OLÁ, NEGRO! (Jorge de Lima) Os netos de teus mulatos e de teus cafusos e a quarta e quinta gerações de teu sangue sofredor tentarão apagar a tua cor! E as gerações destas gerações quando apagarem a tua tatuagem execranda, não apagarão de suas almas, a tua alma, negro! Pai-João, Mãe-negra, Fulô, Zumbi, negro-fujão, negro cativo, negro rebelde negro cabinda, negro congo, negro ioruba, negro que foste para o algodão de U.S.A., para os canaviais do Brasil, para o tronco, para o colar de ferro, para a canga de rodos os senhores do mundo; eu melhor compreendo agora os teus blues nesta hora triste da raça branca, negro! Olá, Negro! Olá, Negro! A raça que te enforca, enforca-se de tédio, negro! E és tu que alegras com os teus jazzes, com os teus songs, com os teus lundus! Os poetas, os libertadores, os que derramaram babosas torrentes de falsa piedade não compreendiam que tu ias rir! E o teu riso, e a tua virgindade e os teus medos e a tua bondade mudariam a...