O Blog busca retratar coisas da vida interiorana e do meu interior, numa abordagem que mistura reflexão, notícias, riso, poesia, musicalidade, transcedentalidade e outras cositas más. Tudo feito com produções próprias, mas também com a reprodução do pensar ou do sentir dos grandes gênios que o país e a humanidade pariram.

sábado, 28 de junho de 2014

Pensar é preciso

“O RS não está sendo informado sobre o que acontece no Estado. Vamos mostrar onde está o governo”

Marco Weissheimer

O governador Tarso Genro tentará quebrar um tabu este ano: ser o primeiro governador reeleito do Rio Grande do Sul. Questionado sobre o tema, ele responde rápido: “Até a eleição passada, o Rio Grande do Sul também não tinha eleito nenhum governador no primeiro turno”. Em entrevista ao Sul21, Tarso Genro fala sobre sua pré-candidatura à reeleição, analisa o seu mandato e o quadro eleitoral no Estado. Além disso, aborda um dos temas preferidos por seus críticos e adversários: o piso do magistério. A sua resposta vem acompanhada de um desafio: “em quatro anos, vamos corrigir o salário dos professores em 76,6%, o que representa 50% de aumento real. Eu desafio que nossos adversários nos mostrem algum governo que tenha dado 50% de aumento real aos professores em quatro anos”.

O chefe do Executivo gaúcho entende que a população do Rio Grande do Sul não está sendo informada sobre o que está acontecendo no Estado, o que estaria, na sua opinião, induzindo a própria oposição a cometer erros de avaliação. Tarso diz que vai fazer um debate programático de alto nível, comparando os resultados do governo atual com o dos governos anteriores e defendendo o projeto em curso.

Sul21: Por que o senhor quer ser candidato a governador do Rio Grande do Sul? No seu caso, candidato à reeleição.

Tarso Genro: É um dever cívico, moral e político de dar continuidade às mudanças sociais e econômicas que nós estamos fazendo no Estado. O meu partido e os demais partidos que nos acompanham entenderam que a minha candidatura era a que oferecia a maior possibilidade de vitória, apesar de termos nomes bons em todos os partidos. Isso está relacionado ao programa de governo que estamos aplicando no Estado.

Sul21: Como resumiria a sua gestão nestes últimos três anos e meio? Quais são as suas marcas, na sua opinião?

 Tarso Genro: Acredito que conseguimos configurar agora um perfil muito claro do nosso governo, o que terá um impacto muito importante nas eleições. Trata-se da combinação das políticas de desenvolvimento com as políticas sociais. O Rio Grande do Sul hoje não é mais o mesmo. O crescimento do Estado, a aposta que nós fizemos no refinanciamento da nossa base produtiva, da agricultura familiar, a democratização da política de incentivos que trouxe para cá dezenas de investimentos de fora do Estado e de fora do país, combinados com uma forte articulação com políticas do governo federal, diferenciam o nosso governo radicalmente dos dois governos anteriores. Essa diferenciação pode ser sentida e visualizada nos índices de crescimento industrial, de crescimento do PIB e de inclusão social e produtiva que o nosso governo apresenta. Então, o nosso governo poderia ser sintetizado como um governo desenvolvimentista com justiça social e combate às desigualdades regionais.

Sul21: Qual é o principal problema do Estado hoje? É o tema da dívida?

Tarso Genro: Acho que o Estado tem três questões estratégicas para encaminhar e superar no próximo período. Em primeiro lugar, um avanço ainda maior na reestruturação da dívida pública, depois de ser aprovada no Senado essa reestruturação inicial. Em segundo, uma qualificação ainda maior das políticas de saúde, educação e segurança, áreas nas quais avançamos muito, mas ainda de maneira insuficiente, até por problemas no financiamento desses três setores. Poderia citar como modelo de avanço o que ocorreu na área da saúde, com a destinação de 12% dos recursos do orçamento. E a terceira questão é aprofundar e qualificar ainda mais o nosso sistema de participação popular. A natureza do desenvolvimento é dada não somente pelas políticas públicas do Estado, mas também por meio da participação cidadã dos movimentos sociais, dos de baixo que, ordinariamente, limitam a sua participação ao momento do voto. O aprimoramento do sistema de participação popular, que já recebeu prêmios da ONU e é apontado hoje como uma referência internacional, deve ter uma continuidade da nossa atenção e da nossa ação política e organizativa.

Sul21: Com a definição das pré-candidaturas ao governo, o cenário da disputa eleitoral no Rio Grande do Sul está praticamente definido. Qual a sua avaliação sobre esse cenário e sobre as forças em disputa?

Tarso Genro: Acho que os candidatos com mais potência eleitoral representam bem os seus partidos e são todos pessoas sérias que tem currículos profissionais e políticos respeitáveis. Mas todos têm uma identidade política e programática bem definida. Todos governaram o Rio Grande do Sul. A candidata do PP esteve à frente do governo Yeda, seu partido participou do governo Yeda de maneira muito expressiva. O PMDB também integrou o governo Yeda e governou o Estado antes. E o candidato do PDT é de um partido que esteve conosco até pouco tempo. Eu diria inclusive que tem uma maior identidade programática conosco do que diferenças. Portanto, teremos uma eleição que vai comparar métodos de governo e conteúdos programáticos de governo.

Eu não tenho medo de dizer que a polarização aqui no Rio Grande do Sul vai ser entre o projeto neoliberal de enfraquecimento das funções públicas do Estado, de ausência de recursos para políticas sociais, de ausência de políticas para a agricultura familiar e para o desenvolvimento industrial do Estado – representado pelo que foram os governos Yeda e Britto – e o projeto representado pelo que foi o governo Olívio e o que está sendo o nosso governo. Será uma eleição com nitidez programática, com as questões ideológicas correspondentes, como forma de tratamento dos movimentos sociais, democracia participativa combinada com a representação parlamentar, relação com as políticas do governo federal, tudo isso vai estar em jogo. Tenho confiança que o nosso governo tem uma nítida diferença em relação aos projetos representados, em especial, pelos governos Britto e Yeda.

Sul21: A relação da disputa estadual com a nacional deve apresentar algumas peculiaridades, com alguns partidos divididos apoiando candidatos distintos para a presidência da República. Qual a influência que esse quadro pode ter na disputa estadual?

Tarso Genro: Há uma gama enorme de prefeitos do PMDB que deverão apoiar a Dilma. Muitos prefeitos do PP também vão apoiar a Dilma. Creio que a maioria dos prefeitos do PDT vai no mesmo caminho. Essa contradição não é nossa. É uma contradição, saudável até, dos partidos adversários. Quem representa o governo Dilma aqui, e venho dizendo isso desde o começo, somos nós. A Dilma é a candidata da minha coalizão e o seu palanque é o meu palanque. Se há outros partidos que apoiam a presidenta Dilma, eu os saúdo, mas a diferenciação que eles terão que explicitar durante a campanha não é um problema nosso.

Sul21: Boa parte de seus críticos e opositores, ao falar do seu governo, aborda o tema o piso do magistério, da promessa que não teria sido cumprida. Como o senhor responde a essa questão?

Tarso Genro: Nós não chegamos ao piso do Fundeb combinado com o quadro de carreira. Isso é verdadeiro. O piso salarial nacional que eu remeti ao Congresso em duas oportunidades determinava que ele fosse corrigido pelo INPC e não pelo critério que foi inventado por uma convicção oportunista do senador Cristóvão Buarque, que sempre foi muito magoado com o governo federal, pois ministro durante pouco tempo e não conseguiu implementar nenhuma política eficiente no Ministério da Educação. De outra parte eu tenho argumentos muito sólidos. Nós, em quatro anos, vamos corrigir o salário dos professores em 76,6%, o que representa 50% de aumento real. Eu desafio que nossos adversários nos mostrem algum governo que tenha dado 50% de aumento real aos professores em quatro anos. Não ocorreu em nenhum governo a não ser o nosso. Isso é produto de uma convicção nossa.

Para o próximo período, a negociação do governo estadual com a representação sindical dos professores será a seguinte: ou continuamos essa política de valorização considerando o INPC, e vamos continuar discutindo isso talvez de maneira infinita, ou vamos combinar o piso do Fundeb com outro quadro. Com esse quadro não é possível. Todos sabem que não é possível. Nós temos argumentos fortes para defender a nossa política, inclusive com a reestruturação curricular, com a valorização do politécnico, com a recuperação da rede física das escolas, que nos foi entregue completamente deteriorada, e com a montagem de um sistema de avaliação que é exemplar hoje no país. Nós progredimos muito na educação, não tudo aquilo que desejamos, o que também é impossível de fazer num governo só. Eu tenho ido nas escolas de todo o Estado e conversado com os professores. Com exceção de uma micro-vanguarda do CPERS, eu tenho sido muito bem recebido e respeitado. Os professores e os servidores de um modo geral estão entendendo e fazendo uma comparação muito positiva entre o nosso governo e os governos anteriores.

Sul21: O senhor poderia citar um problema que não conseguiu resolver e que gostaria de superar em um eventual segundo mandato?

Tarso Genro: Agilidade da máquina para fazer obras.

Sul21: O que emperra isso?

Tarso Genro: O que emperra é uma legalidade barroca que pesa sobre isso e a deterioração da estrutura técnica do Estado, que eu subestimei quando cheguei ao governo. Eu sabia que estava deteriorada, mas não tanto assim. Nós demoramos para recuperar, com concursos, com melhoria dos quadros de servidores, melhorias salariais, qualificação técnica dos servidores. Demorou cerca de um ano a mais do que eu esperava para iniciarmos um choque de obras. Nós acabamos avançando muito, mas essa é uma questão a ser enfrentada: a simplificação dos processos e uma maior qualificação técnica da estrutura da máquina para fazer obras será uma questão importante, sim, do próximo governo.

Sul21: O Rio Grande do Sul tem a particularidade de nunca ter reeleito um governo. Na sua opinião, há alguma razão especial para isso ou é algo mais contingencial mesmo, ou uma espécie de vocação oposicionista atávica do Estado?

Tarso Genro: Até a eleição passada, o Rio Grande do Sul também não tinha eleito nenhum governador no primeiro turno. Eu estimo que estamos hoje em melhores condições de disputar a eleição do que estávamos em 2010. Até agora o Rio Grande do Sul não está sendo informado de maneira rigorosa sobre o que está acontecendo no Estado. Isso, inclusive, está induzindo nossos adversários a erros. Veja, por exemplo, a candidatura da senadora (Ana Amélia Lemos) que pergunta: onde está o governo? Essa pergunta é a declaração de uma impotência. Eles não têm consciência do que está acontecendo no Estado, nos assentamentos, na agricultura familiar, nas cooperativas, no microcrédito, na expansão das empresas, nas políticas de combate à miséria absoluta com o RS Mais Igual, nas políticas de irrigação, nas medidas que tomamos para desenvolver o trigo. Hoje nós temos o dobro de obras em ligações municipais que os dois governos anteriores ao nosso tiveram.

Fizemos um processo informativo, apenas com uma campanha publicitária, pois não tínhamos recursos para isso. A campanha eleitoral vai nos permitir passar todas essas informações, o que terá um efeito extraordinário na sociedade. Hoje nós estamos enfrentando um problema por que o número de obras no Estado é tão grande que as empresas na área do saneamento não estão conseguindo atender as nossas encomendas. O mesmo ocorre em relação às estradas. São centenas de obras do governo do Estado e do governo federal que estão sendo tocadas no Rio Grande do Sul. Agora, o que aparece na grande mídia, especialmente na RBS, é o problema, nunca aparece o que estamos fazendo. Então é natural que essa desinformação seja transmitida para os demais partidos de maneira distorcida.

A agenda do debate político, além dessas questões que já apontei, com a qual vamos trabalhar será comparar, inclusive no plano material, o que nós fizemos e o que os governos anteriores fizeram. Creio que estamos em boas condições de disputa. Vamos fazer nossos programas de televisão em alto nível, sem atacar a honra de qualquer pessoa ou de qualquer partido. Acho que a grande mídia combate hoje a política e a própria democracia de forma autoritária, manchando a reputação dos partidos e de suas lideranças, generalizando as acusações de corrupção. Todos os partidos têm problemas de comportamento. Nós sabemos disso. Mas não podemos generalizar ou fazer acusações sem provas. Nós não vamos fazer esse tipo de campanha. Vamos prestigiar a esfera da política e fazer um debate programático de alto nível sobre o futuro do Estado.

Por exemplo, vou fazer uma afirmação agora nesta entrevista que eu quero debater: quero dizer que a senhora Ana Amélia Lemos não conhece o Estado do Rio Grande do Sul. Ela tem uma relação com o Estado mediada por programas de televisão, falando especialmente do agronegócio. Ela não conhece o Estado, a dinâmica produtiva da agricultura familiar, a vida dos pobres, das pequenas cidades, dos pequenos empreendimentos, que é o que pulsa em 90% a economia do Rio Grande do Sul. Eu vou fazer esse debate com ela. A pergunta que ela faz revela esse desconhecimento. Ela vai ver onde está o governo no processo que vamos viver nos próximos meses.

Publicado originalmente no site Sul 21: http://www.sul21.com.br/jornal/o-rs-nao-esta-sendo-informado-sobre-o-que-acontece-no-estado-vamos-mostrar-onde-esta-o-governo/

Autorretrato


"Yo" com Chico e Kauana, coladinho no palco, tietando Daniela Brizolara que fez a galera balançar na FejunaHe. Mesmo assim, eu encolhido, pois o corpo ainda não aprendeu a acompanhar minha alma que pula e dança! 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Ato político


A reflexão lúcida de Luís Nassif vem de encontro ao que a imensa maioria dos brasileiros está percebendo: Dilma ainda não merece nota 10, mas precisa de um segundo mandato para fazer um governo melhor e, principalmente, para o Brasil ter a chance de mudar ainda mais.


Para entender o desgaste do governo Dilma
Luís Nassif

Há alguns fatores inevitáveis explicando o ódio de parte do eleitorado a  Dilma Rousseff e uma espécie de desânimo generalizado em relação ao país.
Os grupos de mídia vem batendo diuturnamente na presidente. Mas essas campanhas são pró-cíclicas - isto é, ajudam a acentuar o movimento de baixa da presidente. Ou seja, os grupos de mídia não criam, apenas acentuam um estado de espírito pré-existente.
JK e Lula foram alvos de campanhas pesadíssimas e conseguiram não apenas superar como manter em alta a autoestima nacional. Em plena campanha para o governo do Rio, o Jornal Nacional montou várias cenas de arrastão nas praias, tentando passar a ideia de descontrole. E Brizola virou o jogo.
Os fatores conjunturais
Há um conjunto de fatores conjunturais que aguçam o pessimismo atual da opinião pública.
Um deles é o fim do ciclo de otimismo intenso que se seguiu à superação da crise de 2008, à conquista da sede da Copa e das Olimpíadas, à consagração internacional das políticas de inclusão.
Cada mudança de patamar significa maiores cobranças nas etapas seguintes. Cria-se de uma demanda impossível de atender. Já tratei diversas vezes esse tema dos ciclos de otimismo-pessimismo.
Essa frustração acentua dois movimentos relevantes de opinião pública.
Um deles, a quebra de expectativas de quem ascendeu à classe média. Os novos cidadãos  não se contentam com o que conquistaram até agora e querem mais. O segundo movimento é o da resistência das classes média e alta contra os novos incluídos.
Esses dois movimentos foram atenuados na fase anterior pela situação da economia, permitindo a Lula praticar uma espécie de política do ganha-ganha. Com a frustração do crescimento, esses sentimentos voltam à tona com toda força, potencializados pela liberação de energia através das redes sociais.
A comunicação pública
Aí entram os fatores de responsabilidade do governo.
O maior deles foi o amplo descuido para com a opinião pública - a opinião pública ampliada e os grupos organizados da sociedade - e uma política de comunicação amorfa. Essa inércia permitiu que os grupos de mídia jogassem sozinhos em campo.
Apesar da CGU (Controladoria Geral da União), da Lei da Transparência, das ações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, venceu a versão do “governo mais corrupto da história”.
Mesmo tendo retomado os investimentos públicos e deixado um legado de obras relevantes, os PACs (Programas de Aceleração do Crescimento) ficaram mais conhecidos pelas obras inacabadas do que pelas obras entregues.
Na área social, a imagem da educação não se fixou nos avanços obtidos - que refletem ações de governo - mas na posição absoluta do país nos rankings internacionais - que reflete uma situação histórica.
Inúmeros boatos alimentados pela mídia - como o suposto apagão iminente do setor energético - não foram enfrentados. Não se cuidou de prover informação sequer para sites e blogs empenhados em desmanchar o terrorismo.
Também não se esclareceu a população sobre os gastos e ganhos da Copa nem sobre trabalho de articulação de diversas instâncias –estados, municípios, poder judiciário, Ministério Público, clubes de futebol setor privado -para um projeto que, até agora, tem sido bem sucedido.
Mesmo após as manifestações de junho de 2013 e a eclosão da comunicação digital, o governo  não se preocupou em montar uma estratégia para enfrentar os boatos de rede e de mídia.
O estilo Dilma e a manifestação de poder
Mas o ponto central de desgaste de Dilma é o fato de ser uma presidente sem poder.
Explico melhor esse conceito.
A manifestação de poder de um governante se expressa na maneira como negocia com os diversos setores e consegue implementar suas (da presidente) determinações.
Para isso, não basta apenas o poder da caneta.
O governante precisa ter debaixo de si uma estrutura que permita controlar o enorme cipoal burocrático do governo, um Ministério proativo que ajude a filtrar as demandas e se responsabilize pela implementação de medidas e pelos resultados da sua pasta.
Com muito mais condições que o presidente, é o Ministro proativo que tem a temperatura do setor, controle sobre sua estrutura e  a responsabilidade de identificar problemas, trazer soluções e propor medidas inovadoras. O Presidente é o maestro da orquestra.
Dilma não montou um Ministério com essa incumbência. Por vontade própria, tornou-se um maestro sem orquestra.
Além disso, o presidente necessita de “operadores” – pessoas de sua estrita confiança incumbidos de fazer valer as ordens nos diversos nichos de poder: Ministérios, autarquias, instituições públicas etc. Também não dispõe desses quadros. É muito desconfiada para conferir esse poder a terceiros.
Lula tinha vários “operadores”: Antônio Pallocci junto ao setor privado, Gilberto Carvalho junto aos movimentos sociais, José Dirceu junto aos diversos segmentos de poder (embora muitas vezes corresse em raia própria), tinha a confiança de dirigentes de fundos de pensão e de bancos públicos e o próprio CDES para contato direto com a chamada sociedade civil organizada.
Além disso, mantinha Ministros de peso sendo interlocutores de seus setores – como Luiz Furlan, no MDIC, Roberto Rodrigues na Agricultura, Gilberto Gil/Juca na Cultura, Nelson Jobim na Defesa; Márcio Thomaz Bastos na Justiça; Fernando Haddad na Educação; Celso Amorim nas Relações Exteriores. Todos com  capacidade de formulação e poder de decisão garantido pelo presidente. Ou seja, cada Ministro era a expressão do poder do presidente.
Quando o poder é claro, torna-se o imã que atrai todas as demandas e expectativas. E o Presidente torna-se um mediador de conflitos.
Por falta de experiência com o cargo e com a política, Dilma não soube montar essa estrutura nem deu liberdade para seus Ministros montarem as suas. Ou seja, o poder presidencial não chega na ponta.
Daí se entende a frustração geral de seus interlocutores.
Os que chegam até Dilma encontram uma presidente cheia de energia, boa vontade e racionalidade. Algum tempo depois percebem que nada do que prometeu será implementado.
Some-se a uma política econômica errática e com parcos resultados e se terá a explicação para o desgaste atual do governo.
Mesmo assim, Dilma acumula uma série de vantagens sobre seus adversários. Dos três pré-candidatos é a única a acenar com um projeto de país, mesmo mal implementado; com compromissos irredutíveis em relação às políticas sociais; com a noção de que a construção nacional passa pela economia, infraestrutura, educação e inovação e políticas inclusivas; com a fixação pela transparência pública. E com alguns projetos transformadores, como o sistema do pré-sal e o próprio PAC.
Pode ser que, com a experiência do primeiro mandato, vencendo as eleições possa-se ter um segundo mandato mais eficiente. Pode ser que a teimosia não permita. De qualquer modo, Dilma está na situação do time de futebol que depende apenas dos seus resultados para vencer.

Altas conexões




Licença poética



Peço licença novamente para entregar-lhes mais palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser...
   
Filharada...
Filhos arando meu corpo
com carinhos
e fazendo arte pela casa,

Pelas sacadas da nossa morada
ou pelas calçadas e escadas da vida.

Descalços,
No meu encalço...

Paridos para o mundo
e o amor sem pudor, desvarios ou trancas.

Paridos para a falta de amor
de um planeta afoito e aflito e traiçoeiro e fútil.

Filhos e motivo maior do meu afeto!
Filhos de todas as mães e pães
(que são pais com coração de mãe!)
Filhos de mim, do infinito e do Papai do Céu!


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Rir é o melhor remédio




Cenas da vida inventada




Com Tarso Herval ganhou mais força para avançar



Desde o governo Olívio Dutra (1999-2002) nosso município não recebia tanto apoio e investimentos por parte do governo do estado. Se no primeiro governo comandado pelo Partido dos Trabalhadores no RS se fez muito pelo Herval – num período em que o governo dos tucanos no país deixava os estados e municípios completamente à míngua em termos de parcerias e destinação de recursos –, com Tarso as portas e os cofres do Palácio Piratini se abriram ainda mais e depois de 8 anos o estado voltou a investir forte em Herval e nos hervalenses.

Para quem não lembra convém recordar que em 2010 a então situação e, mesmo uma parte da oposição, diziam que nosso estado era ingovernável, de tão grave era a crise e o desajuste administrativo vivido pelo poder público gaúcho. Pois a administração de Tarso Genro enfrentou o pessimismo, colocou o estado no rumo certo e gradativamente vem resgatando pendências acumuladas e, de mãos dadas com a Presidenta Dilma e as administrações municipais, já comemora muitas conquistas e realizações do Pampa ao Mar, da Serra ao Planalto Médio.

Em Herval não é diferente e como o espaço é curto para detalhar tudo o que vem rolando em nosso município depois da posse de Tarso, cito alguns exemplos de investimentos já realizados no município ou que estão a caminho, grande parte deles contando com a altivez e a parceria da prefeitura.

Na saúde, pela primeira vez na história a gestão estadual vem destinando recursos diretamente ao hospital Nossa Senhora da Glória, a partir da firmatura de um convênio que deverá colocar mais de R$ 300 mil em nosso hospital ao longo de um ano, sendo esse apenas o primeiro passo para o envio de mais recursos. Tem também a aquisição de duas ambulâncias, uma van para o transporte de pacientes e uma processadora de raio-X.  Além disso, três veículos novos estão sendo comprados e brevemente deverão ser entregues para facilitar o deslocamento dos profissionais de saúde e das pessoas encaminhadas para tratamento médico especializado fora do município.

Na educação, além das melhorias das condições de trabalho, do pagamento de vantagens que estavam congeladas e do reajuste salarial de mais de 50% acima da inflação para os profissionais da educação, está prevista a reforma completa do I.E.E. São João Batista e da escola Corintho Ávila Escobar, através do PNO. Esta última ainda comemora a recente implantação do Ensino Médio, um sonho antigo que governos anteriores deram às costas e que oferece educação de qualidade e a oportunidade aos jovens da região do Basílio estudar por mais tempo próximo de suas famílias.

Merece destaque também os investimentos feitos na zona rural, tais como a instalação de redes de abastecimento de água nos assentamentos Nova Herval, XV de Outubro, Bamburral e Querência I, prevista para iniciar logo ali. Ademais, pode-se citar a anistia das dívidas dos pequenos produtores com o Banrisul, o envio das cestas básicas e caixas de água durante a estiagem, a retomada do Programa Troca-Troca de sementes de milho, o investimento de R$ 60 mil na compra de calcário para correção de solo, mais de R$ 65 mil investidos na construção de açudes, os recursos que aguardam liberação para a compra de equipamentos para a bacia leiteira e a parceria com a prefeitura para a recuperação e melhoria de estradas, sendo que uma parte já foi executada e uma patrulha mecanizada será enviada até o final do ano para melhorar a trafegabilidade de todas as estradas de acesso a assentamentos do município.

Como promover a igualdade faz a diferença é muito mais que um slogan, mais de 200 famílias hervalenses estão sendo beneficiadas mensalmente com uma ajuda financeira que complementa o valor do Bolsa Família, por meio do RS Mais Igual. Ademais, o investimento de mais de R$ 30 mil vai assegurar a instalação de uma padaria e uma cozinha comunitária junto ao CRAS, numa iniciativa que está prestes de ser inaugurada e que vem oferecer às famílias carentes mais uma oportunidade para alcançar o peixe e aprender um ofício que ensina a pescar uma vaga no mercado de trabalho. Acrescente-se a tudo isso a visita de Tarso Genro a Herval ocorrida em 2013, sendo que nosso município não recebia a visita de um governador havia muitos anos, o que demonstra o carinho e o compromisso do governo estadual com a Sentinela da Fronteira.

Com Tarso o choque de gestão, que na prática significa paulada nos pequenos e médios e regalias para os gigantes, enfraquecimento da máquina e redução dos serviços públicos; ficou para trás e cedeu lugar para o choque de investimentos. Com Tarso o Rio Grande fez as pazes com o Brasil, recuperamos a autoestima, a capacidade indutora e realizadora do estado e a certeza de que as portas continuarão abertas e novos e maiores investimentos ainda virão. Quem viver e não se deixar iludir pelas novas caras da velha política verá!

terça-feira, 17 de junho de 2014

Pitada filosófica




Momento poético


Tenho Tanto Sentimento


Tenho tanto sentimento 
Que é frequente persuadir-me 
De que sou sentimental, 
Mas reconheço, ao medir-me, 
Que tudo isso é pensamento, 
Que não senti afinal. 

Temos, todos que vivemos, 
Uma vida que é vivida 
E outra vida que é pensada, 
E a única vida que temos 
É essa que é dividida 
Entre a verdadeira e a errada. 

Qual porém é a verdadeira 
E qual errada, ninguém 
Nos saberá explicar; 
E vivemos de maneira 
Que a vida que a gente tem 
É a que tem que pensar. 


Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"


terça-feira, 10 de junho de 2014

Rir é melhor remédio




Licença poética




Peço licença novamente para entregar-lhes mais palavras simples e sutis, arrancadas do fundo do baú do meu ser...


Desilusão amorosa nunca foi motivo
para querer me matar, embora já tenha sido
estopim de imensas e profundas dores.

Dores que mataram em mim a certeza que amor existe
ou representa uma coisa boa.

O amor morreu em mim, porém a lembrança de
um amor perdido continua viva e parece não ter fim.

Sim, vivo sem a ilusão de amar novamente, mas a vida é
bela para ficar fechado ou esperando por ela na janela.


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Pitada filosófica




Pensar é preciso



Tarso Genro: País ficou polarizado e demarcado após Lula.
Veja a entrevista publicada na Leitura Global

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), disse que a corrida pela Presidência será polarizada entre PT e PSDB, sem espaço para uma terceira força política representada pelo PSB de Eduardo Campos. “Acho que no Brasil isso ficou bem demarcado a partir do governo Lula”, avaliou, em entrevista exclusiva ao Broadcast Político e o jornal O Estado de São Paulo. A chapa de Tarso, que tentará a reeleição, deverá ser lançada oficialmente na próxima semana com a presença do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff. Segundo as pesquisas de intenção de voto, a principal oponente do petista na disputa será a jornalista e senadora Ana Amélia Lemos (PP), que formou aliança com o PSDB no Estado e, portanto, dará palanque a Aécio Neves.

Tarso afirmou que a oposição terá dificuldade para sustentar o discurso de choque de gestão e enxugamento da máquina pública, tanto na eleição estadual como na nacional. “Vamos desafiar os adversários para que falem publicamente que vão reduzir gastos sociais. Eles querem cortar, mas não terão coragem de dizer”, disse.

O gaúcho, que foi ministro no governo Lula entre 2004 e 2010, exaltou a liderança do ex-presidente Lula na política, mas afirmou que o PT precisa passar por uma reestruturação se não quiser que a militância de esquerda venha a se fragmentar no Brasil. “O PT tem o risco de se tornar um partido de esquerda tradicional, o que seria um desfavor para a sociedade brasileira.” Leia abaixo os principais trechos da entrevista:

O senhor vai enfrentar nas urnas PMDB, PP e PDT, partidos que são da base aliada da presidente Dilma Rousseff, mas apoiam outros candidatos no Rio Grande do Sul. O que acha do cenário atual de alianças no Brasil?

É uma deficiência estrutural do nosso sistema político, um sinal de atraso. O correto é que os Estados meçam sua visão de progresso a partir de uma ótica nacional e não procurem subordinar o seu desenvolvimento a interesses puramente localistas. A integração que fizemos com a União (no governo Dilma) rompeu com essa tradição no Estado. Mas o debate eleitoral e ideológico no Rio Grande do Sul sempre foi muito marcado entre esquerda, centro e direita. Por isso, as alianças nacionais não funcionam aqui. Para nós não há estranhamento no fato de o PMDB local, por exemplo, não apoiar a nossa candidatura nem a da Dilma. Aqui, ao invés de se tornar um partido centro-progressista, o PMDB foi para a centro-direita, cobriu a inexistência do PSDB.

Uma parte do debate eleitoral no Rio Grande do Sul deve girar em torno do gasto público. Como o senhor pretende se defender das críticas de um suposto descontrole das finanças do Estado?

Não há descontrole das finanças, o que há é um controle para sair de uma crise herdada. O avanço que fizemos nos permite desenhar uma sustentabilidade para os próximos dois anos. Com a aprovação (no Senado) do projeto de lei de mudança do indexador da dívida de Estados e municípios, que ocorrerá em novembro, os Estados terão que apresentar uma política financeira de transição para chegar a 2027 com uma situação mais sadia. Estamos fazendo isso. Também é preciso dizer que os gastos que aumentamos são gastos sociais. Vamos desafiar os adversários para que falem publicamente que vão reduzir esses gastos sociais. Eles querem cortar, mas não terão coragem de dizer.

A senadora Ana Amélia tem falado muito da redução da máquina pública...

Este é o discurso do Aécio Neves, repetido pela Ana Amélia, que é uma figura respeitável, mas que nunca foi gestora e não conhece a estrutura do Estado, não conhece nem o Rio Grande do Sul. Ela sempre foi mais ligada ao agronegócio e à televisão, onde a pessoa pode dizer tudo sem receber resposta. Ela está completamente equivocada sobre o que é o nosso Estado, o que é sua estrutura produtiva e quais são os problemas que um governante enfrenta.

Esse também vai ser um debate no nível nacional, entre o senador Aécio e a presidente Dilma. O senhor vê lugar para uma terceira via, representada pelo PSB de Eduardo Campos?

Acho difícil, porque esse não é um debate nacional, mas sim mundial. E na raiz dessa discussão está a seguinte questão: como você recebe a globalização no território, nas finanças públicas e nas instituições? De uma forma passiva ou adequando-se de maneira virtuosa aos interesses do Estado? Com mais ou menos chantilly, esse é o grande debate mundial. Quando Aécio e Ana Amélia falam em choque de gestão, a população sabe o que significa: menos políticas sociais, compromisso primário com a globalização exigida pelo capital financeiro e ausência de iniciativas para atrair investimentos que dinamizem a base produtiva local.

É nesse contexto que o senhor acredita que não haveria espaço hoje para o PSB?

Sim, acho que no Brasil isso ficou bem polarizado e demarcado a partir do governo Lula. Entendo que, na questão nacional, haverá uma nova agenda para o próximo presidente ou presidenta: reestruturação da federação, que está totalmente deformada; saúde nas grandes regiões metropolitanas; transporte coletivo popular nos centros urbanos e segurança pública. Esta é a agenda do Brasil para os próximos 12, 14 ou 16 anos. E o candidato que entrar no debate político sem estar armado sobre essas quatro questões vai ter um desgaste no processo eleitoral.

O que o senhor achou da estratégia do PT de utilizar o mote do “medo” no programa eleitoral do partido no rádio e na televisão?

Não vi problema. A grande conclusão que você pode tirar é que as pessoas estão com medo mesmo, porque isso (a propaganda) teve um efeito muito devastador. Não estamos falando do medo relacionado à violência. A propaganda falou que os programas que o PT tem estão sendo impugnados, e que o desemprego e a miséria podem voltar no País.

O senhor acha que pode haver um retrocesso dos programas sociais se o Aécio for eleito?

Sim, porque não se faz esse choque de gestão que ele está colocando sem que se cortem recursos. Como o pagamento da dívida não pode ser cortado, porque isso desequilibraria o relacionamento do Brasil com o mercado internacional, o corte só pode ser no arrocho salarial e nos programas sociais. Isso é um equívoco. É apostar na recessão e no aumento do desemprego. Isso não é bom para o País.

O PT gaúcho deverá receber o Lula e a presidente Dilma no Rio Grande do Sul na semana que vem. O Lula continua sendo a figura central do PT?

Ele continua sendo uma figura central da política brasileira porque fez com sucesso uma sucessora e continua tendo posições que são explicitadas nacionalmente, inclusive com relação ao partido. Lula já deu duas ou três declarações sólidas sobre a renovação do nosso partido, de uma maneira pela primeira vez muito aguda. Isso é positivo. Sou da minoria partidária que acha que o PT tem que ser reestruturado ideologicamente, programaticamente e politicamente.

Por quê?

O PT tem o risco de se tornar um partido de esquerda tradicional, o que seria um desfavor para a sociedade brasileira. Isso não é uma crítica aos partidos tradicionais. Todos têm que ser respeitados. Mas toda a democracia precisa ter um partido rebelde, transformador, que desenvolva um espírito utópico que move as mudanças generosas de qualquer sociedade. E o PT, com a sua condição de partido de governo, se aproxima de um pragmatismo perigoso. No próximo período, o PT tem que assumir novamente uma função transformadora mais aguda na sociedade brasileira. Se não o fizer, o campo popular, de esquerda, vai se fragmentar em milhares de micro organizações e a direita e a centro-direita vão reinar por muito tempo no futuro do País.

E por onde deveria começar esse resgate da essência do PT?

Por um sistema de alianças mais coerente, soldado com um centro político de esquerda amplo. Pela reforma da federação, que envolve a reestruturação da dívida pública e projetos sólidos voltados às grandes regiões metropolitanas. E pela compreensão do diálogo e colagem do partido com os movimentos sociais. Se o PT não fizer isso, corremos o risco de ficar como os partidos sociais democratas europeus hoje, que são uma face mais generosa da direita liberal.

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