Uma data para refletir, agir e caminhar de mãos dadas!

Dia das mulheres é todos os dias, mas o 8 de março é importante para a reflexão de toda a sociedade sobre os direitos das mulheres e a luta contra o machismo estrutural.

"Ah, as mulheres não precisam de flores nem textões dos homens nesta data". Não precisam das flores nem dos textões dos homens hipócritas, misóginos, homofóbicos que, consciente ou inconscientemente, encarnam ou representam o machismo. Contudo, nem todos os homens são machistas ou escrotos e saber separar o joio do trigo, ser capaz de reconhecer esse fato, é um passo importante ou mesmo uma conquista. Afinal, o objetivo final da luta das mulheres, senão receber a adesão dos homens ao movimento feminista, é contar com o seu posicionamento e, sobretudo, atitude anti-machista. Do contrário, ficamos presos à infrutífera e inútil guerra entre os sexos.

Portanto, entendo que os gestos concretos e as manifestações sinceras e verdadeiras dos homens - hoje e sempre -, pelo direito das mulheres existirem, afirmativas de que suas existências importam muito e que elas devem ser livres; soma e contribui na caminhada contrária ao vento rumo ao predomínio do espírito civilizatório, cujo princípio, meio e fim é exatamente o empoderamento feminino.

O Brasil e, em particular o Rio Grande do Sul, está entre os lugares que mais matam as mulheres no mundo, vitimadas pelo feminicídio. É uma verdadeira "chacina" diária e silenciosa. Um crime que não pode ser normalizado e decorre, antes de tudo, da herança patriarcal, que considera que a mulher é um ser inferior e que seus corpos são propriedade e existe unicamente para satisfazer os prazeres masculinos.

Assim, independente do que vistam ou como se comportem, isto é, se provoquem, dêem corda, sensualizem ou não, as mulheres nunca estão a salvo ou imunes ao assédio ou da sanha assassina de uma parcela da população masculina. Contraditoriamente, na rua talvez seja aonde encontrem maior segurança ou proteção. Isso porquê, no ambiente de trabalho é muito assédio e investidas inoportunas e invasivas, travestidas de elogios, "gracinhas" ou oferta de vantagens com segundas intenções. No ambiente doméstico, que é onde deveriam estar longe do alcance dos "homens maus", é o lugar que acabam ficando mais vulneráveis e expostas aos abusos, violência e ataques mortais.

Há alguns anos, um grupo social extremista e supremacista, ganhou força e representação política e "abriu as portas do inferno" das pautas conservadoras e dos costumes arcaicos e excludentes que pareciam estar ficando para trás. Com isso, a condição humana e o próprio direito à existência de negros, povos originários, miseráveis, homossexuais e das mulheres passou a ser ameaçado de forma sistemática, covarde e explícita. É contra esse monstro que estamos lutando. Contra o conceito aparentemente ingênuo e despretensioso de que meninos vestem azul e meninas devem vestir rosa. E não se trata de dizer que as mulheres devem ser idênticas aos homens, mas justamente que elas são e precisam ser diferentes (jamais inferiorizadas).

Para virar esse jogo, é preciso atuar em várias frentes, pois não existem soluções milagrosas para problemas complexos nem um remédio único para curar uma doença social grave e profunda. É necessário políticas públicas para conscientizar as mulheres submetidas ou sob o risco da violência. É preciso avançar nos mecanismos de monitoramento e segurança para as mulheres alvejados pela violência doméstica e o risco de serem vitimadas pelo feminicídio. É indispensável aprofundar o trabalho de assistência psicológica e criação de fontes de trabalho e renda para as mulheres que passaram pelo trauma do abuso ou violência doméstica, as quais precisam recomeçar suas vidas, longe de qualquer dependência emocional ou financeira dos seus agressores. É imperativo fazer os homens se olharem no espelho e desenvolver ações pedagógicas e educativas para desconstruir o machismo e construir uma cultura anti-machista. Lembremos que a violência contra a mulher não é apenas física, sendo também psicológica, sexual, patrimonial e moral.

Trabalho é o que não falta e, mulheres e homens, que cultivam os valores civilizatórios e possuem a consciência de que todas as vidas importam; são bem-vindos e decisivos nesse front. Neste sentido, esta data é importante para homenagear e levar alento às mulheres que, muitas vezes, somente são lembradas neste dia, porém muito mais que palavras ou romantização, é uma oportunidade para refletir e começar a mudar comportamentos e posicionamentos, contribuindo de fato para a dignidade, o empoderamento e o respeito à existência de todas as mulheres e ao vasto, formidável e sufocado universo feminino!

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