta com o sorriso, provoca com o cabelo, espanta o frio ou o calor com suas formas perfeitas, derruba com o rebolado.

Ela é uma das maravilhas do mundo, a top da cidade. Ela me faz feliz apenas pelo privilégio de admirá-la quando passa e por embalar meus melhores sonhos. Toda vez que passa, na minha imaginação, estendo um tapete colorido no chão e jogo pétalas de rosas por sobre ela.

Vai minha musa, anda, cruza por mim, desliza, desfila bem diante dos meus olhos, joga os cabelos para o lado, exala teu aroma. Deixa um sopro do teu ser e assopra na minha direção os bons ventos da inspiração que faz brotar a poesia que escrevo para te tocar, ainda que seja com o pensamento.

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