Quando digo não acreditar mais no amor, em grande parte, estou me servindo de uma licença poética, que utiliza o amor como fonte farta de inspiração para aflorar casos concretos ou inventados acerca desse universo quase sempre dual, que mistura ou pode conter cenas de prazer e amargura, doçura e fel, cumplicidade e oportunismo. Portanto, não estou necessariamente assumindo uma posição de desdém ou anti-amor, nem fazendo-me de coitado ou apresentando como prisioneiro sem cura dos males de amor ou desencontros amorosos do passado. Estou, isto sim, abordando o amor sem mitos ou máscaras, sem rótulos ou romantismos desatinados; amor enfim, que move e conforta, mas que pode também se transformar em mágoa, desgosto ou mal amor. É claro que minha vida amorosa, com saborosas exceções, é marcada por histórias que nunca deveriam ter começado (pena que só agora percebo isso), por um festival de encenações ou pelo meu vacilo, indecisão e fraquezas diante de chantagens emocionais feitas...