sexta-feira, 29 de maio de 2009

Boa viagem Jota Vilmar...

“A morte não manda aviso/ E chega sempre certeira/Não perde pulo a traiçoeira/ No seu ataque preciso , já avisava o grande Jayme Caetano Braun.
Pois os trabalhadores em saúde de Herval e os funcionários públicos municipais de um modo geral, foram surpreendidos ontem (28/5), pelo súbito falecimento do extraordinário José Vilmar Correa Costa ou Maragato ou Jota Vilmar, como eu preferia nomeá-lo.
Motorista, grande profissional, sempre a postos, não medindo horário, esforços nem distâncias na sua tarefa generosa de colaborar para aliviar a dor da doença ou mesmo salvar vidas alheias...
Ser humano magnífico, sempre prestativo e atencioso com todos.

Se o pagamento da diária de viagem atrasava, não tinha importância, o “Jota Vilmar” continuava ali, firme, com o mesmo empenho e dedicação ao trabalho que sempre teve...
Se a Secretaria não dispunha de veículo com o fim de trazer um doente para atendimento no Posto de Saúde, lá ia o Jota Vilmar sem fazer alarde, na cidade ou no campo, a bordo do seu fusquinha movido pelo amor a camiseta e pela solidariedade com a dor dos outros...
Se um colega estivesse precisando de uma forcinha, lá estava ele alegre e contente de mãos estendidas e a mente aberta para auxiliar...
Morreu do coração, ele que tinha o coração maior que este mundo de mesquinharias, vaidades e truculências em que vivemos.

Obrigado Jota Vilmar pelo teu exemplo de profissionalismo.
Obrigado Jota Vilmar pela tua incrível e discreta lição de amor ao próximo.
Obrigado por teres nos apontado um bom caminho para andar nesta curta e turbulenta viagem terrena.
Obrigado por teres existido.
Que Deus ilumine a tua estrada na vida que se abre com o término desta vida!!!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Rolim é o cara!!!




Reproduzo a seguir a magnífica e apropriada reflexão do sempre magnífico e apropriado Marcos Rolim. Ando de mal com as palavras, também por isso, faço minhas as palavras dele. Com vocês, Marcos Rolim:







LIVRAI-NOS
13 de março de 2009
Marcos Rolim
Jornalista

Simone de Beauvoir foi uma mulher fascinante e nos legou belas reflexões. Nem por isso, deixou de escrever bobagens. A mais conhecida, talvez, seja sua frase: “A verdade é una, o erro é múltiplo; não por acaso a direita professa o pluralismo” (“O Pensamento de Direita, hoje”, Paz e Terra, 1972, 112 pág.).
A afirmação seria apenas uma infelicidade, não tivesse sido, antes, a ameaça levada à prática pelos regimes totalitários, à esquerda e à direita, traduzida em milhões de mortos. Em setembro de 1991, eu estava no salão de atos da UFRGS quando Castoriadis criticou esta passagem (quem quiser poderá ouvir as conferências promovidas pela prefeitura em http://www.caosmose.net/castoriadis/ com a tradução de Dênis Rosenfield. Os mais novos saberão que o prefeito era Olívio Dutra, que o Secretário de Cultura era Pilla Vares e que Fernando Schüller arrasava). O filósofo também perguntou sobre qual a diferença entre os regimes do leste europeu e o regime cubano (“– Talvez os trópicos”, respondeu jocosamente), recebendo, então, a vaia de uma parte do auditório. Senti uma “vergonha reflexa” e percebi que a vaia, na circunstância precisa onde se anuncia um pensamento diverso, era o mal-estar diante do pluralismo. Simone não sabia, mas sua afirmação repetiu um argumento empregado por Santo Agostinho contra os heréticos. Pode-se afirmar muita coisa sobre a verdade, mas a noção de que o pluralismo seja a expressão do erro só pode ser concebida de forma coerente em uma tradição religiosa; vale dizer: a partir da aceitação de uma “palavra sagrada” que, como tal, coloca-se fora de discussão. Como se sabe, uma vez alojado na armadilha da fé, o fiel que duvida já está no “pecado”. Nesta interdição, está a ponte entre as religiões e as ideologias. Ambas só se mantém pela impossibilidade do pensamento – aquele que se volta sobre as premissas do sujeito e que, por isso mesmo, assinala uma experiência tão mais incômoda quanto mais profunda. “Pensar dói”, disse Pascal. Tinha razão ele. Também por isso, pode-se compreender a frase do oficial da SS dita a Primo Levi em Auschwitz: “- Aqui não existe por quê”.

O mundo em que vivemos, felizmente, está cheio de dúvidas e de perguntas. Os que as propõem navegam em busca de sentidos e quando esta viagem é para valer descobrem que não há um porto para ancorar certezas. Quando descobrimos uma verdade, sabemos que ela nos revela – quando muito – uma face entre as tantas que só podem ser visíveis por outros olhares, a partir de posições outras. A Igreja católica entende que os responsáveis pelo aborto de uma menina de 9 anos, vítima de estupro, devem ser excomungados (posição não apenas do bispo, mas do Papa e da CNBB). Também aqui não existe por quê. Trata-se da “Lei de Deus”, dizem. A história, é claro, está mal contada. Afinal, um Deus que permitisse que uma criança fosse estuprada e, depois, exigisse que ela morresse para que sua lei fosse cumprida, seria um Deus mau. Mais provável que a maldade esteja naqueles que apresentam como “vontade de Deus” aquela que é apenas a sua vontade e que o fazem por sobre o destino esfacelado de uma criança. Acima dela, afinal, estaria “a verdade que é una”. Que Deus nos livre desta verdade....

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O sul por vida...


Chegamos aos 13 dias deste maio triste de 2009. Há exatos dois anos era lançado UM LUGAR AO SUL: Olhares indiscretos sobre o Herval. Livro de minha lavra prefaciado pelo mestre Osmar Hences.
Reitero agradecimentos a todos e todas que tornaram possível esta obra e colaboraram para o seu incrível sucesso, de crítica e venda.
Aproveito a oportunidade para prestar uma nova e singela homenagem à memória do “sor” Osmar, trazendo à luz pública algumas de suas belas palavras:

“Cultura é o jeito de ser de um povo. Como ele fala, como se veste, como tempera sua comida, como enfeita sua casa, como recebe o estranho que chega.
Neste sentido, não há povo sem cultura, como não há cultura sem povo. Temos um jeito de educar nossos filhos, temos um jeito de falar, de sorrir e sermos felizes. Temos ainda um tipo de música que é feito por nós, com o nosso jeito, com a nossa cara, com palavras nossas, num ritmo nosso.
Ninguém pode dizer que somos um povo sem cultura. O que nos falta, muitas vezes, é valorizar mais o que é nosso. Gostar do nosso jeito de ser. Não é feio gostar da cultura de outros povos. Mas é bonito gostar e conhecer mais o que é nosso. Valorizar as coisas da nossa terra, pois como ensinou José Martí, ‘nenhum povo é dono de seu destino, se antes não for dono de sua cultura’”.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Ao mestre com carinho


Professor Osmar Hences... Muito mais do que um professor!!!

Amigo e amante leal da natureza, das pessoas, da vida a qual ele sempre deu mais do que recebeu.

Filósofo, filho, pai, poeta, pensador da mão calejada, irmão, “ermão”.

Gente grande, de alma leve e alegre de criança.

Educador educando do seu povo, como ele mesmo gostava de se definir.

Companheiro e caminho da caminhada, como eu inspirado em Dom Pedro Casaldáliga , o definia.

Sujeito que não aceitava ser objeto da história, e amava, e preparava a terra pra um mundo novo...

Cidadão do mundo, encharcado e orgulhoso da sua cultura, que botava o pé no chão e a mão na massa e no pão e no assado e no amargo que fazia os nossos encontros mais doces.

“Humilde com os humildes e guapo com as prepotências”; como aquela que lhe proibiu a palavra nas páginas do jornal.

Morreu da única coisa que lhe poderia ter matado: no trânsito, em movimento, ele que viveu entranhando em constates e suaves movimentos. Sempre fazendo mil coisas ao mesmo tempo, como a adivinhar que a vida não lhe reservara muito tempo...

Morreu no trânsito: a bordo de sua moto em contrachoque com um caminhão. Ele que soube como poucos lutar a causa dos pequenos... Ele que sempre viveu na contramão do tráfego social desumanizador dos homens e das mulheres.

Segue em paz, sor Osmar, camarada, mestre! Numa tentativa de imitar teu verso, digo que partistes deixando nosso maio triste. Mas o teu sonho de um mundo humano e justo para todos e todas continuará vivo em nós! Obrigado por teres existido e um beijo no teu coração que tanto amou...