Capital nacional da solidariedade
Escutei um comentário num jornal televisivo há poucos dias que dizia mais ou menos o seguinte: "uma cidade não se mede por aqueles que conseguem caminhar com as próprias pernas. Uma cidade se mede pela sua capacidade de atender as necessidades básicas de quem dela depende".
Não, em Herval não se vive uma igualdade plena e absoluta, até porque esse cenário não passa de quimera e jamais existiu em nenhum lugar do mundo. A questão é que a distância que separa ricos e pobres é muito menor aqui do que em várias partes do país e, mesmo os mais despossuídos de bens materiais ou oportunidades de ascensão social, não são abandonados pelo poder público nem pela sociedade de um modo geral.
Em Herval, não temos moradores de rua. Em Herval, as pessoas têm o hábito de se mobilizar para arrecadar fundos quando alguém passa por algum problema de doença. Em Herval, as entidades religiosas e da sociedade civil possuem o costume de arrecadar donativos, se alguém passa por dificuldades para comer, beber, vestir, calçar ou pagar despesas essenciais, como a conta de água, gás ou energia elétrica. Em Herval, antes de tudo, temos um poder público que funciona e assegura acesso amplo, irrestrito e permanente aos direitos primordiais, sobretudo, nas áreas da saúde, educação e assistência social. Além disso, prevalece como regra a população local e visitantes terem acesso de forma totalmente gratuita aos shows artísticos, oficinas e eventos culturais promovidos pela administração municipal.
Volta e meia se escuta besteiras do tipo: "o Bolsa Família é uma fábrica de vagabundos". "Os programas sociais tiram mão-de-obra do mercado de trabalho". "O governo diz que acabou com a pobreza, mas os pobres só aumentam". "O problema do Brasil é o comunismo". Não vou contrapor pontualmente todas essas questões, pois seria pura perda de tempo. Afinal, como alguém disse, é impossível explicar a importância dos programas sociais e de transferência de renda a quem ainda não aceitou a Lei Áurea.
Fato é que o grande problema do Brasil nunca foi a geração de riqueza, e sim a desigualdade social, que é um verdadeiro câncer no nosso país. Outra questão é que nunca andamos nem perto do comunismo e a proteção social promovida pelos governos em nível federal, estadual e municipal, é baseada e vai de encontro ao "Estado de Bem-Estar Social", preconizado pela Constituição Federal e inspirado na respeitável social-democracia européia.
Há quem considere nossa terra pobre ou atrasada por ela não possuir indústrias, arranha-céus, avenidas largas, grandes agitos e aglomerações, shopping centers, caos no trânsito, poluição sonora e ambiental. Eu considero Herval afortunada e na vanguarda, justamente porque aqui a calma impera, o respeito dá as cartas e a natureza predomina e dita o ritmo das horas e da vida, bem como o ato de acolher e estender a mão a outrem é quase uma norma.
Acabei fugindo um pouco do assunto para dizer que o Brasil é um abismo de desigualdade e em Herval, embora não se viva num oásis de igualdade, aqui praticamente não existe ninguém invisível, a discriminação não se cria e ninguém solta a mão de ninguém. Nesse sentido, embora esse título pertença oficialmente à cidade gaúcha de Esteio, entendo que a Sentinela da Fronteira é a legítima Capital Nacional da Solidariedade.

Comentários
Eu também penso assim ☺️