O Blog busca retratar coisas da vida interiorana e do meu interior, numa abordagem que mistura reflexão, notícias, riso, poesia, musicalidade, transcedentalidade e outras cositas más. Tudo feito com produções próprias, mas também com a reprodução do pensar ou do sentir dos grandes gênios que o país e a humanidade pariram.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Pitada filosófica



Ato político


Quem possui o mínimo de senso crítico e não se deixa arrastar pelas ondas midiáticas sabe que toda a artilharia pesada que vem sendo usada contra a Petrobras vai muito além do combate à corrupção. Aliás, no fundo toda essa celeuma é para ampliar o envolvimento de uns com a corrupção e esconder ou diminir a participação de outros no esquema, talvez os maiores corruptos e corruptores nessa história.

Quem conhece minimamente a história e os interesses que movem as nações sabe que o petróleo é uma mina de ouro que desperta cobiças e já desencadeou muitas guerras e conflitos.

Quem não lembra da invasão do Iraque com o pretexto de libertar o povo iraquiano da tirania de Sadan Hussen e salvar o mundo do perigo das armas nucleares suportamente existentes naquele país? Pois é, ao final e ao cabo não existia arma nuclear nenhuma e a cobiça norteamericana por petróleo ainda acabou armando pesadamente o espírito e a ideologia sangrenta que agora assombra o Oriente Médio e muitas partes do mundo sob a denominação de "estado islâmico".

Quem não lembra da vizinha Venezuela, onde não faz muito tempo novamente a cobiça norteamericana por petróleo ajudou a montar e financiar o golpe no então presidente eleito legitimamente pelo voto popular, Hugo Chávez, que retornou ao poder poucas horas depois nos braços do povo daquele país que resistiu bravamente e rapidamente armou o contragolpe.

Com ares e estratégias diferentes o que está em jogo na questão que envolve a Petrobras não é, repito, apenas uma luta contra a corrupção na estatal. Aliás, o que muitos combatem (e isso não é de hoje), é exatamente o caráter estatal e público da empresa que, a partir da descoberta do Pré-Sal, se tornou uma verdadeira "galinha dos ovos de ouro" e uma das principais fontes de investimento na educação, saúde, infraestrutura e cultura do povo brasileiro.

Portanto, não estou sugerindo que esteja em curso um golpe político na Petrobras patrocinado pelo governo norteamericano. Mas está na cara que muito mais que combater à corrupção, o que ocorre atualmente é uma mistura de interesses políticos oposicionistas com uma ofensiva brutal do capital internacional para fragilizar a Petrobras como patrimônio nacional e como umas das grandes potencias petrolíferas mundiais, diminuindo seu poder de fogo nesse mercado e/ou vendendo a falsa ideia de que a privatizaçao é a única forma se "salvar" a empresa.

A expectativa da "turma do contra" era avançar por esse caminho, através da indicação de alguém afinado com esse pensamento para assumir o comando da empresa, a partir da saída de Graça Foster. Pois a presidenta Dilma, num golpe de mestre, deu um xeque-mate nessa turma, nomeando um presidente comprometido em combater à corrupção e os problemas de gestão na Petrobras, presenvando seu caráter público e estatal. 

Esse é o teor da análise sóbria e brilhante de Emir Sader...


O x da questão da Petrobras

Por Emir Sader


Estava tudo pronto. A pantomima parecia funcionar conforme o desenhado. Cada ator cumpria perfeitamente o seu papel. Tudo parecia indicar o final sonhado.


Primeiro criou-se a imagem do caos da Petrobras, apesar da empresa bater recordes de produção. Mas o monopólio privado da mídia encarregou-se de reverter o nome publico da empresa. O fundamental parecia ter sido feito: a reversão da imagem da empresa de orgulho nacional para problema nacional.


Aí se passou à segunda fase da operação. Empresa falida, soluções: abertura do capital estrangeiro no Pré-sal (lógico), contra o regime de partilha, fim dos componentes nacionais, vender o que dá prejuízo, baixar o perfil da empresa ao mínimo. Soluções e agentes: abriu-se o álbum de figurinhas e se colocou a circular os novos heróis da direita, que iam resgatar a Petrobras das garras estatizantes do PT e jogá-la no colo do mercado. De Paulo Lehman a Henrique Meirelles, não faltou nenhum.


Era só sentar pra esperar a que salvador do mercado a Dilma ia apelar. E começar a sonhar com entrar na sala da presidência da Petrobras – como em outros tempos – para entrevistas e outros papos.


Soltar periodicamente boatos para que a bolsa e as próprias ações da Petrobras disparassem – o preferido era que o Meirelles ja estaria assumindo -, para desovar ações compradas na baixa. E preparar as manchetes: Dilma se rende ao mercado, nomeia tal ou qual, mercado adora e Bolsa dispara.


Corriam soltas as salivações tipo pavloviano, orgasmos múltiplos se multiplicavam pelas redações. Quando, de repente, só que não. Deu zebra. Dilma nomeia o presidente do Banco do Brasil.


Aí acionou-se o plano B: Mercado se decepciona e Bolsa despenca! Onde está o dossiê de denuncias do cara nomeado? O que fazer agora? Dizer que a Dilma tentou todos os da lista do mercado e nenhum aceitou?  Ou que o vicio estatizante dela prevaleceu? Dizer que houve muita divergência dentro do governo, na Petrobras e no próprio PT.


Passar a tomar o Bendine como vítima privilegiada, para tentar que não se fortaleça, que não se estabilize, que não dirija um processo de resgate e de fortalecimento da Petrobras.


Clima depressivo nas redações, de rancor, de ódio, de frustração. As manchetes de domingo, as capas das revistas, estavam prontas. A euforia deu lugar à depressão, ao clima de derrota. Tudo para dar no Bendine.


A pantomima deu errado, essa é que é a verdade, quando até alguns no campo da esquerda davam a batalha por perdida. Os nomes não eram apenas nomes, representavam interesses radicalmente distintos. A grande maioria, do “mercado”, que é que jogou pesado contra a Petrobras, cuja simpatia haveria que reconquistar, então nada melhor que alguém do “mercado”, para que o “mercado” ficasse contente.


Só que essa conquista significaria atentar centralmente contra o caráter público da Petrobras e entregá-la à esfera mercantil, aos interesses privatistas. Os mesmos que chegaram a fazer com que ela se chamasse, por um dia, Petrobrax. Esse o x da questão. Quem resgata a Petrobras é o mercado ou é a esfera publica?


Depende do diagnóstico que se faça. O da direita é o de que os problemas da empresa vem do seu caráter estatizante. O diagnóstico da esquerda é de que os problemas vieram da penetração de interesses e comportamentos privatizantes no seio da empresa.


No primeiro caso, se trataria de avançar na direção da privatização da empresa, da sua imersão na dinâmica do mercado. No segundo, de restabelecer plenamente seu caráter público, eliminando comportamentos e interesses mercantis de dentro da empresa.


Esse o x da questão da Petrobras, o mesmo x que o governo FHC quis introduzir no nome da empresa, mas a opinião pública impediu.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Momento poético



Telha de vidro


Quando a moça da cidade chegou 
veio morar na fazenda, 
na casa velha... 
Tão velha! 
Quem fez aquela casa foi o bisavô... 
Deram-lhe para dormir a camarinha, 
uma alcova sem luzes, tão escura! 
mergulhada na tristura 
de sua treva e de sua única portinha... 

A moça não disse nada, 
mas mandou buscar na cidade 
uma telha de vidro... 
Queria que ficasse iluminada 
sua camarinha sem claridade... 

Agora, 
o quarto onde ela mora 
é o quarto mais alegre da fazenda, 
tão claro que, ao meio dia, aparece uma 
renda de arabesco de sol nos ladrilhos 
vermelhos, 
que - coitados - tão velhos 
só hoje é que conhecem a luz do dia... 
A luz branca e fria 
também se mete às vezes pelo clarão 
da telha milagrosa... 
Ou alguma estrela audaciosa 
careteia 
no espelho onde a moça se penteia. 

Que linda camarinha! Era tão feia! 
- Você me disse um dia 
que sua vida era toda escuridão 
cinzenta, 
fria, 
sem um luar, sem um clarão... 
Por que você não experimenta? 
A moça foi tão bem sucedida... 
Ponha uma telha de vidro em sua vida!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Rir é o melhor remédio



Música para os meus ouvidos


"Música para os meus ouvidos" entra no ritmo do carnaval e cai no samba com o Monobloco para ficar em dia com a folia.




quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Vigiemos e avancemos!




Ainda estou engatinhando na vida pública, porém depois de uma década de serviços prestados nesse universo já posso ostentar o aprendizado de algumas lições. A principal é que mesmo fazendo mais e/ou melhor, sempre existem razões (reais ou inventadas, explícitas ou veladas) para a crítica, a incompreensão ou o descontentamento em relação aos passos de uma administração pública. No caso de Herval, por exemplo, por mais que o governo já tenha feito e promovido avanços, não faltam cobranças, acusações ou insatisfações.

Vejam bem, não estou me referindo aqui às forças políticas oposicionistas que se movem e debatem contra o governo. Afinal, a ambição da oposição é chegar a ser governo. Além disso, esse é o jogo e desde que “os do contra” não apelem para as jogadas rasteiras ou chutes nas canelas, fazer oposição é legítimo, necessário e muito saudável para o fortalecimento da democracia. Falo, portanto, do sentimento de repulsa ou insatisfação permanente das pessoas sem motivação partidária ou aspiração política que, por desinformação ou outro motivo qualquer, esperneiam contra o governo por problemas que muitas vez não dependem da ação governamental ou que fazem da malhação da administração pública seu esporte favorito.

Não vou adentrar aqui e agora no mérito dessa postura, até porque embora ela tenha implicações locais, me parece que tal comportamento ou modo de ver as coisas se insere num contexto mais amplo, tendo em vista que a histeria oposicionista em nível nacional vem produzindo a demonização absurda e perigosa não só dos políticos, mas também de todas as instituições públicas e do próprio caráter civilizatório implícito na boa política. Política por si só não torna ninguém melhor ou pior. Ademais, quem se rebela contra a política tem a obrigação de apresentar uma saída para os problemas, demandas ou desafios coletivos que não seja política, sem esquecer que o contrário da política é a guerra, a cacicagem, a negociata com aquilo que é de todos.

Para mim o problema nunca foi a política, mas a ausência dela, a má política, a financeirização das campanhas eleitorais ou excesso de propaganda negativa ou anti-política que parte dos setores derrotados nas urnas no âmbito nacional, os quais não aceitam a derrota e ainda fazem de tudo para desacreditar o governo ou de certa forma assumir o comando dos destinos da população mesmo sem serem empossados, numa espécie de golpe no poder que a maioria da população conferiu legitimamente ao governo eleito através do voto.

Voltando às minhas lições e a Herval, digo que tão importante quanto vislumbrar o futuro é observar o passado ou o lugar de onde saímos. Todos nós sempre queremos e buscamos algo melhor, mas uma coisa que aprendi na vida particular e nos passos na vida pública é que o sonho de uma vida ou governo diferente pode ser uma arma ou uma armadilha. Isto é, no afã ou na ilusão de avançar, podemos ressuscitar os velhos problemas, fantasmas ou vampiros do passado.

Governo ideal não existe. Sempre haverá razão para reclamar, o que não tem nada a ver com a insatisfação, queixume exacerbado ou inconformismo ao qual me referi no começo. Ocorre que governos são feitos de gente, com suas virtudes e defeitos, limites e possibilidades, fraquezas e talentos. É fundamental almejar sempre mais e melhor, mas é igualmente importante não perder de vista a situação na qual se encontrava o nosso município em 1.º de janeiro de 2009 e a situação que ele se encontra atualmente. Basta não ser cego ou fanático para perceber que ainda temos muito para avançar, porém não faltam feitos nem realizações para celebrar.

Apenas para citar alguns exemplos, lembro que antes do atual governo, Herval perdia milhões em investimentos do governo federal devido a brutal desorganização administrativa e aos montes de pendências no “SPC das prefeituras”. Hoje Herval é modelo de gestão para a região e a prefeitura já contabiliza o investimento de vários milhões de reais em todas as áreas, fruto da parceria com o governo da União. Antes do atual governo, os veículos da educação estavam todos sucateados e nosso município se situava entre os piores colocados no ranking educacional da nossa região. Hoje a frota do transporte escolar se encontra toda renovada e ampliada, as escolas do interior e a escola municipal localizada na área urbana foram ampliadas e modernizadas, uma belíssima escola de educação infantil foi entregue à comunidade e a nossa educação passou a ser destaque e referência para muitos municípios.

Antes do atual governo, a prefeitura não investia o percentual mínimo de 15% do orçamento em saúde, o hospital estava fechando as portas, os veículos e ambulâncias se encontravam todos sucateados, os profissionais de saúde não eram valorizados e contratados na base do jeitinho ou do apadrinhamento político e a população não tinha acesso a muitos serviços oferecidos pelo SUS. Hoje a prefeitura investe em saúde mais que o mínimo obrigatório, a administração municipal é parceira e principal financiadora do hospital, a frota de veículos e ambulâncias para o transporte de pacientes foi renovada e ampliada, os profissionais são tratados como profissionais e contratados por concurso público, a oferta de serviços de saúde foi ampliada consideravelmente, sendo que alguns desses serviços passaram a ser acessíveis no próprio município. Antes do atual governo, as obras de infraestrutura eram escassas ou inexistentes. Hoje as obras não param e basta olhar para o lado para enxergar uma obra de infraestrutura em andamento ou já realizada pela administração municipal, tanto na cidade quanto no campo.

É legítimo cobrar sempre mais ações e melhores resultados do poder público, mas também é importante reconhecer os acertos e aplaudir os avanços, além de admitir que uma administração não possui poderes divinos para resolver tudo ao mesmo tempo. Em Herval, estamos longe do céu ou de um governo ideal, mas quem tem bom senso sabe que a revolta contra tudo e todos não leva a nada nem a lugar nenhum. As pessoas de bom senso também sabem que superamos o marasmo, a bagunça e a malandragem do passado e que apesar das dificuldades momentâneas pelas quais passa o país, nosso município não para e pode se orgulhar de possuir um governo sério e realizador, que trabalha em equipe e para todos.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Pitada filosófica



Catando estórias



Fábula: A Raposa e a Cegonha

A Raposa convidou a Cegonha para jantar e lhe serviu sopa em um prato raso.

-Você não está gostando de minha sopa? - Perguntou, enquanto a cegonha bicava o líquido sem sucesso.

- Como posso gostar? - A Cegonha respondeu. vendo a Raposa lamber a sopa que lhe pareceu deliciosa.

Dias depois foi a vez da cegonha convidar a Raposa para comer na beira da Lagoa, serviu então a sopa num jarro largo embaixo e estreito em cima.

- Hummmm, deliciosa! - Exclamou a Cegonha, enfiando o comprido bico pelo gargalo - Você não acha?

A Raposa não achava nada nem podia achar, pois seu focinho não passava pelo gargalo estreito do jarro. Tentou mais uma ou duas vezes e se despediu de mau humor, achando que por algum motivo aquilo não era nada engraçado.

MORAL: às vezes recebemos na mesma moeda por tudo aquilo que fazemos.



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Ato político


Não assino embaixo de todo o escrito de Juremir Machado da Silva que ora reproduzo e compartilho. No meu entender, ele peca pelo excesso de generalizações, fazendo parecer que apesar dos fins serem diferentes, os meios utilizados pelos grupos políticos que exercem o poder no país seriam exatamente os mesmos. Ou seja, uns roubam para alimentar primeiramente a máquina partidária e, se possível, tirar uma "beirinha" para si; enquanto outros roubariam para alimentar suas ambições pequenas e encher os próprios bolsos com a grana que é de todos.

Além disso, defendo que as suspeitas e indícios de desvios envolvendo petistas devem ser atribuídos aos indivíduos que praticam tais desvios, e não ao conjunto do partido. Primeiro porque tais atos (até provem o contrário) não são supostamente praticados de modo a seguir uma orientação dos filiados e da maioria dos dirigentes do partido, são desvios éticos e da linha partidária. Segundo porque o fato de marcar todo o partido e todos os petistas na paleta, mais do que algo ilógico, é um movimento ideológico que busca acirrar ainda mais o anti-petismo. Por que quando o suspeito ou acusado de falcatrua é ligado ao PT a coisa tem nome e sobrenome (fulano de tal do PT; mensalão do PT) e quando a questão envolve figuras de outros partidos o tratamento é pessoal e intransferível e o partido não tem nada a ver com isso?

Da mesma forma, não concordo com a tese de que o PT derrubou Collor, por um motivo óbvio: o PT, naquela ocasião, não tinha musculatura político-institucional nem votos suficientes no Congresso Nacional para derrubar um Presidente da República. O máximo que o PT poderia fazer – e isso ele fez – foi “levantar a lebre e a voz e pintar a cara junto com a multidão de caras pintadas que foram às ruas naquele episódio marcante da nossa história”.

Portanto, atribuir ao PT a culpa pela queda de Collor me parece pouco oportuno ou uma forma de colocar sobre os ombros do partido uma força que ele não teve e não tem, e que apenas reforça o argumento repetido à exaustão pela mídia golpista de que o PT seria uma espécie de entidade sobrenatural e macabra que tudo ouve, tudo vê e tudo controla. Um pensamento que só não é absurdo, porque tem a intenção clara, calculada e nada nova de demonizar o Partido dos Trabalhadores.

Aliás, reproduzo e compartilho o escrito do Juremir porque nesse ponto ele se difere da propaganda panfletária da grande mídia. Quer dizer, Juremir peca pelas generalizações (“todos roubam por motivos diferentes), pensamento que considero não dar conta da realidade que vivemos. No entanto, muito pior é a tese e os interesses que movem a grande imprensa (o roubo é a principal fonte de financiamento e razão do PT existir ou então que a corrupção se institucionalizou com o PT no governo). Uma ideia macabra e maniqueísta que, ao invés da corrupção, quer acabar é com o PT.

Juremir, ao menos, coloca TODOS, inclusive as siglas ou políticos protegidos pela mídia, no mesmo saco.

    

Todos os vilões do Petrolão


Uma boa história precisa ser complexa e contraditória.
O petrolão é assim.
Heróis e vilões são, ao mesmo tempo, vilões e heróis.
É difícil acreditar que milhões foram roubados sem que a presidente da Petrobrás soubesse ou desconfiasse de algo.
Uma coisinha que fosse.
Se nem desconfiou, foi muito incompetente.
Toda vez que uma história desse tipo acontece, o roteiro é o mesmo.
A situação tenta blindar a presidência da República.
A oposição pede o seu impeachment. As provas, essas senhoras fúteis, ficam para depois.
Os aspectos contraditórios abundam mais do que a Paolla de Oliveira.
Até agora, os dados vazados da Operação Lava-Jato indicam envolvimento de políticos do PT, PP, PMDB, PSDB e outros. Mas, como o PT tem o poder e o comando da Petrobras, é o protagonista e fica com o ônus total. Normal. Assim deve ser. Mas sem esquecer de dar os créditos aos demais atores. Afinal, são merecidos e autorias. Seria injusto não citá-los. A cada um a sua parte no bolo.
A plateia divide-se. Uma parte indigna-se com a corrupção e revolta-se contra todos os partidos. Outra parte, joga para a torcida e, fazendo de conta que se horroriza com a corrupção, quer apenas a queda do governo que odeia mais do que tudo.
É um jogo feio: a oposição apenas procura meios para abreviar o governo eleito.
A situação busca instrumentos para que a oposição nunca possa mudar de lugar.
O PT derrubou Collor, um presidente de direita.
Deve pagar com a mesma moeda. É questão de tempo. Não é inocente. Faz por merecer.
Mas o principal, para muitos, especialmente entre os que jogam no time dos mais raivosos e ideologizados, não é a corrupção nem a vingança, mas tirar o PT do poder para liquidar o pouco que ele fez bem: as políticas sociais.
A corrupção, para alguns, é um pretexto. O alvo é o bolsa-família.
Malandro, o PT tenta transformar essa verdade em único móbil, colocando-se na posição de perseguido por se apresentar como um defensor dos pobres, um Robin Hood legitimado pelo voto popular e pelas ações realizadas em 12 anos.
A população assiste o filme sem perceber, muitas vezes, que está sendo enganada: a luta contra a corrupção pode ser de um juiz solitário, mas não é dos partidos e dos agentes políticos. Esses só estão brigando pelo poder.
Voltamos aos anos 1950. A UDN (PSDB/DEM) quer aproveitar o combate à corrupção para entregar o petróleo (Pré-Sal) a exploradores estrangeiros. De quebra, bota no pacote a privatização da Petrobrás. Vai ser preciso voltar ao “Petróleo é nosso?” Tentando defender-se, em clima de desespero obsceno, a situação faz perguntas: quando vai ser julgado o mensalão tucano? Por que isso não é feito como produção de Hollywood pelo STF? Por que FHC nunca foi julgado pela compra da emenda que resultou na sua reeleição? Ninguém ouve. Funciona como choro de perdedor. Pedir o impeachment da presidente Dilma, por enquanto, é tentar fazer gol com a mão. A oposição não se importa. E se colar? Se colar, ganha-se na megassena.
A mídia lacerdinha já comprou a ideia.
Não basta derrubar a corrupção e prender os ladrões.
É preciso derrubar o governo e salvar os empresários corruptos.
Essa parte, empresários na cadeia, não estava no roteiro. É um caco do juiz Moro.
Como mocinho, até o momento, Moro parece bem melhor e mais complexo do que Joaquim Barbosa, embora seja branco, o que tira um elemento simbólico do jogo. São Paulo, território tucano há 20 anos, vive uma crise de água. Em parte, culpa da falta de chuvas. Em parte, culpa da incompetência dos gestores atucanados. Como eles são tucanos, a oposição garante que a crise está sendo nacionalizada, exportando até para onde sobra água, de maneira a não estragar o cenário.
Numa situação ideal, seria preciso anular o jogo, excluir todos os jogadores comprometidos com adulteração das regras, impedir a apropriação da partida por defensores de projetos autoritários e viúvas de ditaduras e botar a bola na chão.
Na situação real, o ideal é o respeito à Constituição. O resto é golpe.
Salvo se algo for provado contra a presidente da República.
No meio de tanto bandido, vai faltar mocinho nesse filme.
A excitação lacerdista é tanta que viagra está encalhando.
Para uns, a questão é genética. A corrupção estaria no DNA do PT.
Já a direita seria honesta, salvo exceções que sempre convenientemente confirmam a regra.
Outra parte da oposição pede calma: para que derrubar a presidente se ela está adotando o programa de governo de Aécio Neves?
Deixa a tia trabalhar!
Ainda vai rolar muita propina por baixo dessas pontes.
Superfaturadas.

Rir é o melhor remédio



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Momento poético



Se Eu Morrer Novo


Se eu morrer novo, 
Sem poder publicar livro nenhum, 
Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa, 
Peço que, se se quiserem ralar por minha causa, 
Que não se ralem. 
Se assim aconteceu, assim está certo. 

Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, 
Eles lá terão a sua beleza, se forem belos. 
Mas eles não podem ser belos e ficar por imprimir, 
Porque as raízes podem estar debaixo da terra 
Mas as flores florescem ao ar livre e à vista. 
Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir. 

Se eu morrer muito novo, oiçam isto: 
Nunca fui senão uma criança que brincava. 
Fui gentio como o sol e a água, 
De uma religião universal que só os homens não têm. 
Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma, 
Nem procurei achar nada, 
Nem achei que houvesse mais explicação 
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum. 

Não desejei senão estar ao sol ou à chuva — 
Ao sol quando havia sol 
E à chuva quando estava chovendo (E nunca a outra cousa), 
Sentir calor e frio e vento, 
E não ir mais longe. 

Uma vez amei, julguei que me amariam, 
Mas não fui amado. 
Não fui amado pela única grande razão — 
Porque não tinha que ser. 

Consolei-me voltando ao sol e à chuva, 
E sentando-me outra vez à porta de casa. 
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados 
Como para os que o não são. 
Sentir é estar distraído. 


Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 
Heterónimo de Fernando Pessoa

Versos del alma gautia




quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Prefeitos cobram pagamento de partos e cirurgias em hospitais de pequeno porte



O Secretário Municipal de Saúde, Carlos Dioner Perez Azambuja, a pedido do Prefeito em exercício Luiz Alberto Perdomo (Bebeto), juntamente com o presidente do L.A.S Hospital Nossa Senhora da Glória Alfeu Fernande Pereira e a gestora da entidade Mariana Araujo , liderou no dia 28 de janeiro, comitiva hervalense  durante reunião na Famurs, em Porto Alegre, que teve como pauta a situação dos Hospitais de Pequeno Porte e Resoluções Estaduais que os afetam diretamente. A agenda foi conduzida pelo prefeito de Chiapetta, Osmar Khun, na sede da Famurs, tendo como objetivo alertar e mobilizar os municípios que tem hospitais de pequeno porte, das dificuldades enfrentadas referente ao não pagamento dos  repasses financeiros por parte do Governo Estadual.

De acordo com o presidente do hospital de Herval, o mesmo contratualizou junto ao Governo Estadual o repasse no valor de R$ 526 mil, o qual não recebeu nenhum valor referente ao contrato. “Precisamos saber qual será a política do governo estadual quanto aos pequenos hospitais, se vai haver investimentos e ampliações, ou se a saúde será tratada nos grandes centros”, afirmou o prefeito.

O presidente da Famurs e prefeito de Tapejara, Seger Menegaz afirmou que a entidade fará um levantamento dos atendimentos nos hospitais de pequeno porte e a partir dai irá protocolar ofício junto a Secretaria Estadual de Saúde solicitando o cumprimento do que foi acordado com os hospitais de pequeno porte. "Precisamos valorizar o atendimento que é prestado nos municípios e evitar a volta da ambulancioterapia", finalizou o presidente.

Integra a comissão os prefeitos de Campo Novo, Antônio Sartori; de Victor Graeff, Claudio Alflen; de Progresso, Edegar Cerbaro; de Saldanha Marinho, Volmar do Amaral e de Jaquari, João Cristofari.

Texto: jornalista Nívea Bilhalva de Oliveira
Publicado originalmente no site da prefeitura: www.herval.rs.gov.br


Pitada filosófica



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Licença poética



Peço licença novamente para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser e inspiradas na minha musa imaginária...

Quero teu aceno
Teu oceano
Teu cio
Teu suor
Teu céu aceso e obsceno
Tua pele bronzeada
Teu riso arrasador
Teu cheiro que rouba o sossego
Teu rebolado de cair o queixo
Tuas curvas intermináveis
Tuas cochas quentes
Teu corpo caído sobre o meu
Tuas pernas torneadas e trêmulas
Teu olhar penetrando minhas pálpebras
Teus ouvidos implorando meus sussurros
Tua boca sussurrando meu nome
Tuas unhas lanhando minha carne fraca
Tuas mãos apalpando minha falta de pudor.

Te quero toda, tudo de ti e todos os pedaços teus!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Altas conexões



Música para os meus ouvidos


Na vida real, amor normalmente não passa de lenda ou ficção; fonte de vícios ou enganação; motivo para mentiras ou mutilações; mote para expor as vísceras ou a pior face de muitos seres viventes.

No entanto, uma canção de amor sempre faz sentido e tem seu espaço, ainda mais na voz sedutora de Vanessa da Mata.





segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Momento poético



De noite, amada

Pablo Neruda

 


De noite, amada, amarra teu coração ao meu
e que eles no sonho derrotem
as trevas como um duplo tambor
combatendo no bosque
contra o espesso muro das folhas molhadas.
Noturna travessia, brasa negra do sonho.
Interceptando o fio das uvas terrestres
com pontualidade de um trem descabelado
que sombra e pedras frias sem cessar arrastasse.
Por isso, amor, amarra-me ao movimento puro,
à tenacidade que em teu peito bate.

Com as asas de um cisne submergido,
para que as perguntas estreladas do céu
responda nosso sonho com uma só chave,
com uma só porta fechada pela sombra.

Rir é o melhor remédio



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