O Blog busca retratar coisas da vida interiorana e do meu interior, numa abordagem que mistura reflexão, notícias, riso, poesia, musicalidade, transcedentalidade e outras cositas más. Tudo feito com produções próprias, mas também com a reprodução do pensar ou do sentir dos grandes gênios que o país e a humanidade pariram.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Pensar é preciso





Candoca entrevista jurista



O velho Candoca deu as caras. Quanto tempo! Candoca é pensador e jornalista em Palomas. Ingênuo, puro, recatado e do lar. Salvo quando passa a noite na rua. Candoca faz perguntas bobas. Segue uma lógica simples. Acredita que se “a” é igual a “b”, então “b” é igual a “a”. Candoca tem alguma dificuldade para decifrar a lógica dos “juristas”. Na verdade, Candoca acha que eles fazem teses, defendem o insustentável e ganham no grito ou na força da assinatura. Candoca não compreende a sofisticada lógica do mundo jurídico. Chega até, por ser simplório, a considerar que no direito tudo é ideologia. Candoca teve um encontro com Ladário Pantaleão Figueira, jurista que defende a legalidade e a constitucionalidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Candoca foi passo a passo:
– O que diz a nossa Constituição sobre impeachment?
– Que para destituir um presidente é preciso um crime de responsabilidade – responde pomposa e gravemente o renomado jurista.
– Então, se consigo entender, precisa provar que houve o crime?
– Não propriamente… – começa a responder o eminente jurisconsulto.
– Como não propriamente? A Constituição não exige?
– Exige, nobre amigo, mas o julgamento é feito por políticos…
– Então, se consigo entender, os políticos passam a julgar juridicamente, como num tribunal, arcando com o ônus da prova.
– Não exatamente, pois, como políticos que são, julgam politicamente.
Candoca fica visivelmente perturbado. Pede água. Sua. Passa a mão nos cabelos esbranquiçados. Parece prestes a ter uma crise.
– Quer dizer que, sendo políticos, podem contrariar a Constituição e julgar presidente sem provar crime de responsabilidade, doutor?
– Não propriamente, amigo. Eles vão examinar a prova, mas isso é menos importante. Vão dizer sim ou não e decidir como quiserem.
– Como quiserem, doutor? Livremente? Sem o incômodo da prova?
– É voto de convicção, amiguinho.
– Nesse caso, é golpe?
– Não, claro que não. Tudo constitucional. O STF avalizou o ritual.
– Mas o STF não examinou o mérito, doutor!
– Nem pode. Isso é atribuição do Senado.
O velho Candoca fica engasgado. Começa a tossir. Trazem-lhe água.
Desatam o nó da sua gravata. Afrouxam-lhe a guaiaca.
O pensador de Palomas tenta recuperar o equilíbrio para fazer mais uma pergunta.
– Se a prova do crime de responsabilidade não for feita, o prejudicado poderá recorrer ao Supremo, não é mesmo doutor Ladário?
– De forma alguma, amigaço. O presidente do STF comanda a sessão de votação do impeachment do Senado, que tem a última palavra.
– O ministro Marco Aurélio Mello discorda, doutor.
– É a opinião dele.
– Então é possível condenar alguém sem provas?
– Em crime comum, não.
– Entendi. Só se pode condenar sem provas presidente da República?
Ladário Pantelão Figueira perde as estribeiras. Dá um coice:
– Tchê, vai estudar um pouco. Jornalista só faz pergunta absurda. Direito é assunto complexo. Não é linear assim. Ou tu és petralha?

Juremir Machdo da Silva, in http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/

Parada pedagógica



quinta-feira, 28 de abril de 2016

Música para os meus ouvidos


Depois que descobri uma versão mais leve e desenvolta de mim, logo dei de cara ou fiquei mais atento às canções de Armandinho.

Eis que acabei de encontrar e me encantar com uma musicalidade que mistura ritmo, embalo e poesia, que sacia e convida a mergulhar num mar imenso; ora agitado, ora calmo desse som. 

Deste então digo: a música de Armandinho me representa e toca muito do que sinto!





Altas conexões



Licença poética




Peço licença novamente para entregar-lhes outras palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Tem amor que prende, amor que amarra, amor que deixa solto, amor que machuca, amor que some, amor que soma, amor que curte e compartilha.

Teu amor é tudo de bom e torna melhor. Teu amor completa, preenche, leva longe, encurta caminhos.

Amo-te toda e adoro estar contigo. Gosto de ti com roupa ou toda nua, maquiada ou naturalmente linda. Adoro nosso amor de cama, mesa, banho, quarto, sala, cozinha, casa, carro, rua, frio, calor, chuva ou sol que racha.

Amor sem fim, sem firulas, sem faniquitos, sem fanatismos, sem encenações, sem falsas promessas, sem pressa, sem pudor.


Nada no mundo é melhor que nosso amor de pele e corpo e alma e coração. Amor que talvez não estivesse escrito nas estrelas, mas que está sendo cuidadosamente escrito por nós, seres imperfeitos, que até beiram à perfeição por meio desse amor.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Senti Nela



Ato político


Marco Weissheimer

A bancada do PT no Congresso Nacional pretende intensificar nas próximas semanas a mobilização em defesa da democracia e do mandato da presidenta Dilma Rousseff, e para denunciar o que considera uma tentativa de golpe em curso que tem como um de seus líderes o vice-presidente Michel Temer. “Não sei como votará o Senado, mas se a decisão for pela continuidade do golpe o nosso papel histórico será continuar a denunciar o golpe e a ilegitimidade de Temer para governar. Um governo que nasça de um golpe como este jamais terá legitimidade para governar o país”, afirma o deputado federal Henrique Fontana.

Em entrevista ao Sul21, Fontana aponta outubro de 2014 como o ponto de partida do atual movimento pela derrubada de Dilma Rousseff e defende que Temer participa dele desde o início. “Diante da nova derrota eleitoral e da constatação que não conseguiriam chegar ao poder pelo voto popular, uma parte da elite brasileira tomou a decisão de buscar esse objetivo por meio de um golpe, que será apelidado de outros nomes”, diz o deputado gaúcho, que também critica a omissão do Supremo Tribunal Federal em relação ao deputado Eduardo Cunha. Essa omissão, sustenta Fontana, está custando muito caro à democracia brasileira.

Sul21: Qual é a gênese do atual processo que procura afastar Dilma Rousseff da Presidência da República?

Henrique Fontana: O golpe em curso no Brasil, que busca derrubar a presidenta eleita Dilma Rousseff, está sendo gestado desde outubro de 2014, quando se contaram os votos e o PSDB se surpreendeu mais uma vez com a vontade expressa pelo povo brasileiro nas urnas. Todo o grupo que hoje apoia o golpe foi o grupo que apoiou Serra em 2002, quando este perdeu para o Lula, apoiou Alckmin em 2006, que também perdeu para o Lula, apoiou Serra de novo em 2010, que sofreu mais uma derrota, desta vez para a Dilma, e apoiou Aécio em 2014, em uma nova derrota para Dilma. Diante dessa nova derrota e da constatação que não conseguiriam chegar ao poder pelo voto popular, essa parte da elite brasileira tomou a decisão de buscar esse objetivo por meio de um golpe, que será apelidado de outros nomes.

Esse processo iniciou com um conjunto de alternativas, uma espécie de cardápio, onde o prato principal seria escolhido de acordo com a evolução da conjuntura. Vários cenários foram levados em paralelo. Poderia ser a cassação da chapa via Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se o cenário indicasse que eles poderiam ganhar uma nova eleição com outro candidato. Ou poderia ser outro caminho se o cenário eleitoral não fosse favorável. Como há uma resistência muito grande na sociedade brasileira a eleger um governo de corte ultraliberal, como sempre representaram essas quatros candidaturas derrotadas, os articuladores desse processo fecham um acordo para buscar um “atalho” para o poder. O acordo é tornar Temer presidente da República por dois anos e meio e criminalizar a figura de Lula, inviabilizando sua participação na eleição de 2018.

Esse movimento golpista se alimentou de dois fatores decisivos: um parlamento hostil ao nosso governo e absolutamente dominado pelo poder econômico; e, em segundo lugar, o braço midiático do golpe, que teve uma atuação seletiva na divulgação das denúncias de corrupção. Para entender a instabilidade política que atingiu o governo, é preciso ter em mente que a presidenta Dilma nunca cedeu a acordos que pudessem frear investigações. O caso mais emblemático envolve o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, objeto de várias denúncias de corrupção. Aliás, o silêncio de Temer sobre Cunha é de uma cumplicidade absurda. É um silêncio de sócio e cúmplice. Não há uma palavra de Temer na grande mídia brasileira sobre as denúncias de corrupção que recaem sobre Eduardo Cunha.

Sul21: Seguindo essa tese de que o movimento golpista iniciou ainda em 2014, na sua opinião, o próprio Temer participa dele desde lá?

Henrique Fontana: Na minha opinião, sim. Ele participa desde o início. O PSDB está no centro do golpe, junto com Temer. Nós montamos um ministério errado para enfrentar esse ambiente de golpe que se constituiu no país. Mas, como tenho dito a todos que estão participando dessa mobilização pela democracia, é preciso aprender com os erros, mas não se deprimir com eles. Temos muita luta pela frente para denunciar o golpe à população.

Sul21: Após a votação na Câmara dos Deputados, você acredita que é possível outro nível de debate no Senado, com outro resultado também?

Henrique Fontana: Estou entre aqueles que vão trabalhar muito para frear o golpe no Senado. Tenho convicção da justeza da posição que estou defendendo e que o PT e outros partidos de esquerda devem defender. O meu assunto não é se tem mais ou menos chance de frear o golpe no Senado. Essa pergunta, na minha opinião, é secundária. O que importa é o que deve ser feito neste momento. E o que deve ser feito neste momento é ampliar e consolidar essa grande novidade positiva em um momento muito duro da política brasileira, que é a grande mobilização social que está se formando em defesa da democracia.

Sofrer um processo como este que está em curso é muito duro para a vida do país, especialmente para as pessoas mais pobres que já estão vivendo um prejuízo muito grande em suas vidas por conta da organização do golpe que durou um ano e meio. E esse prejuízo pode ser muito maior. O núcleo programático do golpe é colocar em marcha um projeto de mudanças regressivas no Brasil, que vai desde a alteração da forma de exploração do pré-sal até a diminuição dos ganhos reais de salário conquistados nos últimos anos e a retomada da votação do projeto das terceirizações. O papel programático de um eventual governo Temer, em resumo, será colocar em prática aquilo que foi defendido por Aécio em 2014 e rejeitado pela maioria da população brasileira.

Nosso governo cometeu erros na condução da economia, como exonerações excessivas e entregar a condução da economia nas mãos do Levy, que era um inimigo na trincheira. Mas o fundamental das dificuldades que a nossa economia vive hoje se deve ao impacto que a crise do capitalismo global teve sobre o Brasil e à aposta da oposição no quanto pior melhor. A oposição trabalhou para inflar a crise econômica, inclusive inviabilizando atos de governo que eram necessários para reequilibrar o país, como a aprovação de uma CPMF. A receita do golpe, porém, como aconteceu em outros momentos da história do Brasil, precisava criar um clima de dificuldade econômica que serviria como parte de justificativa do golpe.

Sul21: Quais podem ser os desdobramentos para o país, no futuro próximo, desse movimento para a derrubada da presidenta Dilma?

Henrique Fontana: Em primeiro lugar, gostaria de destacar que a ilegitimidade do que foi feito na Câmara dos Deputados salta aos olhos. O primeiro plano deles era criar um grande caos na economia e gerar um isolamento completo do PT, por meio de discursos e práticas fascistas nas ruas, com Dilma e Lula criminalizados e totalmente enfraquecidos. Mas o que se viu no dia da votação na Câmara dos Deputados foi um país totalmente dividido, em um ambiente muito diferente daquele do impeachment do Collor, quando o país estava unificado em defesa do afastamento do mesmo. Esse fato representa o principal alicerce sobre o qual se fará política nas próximas semanas e meses no Brasil.

Entramos numa fase de aproximadamente três semanas, onde deveremos intensificar muito o debate sobre a importância da defesa da democracia, denunciar o golpe e a ilegitimidade de Temer. Não sei como votará o Senado, mas se a decisão for pela continuidade do golpe o nosso papel histórico será continuar a denunciar o golpe e a ilegitimidade de Temer para governar. Um governo que nasça de um golpe como este jamais terá legitimidade para governar o país. Se a Dilma for efetivamente afastada, só haverá governo legítimo no Brasil quando ocorrerem novas eleições. A aliança que essa articulação ilegítima está promovendo é extremamente venenosa para a democracia brasileira, envolvendo dezenas de deputados acusados de corrupção e representantes dos setores mais atrasados e fundamentalistas da sociedade.

Temer não tem legitimidade alguma para propor qualquer tipo de pacto. Caso o golpe seja bem sucedido, defenderei dentro do PT que não devemos participar de nenhuma mesa de negociação com esse governo ilegítimo. O que pode frear a implementação de uma agenda ultraconservadora no Brasil é a mobilização social em defesa da democracia.

Sul21: O que pode implicar, em termos sociais, o fato de um governo sem legitimidade assumir o comando do país? Como essa falta de legitimidade pode se expressar na vida cotidiana da sociedade brasileira?

Henrique Fontana: Um governo, em uma democracia, tem como um de seus desafios procurar construir pactos na sociedade. Quando dizemos que o país, com um governo sem legitimidade, entrará em um período de convulsionamento social, os deputados golpistas reclamam que estamos fazendo ameaças. Não há nenhuma ameaça, mas sim uma constatação. Se Temer derrubar com um golpe um governo escolhido pelo voto popular, ele não terá legitimidade para pedir para parte desse povo que participe de uma mesa de negociação para discutir pactos temporários. Por conta dessa aventura golpista planejada pela oposição desde 2014, o Brasil poderá perder três anos, com repercussões negativas ainda mais longas para a economia e para o tecido social brasileiro. O grau de ódio e de intolerância que vemos na sociedade hoje tem responsáveis, ele não caiu do céu. E os responsáveis estão na oposição que apostou neste discurso fascista de ódio e intolerância contra o PT e a esquerda de um modo em geral.

Sul21: Como você vê o comportamento do Supremo Tribunal Federal em relação às denúncias envolvendo o deputado Eduardo Cunha?

Henrique Fontana: Tenho respeito pelo Supremo Tribunal Federal do meu país, embora ele tenha ministros que não têm nenhuma condição de estar lá por serem totalmente partidarizados, como é o caso de Gilmar Mendes, que deveria ser deputado ou senador. O STF tem uma grande dívida com a democracia brasileira por ter permitido que Eduardo Cunha fizesse tudo o que fez com o pedido de impeachment na mão. Neste caso, os ministros tiveram uma postura de muita omissão. Com o conjunto de evidências disponível apontando o abuso de poder praticado por Eduardo Cunha como presidente da Câmara, o STF poderia ter agido. Essa omissão do Supremo está custando muito caro à democracia brasileira. Havia motivos, razões e, inclusive, um pedido do Procurador Geral da República contra Eduardo Cunha. No entanto, contra ele, o Supremo não conseguiu sequer colocar em julgamento o afastamento do deputado.



Rir é o melhor remédio



segunda-feira, 25 de abril de 2016

Momento poético



Quanto,


entre noites
melancólicas,
ruas sem saída,
dia após dia
piorando a ferida
aberta,
custou-me,
nuvens
perdidas,
passeios
só,
suor a contragosto,
frio,
no fundo do poço,
catarata cobrindo
o corpo
todo,
contas sem pagar,
falta de ar,
febre amarela,
febre de rato,
tifóide,
deixando de lado
o amor,
sopro
cosmo
humano,
disenteria
erros calculados,
a poesia?



Fabiano Calixto, Música Possível (São Paulo: Cosac Naify, 2006)

terça-feira, 19 de abril de 2016

Altas conexões



Licença poética



Peço licença outra vez para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...


Quando olhares para o céu, espia só o que aprontei.
Desenhei um coração encima do sol, só para que saibas que são 
teus meu amor, minha alma, meu corpo, minha imaginação.

Por ti saio do chão e faço mágicas inimagináveis.
Ou ao menos mil poemas de amor elaborados com a
matéria-prima mais preciosa do planeta:
tua essência e tua forma estonteante!

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Rir é o melhor remédio



Pitada filosófica



Pensar é preciso


A ilusão

Um governo para os pobres, mais do que um incômodo político para o conservadorismo, era um mau exemplo, uma ameaça inadmissível para a fortaleza do poder real

Gosto de imaginar a História como uma velha e pachorrenta senhora que tem o que nenhum de nós tem: tempo para pensar nas coisas e para julgar o que aconteceu com a sabedoria — bem, com a sabedoria das velhas senhoras. Nós vivemos atrás de um contexto maior que explique tudo mas estamos sempre esbarrando nos limites da nossa compreensão, nos perdendo nas paixões do momento presente. Nos falta a distância do momento. Nos falta a virtude madura da isenção. Enfim, nos falta tudo o que a História tem de sobra.

Uma das vantagens de pensar na História como uma pessoa é que podemos ampliar a fantasia e imaginá-la como uma interlocutora, misteriosamente acessível para um papo.

— Vamos fazer de conta que eu viajei no tempo e a encontrei nesta mesa de bar.
— A História não tem faz de conta, meu filho. A História é sempre real, doa a quem doer.
— Mas a gente vive ouvindo falar de revisões históricas...
— As revisões são a História se repensando, não se desmentindo. O que você quer?
— Eu queria falar com a senhora sobre o Brasil de 2016.
— Brasil, Brasil...
— PT. Lula. Impeachment.
— Ah, sim. Me lembrei agora. Faz tanto tempo...
— O que significou tudo aquilo?
— Foi o fim de uma ilusão. Pelo menos foi assim que eu cataloguei.
— Foi o fim da ilusão petista de mudar o Brasil?
— Mais, mais. Foi o fim da ilusão que qualquer governo com pretensões sociais poderia conviver, em qualquer lugar do mundo, com os donos do dinheiro e uma plutocracia conservadora, sem que cedo ou tarde houvesse um conflito, e uma tentativa de aniquilamento da discrepância. Um governo para os pobres, mais do que um incômodo político para o conservadorismo dominante, era um mau exemplo, uma ameaça inadmissível para a fortaleza do poder real. Era preciso acabar com a ameaça e jogar sal em cima. Era isso que estava acontecendo.

Um pouco surpreso com a eloquência da História, pensei em perguntar qual seria o resultado do impeachment. Me contive. Também não ousei pedir que ela consultasse seus arquivo e me dissesse se o Eduardo Cunha seria presidente do Brasil.

Eu não queria ouvir a resposta.

Luis Fernando Veríssimo - escritor

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Nota do prefeito Ildo Sallaberry em favor da Democracia



A FAVOR DA DEMOCRACIA


Constituição Federal de 1988 estabeleceu o caráter republicano e democrático do nosso país, a garantia das liberdades individuais e políticas dos cidadãos, consagrou os direitos sociais da população e o princípio de que ninguém seria obrigado a fazer ou deixar de fazer algo que não estivesse em consonância com a Lei. Ou seja, o poder de fato e de direito não está atrelado às vontades pessoais de nenhum governante, mas ao marco legal e jurídico brasileiro que vem sendo instituído ao longo desses anos.

Neste sentido, a Carta Magna é a lei maior e mãe de todas as outras leis. Pois a Constituição Federal é clara em admitir a possibilidade de impedimento da Presidência da República, desde que comprovada a prática de crime de responsabilidade e com a participação direta do chefe da nação.

Não é o que se verifica no caso do processo de impeachment da Presidente Dilma em curso no Congresso Nacional. A presidente não está sendo julgada pelos casos de corrupção investigados na Petrobrás os quais revelam conexões com esquemas de enriquecimento ilícito e a suspeita de financiamentos ilegais de campanhas eleitorais que envolvem a maioria dos partidos políticos e acabaram por escandalizar o país.

Descobertas que antes de tudo demonstram o fortalecimento e a independência de instituições importantes como a Polícia Federal e o Ministério Público, que nos dias atuais contam com autonomia para investigar e punir os culpados, respeitados os ritos e rigores da lei. Descobertas que, de certo não são motivo de orgulho ou comemoração, mas ao invés da mera revolta, pessimismo ou criminalização da política, deveriam servir de alento, uma vez que confirmam na prática que ninguém está acima da lei e que nem tudo acaba em “pizza” como já ocorreu no passado, abrindo caminho para novos e melhores tempos, com mais transparência e respeito à causa e a coisa pública.

A Presidente está sendo julgada pelas ditas “pedaladas fiscais”, mecanismo utilizado por todos os últimos governos do país, que além de não configurar crime, tiveram impacto zero no resultado fiscal. Dilma não praticou nenhum ato que justifique seu afastamento.

Dilma, no nosso ponto de vista, não está sendo julgada com isenção e em bases técnicas e legais, e sim por um “tribunal político” movido por interesses estritamente políticos que poderá solapar um dos princípios fundamentais da nossa Constituição que é a escolha dos nossos governantes por meio do voto universal e direto dos eleitores. Algo gravíssimo que manchará a história Republicana do Brasil e poderá ter consequências danosas muito além da questão política, mas para a economia, o tecido institucional do país e a vida de todos nós.

Não se trata, portanto, de defender a permanência da presidente Dilma no posto para o qual foi eleita de forma legítima pelo voto de 54 milhões de brasileiros. O que está em jogo, nesse momento crucial, é a defesa intransigente da legalidade, do respeito à Constituição e às regras do jogo democrático. Desta forma, este prefeito vem a público reafirmar seu compromisso com a lei, a esperança e o entendimento, manifestando sua posição a favor da democracia.


Ildo Sallaberry (PP)
Prefeito de Herval
13/04/2016

Música para os meus ouvidos


Quem sabe isso quer dizer amor, embora amor seja algo para ser sentido, muito mais que dito ou cantado.

Mesmo assim, canções de amor são sempre bem-vindas e fazem bem, ainda mais em meio a essa chuva que não quer cessar.





Rir é o melhor remédio



terça-feira, 12 de abril de 2016

Ato político


Ganhar ou perder nas urnas faz parte e é do jogo democrático. Agora a disputa política ser pautada pelo intento de vencer no "tapetão" não é legítimo nem aceitável e exige uma reação contendente e efetiva das forças que lutam pela democracia e o Estado de Direito.

Não se trata de defender o governo Dilma ou os partidos atualmente no governo. A luta, mais que nunca, é pelo respeito às regras do jogo democrático e a favor do Brasil que não pode se apequenar ao nível ou ficar refém de interesses golpistas de gente mais suja que pau de galinheiro que pousa de santo para jogar sua sujeira debaixo do tapete e, de quebra, ainda "sair por cima da carne seca", ampliando ainda mais seu poder de fogo e de manobra no mundo jurídico-político.

Não vai ter Golpe, vai ter vitória da Democracia!

Por que este impeachment é golpe, por Henrique Fontana

O discurso da oposição para justificar o golpe do impeachment é o da crise. Mas essa crise, originada de múltiplas causas, tem uma origem fundamental: a inconformidade de quem não aceita a decisão do povo que elegeu Dilma presidenta por 54 milhões de votos.

Desde outubro de 2014, a oposição tenta cassá-la a qualquer custo num denuncismo que vai desde a suposição de as urnas eletrônicas terem contado errado os votos, até a versão de que decretos de suplementação orçamentária – publicados às centenas, de forma legal, pelos presidentes anteriores, pelo vice-presidente Michel Temer e quase todos os governadores atuais –, sejam agora, no caso de Dilma, crime gravíssimo, que no tribunal político de exceção da oposição, justificaria a cassação do seu mandato.

A presidenta assinou seis decretos realocando recursos de uma área para outra com impacto zero no resultado fiscal. Isto é o que chamamos de golpe: dois pesos, duas medidas. Não é sério. É um desrespeito ao voto dos brasileiros e à própria democracia.

A gravidade do golpe em curso aumenta ao sabermos que este processo foi aberto como um ato de retaliação e é liderado por um dos políticos mais corruptos da história brasileira. O deputado Eduardo Cunha tem 13 contas no Exterior, foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por corrupção e lavagem de dinheiro e é réu no Supremo Tribunal Federal por 10 votos a zero.

E a oposição silencia sobre tudo isto. Não é o silêncio dos inocentes, mas dos coniventes. Depois de perder quatro eleições consecutivas, querem chegar ao poder a qualquer custo, sem votos e com apoio de Cunha.

Getúlio Vargas e Jango também sofreram ataques golpistas como Lula e Dilma, coincidentemente porque promoveram políticas de distribuição de renda e melhoria das condições de vida dos mais pobres.

Queremos combater a corrupção integral e republicanamente, dentro da lei, respeitando o devido processo legal, o Estado democrático de direito. E não utilizá-la como instrumento de luta política, com vazamentos seletivos, medidas de exceção e incentivo ao ódio e à intolerância. Querem dividir o Brasil, e a melhor resposta será a demonstração clara dos brasileiros em defesa da democracia.

*Deputado federal (PT-RS)

terça-feira, 5 de abril de 2016

Momento poético



O livro sobre nada

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Tem mais presença em mim o que me falta.
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
Sou muito preparado de conflitos.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
O meu amanhecer vai ser de noite.
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
Meu avesso é mais visível do que um poste.
Sábio é o que adivinha.
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
A inércia é meu ato principal.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.
Peixe não tem honras nem horizontes.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.
Eu queria ser lido pelas pedras.
As palavras me escondem sem cuidado.
Aonde eu não estou as palavras me acham.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
Uma palavra abriu o roupão pra mim. Ela deseja que eu a seja.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Esta tarefa de cessar é que puxa minhas frases para antes de mim.
Ateu é uma pessoa capaz de provar cientificamente que não é nada. Só se compara aos santos. Os santos querem ser os vermes de Deus.
Melhor para chegar a nada é descobrir a verdade.
O artista é erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
Por pudor sou impuro.
O branco me corrompe.
Não gosto de palavra acostumada.
A minha diferença é sempre menos.
Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria.
Não preciso do fim para chegar.
Do lugar onde estou já fui embora.
(Manoel de Barros)

Altas conexões



segunda-feira, 4 de abril de 2016

Música para os meus ouvidos


Sem um coração que ama e as boas canções que cantam o amor eu nada seria...






Construção de nova ponte conta com o apoio da comunidade



Uma parceria entre as Prefeituras de Arroio Grande e Herval, juntamente com a comunidade local do Passo do Veado resultou na construção da Nova Ponte que faz a ligação entre os dois municípios. As conversas entre poder público e comunidade foram intermediadas pelo Engenheiro Afrânio Costa cidadão arroio grandense e servidor público do município de Herval. As obras já estão em andamento.

A ponte de madeira que existe há aproximadamente 20 anos, estava destruída, quase impedida de uso. Visto a necessidade para a comunidade local, as prefeituras não mediram esforços e, em conjunto com a comunidade, como os moradores Toninho Grill, Mario Eduardo entre outros, contribuíram com o madeiramento, estacas e financiamento do transporte de materiais. A prefeitura de Arroio Grande está contribuindo com os outros materiais e a Prefeitura de Herval com a mão de obra.
Na última quinta-feira, o Vice-Prefeito Luiz Alberto Perdomo, esteve com o Secretário de Obras Pierre Acosta, com o Engenheiro responsável pela obra Afrânio Costa e com o Prefeito Municipal de Arroio Grande Henrique Pereira, para ver o andamento das obras, com previsão de término em 30 dias. Os servidores da Secretária de Obras estão alojados em uma fazenda local, e realizam o trabalho diariamente, exceto quando impedidos pelas chuvas. Segundo o Vice-Prefeito Bebeto, está com certeza é uma grande que irá beneficiar as nossas comunidades.  Trata-se também da primeira parceria entre os dois municípios, neste governo.

TEXTO E FOTOS: Fernanda de Freitas
Publicado originalmente no site da prefeitura: www.herval.rs.gov.br

Pitada filosófica



sexta-feira, 1 de abril de 2016

Vem, vamos embora!



Quero meu Brasil de paz, esperança e avanços de volta.

Xô golpistas, vão rachar uma lenha, dar uma mão a alguém, beijar na boca.

Deixem o governo trabalhar para o nosso país reencontrar o caminho e o encanto, acertar o passo e retomar as conquistas que ainda são motivo de orgulho, nos colocaram em posição de destaque no mundo depois de muitos séculos e já melhoraram a vida de tanta gente.

Deixa o Golpe pra lá, vem pra cá. Vem pra Democracia, vem ser feliz.

Deixem o panelaço vazio de lado e vamos botar a mão na massa. Vamos fazer nosso povo voltar a ser irmão, andar de mãos dadas. Vamos fazer nossa parte e o melhor pelo Brasil.

É hora de ter grandeza e os pés no chão, colocar a mão na consciência e o Brasil em primeiro lugar, nas mãos de todos, e não nas mãos das aves de rapina e velhas raposas da política.

Vamos juntos, virar essa página desbotada e colorir o país com as cores da Democracia e as tintas do amor. Amor pelo próximo, amor pelos avanços alcançados, amor pelo Brasil.

A presidenta Dilma pode ter pisado na bola, especialmente no ano de 2013. Contudo, Dilma não errou porque queria errar. Havia a crise mundial que levou várias nações ao fundo do poço. Havia as pressões de uma oposição cada vez mais insana e sedenta pelo poder. Havia os inimigos na trincheira. Havia um povo que saiu da pobreza absoluta ou melhorou de vida e passou a pensar que era rico e, ao mesmo tempo, esperando tudo do governo, como se o governo fosse uma entidade divina, infalível e milagrosa.

Quem não erra? Quem de nós nunca errou querendo acertar. Mas Dilma aprendeu a lição. Nós todos aprendemos a lição e a lição é que não é dividindo o país ou escolhendo uns poucos para botar a culpa que haveremos de limpar a sujeira e dar a volta por cima.

Dilma, assim como nós, pode ter errado. No entanto, Dilma já acertou muito e merece crédito. Mais que isso, Dilma não cometeu crime algum. Quem comete crime merece ser punido, porém quem erra merece um voto de confiança para ter a chance de transformar o erro em acerto.

Deixa a Dilma lá e com paz para trabalhar.

Vamos dar mais uma chance para a Democracia, para o Brasil que já provou que pode dar certo e que sabe abrir as portas para todos e todas. Vamos deixar o ódio e o pessimismo guardado na gaveta e inundar as ruas, as calçadas, as instituições públicas, os campos, as empresas e as nossas relações com esperança, tolerância, respeito, fé, talento, transparência e muito trabalho.

Vamos juntos e em frente, quem sabe ajuda a virar o jogo, não vive caçando bruxas ou achando culpados. Quem sabe semeia o entendimento, soma, faz acontecer!

Rir é o melhor remédio



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