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Ato político
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O escrito de Emir Sader é muito claro e certeiro. Só posso "roubartilhá-lo e assinar embaixo. Carta aos arrependidos Caros, Sei que vocês não são todos iguais. Alguns contribuíram ativamente, outros pela passividade, para que o país chegasse à situação mais catastrófica da sua história. Alguns foram militantes da luta anti-petista, inventaram, escreveram artigos e livros sobre os “petralhas”, trabalhando para que se esquecesse todas as conquistas dos governos do PT para todo o povo e se criminalizasse o partido em conivência com o Judiciário e a mídia. Outros, vítimas do mesmo antipetismo, preferiram qualquer alternativa – até mesmo o Bolsonaro, por quem votaram. Agora, uns e outros se dizem arrependidos. Arrependidos de terem votado no Bolsonaro ou de terem, de uma forma ou de outra, favorecido a eleição dele. Não é hora de retomar diferenças, agora é tirar o Bolsonaro e diminuir as desgraças que o país vive. Mas eu gostaria de lhes dizer algumas coisas....
Licença poética
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Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária... Olhei para o céu e vi uma nuvem com o formato do teu rosto. Imediatamente, apanhei uma escada na ideia de alcançar e roubar a nuvem. Depois de várias tentativas, despenquei lá do alto. Por sorte cai aos teus pés e, apesar da dor da queda, pude admirar bem de perto a versão real do teu rosto lindo e mais leve que algodão.
Momento poético
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Nossa truculência Quando penso na alegria voraz com que comemos galinha ao molho pardo, dou-me conta de nossa truculência. Eu, que seria incapaz de matar uma galinha, tanto gosto delas vivas mexendo o pescoço feio e procurando minhocas. Deveríamos não comê-las e ao seu sangue? Nunca. Nós somos canibais, é preciso não esquecer. E respeitar a violência que temos. E, quem sabe, não comêssemos a galinha ao molho pardo, comeríamos gente com seu sangue. Minha falta de coragem de matar uma galinha e no entanto comê-la morta me confunde, espanta-me, mas aceito. A nossa vida é truculenta: nasce-se com sangue e com sangue corta-se a união que é o cordão umbilical. E quantos morrem com sangue. É preciso acreditar no sangue como parte de nossa vida. A truculência. É amor também. Clarice Lispector