Vem aí uma terceira via?
Existe alguma chance
de se construir uma terceira via, com visibilidade e tração suficiente para
alavancar uma candidatura majoritária nas eleições de 2028? Faltando um baita
tempo até o início do próximo pleito eleitoral e antes mesmo de aprofundar minha
reflexão sobre esse assunto, me arrisco a responder com um retumbante NÃO!
Desde a
redemocratização do País e a retomada das eleições diretas para Prefeito,
tivemos onze corridas eleitorais. Destas, em apenas cinco oportunidades ocorreu
o registro e a participação de mais de duas candidaturas majoritárias. Entre
1985 e 1992, a lógica era cada agremiação partidária lançar representante
próprio, provavelmente com o propósito de marcar posição e afirmar suas
bandeiras. Ocorre que, nessa configuração, na condição de herdeiro do trabalhismo de Getúlio Vargas, escorado no nome de Leonel Brizola, respirando
os novos ares da democracia recém restaurada no Brasil e se apresentando como o
único representante dos fracos e oprimidos, o Partido Democrático Trabalhista
se tornou hegemônico e quase imbatível em terras hervalenses.
Então, no ano de
1996, Rubem Wilhelnsen se colocou
na disputa contando com a sustentação de uma frente ampla de partidos,
apelidada de “frentão”, numa coalizão que tinha como uma de suas principais
plataformas eleitorais interromper o domínio trabalhista e oportunizar o
protagonismo de novas ideias e atores na política do município. Este talvez
seja um divisor de águas e um dos maiores legados de Rubem para a política
local: a formulação e a engenharia eleitoral de que divididas as forças de
centro-direita, não teriam chances de chegar ao poder e deslocar a maioria da
sociedade para o seu lado.
Em 2004 e 2008,
voltamos a registrar a participação de três candidaturas majoritárias. Desta
feita porque uma ala importante do Partido dos Trabalhadores, liderada num
primeiro momento por Osmar Hences, Toninho Veleda, Zé Leão e Vera Gutierres, e,
num segundo momento, por Chico dos Santos, Toninho Veleda, Roque Oliveira, Stella
Afonso, Farid Mafhus, entre outros, entendeu que o PT merecia mais do que
cumprir o papel de linha auxiliar do PDT e precisava afirmar sua identidade e apresentar um programa
capaz de enfrentar os desafios concretos de um município que passava por
profundas mudanças sob o ponto de vista social, cultural, econômico, ambiental,
administrativo e político, deixando para trás a demagogia e o velho pão e circo
e, ao mesmo tempo, sem se curvar ao paradigma do neoliberalismo mercantilista, excludente
e desmontador da máquina pública, ainda potente naquela quadra da história
brasileira.
Como “resumo da ópera”
tenho a dizer que não vejo, sobretudo, para as próximas eleições municipais,
nenhuma brecha nem mesmo apetite de lideranças ou grupos políticos com potencial ou poder de
se traduzir numa força política independente e vigorosa para sustentar uma
terceira candidatura majoritária. Sem dúvidas, contabilizamos várias vertentes
e, tanto no interior quanto para além das agremiações partidárias organizadas; temos a existência de diversos “clãs”, correntes ou
agrupamentos com atuação no âmbito político-partidário. Nota-se ainda,
descontentes, desalinhados e dissidentes de ambos os lados. Entretanto, não creio
que tais atores, por mais respeitáveis e habilidosos que sejam, consigam se
reunir em quantidade, lastro, musculatura e capital político com a robustez necessária para bancar
a aposta numa terceira via para 2028. Tudo que alguém perde outro alguém ganha ou a tendência maior é as peças desajustadas
num lado, saírem de cena ou se posicionarem entre as fileiras opostas.
Num lugar em que existe
apenas dois lados na disputa eleitoral, não há segundo turno e o tom plebiscitário
virou cultura e jogada única buscada pelos políticos, é muito difícil quebrar a
polarização na mente e no coração da própria população. Trata-se de um jogo no
qual não existe “coluna do meio” que, para ser reconfigurado, exige uma arquitetura
que antes mesmo do início da construção dos alicerces, necessita apresentar
garantias concretas de que possui mão-de-obra, materiais, ferramentas e um
projeto sólido para levantar as “paredes da edificação até o teto”, sem deixar
a obra que se propõe inacabada ou abandonada.
Para concluir, invoco
um pequeno trecho de uma canção de Mauro Moraes que traduz meu pensamento
sobre o tabuleiro político de Herval, no qual de um jeito ou de outro as
melancias acabam se acomodando no lugar de costume e as águas seguem o mesmo
curso e deságuam no rio de sempre: “Até pensei meter firme com a teimosia dos mais fogosos
e libertários Ah! Bastava um grito de ‘volta, pingo!’ e lá
ficavam todos maneados pela raiz”.

Comentários