O Blog busca retratar coisas da vida interiorana e do meu interior, numa abordagem que mistura reflexão, notícias, riso, poesia, musicalidade, transcedentalidade e outras cositas más. Tudo feito com produções próprias, mas também com a reprodução do pensar ou do sentir dos grandes gênios que o país e a humanidade pariram.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Que venha o Ano Novo!



Licença poética



Volto a pedir licença para entregar-lhes novas palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser...


Foi um ano bom!

Afinal, nesse ano revivi o desamor e não perdi a crença de que o amor é o melhor farol para guiar na busca de um lugar melhor e único caminho para levar ao melhor que podemos ser.

Sigo amando o Criador, a vida, a mim mesmo e o que restou de humanidade nas gentes do mundo.

Sigo amando a pureza da criança, a sabedoria dos mais velhos, purê de batatas, uma taça de vinho, a leveza do verso, a mão que alimenta, um passo de dança, o seio que amamenta e seduz, o som que suaviza, o canto do passarinho, o céu que eterniza, estar no meu canto, as pedras no meio do caminho...

No ano que ora passa, os reveses me fizeram mais forte e os tropeços mais conectado em meus passos.

Aprendi a não ter medo da solidão nem do escuro nem de bicho papão.

Aprendi a prosseguir apesar do cansaço, a inventar novos caminhos e redescobri o sul como meu norte.

Aprendi a não criar expectativas demasiadas em relação a mais ninguém nem ser escravo ou expectador da minha própria vida.


Aprendi a não ter vergonha de usar nariz de palhaço nem de transparecer tudo de belo e genial que existe em meu universo.

Aprendi a não ter pena de mim e que não vale a pena abrir o coração ou estender a mão a quem não vale a pena.

Aprendi a retribuir algumas trapaças com tapas de luvas, outras mostrando a outra face ou ainda a pagar outras com um maço de notas falsas.

Aprendi a não esperar nada em troca e a dar o troco na mesma moeda.

Aprendi a desconfiar das aparências e que nunca se deve entregar pérolas aos porcos.

Aprendi que no mundo da matéria nada é feito para durar e que o amor sincero é terno e etéreo e eterno.


Aprendi a valorizar o que tenho e a não correr atrás de quimeras ou de tudo que tira a força, a fé ou o foco.  

Aprendi a achar graça das minhas fraquezas e fracassos e que as melhores coisas são as mais simples e de graça.

Aprendi a vestir minha melhor beca e que nunca se deve bancar o bacana nem entrar num beco sem saída.

Aprendi a degustar os melhores pratos, o valor de um pranto, a deixar para trás o desgosto e a curtir ainda mais a riqueza das plantas.

Foi um ano bom e não importa se o ano que chega será melhor ou pior.


O que realmente importa é que estou vivo e de alma renovada e sedenta para seguir semeando e colhendo os frutos que plantar na terra, em outrem e aqui dentro!


Música para os meus ouvidos


Para encerrar 2014 em alto e bom som, nada melhor que "amor pra recomeçar".

Mais um ano termina, um novo ano se inicia! Sigamos em frente, de alma aberta, coração liberto, muito amor pra dar e receber, sempre no ritmo da boa música e dos melhores sentimentos e com fé renovada em Deus, na vida e em nós mesmos. 



terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Rir é o melhor remédio



Momento poético



ALMA ERRADA

(Mario Quintana)

Há coisas que a minha alma,
já mortificada não admite:
assistir novelas de TV
ouvir música Pop
um filme apenas de corridas de automóvel
uma corrida de automóvel num filme
um livro de páginas ligadas

porque, sendo bom,
a gente abre sofregamente a dedo:
espátulas não há…

e quem é que hoje faz questão de virgindades…

E quando minha alma estraçalhada a todo instante pelos telefones
fugir desesperada

me deixará aqui, ouvindo o que todos ouvem,
bebendo o que todos bebem,
comendo o que todos comem.

A estes, a falta de alma não incomoda.

(Desconfio até que minha pobre alma fora destinada ao habitante de outro mundo).

E ligarei o rádio a todo o volume,
gritarei como um possesso nas partidas de futebol,
seguirei, irresistivelmente,
o desfilar das grandes paradas do Exército.

E apenas sentirei, uma vez que outra,
a vaga nostalgia de não sei que mundo perdido…

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Ato político


Corrupção não se combate apenas com discurso ou a tentativa desvairada de criminalizar um partido, somente um lado da política ou a esfera pública de um modo generalizado e irremediável. No momento atual da república brasileira, a reforma política é uma medida concreta, eficaz e inadiável não apenas para fortalecer a boa política, mas para combater a corrupção que nasce da relação promíscua entre o público e privado, e vice-versa.

E Henrique Fontana é uma das vozes mais lúcidas e fortes em defesa da reforma política, uma luta que vem esbarrando no jogo de interesses da maioria do Congresso Nacional, cujo resultado é que um país que avançou tanto nos últimos anos em termos sociais e econômicos, ficou anos luz para trás de outros países no que se refere às regras do jogo político-eleitoral.

Que em 2015 possamos dar passos largos na direção de uma reforma política profunda e renovadora, para o bem da política e de todos nós que, queiramos ou não, somos influenciados pelas jogadas e decisões tomadas no meio político.

A Reforma Inadiável
Por Henrique Fontana

Encerradas as eleições, que registraram os conhecidos problemas vinculados ao financiamento empresarial das campanhas eleitorais, novamente entra na pauta de debates a questão da reforma política. Impossível disputar uma eleição sem perceber as inúmeras mazelas que o modelo empresarial de financiamento das campanhas causa em todo o sistema político do país. Nesse contexto, estranhamos o silêncio das lideranças políticas, empresariais e acadêmicas a respeito do problema central do modelo vigente de financiamento das campanhas eleitorais, a saber: a captura crescente do sistema político pelo poder econômico. Ademais, ao longo das últimas décadas, quando se analisa os diversos casos de corrupção e ilegalidades que vieram à tona envolvendo diferentes governos de diversos partidos, quase sempre encontramos a interface com o financiamento empresarial das campanhas eleitorais.

Mas não é por ausência de propostas e caminhos coerentes que devemos aceitar a falta de definição do Congresso Nacional a respeito da reforma política. Em face do imobilismo do parlamento, a proposta de reforma política defendida pela OAB, CNBB, UNE, em conjunto com mais de 72 entidades representantes da sociedade civil, é extremamente consistente ao enfrentar os problemas do modelo vigente: por intermédio de três propostas coerentemente articuladas, o Projeto de iniciativa destas entidades veda o financiamento das empresas para as campanhas eleitorais, limita o valor do financiamento das pessoas física se estabelece um teto dos gastos para cada um dos cargos em disputa.

Para que a reforma política possa avançar, diante da paralisia do Congresso Nacional, que tem se negado a promover mudanças profundas no sistema vigente, três caminhos não excludentes são possíveis: a) o primeiro, tal como defendido pela presidenta Dilma, desde junho de 2013, é a organização de um plebiscito no qual a população se manifestaria a respeito do sistema vigente e as melhores maneiras de alterá-lo; b) o segundo, é a votação de um projeto de lei por iniciativa do próprio Congresso, que posteriormente passaria por um referendo; neste caso defendemos que a melhor base é começarmos pela votação do mencionado projeto de iniciativa da OAB, CNBB, UNE e demais entidades da sociedade civil; c) a convocação de uma Assembleia Constituinte exclusiva para tratar da reforma política.

Em face dos problemas do modelo vigente, qualquer uma das três alternativas apresenta um caminho viável para sairmos do imobilismo atual. Não podemos aceitar que uma nova eleição seja disputada com as regras vigentes, responsáveis por favorecer o abuso do poder econômico, o personalismo dos candidatos e pela ausência de consistência programática dos partidos políticos.

Também gostaria de lembrar que, em face da urgência no qual este tema se coloca para todos aqueles que querem o aperfeiçoamento da democracia brasileira, devemos acompanhar com atenção o desfecho do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade impetrada pela OAB sobre o financiamento das pessoas jurídicas nas eleições. Com placar de seis votos a um, favoráveis à vedação das contribuições das pessoas jurídicas nas campanhas eleitorais, o julgamento está paralisado,desde abril deste ano, em função do pedido de vistas do ministro Gilmar Mendes. Ao ministro Gilmar Mendes fica aqui meu pedido em nome de milhões de brasileiros que aguardam a conclusão deste histórico julgamento que poderá ser decisivo para mudar a política brasileira.

Em síntese, a reforma política que desejamos será gestada na confluência das três propostas acima e em função das consequências legais do julgamento da ADIN impetrada pela OAB. Para os que defendem o status quo, não terá chegado o momento de saírem do silêncio que revela cumplicidade com as regras vigentes?

* Deputado Federal, PT-RS, líder do Governo Dilma na Câmara dos Deputados

* Artigo publicado no Portal Sul 21 em 6 de dezembro de 2014

Pitada filosófica




segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Pensar é preciso!


600 milhões de reais por ano para a Globo fazer um jornalismo como aquele que se viu na entrevista com Venina no Fantástico. Um mensalão eterno de 50 milhões.

Foi minha primeira reflexão depois de ler a transcrição da entrevista.

A edição é venenosa à sua maneira. A Globo, para se preservar, não grita como a Veja. Só que cuida de despejar sobre sua audiência o mesmo tipo de veneno, apenas mais sutilmente, mas com o mesmo resultado e com a mesma finalidade.

O veneno não estava em Venina. Ela está contando sua história, e cabe averiguar.

A maldade estava na maneira como Venina foi usada.

Dilma, no final, é citada – pela Globo. Numa tentativa de desmoralizá-la, a Globo diz que Dilma afirmou que não existe uma “crise de corrupção”.

No meio de uma entrevista que trata exatamente de corrupção, a frase de Dilma parece o triunfo do cinismo.

Mas o cinismo é da Globo. É mais uma tentativa, como Roberto Marinho fez tantas vezes primeiro contra Getúlio e depois contra Jango, de rotular como corruptos regimes que não garantem a manutenção de mamatas e privilégios a um pequeno grupo.

A Globo faz assim, tradicionalmente: cala quando a corrupção é amiga. Na ditadura, quando a empresa virou um gigante, corrupção não existia, numa troca macabra de favores.

Sob Sarney e FHC, amigos e aliados, também não. Para a Globo, sequer a compra de votos da reeleição de FHC foi notícia.

Agora, o amigo Aécio também goza de imunidade. Que cobertura a Globo deu ao aeroporto de Cláudio? E ao helicóptero com meia tonelada de pó dos Perrelas, amigos fraternais de Aécio? A Globo é assim: também os amigos dos amigos recebem tratamento especial.

A este tipo de comportamento delinquente jornalístico se junta o descaro com que a Globo sonega – uma forma de corrupção que, se não combatida, destrói a economia de qualquer país.

Claro que Lula não poderia também escapar da edição da entrevista.

Venina repete uma frase segundo a qual seu chefe, em certo momento, teria olhado para um retrato de Lula e dito que ela estava colocando em risco muita coisa.

Este alegado olhar numa alegada conversa é o bastante para a Globo, na edição, incluir Lula na trama.

Lula, o espectador do Fantástico, não quis conceder entrevista sobre o assunto.

Que a Globo esperava? Que ele dissesse que aquele não era seu retrato? Que se o presidente fosse FHC jamais seria citado? Que a Globo devia mostrar o Darf?

Fora isso, o que se viu foi o jornalismo preguiçoso e declaratória. Venina diz que contratou os serviços da empresa do então namorado e depois marido porque ela era realmente “boa”. Foram mais de 7 milhões de reais para a empresa do namorado, sem licitação. Por que a Globo não foi investigar a suposta excelência da empresa favorecida?

De novo: 600 milhões por ano em dinheiro público, via propaganda federal, para a Globo fazer este tipo de jornalismo.

Você certamente conhece a tese da “servidão voluntária”, de um grande amigo de Montaigne, La Boetie.

Ele dizia que povo nenhum estava obrigado a aturar tirania nenhuma. Bastava se insurgir.

O governo do PT, ao financiar por iniciativa própria a Globo et caterva, pratica exatamente a servidão voluntária de que La Boetia falava.

Por Paulo Nogueira - jornalista

Rir é o melhor remédio




Música para os meus ouvidos



Final de ano pede muita reflexão e um som alegre e que leve a pensar... Mais do que os festejos em família, nessa época do ano curto viajar ao mais fundo de mim mesmo na busca por perceber os passos e tropeços, as perdas e ganhos, as verdades e mentiras vividas ao longo de mais um ano nesse mundo amável e imundo...

E nada melhor que um som pra cima e com os pés no chão para servir de trilha sonora durante a viagem pelos caminhos de mim...




sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Momento poético




          Perguntarão pela tua alma.
                       A alma que é ternura,
                        bondade,
                        tristeza,
                        amor.
     Mas tu mostrarás a curva do teu vôo livre,
                         por entre os mundos...
            E eles compreenderão que a alma pesa,
                         Que é um segundo corpo,
                                  e mais amargo,
                               porque não se pode mostrar,
                                        porque não se pode ver.
                                                                 
(Cecília Meireles in: Cânticos)

Autorretrato


Confraternização da equipe da Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente. Momento para compartilhar alegria e celebrar um ano de intensos desafios e muitas conquistas, assim como a semeadura dos novos feitos que virão.

Nossa Secretaria não aparece muito aos olhos do público, mas estamos por trás ou juntos de grande parte das realizações do governo municipal.

Em 2015, continuaremos sorrindo e trabalhando sério em prol de toda a administração e, principalmente, da gente amiga do nosso querido Herval.

Saúde, paz e mãos à obra é o que desejamos a todos e todas que nos acompanham ou são abraçados pelo nosso trabalho!









quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Nem só de pão viverá o homem




Servidores municipais recebem prêmio assiduidade e pontualidade



Na tarde desta segunda-feira (15), o prefeito Ildo Sallaberry, juntamente com o vice-prefeito Luiz Alberto Perdomo e o secretário da Fazenda Luis Antônio Saraiva, reuniram 27 servidores municipais, no gabinete da Prefeitura de Herval, para fazer o pagamento do prêmio Assiduidade e Pontualidade, totalizando um valor superior a R$ 27 mil.

Conforme Sallaberry, além de valorizar o trabalho dos funcionários que adquiriram o direito, esta é uma época bastante propícia para fazer o pagamento. “Sabemos que o benefício será útil para todos, principalmente pela proximidade das festas de final de ano. Este é um benefício para quem cumpre corretamenteo horário e não falta no mês de trabalho corrente, tendo então o direito de receber o bônus”.

prêmio por Assiduidade e Pontualidade é um benefício garantido pela Convenção Coletiva de Trabalho para os trabalhadores da categoria e é adquirido pelo servidor a cada cinco anos de trabalho.

Para a servidora Elaine Maciel, o benefício chegou em boa hora. “Este prêmio é um reconhecimento ao meu trabalho e eu recebo como uma dádiva, pois protocolei o pedido em maio deste ano e agora, nesta época importante, estou recebendo”, relata contente a servidora.


TEXTO: jornalista Nívea Bilhalva de Oliveira, publicado originalmente no site da prefeitura: www.herval.rs.gov.br


"Num momento em que várias administrações públicas atrasam seus compromissos ou deixam de realizar investimentos, Herval honra suas obrigações com os servidores e ainda investe em obras e serviços que melhoram a qualidade de vida de toda a população. Isso não é obra do acaso, mas o resultado de um trabalho sério, com os pés no chão e repleto de ousadia!"

Toninho Veleda

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Altas conexões



Prefeitura realiza obras de drenagem e esgoto



Com investimento de R$ 98.234,25 de recursos próprios, a Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Obras e Mobilidade Urbana e Rural está executando as obras de drenagem e esgoto da Av. João Dias da Silva, que dá acesso ao Parque Aquático Municipal.

Cerca de 100 famílias serão beneficiadas com as obras da prefeitura entre as ruas Adelaine Nunes até o Parque Aquático Municipal. O trabalho de drenagem e esgoto é executado pela equipe da Secretaria de Obras e Mobilidade Urbana e Rural e inclui a instalação de 950 metros lineares de rede de esgoto e drenagem.

Aproveitando as movimentações das obras, a Corsan, em parceria com a Prefeitura, está realizando a troca dos canos de abastecimento de água, substituindo os antigos por redes novas.

A obra está sob responsabilidade técnica do arquiteto Márcio Poersch, o qual informa que a via de acesso ao Parque Aquático Municipal após a conclusão da drenagem e rede de esgoto, será pavimentada.

“Todo trabalho de manilhamento e drenagem miniminiza problemas de saúde pública e toda prevenção traz benefícios a médio e longo prazo”, ressalta o prefeito Ildo Sallaberry, destacando que este é um projeto que beneficiará toda comunidade hervalense.


TEXTO: jornalista Nívea Bilhalva de Oliveira

Música para os meus ouvidos


Música boa é como amor sincero ou uma forma sincera de amar. E são vinho da mesma pipa porque música boa toca por dentro e invade nossos melhores sentidos, mesmo quando estamos na ausência do som ou no completo silêncio. Do mesmo modo ocorre com o amor verdadeiro que invade nossas entranhas e nos acompanha mesmo distantes do ser amado ou depois do amor desfeito.  





quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Obras do Minha Casa Minha Vida terão continuidade



Na manhã de 27 de novembro, o prefeito Ildo Sallaberry assinou o Contrato Operacional para a continuidade das obras previstas no Programa Minha Casa, Minha Vida – PMCMV Sub 50 Fase II, no âmbito do município.

A seleção dos beneficiários das unidades habitacionais ocorreu em 2012, de acordo com as normas e critérios estabelecidos pelo Programa em nível nacional. No mesmo ano foi assinado o contrato original com a Construtora Novitá, então responsável pela construção das moradias, a partir da escolha feita pelo agente financeiro do empreendimento, Banco Cooperativo Sicredi.

No entanto, esse ano o Sicredi se viu obrigado a romper a relação com a Novitá, tendo em vista que a referida construtora entrou em situação falimentar e não vinha cumprindo os prazos e obrigações assumidas em contratos assinados para a construção das moradias do Minha Casa, Minha Vida em diversos municípios do RS.

Tal episódio fez com que os municípios envolvidos nessa relação precisassem praticamente retornar à estaca zero, tendo que colaborar com o Sicredi na busca de uma nova construtora. Missão nada fácil, num momento que o mercado imobiliário se encontra fortemente aquecido e os valores disponíveis para a construção das casas acabou sofrendo defasagem perante o mercado.

Mas a determinação do prefeito Ildo e da equipe da Secretaria de Planejamento abriu uma nova porta para viabilizar a execução das obras. Depois de diversos contatos e tratativas, a prefeitura e o Sicredi selaram acordo com a CEFAZ – Comércio e Serviços de Construção Ltda, que a assumiu a responsabilidade pela construção das moradias.

O contrato foi assinado pelo prefeito e pelo engenheiro da empresa Hermes Pereira Filho, prevendo a construção de 39 moradias populares. O Sicredi deverá expedir Ordem de Início das Obras tão logo receba, revise e aprove os contratos assinados entre as partes, o que envolve também os beneficiários do projeto. A previsão é que as obras sejam concluídas já no próximo ano.

O prefeito Ildo Sallaberry lamentou o atraso no andamento do projeto, decorrentes de inúmeros contratempos e imprevistos, porém ressaltou que o mais importante é que o esforço feito para “salvar” esse investimento valeu à pena e o projeto está prestes a começar a sair do papel. Sallaberry salientou ainda que esse investimento é fundamental, não apenas para reduzir o déficit habitacional do município, mas para melhorar as condições de moradia de dezenas de famílias hervalenses e ampliar os investimentos em infraestrutura da cidade. 

VALORES - Cada unidade habitacional tem um custo contratado de construção de R$ 28 mil, sendo R$ 25 mil repassados pelo Governo Federal, através do Ministério das Cidades e contrapartida financeira do Governo do Estado de R$ 3 mil. Ao todo devem ser investidos R$ 1.092.000,00 na construção das moradias.

Conforme o secretário de Planejamento e Meio Ambiente, Toninho Veleda, a Prefeitura oferece contrapartida de bens e serviços, o que inclui os terrenos e serviços de infraestrutura no loteamento.


Texto: Jornalista Nívea Bilhalva de Oliveira com colaboração de Toninho Veleda

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Rir é o melhor remédio




Ato político


Penso que a democracia é um bem por si só e as decisões das urnas devem ser sempre acatadas e respeitadas. Acatadas e respeitadas sim, o que não significa concordância completa ou unanimidade, uma vez que fazer oposição faz parte do jogo e é algo sempre legítimo e necessário, desde que dentro das regras do jogo democrático, claro. Ou seja, para o derrotado nas urnas não vale fazer beicinho nem apelar para golpes baixos ou coisa pior! Não deveria, pois o que ocorreu durante a última corrida presidencial e após mais uma derrota dos tucanos na disputa eleitoral desse ano é um exemplo bem claro e cristalino de que os maus perdedores estão aí e são capazes tanto de apostar na trapaça quanto de usar ou recomendar o uso da força para mudar as regras ou o resultado, ou pelo menos na tentativa de constranger os vencedores e induzi-los a governar utilizando a agenda e as fórmulas rejeitadas pela maioria.  

Democracia sempre é bom, porém a democracia vive um paradoxo permanente e insuperável, conforme ensina Wanderlei Guilherme dos Santos, tendo em vista que esse é o “único sistema que reconhece como legítimas demandas que sabe que não pode atender”. Ainda segundo o grande intelectual brasileiro, outro paradoxo é que somente na democracia é livre e aceitável utilizar práticas que visam enfraquecer, solapar ou mesmo derrubar a democracia. Para dar um exemplo mais concreto, enquanto na democracia os ditadores bradam nas tribunas dos parlamentos ou são iluminados pelos holofotes dos grandes veículos de comunicação, os democratas que reclamam democracia num regime autoritário são ou seriam torturados, mandados ao exílio ou friamente assassinados em nome da “ordem”.

O fato é que numa democracia ainda tão jovem e tênue como a nossa é mais comum que a razão perca para a emoção, que a complexidade das coisas ceda lugar para as simplificações, que o bom senso seja espancado pelo senso comum e que na busca apressada e irrefletida por uma vida melhor, se eleja projetos políticos que representam o pior ou pelo menos o oposto da intenção do eleitor (a) que através do poder do voto escolhe as formas, conteúdos e rumos da administração pública durante quatro anos. Ou como diz a canção de Belchior: “não conte vitória antes do tempo não/nem leve flores para a cova do inimigo/as lágrimas dos jovens são fortes como um segredo/ e podem fazer renascer o mal antigo”.

É nesse contexto que se insere a escrita pertinente, convidativa e eloquente de Jorge Branco, uma das figuras mais queridas e respitadas da “segunda etapa” da gestão do sempre governador Tarso Genro.


A complexidade do incomum e aptidão democrática (por Jorge Branco)

Pretendo discutir aqui o significado do que é um “governo incomum”, defendendo a posição que ele deve caracterizar-se por duas qualidades, fundamentalmente: primeiro, não aceitar o juízo do “senso comum”, quando isso significa abdicar de princípios; e, segundo, não abandonar o sentido estratégico do programa apresentado à sociedade, nas eleições que deram legitimidade ao mandato.

De fato, a democracia pode ser compreendida como um sistema político criado pelas pessoas para compartilhar uma vida em comum. E para que esse sistema dê resultados, não basta ter um conjunto de regras, estruturas de poder e procedimentos, mas é imprescindível adotar valores, atitudes e condutas democráticas, tanto pelos governantes quanto pelos governados. No Rio Grande do Sul, a despeito do desprestígio que a política experimenta pela combinação da degradação do sistema partidário, do ataque sistemático da mídia e da valorização de um senso comum simplificado, os últimos quatro anos produziram uma síntese bastante incomum. Houve um amplo e plural conjunto de ações que aprofundou mecanismos de participação em todos os níveis, produziu desenvolvimento em todas as áreas e buscou equidade e inclusão com o protagonismo e a incorporação das diferentes forças da sociedade na cena pública e nas instâncias de decisão da administração.

Talvez a grande aptidão de um homem político (no sentido de alguém que se envolve nos temas mais complexos do bem comum), tenha sido abrir mão de atos fenomênicos para constituir um governo transversal e resolutivo em todas as etapas de produção, execução e controle de políticas públicas. As atitudes democráticas e modos de comportamento do Governo Tarso Genro são baseados na adesão aos valores da dignidade da pessoa humana, no desenvolvimento com igualdade, no debate público e no diálogo, na liberdade e na justiça. Isto exige maior complexidade. Não é o simples, o comum, que um projeto radicalmente democrático propõe.

Estas complexidades estão traduzidas em diferentes ações do Governo: no sistema de participação popular, transparência e controle social, na relação federativa republicana com os municípios, na adoção de uma política econômica de fortalecimento de um estado público e de enfrentamento à crise com crescimento, na recuperação das funções públicas em áreas cruciais como saúde, educação, segurança, agricultura, ciência e tecnologia.

Incomum — e parece que o futuro imediato poderá tornar explícito — é romper o ciclo do fiscalismo ortodoxo e criar uma estratégia de financiamento do estado que não o imobilize. Ao contrário, viabilize investimentos, base dos índices de crescimento econômico que o Rio Grande apresenta.

Este Governo, incomum, dialogou com a sociedade de todos os modos. Criou diferentes instâncias de participação, controle social, transparência e prestação de contas, com a maior consulta orçamentária do mundo. Onde 1,3 milhão de pessoas definiram onde investir os recursos do Estado. As ruas pediram, o Governo Tarso Genro fez. O Rio Grande do Sul foi o primeiro estado a adotar o Passe Livre Estudantil, garantindo condições para a juventude de baixa renda ir à escola. As Interiorizações chegaram a mais de 200 municípios de todas as regiões. A relação com os municípios rompeu a tradição clientelista brasileira, tratando a todos com isonomia e parceria, não fazendo distinção de partido político, região, de tamanho ou de porte econômico.

A capacidade administrativa e a valorização do servidor e do serviço público se traduziram na recuperação de todas as carreiras e na difusão do caráter público do estado. Só como exemplo, os reajustes concedidos ao quadro geral do Estado no Governo atual chegaram a 162,88%, mais de cinco vezes que o anterior.

Isso foi possível porque o crescimento industrial gaúcho, em 2013, foi de 7,4%, mais do que o dobro dos estados mais industrializados do país. O Rio Grande do Sul cresceu 6,3% em 2013 e produziu a maior safra agrícola da história: 30 milhões de toneladas de grãos!

Não faltam dados e números que comprovam um conjunto de resultados vibrantes, superiores e inéditos em todas as áreas. Ainda assim, compreendemos que, aos governos democráticos, se impõem superar os desafios também no campo simbólico.

O resultado eleitoral não permitiu a manutenção deste modelo democrático e desenvolvimentista de governo. Talvez tenha faltado a simplificação dos símbolos para representar as ações diferentes do comum que este Governo realizou. Reconhecemos que estes avanços foram insuficientes para conquistar a reeleição do atual governo. As causas da derrota são várias e apresentá-las demandariam um novo artigo. Porém, é inegável que algumas decisões polêmicas e, do nosso ponto de vista acertadas, nos trouxeram desgastes. Cito duas medidas adotadas que contrariaram os desejos da tradicional classe média gaúcha: a valorização do salário mínimo regional e a orientação para que a Brigada Militar evitasse o confronto direto com os manifestantes de junho de 2013. Temos orgulho do que isso representou para os nossos partidos e imaginávamos que uma parcela da sociedade poderia ter outra interpretação. É mais uma comprovação de que o Governo Tarso Genro foi incomum ao não agir privilegiando os interesses eleitorais.

Os gregos chamavam “politikos” homens que se interessavam e participavam ativamente em todos os problemas da “polis”. Um governo deste porte e deste nível só poderia ser conduzido por alguém com profunda aptidão, interesse pela coisa pública e pelo bem comum. Esta “polis’, sua diversidade e pluralidade, estava presente no interior do Governo através da democracia participativa e através dos partidos que compuseram sua base de sustentação. Este arranjo formou uma equipe de governo coesa e com programa fora do comum.

E o reconhecimento desta condição, exige compromisso com a causa democrática. Quem deprecia a política, contribui para a degradação do Estado e a demolição de uma estrutura de ações e valores penosamente erguida pelo autêntico “demos”, o cidadão democrático.

Jorge Branco é Secretário de Estado do Gabinete dos Prefeitos e Relações Federativas do Rio Grande do Sul.



Publicado originalmente no site Sul21: http://www.sul21.com.br/jornal/a-complexidade-do-incomum-e-aptidao-democratica-por-jorge-branco/

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