Herval que te quero verde, potente e próspero

 


Embora defenda que estamos no caminho certo e que temos evoluído bastante nas últimas décadas, existem aqueles que advogam que a atração e instalação de indústrias seria o único caminho para a geração de trabalho e renda de forma potente e com potencial de aumentar exponencialmente a massa salarial e o poder aquisitivo dos trabalhadores locais. "Herval só irá se desenvolver se for industrializado", sentenciam os especialistas em economia, gestão e desenvolvimento humano fabricados pela internet.

Para mim, o que torna nossa terra única, rica e encantadora, é o fato dela ser exatamente do jeito que ele é. Acredito que explorar melhor nossas potencialidades, características ou atrativos naturais e culturais deveria ser o ponto de partida para um grande salto, inclusive sob o aspecto econômico, de modo a assegurar o tão aclamado desenvolvimento sustentável (em sentido econômico e ambiental).

No meu ponto de vista, o equívoco começa em afirmar que as indústrias esperadas não chegam porque falta vontade política do poder público em âmbito local. Outro equívoco, relacionado ao primeiro, é cobrar que o poder público promova a propagandeada industrialização da Sentinela da Fronteira. Todavia, o principal equívoco é acreditar que existe um único modelo de desenvolvimento ou confundir crescimento econômico com desenvolvimento parelho, integral e sustentável. Isto é, o grande erro dos partidários desse alardeado modelo de desenvolvimento, como disse, é acreditar que ele seria um caminho exclusivo para gerar riqueza e ainda teria capacidade de reduzir a desigualdade social que é muito menor em Herval na comparação com os municípios mais populosos os quais, justamente, adotaram tal modelo.

Mesmo que não seja bem a realidade que se pode constatar na maioria dos municípios que adotaram esse modelo de desenvolvimento, tomemos esse projeto ou pregação desenvolvimentista como verdadeiro. O que impede a instalação de indústrias de médio e grande porte em Herval?  

O ponto a ser discutido é que uma gestão municipal não possui capacidade nem poder de regular o mercado nem de regrar relações ou mecanismos macroeconômicos. Da mesma forma, governo nenhum fabrica dinheiro ou é proprietário de nenhuma indústria ou dos meios de produção, algo que só existe ou existiu nos minguados regimes ou experiências comunistas mundo afora, que os mesmos que levantam tal ideia salvacionista tanto combatem e criticam. Aliás, concretamente, o mais perto que o Brasil chegou do comunismo foi quando enfrentou a União Soviética na Copa de 1958. O resto é delírio de quem vive uma realidade tão paralela ao ponto de rezar para pneu e tomar detergente. Desde a redemocratização, vivemos no Brasil sob a égide da liberdade econômica, da livre iniciativa e do direito de propriedade que é um dos direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal de 1988.

Portanto, exceto pelo fato de estarmos situados na Faixa de Fronteira (vide a Lei Federal nº 6.634/1979), não existe nenhum obstáculo imposto pelos governos em nível federal, estadual ou municipal que proíba a industrialização de Herval. Ocorre que no capitalismo impera a lei da oferta e da procura, e os altos investimentos apenas se justificam se forem viáveis economicamente, ou seja, se existir um ambiente atrativo à atividade econômica com demanda de consumo, mão-de-obra especializada, insumos acessíveis, rotas de transporte e condições logísticas satisfatórias, oferta de energia e tecnologia suficientes, entre outras condicionantes. 

O que o poder público pode fazer é promover subvenções econômicas ou isenções fiscais (não confundir com subsídios), cuja conta acaba sendo paga pelo conjunto da sociedade. Pode ainda promover investimentos estruturantes em logística, transporte e infraestrutura, um dever de casa que, em parte, já vem sendo feito pela administração local, mas esse é um assunto ser abordado noutro momento. O que uma prefeitura também pode fazer e têm sido feito, e não é de hoje, é tornar a cidade mais atrativa para viver, trabalhar, produzir e investir.

Por hora, concluo dizendo que o campo é a nossa grande indústria, numa potência e máquina de gerar desenvolvimento ambientalmente sustentável, economicamente viável e socialmente justo que deve seguir sendo nosso carro-chefe e alicerce para alavancar o nosso crescimento econômico, demandando políticas públicas com foco na agregação de valor e na modernização todos os elos e etapas da cadeia produtiva da pecuária, numa atividade que ainda pode funcionar como o grande fator de preservação do Bioma Pampa.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O campo em primeiro lugar!

Vem aí uma terceira via?