Volto a pedir licença para compartilhar novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser... Quando morrer não quero choro, coroas, velório nem caixão. Quero ser cremado e minhas cinzas jogadas ao vento, no rodapé da página escrita por uma criança ou ao pé de uma planta – de preferência uma flor. Quando minha alma se for desse corpo que ora me envolve e consome, quero risos e cantorias. Cantem e dancem Cartola, Ana Carolina, Caetano, Chico Buarque, Sambô, Lenine, Diogo Nogueira, Gessinger, Nei Lisboa, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Basílio Conceição, Chico César, Ramil, Violeta Parra... Cantem e dancem tudo que tenha poesia, embale o corpo e acaricie a alma, menos essas porras de mau gosto que fazem-nos engolir como música. Antes da cremação, peço que se reúnam todos em torno dos meus restos mortais dando corpo a um descontraído recital, com direito a palavras molhadas por goles de um bom vinho, uma cachaça curtida pelo paladar d...