Rolim, sempre Rolim

Compartilho com vocês mais um escrito de Marcos Rolim. Homem sempre laico, límpido e lúcido:
A CULTURA DO ÓDIO
(Marcos Rolim)
Os sentidos das coisas não os encontramos nelas. Mundo, em si mesmo, é a realidade do sem-sentido. O sentido é aquilo que nós emprestamos às coisas. Quando vemos algo, quando temos notícia de algo, temos a ilusão de que este algo nos revela o que é. Mas a realidade-do-que-é aguarda nossa intervenção como observador, como leitor, como ouvinte. Por óbvio, as coisas existem independentemente de nossa apreensão, mas o sentido delas corresponde sempre a uma atribuição do sujeito. Vejam os atentados de Oslo, por exemplo. Há muito para se ver ali. Mas o fato, insuperável, é que as pessoas vêem coisas completamente diferentes inclusive em um fenômeno extremo com o terror. Há quem, rapidamente, reduza tudo à loucura. Dezenas de inocentes foram massacrados porque um “maluco” decidiu assim, ponto final. Mas este “maluco” publicou na internet um manifesto de 1....