quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Música para os meus ouvidos


Não sou completamente negro na pele, mas sou negro no sangue, sou negro no sentimento, sou negro no samba e tenho orgulho de sê-lo...





Momento poético



ser eu poesia

(Luz Ribeiro)

noite como outrora nunca vista
as estrelas pareciam querer cair
com desvelo segurei uma delas
entre o polegar e o  indicador
e de modo  brusco, movimentei-a
move-la de lugar, ser eu passagem.

sobre minha cabeça
um mobile feito, pelo cria-dor
e cria-ação que sou me encantei, sorri
de modo  ingênuo exclui o  verbo chorar
anulei o  sofrer sempre presente
restou  alegria, ser eu  feliz.

tirei o chinelo e andei vagarosamente
contemplando o  grandioso e minucioso
todo pouco universo
grão de areia entre meus dedos
me causando leve incomodo
breves cócegas, ser eu leve.

olhos fechados pra ouvir o cochichar do mundo
ficar imóvel para encontrar ondas
e só, só esperar, esperar...
mas carrego por segurança amarguras
sendo assim por zelo, o tal sal em mim, não  tocou
pensei com dor, por ser eu dura.

cheiro forte ainda não provado
disparou  a adentrar pelas narinas
completou o vago que restava
apoderou-se do eu, encheu
nessa noite eu  fui amada
ganhei sentidos, ser eu autor.

me quis pequena e frágil
me desenhei menina afável
apaguei a frigidez, fui ágil
desenhei sonhos palpáveis
não derramei lágrimas por lucidez
e ainda assim lavei  a alma, ser eu  água.

noturna tudo fui
rodeada de sensações
sem gosto, sem cheiro
era cem expectativa
juro, pouco sei  da vida
e o que observo, escrevo
por nascer defeituosa, ser eu poeta.

Altas conexões



terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Versos del alma gautia



Valeu a pena!



Despedir-se de alguém que vai continuar com a gente não é sinônimo de tristeza, mas nem por isso deixa de ser difícil e doloroso.

As virtudes são tantas que é impossível qualificar Ildo Sallaberry servindo-se de apenas um adjetivo: visionário, destemido, ousado, magistral, incansável, desbravador, generoso, inspirador, iluminado...

Tal tarefa se torna ainda mais difícil porque mais que adjetivos Ildo é verbo, ação, alma aflita que faz acontecer.

E não faz movido pelo aplauso, pela busca do voto, pelo gosto dos holofotes, pelo ímpeto de estar no centro das atenções. Ildo faz porque esse é seu jeito de ser, essa é sua missão nessa vida, porque realizar e carregar a sensação do dever cumprido é seu maior troféu. Porque essa também foi a maneira que encontrou de tocar a alma e o coração e, principalmente, melhorar a vida das pessoas.

Hervalense que já andou pelo mundo, porém sempre carregando com orgulho o nome da nossa terra e o nosso jeito interiorano de ser.

Hervalense que nasceu em meio à pobreza, mas que desde sempre foi rico em caráter, ética, competência, dedicação, senso de justiça. Rico em vontade de vencer, compromisso em superar as misérias humanas e materiais, amor por esse chão.

Prefeito de mente aberta e coração liberto que colocou Herval no mapa do progresso e fez com que um povo que vive “longe demais das capitais” descobri-se a si mesmo e seu lugar no mundo.

Muito se fala do cérebro, da inteligência, da sapiência, do espírito de liderança, da habilidade com os números, do crânio avantajado de Ildo. Tudo isso é correto e verdadeiro. Mas quem o conhece mais de perto, sabe que ele tem um coração ainda maior e mais gigante.

Ildo é justo, generoso e agregador como poucos conseguem ser. Ildo é craque, mas sabe montar, comandar e possui a incrível capacidade de jogar junto com o time que raríssimos possuem. Ildo emana uma luz infinita e nunca se preocupa em ofuscar e muito menos apagar o brilho de outrem. Ildo não perde tempo com brigas estéreis, pequenas ou bobas, pois sabe que apenas a grande batalha pelo melhor para todos e todas merece atenção e interessa.

Em 2008 fomos às urnas eleger um prefeito e ganhamos muito mais que o chefe de um poder. Ganhamos um presente; um amigo; um pai; um conselheiro; um orientador; um mestre; um líder à frente do nosso tempo; um companheiro e caminho da caminhada; um comandante leal, firme, seguro e formador de novas lideranças; um ser humano ímpar que se faz enorme porque sabe enxergar, juntar, compartilhar e aplaudir os talentos alheios; um realizador de sonhos que antes pareciam irrealizáveis...

Como nas palavras de São Francisco de Assis, Ildo começou fazendo o que era necessário, depois passou a fazer o que era possível e de repente já estava fazendo o impossível.

Sob o teu comando – querido prefeito Ildo – mudamos nosso município para melhor e também mudamos muito a nós mesmos. Inspirados pelo teu exemplo, aprendemos a colocar o nós à frente do eu. Percebemos que o interesse pela Sentinela da Fronteira deve vir antes e acima de qualquer interesse individual ou de pequenos grupos. Deixamos de buscar desculpas ou culpados, e sim a solução para os problemas. Compreendemos que somar é sempre melhor que dividir. Passamos a ter a certeza que juntos podemos mais e nos tornamos mais fortes e capazes. Descobrimos que realizar é melhor que apenas imaginar.

Ao teu lado, entendemos que é preciso dar duro para fazer bonito. Revelamos nosso sangue no olho e, ao mesmo tempo, o brilho intenso no olhar. Contigo, fomos convocados a separar o joio do trigo e, sobretudo, o público do privado. Montamos na garupa da esperança e demos de relho no medo e no desmazelo.

Nesses oito anos, crescemos uns 8o anos. Crescemos nas obras, nas conquistas, nas realizações, mas também dentro de nós mesmos. Isso porque sob a tua batuta - prefeito Ildo – fomos capazes de superar diferenças partidárias, ideológicas, etárias, de gênero, de origem social, de religião, de cor e tantas outras. Jovens, crianças, idosos, mulheres, homens, pobres, ricos, negros, mesclados, brancos, católicos, evangélicos, espíritas, umbandistas, nativos, assentados, hervalenses de coração, progressistas, petistas, tucanos... recebemos teu chamado e fomos tocados pelo teu apelo para convergir, somar forças, colocar a mão na massa juntos e marchar verdadeiramente rumo a um município mais justo, próspero, altivo, empreendedor, feliz e de todos.

Não podemos falar em ti, Ildo, sem mencionar a dona Tania. Tua fiel escudeira e pessoa que também aprendemos a admirar, respeitar e a amar. Exemplo de primeira-dama, de figura pública e de comandante de uma das pastas mais importantes da administração. Bela, recatada, rebelde com causa, ávida de vida, do lar, do bar, do baile, da rua, dos campos, dos corpos sofridos, das almas aflitas, marcadas pela injustiça e famintas de pão, afeto e oportunidades.

Mulher bonita sem ser exibicionista. Primeira-dama dedicada e presente sem nunca ser intrometida nem soberba nem saliente. Gestora sensível, séria, correta, descentralizadora, competente, com os pés no chão e os braços abertos para acolher aqueles que mais precisam. Pessoa de alma enorme e elevada, sempre disposta a fazer o bem do jeito certo e sem importar a quem.

Assim como tu, Ildo, dona Tania se tornou um patrimônio de todos nós e símbolo do Herval fino, elegante, sincero, digno, decente, realizador e simples que se faz grande porque sabe ser humilde e valorizar a grandeza dos mais humildes.

Agora falta pouco – querido Ildo – para encerrares essa etapa no comando da prefeitura, mas ainda falta o principal: colher muitos dos frutos que plantasses, além de banhar-te com nossas palavras e gestos de gratidão terna e eterna!

De todo o coração, muito obrigado!!! Obrigado por existires! Obrigado por ter apontado o bom caminho! Obrigado por despertar e dar protagonismo aos nossos talentos! Obrigado por acordar o melhor que dormia em nós e no nosso amado Herval! Obrigado pelas inúmeras obras e pelo plantio de tantas boas sementes! Obrigado pelo legado administrativo, político e humano extraordinário que nos deixas!

Vamos continuar juntos e com a certeza que essa empreitada não acaba aqui. É preciso avançar mais e para isso continuaremos necessitando do teu brilho, lucidez, luz, ousadia, generosidade, entrega e espírito criativo e vitorioso!

Nesse momento de despedida, além do agradecimento, nos cabe dizer até sempre querido mestre-maestro Ildo! Vida longa, sucesso nas tuas novas jornadas e tarefas e que Deus siga iluminando teu caminho para que possas seguir iluminando nossas vidas e os caminhos da nossa terra!

Viva o Herval que avança! Viva o povo hervalense! Viva Ildo Sallaberry!


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Rir é o melhor remédio



Música para os meus ouvidos


Dias de lutas, dias de glória... E cada um deve ser responsável por suas lutas, derrotas e glórias.

Houve um tempo em que quis preencher os vazios de outrem ou carregar o mundo nas costas, hoje topo carregar apenas e tão somente meus próprios fardos e colho apenas os frutos que planto (bons ou ruins).

Estender a mão não deve significar carregar ninguém no colo e muito menos tentar trocar de lugar com quem quer que seja. Já fiz dessas e, além de não resolver os problemas ou mazelas alheios, acabei herdando ou respondendo por questões que não eram minhas.

Somar, dividir e compartilhar sempre, agora cada um com seu cada um e segundo suas obras, escolhas ou provações na humana existência.



sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Ho Ho Ho!!! Feliz Natal!


Natal é tempo de celebrar... Celebrar o nascimento de Cristo; celebrar a vida e a dádiva de estar vivo; celebrar o muito que faremos!

Natal é tempo de deixar passar um filme na cabeça, de avaliar os passos dados até aqui.

Natal é tempo de agradecer tudo que temos, não apenas em termos materiais, mas principalmente nossos afetos, conquistas em batalhas interiores, talentos que possuímos e tudo o mais que nos faz bem e ajuda a tornar melhores.

Natal é tempo de ser grato por aquilo que não temos também, tais como tristezas, solidão, doenças, alguma limitação física ou mental, privações de coisas essenciais à vida!

Obrigado Papai do céu! Obrigado ao aniversariante Jesus, pelo exemplo terno e eterno de bondade, humildade e grandeza!

Viva o Natal! Nesse período e ao longo de todo o ano vindouro!



Autorretrato


"Dream team"! Gente que faz sem perder o brilho no olhar e o sorriso no rosto.

Nem só de pão viverá o homem




quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Altas conexões



Ato político


Em meio a esse momento lamentável da história política do Rio Grande do Sul, sou tentado a permanecer em silêncio, pois se abrir a boca e liberar a pena, o fel e a desesperança acabarão falando mais alto.
No entanto, sirvo-me do escrito de Sergio Araujo para deixar claro de que lado estou nessa batalha e que não me calo assim no mais. Estamos perdendo muitas batalhas, mas não perderemos essa guerra.
Podem esperar canalhas. Voltaremos!

Sartori não veio para confundir. Veio para destruir
Por Sergio Araujo

Precisou que se passasse dois anos deste a última eleição estadual para que os gaúchos se dessem conta de que Sartori, o personagem enigmático da campanha eleitoral de 2014, ao contrário do que boa parte dos eleitores imaginou, nada tinha de ingênuo e bem intencionado. Ele sabia muito bem o que pretendia fazer. Só não podia dizer.

E hoje sabemos o motivo. No seu script de atuação, redigido em parceria com o que há de mais retrógrado no empresariado gaúcho, estava a conclusão do trabalho iniciado pelo governo Britto: Acabar com o que restou da máquina pública do Estado.

Ok. Não tem como não reconhecer as limitações intelectuais do governador peemedebista, claramente detectáveis nas suas manifestações públicas, mas isso não lhe reduz a responsabilidade pelos seus atos. Pelo contrário, aumenta ainda mais, pois fortalece a sua imagem de “marionete”, inaceitável para quem ocupa o cargo mais elevado da política gaúcha. Nem o empresário mais otimista esperaria tanto apoio às teses da categoria como Sartori e sua equipe tem dado.

Mas sejamos sinceros, não é apenas Sartori que tem “simpatia” pelo companheirismo privado. A maioria dos deputados que estão votando as medidas recessivas e danosas aos interesses dos funcionalismo e do Estado, tiveram suas campanhas patrocinadas por empresas privadas. Não importa se legalmente ou não. E agora, na hora de votar o pacote de maldades do governador, estão tendo a obrigação de retribuir o “favor”.

Some-se a isso a pratica do velho e não mais tolerável fisiologismo. Refiro-me ao uso do mandato para a busca de “espaço” no poder. Seja em cargos do primeiro e segundo escalão, seja pela conquista de CCs ou FGs, ou até mesmo o compromisso de execução de uma ou mais obras de interesse individualizado. Uma prática de sedução vergonhosa que é usada como moeda de troca para os governos atingirem a quantidade necessária de votos para aprovar seus projetos.

Com uma população atordoada pelos escândalos de corrupção, que ainda a impede de enxergar com clareza as manobras sorrateiras dos adeptos da política do interesse próprio, o governo do Estado tem usado todo o seu arsenal de influência. Tanto interno como externo. No último caso, movidos por interesses comuns, com predominância do fator econômico, imprensa e governo pactuam da mesma linha editorial. A culpa é do serviço público.

Como se isso não bastasse, o governo Sartori transformou a Brigada Militar numa milícia truculenta e radical, que ao contrário do acontece no combate a crescente criminalidade, tem sido impiedosa no ataque aos movimentos sociais. Um legítimo ou vai por bem, ou vai por mal.

Em meio a essa briga de David contra Golias, o contribuinte e principalmente os servidores públicos estaduais, pouco podem fazer para interromper a saga desse governo dominador. Mas a história é pródiga em mostrar que nem sempre um povo subjugado é sinônimo de concordância e passividade.

Tal qual um vulcão adormecido, a grande massa de brasileiros e gaúchos, agrilhoada por interesses pouco ou nada transparentes, está demonstrando diariamente sua insatisfação com o atual status quo da política nacional. E quer ver corruptos e maus gestores bem longe do poder. De preferência na cadeia ou impedidos de exercer cargos públicos.

Talvez leve ainda algum tempo para governantes e políticos entenderem essa nova realidade. Zumbis da direita radical, aproveitadores da turbulência social que se propaga no Brasil e no mundo, ainda precisarão ser recolocados em suas catacumbas.  Mas que a nova ordem social, com o cidadão à frente dos seus interesses, irá prevalecer não resta nenhuma dúvida. Mesmo que para isso leve algum tempo para reconstruir o que foi destruído.

Talvez Sartori acredite que veio para servir de “Salvador da Pátria”. Ou quem sabe o “Imperador dos Pampas”. O “Todo Poderoso”. Mas o tempo, comandante supremo da Justiça, haverá de mostrar que o povo sempre tem razão. Tal qual massa de pão que quanto mais apanha mais cresce, os servidores públicos estaduais e àqueles que dependem dos serviços públicos irão, a exemplo do que fez Sepé Tiaraju, mostrar que essa terra tem dono. O povo.

Sergio Araujo é jornalista e publicitário.

Publicado originalmente no site Sul21: http://www.sul21.com.br/jornal/sartori-nao-veio-para-confundir-veio-para-destruir/


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Licença poética



Peço licença uma vez mais para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Dei entrada no tão sonhado cantinho para morar...

A morada é exuberante e espaçosa, situada em área nobre, rodeada de natureza por todos os lados, ambientes climatizados, variadas opções de lazer, decorada com requinte e bom gosto.


Mais que apenas dar para o gasto, posso ostentar que é o lugar dos sonhos. Vou morar dentro de nós.

Versos del alma gautia


Faz tempo que Dom Jayme pariu esses versos, mas parece que foi hoje... Eita Brasilzão véio que avança e volta para ainda mais atrás que o começo. Como noutros versos de Mauro Moraes, que dizem: "Bastava um grito de volta, pingo! E lá ficavam todos maneados pelas raízes".


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Música para os meus ouvidos


Tem canções que tocam o coração e falam por si. Eis uma delas...



Autorretrato


Gente fina, elegante e sincera. Não somos irmãos gêmeos, mas podemos nos dar ao luxo de festejar o aniver juntos. E, mesmo com atraso - pois novembro foi mês de férias e pausa nas coisas do mundo virtual -, esse post ainda vale.